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sábado, 14 de agosto de 2010

Fogão à lenha

Tenho uma natural e total inabilidade no uso desse utensílio doméstico embora tenha convivido de perto com ele desde muito menina. Já relatei aqui no post "Saudades de Vacaria...." as minhas lembranças de infância junto ao tal objeto e desde que vim morar no interior à quase 16 anos, tenho convivido quase diariamente com ele, pois quase todas as casas que frequento tem um. 

Aqui em casa temos o nosso há uns 3 anos, mas além de não conseguir me entender muito bem com ele e fazer ou manter o fogo aceso estão além das minhas aptidões não consigo achar a mesma graça que acho quando vou na casa da minha sogra por exemplo, e ficam todos sentados em roda do fogão, chimarrão de mão em mão e o calor do fogo realmente aquecendo o ambiente.

Não sei se o que falta é mais gente sentada em redor do fogão, ou se mais tempo com ele aceso ou se a minha antipatia pelo NOSSO fogão à lenha se deve simplesmente por eu não saber usá-lo. Só uso quando meu marido se presta a fazer o fogo e mantê-lo aceso, então deixo a comida já pronta em cima para não esfriar e a chaleira do mate. Mas talvez seja porque as lembranças que este objeto me traz não tem muito em comum com os dias de hoje. 

Lembro da casa da tia Lady, toda de madeira, simples, e o fogão eternamente aceso aquecendo a casa do frio de Vacaria. Na chapa, uma chaleira d'água pro chimarrão, um punhado de pinhão ou uma polenta e um bule de café recém coado, o cheiro exalando no ambiente e convidando quem chega a sentar-se à mesa. A mesa posta com pão caseiro, ainda quente do forno, aquele que a gente põe a manteiga em cima e ela derrete, só a cena em si um alimento para os olhos e para a alma. Bolo de milho, doces e geleias de todas as cores (porque criança não se liga muito em sabor, as cores é que chamam a atenção), roscas, bolo frito com açúcar e canela por cima.
Ou então a casa da tia Marilene, que tinha todas essas delícias também, mais o aconchego de alguém que faz de tudo pra agradar, da conversa sempre animada, as primas correndo pela casa, assim como tia Clélia que morava com vovô e vovó e meu primo que eu idolatrava como se fosse um irmão mais velho. 
A tia Celina, sempre com um tricô ou croché no colo, não lembro bem, mas sempre fazendo alguma coisa bonita apesar das mãos judiadas pela artrite, ao lado do fogão. Lembro ainda de quando eles moravam na casinha de madeira do outro lado da rua, era uma casa velha e pequena, mas nas minhas memórias de infância era um castelo. Tudo porque tinha um quartinho (sótão) na parte de cima da casa, com uma janela baixa perto do assoalho onde dava pra ver a avenida. Eu achava aquilo o máximo e toda vez que ia lá, algum dos primos tinha que me levar lá em cima ou eu morria do coração. 
A casa da tia Lúcia era sempre muito cheia de gente. As crianças dela que já não eram poucas e mais uma legião de amigos, vizinhos e os peões que trabalhavam com o meu tio. O fogão tava sempre em alta atividade assim como a casa toda, repleta de gente e claro, muita balbúrdia. Adorava estar lá, achava aquele entra e sai a coisa mais emocionante que eu já tinha vivido, pois vivia num apartamento sozinha com meus pais e só mais tarde com meus irmãos, mas nada que se assemelhasse àquela casa cheia de gente, de conversa, de música e etc. 

Hoje está um dia típico para essas lembranças todas, faz um frio cortante, lá fora cai uma garoa fina e eu estou com fome, ou seja, tudo em volta me faz lembrar de um bom fogão à lenha, das pessoas conversando animadamente ao seu redor e da chapa quente aquecendo o café que sempre vem acompanhado de um monte de outras gulodices.
Comentários
8 Comentários

8 comentários:

  1. Tuka,

    Me deu uma vontade de comer pão caseiro com a manteiga derretendo.
    Minha família é do interior de São Paulo, e quando viajamos pra lá,nas férias, uma tia do meu pai sempre faz comida em fogão à lenha, eu adoro!

    Um beijo.

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  2. Nossa q delícia...
    eu infelizmente nunca tive a oportunidade de comer uma comidinha feita no fogão a lenha, nem ficar quentinha numa roda envolta dele...

    mas parece ser incrível...

    adoro ler suas recordações... parece q por instantes "vivo" ela junto com vc...

    beijoooooooos

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  3. Me deu saudade da minha avó, ela tinha um fogão de lenha e nós ficávamos lá na beira do fogão... só curtindo aquele cheirinho de café!! Ai, quanta saudade Tuka, vc me despertou!!

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  4. Oi Tuka,

    minha avó tinha fogão à lenha e panela de barro, a comida tinha um sabor especial. Adorava pão assado na grelha do fogão a lenha, eles ficavam com a beirada toda queimadinha... aff delicioso! bjs

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  5. Olá Tuka
    Obrigado pela visita ao meu blog, pelo comentário e por estar me seguindo.
    Bjux

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  6. Oi Tuka....
    Lembro muito das histórias de minha avó paterna...grande cozinheira e dos quitutes da fazenda no fogão de lenha.
    Eu piloto um fogão (a gás...rs) super bem... mas o que mais importa são as lembranças e o carinho que cerca a comida e a família.
    beijocas,
    Mari.

    ResponderExcluir
  7. Olá Tuka
    Obrigado pela visita ao meu blog, pelo comentário e por estar me seguindo.
    Bjux

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  8. Tuka,

    Me deu uma vontade de comer pão caseiro com a manteiga derretendo.
    Minha família é do interior de São Paulo, e quando viajamos pra lá,nas férias, uma tia do meu pai sempre faz comida em fogão à lenha, eu adoro!

    Um beijo.

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