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domingo, 27 de janeiro de 2013

Consequências

Acordamos hoje sobre o impacto de uma tragédia: a morte de cerca de 240 jovens no incêndio da boate Kiss em Santa Maria/RS.

 

A cobertura da imprensa, sobretudo aqui no sul, é intenso e já se falou muito sobre as prováveis causas, falhas e culpas. Fora as especulações e todo o sensacionalismo em cima da tragédia que as famílias desses jovens enfrenta, já se pode tirar algumas conclusões.

 

A principal conclusão, é de que atos geram consequências. Omissões também. Toda essa dor e sofrimento são resultado de uma série de atos e omissões cujas consequências não foram calculadas ou deliberadamente negligenciadas.

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A culpa é de quem permitiu o funcionamento da boate com alvará vencido, de quem não fiscalizou e não cobrou as normas de segurança, do dono da boate que não se preocupou com a segurança das pessoas que frequentavam seu estabelecimento por não ter saídas de emergência, pela única saída ser um brete estreito, por não manter os extintores de incêndio funcionando, dos seguranças que demoraram a perceber o que estava havendo e até barraram a saída de alguns, da falta de um alarme que pudesse ter feito todos (inclusive os seguranças) perceberem logo que se tratava de um incêndio e não uma briga…

 

Enfim, muita gente  tem culpa nessa história. A culpa é de todos nós. É nossa culpa, por não medirmos as consequências de não cobrarmos das autoridades a devida fiscalização; é nossa culpa não medirmos as consequências de frequentarmos lugares sem nos preocuparmos com a segurança e não ensinarmos nossos filhos a fazê-lo. É nossa culpa nos acostumarmos a viver as emoções do momento mas não nos prepararmos para situações de emergência, porque o que matou a maioria daquelas pessoas não foi o fogo, mas o pânico.

 

Fogo, fumaça, desorientação, superlotação… um amontoado de erros, falhas e omissões que geraram como consequência uma situação de intenso pânico e a consequência do pânico foi a morte.

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A consequência agora é luto, consternação. Mas também deve ser de cobranças, punições e medidas preventivas para se evitar novas tragédias.

 

Encerro este texto com o pesar pelos familiares e amigos das vítimas. Muitos cachoeirenses estudam na UFSM (organizadora da festa) e se não estão entre as vítimas, certamente são amigos de muitas. Neste momento de luto e pesar, nos resta rezar para que essas famílias encontrem algum conforto.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Observando Pessoas

Sempre gostei de observar as pessoas, era um hobbie comum nos meus tempos de menina, quando minhas horas de ócio eram mais livres e silenciosas.

 

Com o tempo, as responsabilidades do mundo adulto, o tempo ocioso ficou mais escasso mas com absoluta certeza meus momentos ociosos não são mais silenciosos.

 

Acabei retomando o velho hábito com as minhas viagens, já que passo muito tempo sozinha e esperando.

 

Essa observação é muito interessante. Às vezes, as pessoas se aproximam. Estão ali, na mesma situação, esperando, sozinhas, cansadas. Puxam conversa, se abrem. É impressionante como nessas situações as pessoas contam suas vidas, seus problemas, suas dores sem muito constrangimento para outra pessoa completamente estranha.

 

Apesar de ficar geralmente sozinha, eu evito ao máximo essas aproximações. Antes eu gostava de ter alguém pra conversar e ajudar a passar o tempo, mas depois fui ficando mais egoísta e evitando, porque em ambiente hospitalar ninguém tem boas histórias pra contar.

 

Acabava absorvendo toda a carga emocional das histórias alheias, aumentando meu stress psicológico e meu cansaço mental. Eu pouco ou nada ajudava quem falava e só me prejudicava.

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Hoje eu evito ao máximo falar com quem quer que seja nas minhas viagens, procuro o silêncio. Me sento nos bancos da rua, embaixo das árvores, lugar agradável (se você esquecer que está num hospital),próprio pra contemplação.

 

E então observo. É difícil conhecer as pessoas até mesmo quando convivemos com elas, por isso não tenho a pretensão de decifrar ninguém. Só me divirto e exercito minha imaginação e humanidade tentando ir além das aparências.

 

Vejo a maneira das pessoas vestirem-se, a maneira como andam ou falam, a cor da pele, do cabelo, a idade presumida, a maneira como interagem entre si e fico imaginando as histórias que carregam. Quanto mais eu faço isso, mais tolerante com os “defeitos” alheios eu fico. É um exercício muito fascinante.

 

Cada vez que observo uma pessoa, procuro olhar para ela como se tivesse olhando pra mim mesma num espelho. Como eu seria se eu fosse daquela maneira, tivesse aquela aparência, aquela idade? De que maneira eu reagiria a isso ou aquilo? Que preconceitos eu sofreria? Que vantagens eu teria? Que pensamentos ou atitudes diferentes eu teria se eu fosse aquela pessoa?

 

Parece maluquice. Acho que até é. Você já tentou fazer isso?

domingo, 13 de janeiro de 2013

Reflexões a cerca da morte - 2

 

Depois de um tempão sem postar nada, volto a falar neste assunto (leia o  1º post  aqui)  outra vez entristecida por uma perda.

 

A reflexão agora é mais profunda, em vez de acompanhar de longe a tristeza dos meus pais pelas perdas de amigos e parentes mais distantes, de uns tempos pra cá sou eu que tenho visto tanta gente próxima partir.

 

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Essa constatação me leva inevitavelmente a outra: estou envelhecendo. O tempo nos beneficia com a maturidade e mais “sabedoria”, mas cobra seu preço nos tirando a vitalidade e alguns amigos.

 

No fim do ano perdemos um amigo próximo, vítima de um câncer. Na semana passada, foi uma amiga, mais jovem que eu, vítima de uma tragédia. O que me levou a outro choque de realidade: definitivamente não sabemos quando será nossa vez.

 

Como eu disse no outro post, a morte nos faz pensar na necessidade de sermos pessoas melhores. Tenho sonhado com essa amiga quase todas as noites desde que ela faleceu. E isso tem me feito desejar ser uma pessoa melhor. Agora.

 

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