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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Um ano

Pra encerrar as comemorações do aniversário da minha linda, umas fotos de hoje.

Com a mamãe
Se instruindo




Parabéns minha filha!!! Que Deus te abençoe e te conceda saúde, paz, amor, sucesso e muita alegria na sua vida e que ela seja longa e produtiva.

Primeiros dias de uma vida

Para comemorar o aniversário da Letícia, escolhi algumas fotos dos seus primeiros dias de vida, para mostrar o início desta vida linda com que Deus nos contemplou e para homenagear aqueles que fizeram parte destes primeiros momentos da vidinha dela. Faltam algumas pessoas que não tiraram nenhuma foto com ela nestes dias, como a prima Daniela, o vovô Gilberto, os vovos Mário e Vonir, os dindos Paulo e Angelita e mais um monte de gente com quem só fomos tirar fotos mais tarde. Estes são só os primeiros momentos, aqueles que foram principais para a mamãe aqui, depois ela irá decidir quais foram os principais para ela.


Letícia nasceu às 15:58 do dia 29/09/2009. As fotos são dos seus primeiros momentos em casa à excessão das duas últimas tiradas quando tinha 2 meses na sua primeira "reunião familiar", ocasião em que também pode "conhecer" o mar.

domingo, 26 de setembro de 2010

Esta chegando o dia

O dia do primeiro aniversário da Letícia está chagando, será na quarta-feira, dia 29. Não haverá festa, porque não temos condições para isso, mas a comemoração caseira certamente será bem grande. Nosso bebê está ficando "grande" e nós, definitivamente mais velhos.

Quando soubemos que seria mais uma menina, partimos para a escolha do nome. Letícia foi o primeiro que me surgiu, pois já havia pensado nele para uma das gêmeas, mas na época o pai preferiu Camila para fazer dupla com Aline. Eu gostei do significado do nome: ALEGRIA e achei propício. Também tenho uma ligação sentimental com este nome.
Pouco depois de nos mudarmos para o apartamento no parque São Sebastião em Porto Alegre, eu devia ter uns 6 para 7 anos, nossa vizinha de porta deu à luz e pôs esse nome na menina. Os vizinhos todos eram muito próximos e quando ela chegou da maternidade, todos os esperavam nas escadas e corredores do prédio. A imagem da Ângela, uma mulher alta, grande e desajeitada, carregando nos braços um pacotinho minúsculo contendo uma carinha rosada e chorosa de bebê, subindo as escadas com as lágrimas lhe escorrendo pelo rosto, ficaram de tal forma gravadas na minha mente, que toda vez que penso nesta cena me emociono muito. Brinquei muito com essa Letícia quando éramos pequenas, depois perdemos o contato. Mas a emoção e alegria de ser mãe ficaram marcadas em mim, representadas por esta cena vivida na infância. Lembrar dessa história, me fez reforçar a vontade de colocar este nome na minha filha.

Acredito que o significado do nome seja um traço na nossa personalidade, talvez capaz de definir nosso destino,porque a Letícia é pura alegria.

É uma criança que está sempre sorrindo, não é exigente, reclama pouco da vida. É calma, tranquila, embora seja também muito braba, é melhor não abusar da sua imensa boa vontade ou ela certamente irá se aborrecer e nos fazer perceber isso com muita clareza.

Amanhece invariavelmente sorrindo, acorda às vezes toda molhada (ô criança que faz xixi essa, ainda não achei fralda capaz de durar uma noite inteira), a barriguinha roncando de fome, mas fica lá conversando com as mãozinhas até que a gente apareça. Mas em compensação, é bom que a gente já apareça com a mamadeira na mão para ela ir tomando enquanto se troca a fralda (e a roupa toda), porque se damos oi e viramos as costas, cai a casa.

É esfomeada, faminta, voraz. Come um papá que é uma maravilha, dá inveja de tanto apetite. Já era assim quando só mamava no peito. Adora uma bolachinha, que segura bem com a mãozinha desde antes de poder comê-la, mas a mamadeira só agora quis segurar, não que não soubesse, simplesmente não queria, pura preguiça.
É muito esperta e capaz de fazer coisas que muita criança na idade dela não faz, mas é preguiçosa, ainda não quer saber de ficar em pé, nem engatinha, não que tenha mesmo espaço para isso, mas prefere ficar sentada com os brinquedos em roda. Se atira para buscá-los longe, dá suas piruetas, mas não sai muito do lugar, parece um pequeno buda, sentadinha, com seus pouco cabelos, gorducha e sorrindo. A imagem da paz.


Em tamanho e em peso, não fica muito atrás das manas, pouquíssima diferença que certamente desaparecerá em poucos anos, crescerão todas juntas. Aliás, às vezes acho que a polícia federal vai bater na nossa porta e nos prender por formação de quadrilha, minha "gangue" se une para fazer suas artes e estrepolias e se defendem umas às outras. É muito lindo de ver quando elas brigam entre si, por causa de algum brinquedo ou quando a pequena rouba a chupeta de uma delas e ficam de choro e eu venho ralhar com elas, um me olha e diz: "não faz assim mamãe" e a outra defende justamente aquela que estava brigando com ela.

A pequena ainda não participa muito dessas "armações", por enquanto só observa e aprende, mas vez por outra já faz das suas também. A nós, cabe a "difícil" tarefa de admirá-las, sorrir e babar...

O mais incrível é que esse ano passou voando, muito rápido mesmo. Sei que dizer isso é chover no molhado, mas simplesmente não vi o tempo passar. Isso é bom, afinal o tempo só passa depressa quando a gente está se divertindo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Adaptação

EDITADO

Como ser mãe e continuar a ser mulher? Odiei esse título e ele não rendeu muito, então editei o post colocando título novo.

A gente se prepara para ser mãe desde que nascemos, pelo menos até a minha geração, já que as coisas estão mudando numa velocidade intensa. A menina nasce e o primeiro brinquedo que ganha é uma boneca. Como a mãe é a pessoa adulta mais próxima, (ou a avó, a babá ou a atendente da creche, todas mulheres) é nessa pessoa que a criança primeiro se espelha e tenta imitar seus gestos.

Vejo aqui pelas minhas gêmeas, por terem personalidades muito distintas, cada uma faz uma coisa diferente, mas as duas me imitam o tempo todo. A Aline imita o que eu digo:" - não mexe aí, mana! -põe o sapato! -come a comida! -Ah, que linda!" Repete as minhas ordens e as expressões que uso para falar com elas (inclusive os palavrões). Já a Camila imita os gestos, pega a boneca e "troca as fraldas", fazendo direitinho como se fosse um pequeno bebê. A Letícia, ainda é pequena, mas já pega a bonequinha e junta ao peito e canta: aãaãaã pro nene nanar...É uma graça de ver.

Então é isso, a gente vai imitando nossas mães e vai se preparando para a maternidade. Quando chega o momento, começamos a ler tudo o que nos cai diante dos olhos que fale sobre o assunto: como se preparar antes de uma gravidez, dicas de alimentação, posições sexuais que favorecem a fertilidade e toda sorte de dicas para tentar influenciar no sexo do bebê. Livros, sites, revistas, programas de tv falando sobre gravidez e alguns problemas que podem surgir: estrias, varizes, pressão alta, diabetes, dor nas costas. Artigos e mais artigos sobre a preparação do enxoval, decoração do quarto, chá de bebê, o que levar pra maternidade, tipos de parto, dicas de hospitais e maternidades.

Tudo muito lindo e útil, é claro. Já existem até cursos que ensinam as mamães (e papais) de primeira viajem a segurar o bebê para dar banho, como trocar a fralda, a posição mais adequada para amamentar, como fazer o bebê arrotar e tudo mais que se possa imaginar.
Mas ninguém, nenhum artigo em revista ou jornal, nenhum livro ou site da internet nos prepara (e aos maridos principalmente) para a necessária adequação da mãe com a mulher que ainda mora dentro de nós.

Quando ficamos grávidas, além de todo o componente emocional envolvido, das mudanças do nosso corpo que nos deixam inseguras, ainda sofremos uma mudança hormonal violenta que nos transforma. Ficamos mais frágeis, sensíveis. A mulher, por gerar o bebê, sente-se mãe desde antes de saber-se grávida, só vai aperfeiçoando este sentimento à medida em que o bebê cresce. Já o homem fica de fora dessa etapa. Ele pode até participar, conversando com o bebê, acariciando a barriga, ajudando nos preparativos, mas a verdade é que se sentem meio deslocados, conversando com uma barriga.
foto da internet
O bebê passa a ser o foco principal da vida dela, todas as conversas, seja por qual tema se iniciem, acabam convergindo para um só assunto: o bebê. Ainda durante a gravidez é possível manter-se profissional, esposa, filha, amiga, dona-de-casa e todos os papéis com bastante atenção.

 Mas quando o bebê nasce, a coisa muda um pouco de figura. Novamente a mudança hormonal é violenta e muito repentina, causando às vezes transtornos graves nas mulheres, e a atenção dela agora é quase que exclusiva para aquela criatura indefesa em seus braços, que depende dela para tudo. O amor que se sente é tão, mas tão grande que chega a doer. O primeiro mês, para a adaptação da mãe com o bebê, para os primeiros desafios da amamentação e até por questões físicas, é quase todo do bebê. 

Muitos homens se ressentem disso. Não compreendem bem, também não foram preparados para esse momento. Sua esposa, antes tão carinhosa e dedicada à ele, agora praticamente se esquece que ele existe. Na verdade, os dois estão carentes de muito carinho e atenção, mas sofrem um bocado para se adptarem à nova realidade. Cada vez que um filho chega, a vida muda. Não fica pior, mas com certeza fica diferente, é preciso adaptar-se.

É por isso que muitos casamentos se desfazem logo que o os filhos nascem, faltou ao casal maturidade para o diálogo e compreensão mútua necessária em um momento tão sublime quanto delicado como esse. Ao homem faltou maturidade para dar à sua esposa muito carinho e atenção, auxílio, sem cobranças, para que ela  possa se adaptar à sua nova função (ou ao novo bebê) o mais rápido possível e a vida possa então seguir o seu curso. À mulher, faltou maturidade para saber que em algum momento precisa "deixar a cria crescer", sem sufocá-la com tanto amor, dedicando então todo o amor que possui entre todos aqueles que o esperam: o marido, os outros filhos, à família, aos amigos, ao trabalho.

Comigo nunca houve uma preparação para nada, aconteceu tudo aos trancos e barrancos. Ter praticamente emendado uma gestação na outra foi bastante complicado por todos os motivos possíveis inclusive o financeiro. Mas como vocês puderam ver, a palavra-chave deste texto foi ADAPTAÇÃO, ainda estamos no nosso, mas houve e ainda há uma real disposição de fazermos as coisas darem certo, e pra isso não existe uma receita pronta, um manual de instruções para a vida, até porque nem tudo o que é bom para mim é necessariamente bom para os outros e vice-versa, mas alguns ingredientes são básicos: muito amor, compreensão, paciência e diálogo.



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Amamentação


Este post não será de exclusividade da Letícia, afinal minhas aventuras e desventuras com a amamentação vem de longa data. É longo, mas vale a pena ler.

 Embora eu fosse muito jovem quando tive o Allyson (17 anos), sabia da importância da amamentação e tinha lido muito a respeito na intenção de me preparar para isso. Mas tudo o que ouvi durante a minha preparação eram relatos de que o bebê sabia exatamente o que devia fazer e que a intuição e o instinto fariam praticamente todo o trabalho.

Isso foi uma mentira muito grande. É claro que o bebê tem o instinto de sugar, e eu, o desejo enorme de alimentá-lo com o meu leite, mas nada do que li ou ouvi, me preparou para amamentar meu primeiro filho que nasceu prematuro e como era muito pequeno, levou alguns dias para começar a se alimentar de leite. Para que não fizesse esforço sugando (em bebês prematuros, qualquer esforço, até mesmo para se manter aquecido faz perder peso, justamente o contrário do que se deseja) começou a alimentar-se por sonda.    

Mamava 2ml de leite a cada duas horas, enquanto eu retirava litros no banco de leite. Meus mamilos racharam, doía muito, saía sangue às vezes. Mas continuei tirando o leite pra ele. Com 2 semanas me autorizaram a oferecer o peito a ele. Eu já não sabia como segurá-lo e ainda tinha que fazer isso com ele dentro da incubadora. Ele me olhava faminto, eu chorava com ele.

Quando ele saiu do hospital, com 42 dias, recebi a orientação de complementar a amamentação com leite em pó, e como eu já fosse completamente desajeitada para amamentá-lo, a mamadeira decretou o fim do nosso período de total integração. Ao todo, amamentei ele por 3 meses e meio.

Quando a Yasmin nasceu, quase 8 anos depois, já tinha outro tipo de percepção de tudo e mais do que nunca queria amamentar meu bebê. Mas ainda me faltava muita informação. Se consegui amamentá-la por 9 meses, foi de teimosa que eu sou. Ela sugava e meu leite saia, mas custou a realmente "descer" e ela tinha fome.

Fiquei sem meu marido na primeira semana com ela, pois ele tinha iniciado num emprego novo e precisou viajar no dia em que ela nasceu, (iria às 7 mas ela nasceu 15 minutos antes, acabou viajando ao meio dia) então me senti desamparada, tinha minha sogra e minhas cunhadas tomando conta de mim, mas queria meu marido e minha mãe por perto. Entrei em pânico.

Uma vizinha que tinha tido bebê um mês antes, me acalmou, colocou o seu bebê para sugar meu seio enquanto ela alimentava a Yasmin, que mamou muito e se acalmou. O bebê dela, maior e mais faminto, também fez um ótimo trabalho comigo, no outro dia meu leite desceu tanto que tive febre e passei o maior trabalho para retirar o excesso e ficar numa boa.

Meus mamilos tambem racharam desta vez, cada vez que ela mamava, eu chorava de dor e tinha vontade de desistir daquilo tudo. Mas como eu disse, eu era teimosa, e com o tempo as coisas se ajeitaram. Só parei de dar de mamar à ela porque não queria outros alimentos e o jeito foi tirar o peito para que ela se prestasse a comer frutas e papinhas. Hoje sei que também foi um erro, poderia ter feito de outra forma, mas foi a orientação que o pediatra me deu.



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Aline à esq e Camila à dir
Com as gêmeas a situação foi outra. Recebi a orientação do meu neurologista de suspender a medicação que tomava assim que soube da gravidez e de iniciar com outra no 6º mês, para já estar protegida quando o bebê (na época ainda acreditávamos ser só um bebê) nascesse. Poderia amamentar normalmente.

Mas eram dois bebês e nasceram prematuras. Como eram muito pequenas e não tinham completado todo o seu ciclo de formação dentro da barriga, ouve uma discussão sobre se eu poderia ou não amamentá-las tomando aquela medicação. Esperei por 2 dias a descisão dos  médicos antes de iniciar a estimulação do leite. Isso comprometeu muito a minha produção.
Lindo né?

Mesmo assim, só recebi autorização para dar o meu leite à elas depois que atingissem 2 kilos, antes disso tomavam fórmula para prematuros. Sofri muito com isso, tinha leite, elas tinham fome, sugavam as chupetas e mamadeiras com uma voracidade enorme, mas não podia dar meu leite à elas. Mas tirava no banco de leite e armazenava ara quando pudesse. A Camila atingiu o peso primeiro e foi com muita emoção que a amamentei a primeira vez, quase um mês depois do nascimento. A Aline só pode mamar no peito após sair do hospital, com 36 dias.

Aqui jánão sei mais quem é quem :/
O que me faltou foi estrutura logística. Ficava muito tempo sozinha com elas e como elas acostumaram no hospital a mamar no mesmo horário, eu me estressava em dar mama para uma enquanto a outra chorava de fome. Segurar as duas ao mesmo tempo exigia que alguém me ajudasse a colocá-las no peito. Era difícil e como também tinha a mamadeira para complementar, elas não me quiseram por muito tempo. Chorei horrores quando me rejeitaram. Mas consegui amamentar as duas por 4 meses.

Letícia aos 6 meses
Com a Letícia a orientação do neurologista já foi diferente, suspender a medicação e começar a tom´-la assim que o bb nascesse, mas não poderia amamentá-la. Bati o pé, e quis amamentá-la assim mesmo. Qaundo ela nasceu, fiquei com ela nos braços por muito tempo antes que levassem ela para tomar banho e etc, mesmo assim, levaram ela, e me devolveram minutos depois ainda na sala de recuperação, onde dei o peito pela primeira vez e ela me mostrou o quanto também queria ser amamentada. Foi voraz e enfática desde o rpimeiro momento. Aliás ela é assim, uma flor de formosura, calma, tranquila, mas quando quer algo, sabe se fazer entender.
Com 2 meses o médico me pressionou novamente a parar a amamentação e iniciar com a medicação, mas novamente bati o pé e me neguei. Queria amamentá-la pelo menos os 6 primeiros meses. Mas com 4 meses minha EM começou a dar sinais de atividade e então recebi um ultimato. Comecei então uma batalha épica para desmamá-la.

Acontece que a bichinha não queria saber de mamadeira, cerrava os lábios, virava o rosto e chorava muito quando tentava oferecer a mamadeira. Meu marido dizia que era o leite em pó que ela estranhava, mas coloquei o meu leite na mamadeira e ela rejeitou igual. Ofereci com copinho, com colherinha... nada! Ela simplesmente não queria. Havia colocado na creche, justamente para obter ajuda para esse processo, mas ela não queria saber. Ficava com fome, horas, mas não mamava na mamadeira. Perdeu peso, se estressou, eu me estressei e acabei tendo um surto.

Nessa época, vi que precisava mesmo tirar o peito dela, ou ia acabar ficando com problemas mais sérios e não poderia nem mesmo cuidar dela. Então comecei a insistir muito, até que ela começou a aceitar a mamadeira de vez em quando, até que consegui finalmente tirar o peito, faltando 2 dias para ela completar 6 meses! Ou seja, ela mamou o tempo que ela quis e que era o que eu queria também.

Um bebezão!
Se é uma coisa da qual vou sentir muita falta dos filhos pequenos é de amamentá-los. É um momento único que proporciona uma intimidade muito grande entre a mãe e o bebê, uma ligação que é para a vida inteira. Queria ter podido dar o peito por muito mais tempo à todos eles, mas sei que fiz o que foi possível diante de cada situação.

Acho que a minha história serve um pouco de alerta, de que só o instinto não resolve nada. É preciso tranquilidade, apoio familiar, local adequado (pelo menos no início, depois que a gente pega o jeito qualquer lugar serve), e principalmente muita informação para que as mamães não desistam de amamentar seus filhos.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Letícia - Os desafios

Um dos maiores desafios que encontrei com a gestação da Letícia foi a conciliação. Conciliar o barrigão com as viagens e tudo isso com as outras 2 bebês que ainda nem caminhavam sozinha.

Quando engravidei das gêmeas, a ideia era ter só mais um bebê e não 3 encarreiradas assim, já não tinha mais 20 anos e minha coluna se ressentiu do excesso de trabalho extra.

Meu desejo era poder ter a Letícia aqui em Cachoeira, já que as gêmeas nasceram em Porto Alegre porque minha gestação era de alto risco (por serem gêmeas e por causa da minha EM), e também fazer um parto normal pois pensava nas gêmeas, ainda tão pequenas, seria difícil ficar longe delas por muito tempo e uma cesárea me impediria de pegá-las no colo ainda por um bom tempo. 

Mas por causa da DMG, ficou inviável metade do plano. O obstetra que fazia meu pré-natal aqui me aconselhou a ir pra Porto Alegre e esperar pelo parto lá, já que eu fazia pré natal lá também para que meu neurologista estivesse mais a par do que estava acontecendo e também por lá ter mais recursos. 

Enfª Ana Paula e seu largo sorriso. Deu o 1º banho na Letícia
As viagens foram um desafio grande. Viajava praticamente todas as semanas, na segunda, para o grupo de gestantes e na quinta para as consultas com obstetra, nutricionista e endocrinologista. 

Nas segundas, ia cedo e passava o dia inteiro no hospital, no grupo de gestantes. Fazíamos a dosagem da glicose antes e depois de cada refeição e mais alguns exames extras, como ecografias frequentes para avaliar a quantidade de líquido (é comum diminuir repentinamente na gestação com diabetes) e para avaliar o estado geral do bebê, também fazíamos map uma espécie de ecocardiograma do bebê, além de ficarmos com o médico e as enfermeiras à nossa disposição para qualquer problema ou dúvida, uma psicóloga que nos ajudava a entender a necessidade daquele controle todo e manter a cabeça em cima do pescoço porque a situação toda é muito "pirante". É muito difícil fazer as pessoas que te rodeiam entender que ao contrário do que todos pensam, uma grávida não precisa comer mais, e principalmente uma grávida com diabetes precisa comer menos. É de enlouquecer. Já nas quintas podia voltar mais cedo, mas tinha a manhã inteira ocupada com as consultas.

O grupo das gestantes era uma coisa chata, cansativa, pois tínhamos que permanecer "presas" numa sala no andar da maternidade, entrávamos com baixa hospitalar pela emergência e só íamos embora após às 20horas SE o médico nos desse alta. Graças à Deus, nunca precisei ficar, mas muitas ficavam "de castigo" por uma semana ou várias até que suas taxas de glicose se normalizassem. Com o surto da gripe H1N1, ficou ainda pior, pois as refeições que fazíamos antes no refeitório, passou a ser servida para nós nesta sala, para que não tivéssemos contato com pessoas vindas da rua que pudessem eventualmente nos passar o vírus, letal para muitas gestantes.

Mas também tinha o lado bom, fiz muitas amizades com as outras mamães e trocamos experiências, gente muito diferente entre si, com histórias de vida muito distintas. Uma experiência eriquecedora. As enfermeiras que tomavam conta da gente também eram umas queridas, Regina e Ana Paula me ensinaram muito e tenho muita saudade delas.

Letícia com a Enfª Reginaum pouco antes da alta
As viagens eram muito cansativas e desgastantes para uma gestante nas minhas condições, viajava de ambulância, mas isso não me garantia conforto extra, nem tirava o nervosismo de ter que pegar estrada à noite, às vezes com chuva, às vezes com serração e frio. Deixar as pequenas em casa também não era fácil, elas se ressentiam da minha ausência e se agarravam cada vez mais à mim. Não podia mais ficar dando colo toda hora, mas como evitar?

Faltando pouco tempo para completar as 38 semanas, que eram o limite, e como eu já não me aguentava mais, fiz as malas, chamei minha mãe pra tomar conta da cambada e me fui de muda pra casa da minha dinda em Porto Alegre. Ela já tinha me aguentado por longos 50 dias lá quando as gêmeas nasceram, mas me recebeu de novo, de braços e coração abertos.

Ao todo fiquei 12 dias longe de casa,quando voltei, trazendo nos braços o pequeno "pacote", as gêmeas se agarraram em mim como se eu pudesse evaporar e sumir se elas me largassem. Principalmente a Camila, não me deixou nem ir ao banheiro por uns 3 ou 4 dias, sempre grudada nas minhas pernas. Mas agradeci muito à Deus ter conseguido realizar a segunda parte do meu plano: ter a Letícia de parto normal. 

Assim pude chegar em casa e pegar as duas no colo, deixei a pequena pro papai e pra vovó tomarem conta, só pegava para amamentar, e tratei de compensar minhas bonequinhas pela minha ausência. Funcionou. Elas raramente tem ciúmes da Letícia. Também eram pequenas demais para entender o ciúmes. 

Queriam brincar com ela como se fosse uma boneca, botavam o dedo no olho, roubavam a chupeta e punham na boca, puxavam pelos bracinhos... Qualquer outra mãe teria entrado em pânico e afastado a bebê das outras crianças, mas eu sabia que elas teriam que aprender a ter cuidado com a pequena e que a pequena teria que aprender logo a se defender, então deixava elas brincarem, só supervisionava bem de perto para não machucarem ela.

Hoje quando elas brincam, é a pequena que quer por o dedinho no olho delas, puxa os cabelos e rouba a chupeta das manas. Se defende muito bem, dá muita risada vendo as manas brincarem, bate palmas e dá uns gritinhos querendo acompanhar a folia.

Uma etapa foi quase vencida. Suportar a carga de ter 3 bebês

Meu bebezinho está crescendo, é o que a gente espera que aconteça, que eles cresçam e apareçam, mas o tempo não precisava passar tão depressa...





domingo, 19 de setembro de 2010

Letícia

Nos próximos dias vou contar aqui algumas histórias sobre nossa caçula, até o dia do aniversário dela que é dia 29 de setembro. 

Barrigão
Faltava uma semana para as gêmeas completarem um aninho quando tive uma tontura muito forte e caí um tombão nos fundos do pátio de casa. Desci o barranco rolando feito uma jaca podre, parei de cabeça para baixo e não conseguia me levantar, era noite, não tinha ninguém em casa e o imprestável do cachorro me olhava com um ar entre incrédulo e debochado.

Foi aí que me caiu a ficha. Andava tendo uns enjoos já ha algum tempo, mas acreditava ainda ser efeito da pulsoterapia que havia feito devido ao último surto da minha EM, mas aquela tontura forte e repentina podia ser gravidez. Entrei em pânico!
Aqui já estáva fazendo pose
Corri na farmácia e comprei um teste e fiz assim que cheguei em casa. Positivo! Achei que podia ter entendido errado, fui novamente na farmácia e comprei outro teste. Positivo de novo.

Esperei a Yasmin sair pra escola e dei a notícia pro papai. Foi a vez dele entrar em pânico. As gêmeas ainda eram bebês e a situação já estava difícil com elas. E se viessem gêmeos de novo? E minha saúde, iria dar conta? milhões de perguntas pipocavam em nossa cabeça, mas acalmados os ânimos, nos apaixonamos pelo novo bebê.

Empacotada pra presente
Foi uma gravidez difícil, tive DMG (Diabetes Mellitus Gestacional) e precisei de um controle rígido: dieta, insulina e viagens constantes à Porto Alegre para consultas e para o grupo de controle às gestantes com diabetes.

O fato de ter que carregar ao mesmo tempo 3 bebês, um na barriga e dois nos braços também foi um sufoco, minha coluna nunca mais se ajeitou, mas apesar das dificuldades, foi uma gestação sem sustos.
Faltando alguns dias, fui de mala e cuia para Porto Alegre, fiquei na casa da minha dinda, deixando as gêmeas aos cuidados do pai e da mana, e os 4 aos cuidados da minha mãe que veio pra cá especialmente pra cuidar deles.
Com as gêmas Camila (esq) e Aline (dir)

Por causa da DMG, não poderia ultrapassar as 38 semanas, até porque eu queria muito que o meu parto fosse normal e como o anterior havia sido cesárea e ainda era muito recente era necessário cuidado. Então como a Letícia não se manifestasse espontâneamente, no dia em que completei as 38 semanas baixei hospital para induzir o parto.

Mana Yasmin
Meu marido viajou à Porto Alegre chagando lá alguns minutos após eu ter entrado no soro e pela 1ª vez tive alguém do meu lado na hora de dar a luz.

O parto foi sofrido, demorado, doído. Mas o fato do Carlos estar lá, segurando a minha mão, fez toda a diferença. Foi um momento mágico de extrema comunhão entre nós, único, lindo, mágico, inesquecível. Recebemos juntos nossa Letícia. Chorei de emoção quando puseram ela sobre a minha barriga, toda sujinha, com aqueles olhos enormes arregalados e já observando todo o ambiente. Papai emocionodo ao nosso lado completava a cena. Foi lindo mesmo.

Daqui a 10 dias ela completa um aninho. Faz muito jus ao nome que tem, pois Letícia significa Alegria. E ela é isso mesmo: alegre, calma, sorridente. As Gêmeas que ainda são bebês adoram brincar com ela, querem pegar no colo, cuidar. Achei que sofreríamos com ciúmes, mas embora ele exista é bem contornável, pois a Letícia ajuda muito sendo tão tranquila e não nos exigindo mais atenção do que elas. É bem possível nos repartirmos bem entre as 3.

E ela tá linda. Olha só.


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O marrento

Quem me conhece sabe que gosto de futebol. Não sou uma exímia conhecedora das regras, nem de esquemas táticos, escalações de times e etc, apenas gosto do esporte, acompanho campeonatos e notícias e torço apaixonadamente pelo meu Internacional.

Um personagem comum (infelizmente) e cada vez mais frequente nos gramados brasileiros é o tipo marrento. Exemplos não faltam, desde o atual técnico do Grêmio, Renato Portaluppi, passando pelo baixinho Romário, por Adriano, e o mais novo integrante desta turma,o Neymar do Santos.

Este menino me preocupa já há algum tempo, desde que o seu nome foi insistentemente falado para ocupar uma das vagas dos 23 eleitos para ir à última copa do mundo. Na ocasião comentei aqui em casa de que esse seria o próximo a ser "estragado" pela mídia.

Os clubes pegam meninos muito jovens ainda, sem a devida estrutura emocional, geralmente vindos de famílias muito pobres, que enfrentam diversas dificuldades no seu dia-à-dia e se eles tem algum talento (e isso é inegável nos exemplos citados) a mídia logo os eleva à condição de ídolos, transformando-os do dia pra noite em RICOS e FAMOSOS.
Essa transformação repentina em sua condição social e econômica nunca vem acompanhada de educação e proteção psicológica à eles e às famílias, transformando logo esses meninos em jovens tiranos, que acreditam estar acima do bem e do mal.

Essa condição pode até ser um estimulante para alguns, que acreditam que cada um tem o direito de fazer em sua vida particular o que bem entenderem. Concordo até certo ponto. Realmente ninguém tem nada a ver com o que o fulano faz o deixa de fazer em sua casa, quem namora ou onde vai pra se divertir. Mas o que eles fazem em campo, e o que fazem fora dele mas que afeta a imagem do clube para quem trabalham, isso é da conta sim. Pessoas públicas, quer queiram ou não, são exemplos e no caso de jogadores de futebol, são exemplos e ídolos de muitas crianças, então educação e respeito é o mínimo que devem demonstrar em público.

Pois hoje vi a notícia da última deste garoto (leia matéria completa aqui), desacatando o técnico do seu time dentro de campo, diante de outros jogadores, do técnico adversário, da torcida e das câmeras de TV. E ouvi do técnico do time adversário, René Simões do Atlético goianiense a frase que a muito já deveria ter sido dita por muitos que se envolvem diretamente com o futebol e com esses meninos: -"É preciso educar esse menino, estamos criando um monstro!"

Acho que os clubes deveriam se preocupar mais com isso. Esses meninos, ainda tão jovens, precisam de um complemento educacional (muitos abandonam os estudos por causa do futebol) e principalmente de uma proteção, um amparo psicológico. O caso do goleiro Bruno é outro em que se pergunta se o clube para quem ele trabalhava não deveria ter prestado mais atenção à vida particular dele e ter dado apoio psicológico e até mesmo jurídico ANTES que toda aquela história acabasse do jeito que acabou.

Cabe aos pais ensinarem valores ético e morais aos seus filhos, mas cabe às instituições de ensino e mesmo às empregadoras prestarem atenção na carência de algumas pessoas nestas áreas e complementar essa educação, dando-lhes apoio e condições de construirem um futuro ainda mais brilhante do que aquele construído em cima exclusivamente do talento, que lhes dá muito dinheiro e poder, mas na maioria das vezes os torna problemáticos, arrogantes, com dificuldades em manter relacionamentos, infelizes.

Acho que foi feito um importante alerta. O menino se desculpou (veja a reportagem aqui), o clube o multou, chamou a atenção, mas não pode ficar por isso mesmo. Nem pode se limitar só aos jogadores de futebol. 

Nossos filhos precisam de limites, aprender a respeitar o próximo, serem solidários e necessitam principalmente de valores. Está cada dia mais difícil conviver com as pessoas, cada um preocupa-se só consigo mesmo. 
Cada um quer ter prazer e realização, não importando sobre quem irá pisar para conseguir.

O assunto que trago aqui hoje pode não ser muito popular, mas o considero importante. O futebol e as notícias que ouvi hoje são só um pretexto para um assunto que não se limita ao futebol e é muito mais sério do que isso. É necessária uma mudança geral, pelo bem do futebol, pelo bem de todos nós, ou não sei onde iremos parar.








terça-feira, 14 de setembro de 2010

Lágrima

Ela surgiu tímida, havia percorrido um longo caminho para estar ali.

Partiu do fundo da alma, onde moram todas as emoções, 

passou pelo coração para separar o que era dor do que era amor, 

superou as barreiras da razão que teima em querer comandar tudo, 

até finalmente brotar ali no cantinho do olho.

Primeiro parou, como se admirasse a paisagem e o ar fresco, 

depois lançou-se no vazio. 

Foi perdendo a timidez aos poucos, e exibindo-se 

despejou pelo caminho todo sentimento que trazia. 

Desfez-se de toda a dor e desespero e agora jaz, 

na curva macia do lábio, 

tornando ainda mais úmido o beijo de amor.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Encontro

Este final de semana fomos testemunhas de mais um ECC (Encontro de Casais com Cristo), o 9º em nossa paróquia. 
Desta vez, toda a responsabilidade pela organização e realização do encontro ficou a cargo do casal Son e Carla, nossos padrinhos de casamento e também nossos padrinhos de ECC.
O encontro é exatamente o que o nome diz: ENCONTRO. Dos casais com o Cristo, dos esposos um com o outro, de cada indivíduo consigo mesmo. Um encontro pra casais que transforma toda a família. Uma experiência magnífica que aconselho à todos que tiverem a oportunidade, que a vivenciem. Garanto que ninguém se arrepende.

Mas o que eu queria falar mesmo é sobre o Son e a Carla.
São pessoas especiais, amigos pra se ter e conservar pela vida inteira. Fomos colegas de trabalho, durante muito tempo. Conheço de perto todos os defeitos deles. É claro que eles tem defeitos, são humanos como todo mundo. Mas isso não é importante, o importante é que tenho um afeto muito grande por eles. 
A Carla, é a irmã que eu não tive, a irmã que eu escolhi pra mim. 
E como irmãs, nem sempre concordamos uma com a outra, discutimos algumas vezes (pouquíssimas, graças à Deus), mas o amor que tenho por essa minha amiga é incondicional, não depende de ela gostar de mim ou não, dela concordar comigo ou não. Eu a amo, só isso, simples assim.
Por isso é muito bom saber que apesar de todas as dificuldades e entraves que existem para se realizar um encontro como esses, eles se saíram muito bem. Torcemos muito por eles, rezamos muito por eles e gostaria de ter podido ajudá-los mais, mas tenho certeza que as nossas orações foram sentidas e serviram para mantê-los unidos, calmos e no caminho certo. 
Cumpriram com a missão deles com muita humildade e doação. Eu que os conheço bem, sei que estiveram nervosos, preocupados. Mas não deixaram transparecer para os outros, o sorriso sempre estampado no rosto, as brincadeiras aqui e ali para descontrair... 
Tenho certeza que foram perfeitos instrumentos de Deus, transmitindo a mensagem dele para aqueles casais que vivenciaram este encontro. Com aqueles com quem falei ao final, todos foram unânimes em afirmar que estavam muito felizes e que foram tocados de uma maneira que os modificará para sempre.

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Depois de mais de uma semana sem escrever, pois tinha deixado alguns textos prontos, programados para postagem automática, retomo agora o blog. Quero organizar algum sorteio, enquetes e outras novidades que estão em projeto ainda. Mas quanto aos textos, volto a escrevê-los a partir de agora.
Obrigada pela paciência e pelos comentários, sempre muito gentis de todos. 

Uma ótima semana!!!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fadiga

O que é difícil em se ter uma doença como a EM, pelo menos no meu caso, não é nem a doença em si, mas os aspectos psicológicos afetados por ela.
Vejam bem, é uma doença degenerativa ainda sem cura, então vive-se com o medo, mesmo que discreto, de que ela resolva de uma hora pra outra avançar e te deixar incapacitada. Além do mais você nunca sabe quando terá um novo surto, que função do seu corpo será atingida ou que sequelas deixará.
Tudo bem, é possível viver com isso, afinal todos nós sabemos nada a respeito do nosso futuro e mesmo uma pessoa muito saudável pode de uma hora pra outra ficar doente, sofrer um acidente, coisas assim. Se ficarmos pensando nas possibilidades, ficamos todos loucos.


Mas o que realmente me deixa pirada é a dificuldade em se fazer entender pelas pessoas, tanto as que convivem conosco quanto as que só eventualmente cruzam o nosso caminho.
No meu caso específicamente, não tenho sequelas "aparentes". Minha marcha é um pouco arrastada mas quase não se nota, tenho formigamentos pelo corpo, mas isso não é visível e o que foi mais afetado em mim foi minha memória curta e o raciocínio rápido, problemas cognitivos que não são percebidos por quem não me conhece bem.
Então como é que eu faço para explicar que tenho fadiga? Como faço para explicar que a fadiga da EM não se assemelha ao cansaço que uma pessoa normal sente por ter dormido pouco ou trabalhado muito? Como faço para as pessoas entenderem a diferença entre a minha fadiga e a preguiça?
Essa é a parte deprimente. Não tenho energia nem para me explicar. Qdo as pessoas me perguntam sobre o que eu tenho, penso sempre em não dizer nada ou inventar qualquer coisa, mas acabo falando. Aí tenho que explicar o que é, como se manifesta, o que eu sinto. Adianta? Claro que não!
É só eu falar qualquer coisa e as pessoas logo dizem: "Ah, mas eu também sinto isso, eu também tenho isso de vez em quando..." 
Menosprezam os teus sintomas, fazem pouco caso, acham que é frescura ou então que estou inventando, afinal sou tão nova, como posso já ser esclerosada? De novo vem a confusão de Esclerose Múltipla e senilidade erroneamente chamada de esclerose.


Isso cansa. E esse cansaço deprime, debilita, desfaz as esperanças de uma vida normal. Poderíamos viver normalmente se fôssemos compreendidos. Se no trabalho, dar uma paradinha para descansar (tão necessária para nós) não fosse visto como preguiça ou corpo mole. Se não nos chamassem de preguiçosos o tempo todo.
Eu talvez sofra ainda mais com isso, porque sempre fui preguiçosa mesmo, assumo. Mas sempre fiz o que precisava ser feito, levantava cedo pra trabalhar, trabalhava e estudava ao mesmo tempo, ou trabalhava e cuidava da casa e dos filhos. Nunca fui de acordar às 6 da manhã cantando e com a vassoura na mão, gosto da cama e de dormir até tarde, mas sempre fiz as coisas no meu ritmo.
Fazia faxina na casa toda semana, sozinha. Lavei muita roupa no tanque até ganhar minha primeira máquina. Passei toda a fase das fraldas dos 2 primeiros filhos lavando roupa no muque. E fazia isso à noite, depois do trabalho, nos fins de semana quando todos folgavam.
Agora não consigo mais. Preciso fazer as coisas aos poucos. É claro que posso forçar a barra e fazer mais, mas no outro dia certamente estarei um bagaço tão grande que não serei capaz de levantar da cama, então acho melhor fazer um pouquinho por dia, do que muito num dia e nada nos seguintes.
Além do mais, tenho 3 crianças me sugando toda a energia que possuo. Elas estão numa fase de muita energia criativa, fazem arte o tempo todo.

Escrever sobre isso é uma forma de expressar minha angústia e não me deprimir tanto. Também é uma forma de tentar explicar para as pessoas que me cercam o que sinto e como me sinto. Até meu cansaço parece diminuir, já que o stress é um fator amplamente agravante da fadiga.
Agora vem o verão, que embora eu adore, me derruba. O calor agrava muito os sintomas e a fadiga aumenta dezenas de vezes neste perído, por isso já estou me preparando psicológicamente para esse tempo.
O jeito é preparar o espírito. E escrever muito, para não sofrer tanto. 
Será que vocês me aguentam?


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O tempo

O relógio conta as horas, mas não detém o avanço do tempo.
As horas passam, os dias passam, o tempo passa.
Costumamos dizer que o tempo voa e ele tem mesmo asas e voa rápido.
Cada segundo que esperamos como se o futuro só viesse amanhã, 
passa por nós desapercebidamente tornando-se passado tão rápido que nem vemos.
O que deveria acontecer já está acontecendo e já aconteceu 
antes mesmo que possamos nos preparar para cada situação.
O tempo passa, o relógio conta as horas, mas não detém o tempo. 
Aliás, nada detém o tempo. Ele ultrapassa todas as barreiras, não há contenção possível. 
É o poder mais absoluto do universo, o poder do tempo, 
de passar e se ultrapassar, tornando história o que há um segundo era esperança. 
O tempo passa enquanto escrevo. 
Passa e leva embora minha juventude e muitos sonhos e planos.
Mas não leva minhas ações, nem pensamentos. 
Estes ficam pra sempre, não importa quanto tempo passe.
O tempo só não desfaz nossas esperanças de vivê-lo intensamente. 
Mas  é preciso ser rápido, pois ele continua passando.
Corre feito água de rio de encontro ao mar, sempre em frente, não retrocede nunca.
Então páre de perder seu tempo lendo isso e vá viver!!!
Antes que o tempo passe.

sábado, 4 de setembro de 2010

Ouvir o silêncio

Às vezes precisamos ouvir o silêncio. A ausência de estímulos auditivos por um breve período de tempo é importante para que possamos ouvir aquilo que não emite sons.

Silêncio para ouvir nosos pensamentos, com clareza e entendimento, sem interferências. Dar voz à nossa razão.

Ouvir o coração, compreender os nossos sentimentos, suas origens e consequencias.
Silêncio para ouvir a voz de Deus. Rezamos pedindo à Ele que nos dê respostas, mas não nos damos ao trabalho de para para escutá-Lo.
 
É no silêncio, no recolhimento que deixamos fluir o que há de mais secreto em nós, aquilo que prvém das profundezas da nossa alma, toda a sordidez e também toda a beleza que se esconde em nosso íntimo.

E só trazendo estes sentimentos à tona podemos separar aquilo que é bom para ser cultivado, daquilo que devemos jogar fora.

É durante essa seleção que iniciamos a compreensão das respostas que Deus nos envia, passamos a entender o que Ele quer de cada um de nós e vamos nos livrando do peso daquilo que nos incomoda.

Talvez não seja possível resolver nossos problemas só com alguns minutos de silêncio, mas certamente é possível termos uma visão mais clara da nossa vida após ouvir a voz de Deus falando conosco através da nossa consciência.

Shhhh.... vamos ouvir.....


Esta semana vou ficar ausente. Uma parada estratégica para ouvir o meu silêncio, momento de recolhimento e reflexão. Estou precisando.
Mas prometo voltar com energia renovada e muita história pra contar. 
Não me abandonem!
Obrigada à todos e até a volta.

Foto da Internet

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vergonha alheia

Sempre fui muito tímida e morro de vergonha de "pagar mico", mas tenho ainda mais vergonha dos micos alheios.

Esses dias assisti no Vídeo Show, uma entrevista do Bruno de Lucca com Lionel Richie e quase morri de vergonha alheia pelo histerismo do guri anunciando o cantor, veja aqui. Fiquei torcendo para que aquilo acabasse logo e não fosse mais reprisado pelo amor de Deus!

Tá certo que é um cara famosos e coisa e tal e o entrevistador queria fazer uma média mostrando entusiasmo ao fazer o anúncio, mas aquela ambulância desgovernada com a sirene esganiçada daquele jeito foi no mínimo, um exagero. Vergonha alheia.

Também não gosto de assistir programas de tv que buscam audiência em cima da desgraça dos outros, tipo o programa da Márcia Goldshmidt em que ela traz as pessoas pro palco do programa AO VIVO, com a desculpa de que é para ajudá-las a resolverem seus conflitos e expõe as miseráveis à uma humilhação pública, com maridos e esposas falando abertamente sobre suas traições, filhos falando mal dos pais, irmãos contando os podres familiares tudo em rede nacional.

E as criaturas ali, pagando o maior King Kong diante dos vizinhos, amigos, familiares, colegas de trabalho, a torcida do flamengo.

Todos ali, fazendo cara de pastel enquanto seus pares contam barbaridades na tv como se estivessem num confessionário, mas achando aquilo tudo a coisa mais linda do mundo. Vergonha alheia. Chego a me sentir mal com isso, dá nervoso.

Quem nunca perdeu uma tarde de domingo assistindo ao Faustão e não se tapou de nojo dele não deixar seus convidados responderem às perguntas que ele mesmo faz?

Em situações como essas, me afundo na cadeira e quero sumir, como se fosse comigo. Pior é quando isso acontece ao vivo, na nossa frente, com pessoas que conhecemos. Muita vergonha alheia.

Não sei se isso é bom ou é ruim, só sei que não gosto destas situações.



foto da internet

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A mulher que é uma vaca

É uma sala enorme, cheia de gente. Aproximadamente 80 cadeiras acomodam as pessoas que aguardam. No fundo uma tv com imagem distorcida e sem som enterte os presentes. Ao redor, várias salinhas para coleta de sangue. E lá na frente, nos guichês de atendimento, está ela: a vaca. 

Toda vez que venho aqui, retiro minha senha e, enquanto aguardo, rezo em silêncio pra não cair mas mãos dela.

A mulher é feia. Parece um homem, da aparência aos modos. É mal educada, grossa, antipatica, não facilita a vida de ninguém, se compraz em ser do contra. No seu olhar faísca um brilho estranho, não sei se de ódio do mundo, ou de mórbido prazer em torturar mais um infeliz que teve o azar de passar pelo seu guichê.

Confesso que já tive uma vontade quase incontrolável de subir no balcão e agarrar aquela criatura desagradável pelo colarinho e arrancar aquele bigode no tapa! (com mulher de bigode, nem o diabo pode) Mas me contive em nome da civilidade e bons modos. 

Acho que o salário dela deve ser acrescido de comissão por cada coitado que ela agride e se o vivente sair chorando a comissão dobra! Só pode, pois nunca vi uma pessoa com tamanha vocação para ser desagradável. 

É agora, tá quase chegando a minha vez. As opções disponíveis são uma morena simpática e muito atenciosa e ela, a vaca. 

Ufa, pelo menos hoje escapei!


foto da internet
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