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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ao pé do farol

Linda mensagem que recebi por email da minha querida tia Marta e que diz muito sobre pais e filhos. Acredito realmente no que diz essa mensagem e procuro colocar em prática tal verdade, embora seja muito difícil.

"Os pais fazem dos filhos, involuntariamente, algo semelhante a eles, a isso denominam “educação”, nenhuma mãe duvida, no fundo do coração, que ao ter seu filho pariu uma propriedade; nenhum pai discute o direito de submeter o filho aos seus conceitos e valorações." (Friedrich Nietzsche)

Li, certa vez que, ao do Farol, não há luz.
Mas, e o que dizer, quando falamos não de uma proximidade geográfica, mas emocional, como na relação entre pai e  filho, por exemplo?
Somente hoje, distante de meu pai, vejo o suficiente para enxergar, com relativa nitidez, a luz de seu Farol e para compreender a liberdade acolhedora de seu amor que, à época, eu percebia como sufocante e limitador. 
Foi preciso jogar-me ao mar, navegar nas ondas e intempéries daquilo a que chamamos vida, para vislumbrar não somente em que me tornei, mas também para reconhecer a segurança do porto de onde parti.
Só assim pude entender não apenas o que hoje sou, mas de que raízes brotei...
Lembro-me  de, quando jovem, ter dado a meu pai um livro do genial poeta Kahlil Gibran.  
No capítulo "Dos Filhos", Gibran escreve:  
"Vossos filhos não são vossos filhos.  
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma."
Eu, como todo jovem, clamava por liberdade. 
E,como jovem, ignorante e esquecido dos perigos do desconhecido, enxergava apenas o mar que à minha frente se expandia.
Dar o livro a meu pai era como dizer a ele:  
"me deixa viver, me conceda a liberdade plena da experiência."
Lembro que toda vez que discutíamos sobre liberdade ele me falava dos perigos que a vida nos reserva.  
Mas eu, que estava ao do Farol, enxergava apenas a beleza do horizonte e meus olhos não percebiam a dureza do percurso...
Hoje sou pai.  
Os filhos crescem, amadurecem, e percebo que, como muitos pais, continuo a tratá-los como se tivessem sempre a mesma idade, a mesma mentalidade, as mesmas fraquezas...
Como hoje eu entendo que, para aprender a navegar, precisamos desafiar os tormentos e as borrascas do mar, é chegada a hora de aceitar um dos inevitáveis desígnios da vida:  
se nossos filhos estão ao do Farol, eles só poderão ver a luz se entrarem mar adentro...
E o melhor que podemos fazer, é desejar-lhes boa viagem.  
E torcer para que carreguem consigo um pouco de suas raízes.  
Desconheço o Autor.

"Acreditar que basta ter filhos para ser um pai é tão absurdo quanto acreditar que basta ter instrumentos para ser músico." (Mansour Chalita)

"Os filhos são educados como se fossem ficar toda a vida filhos, sem nunca se pensar que eles se tornarão em pais." (August Strindberg)

Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. exatamente...

    nesses ultimos tempos eu acabei me jogando nesses mares. e consegui enxergar a luz.

    Infelizmente não foi muito fácil, pois esqueci de levar comigo o colete salva-vidas, que eram os conselhos dos meus pais.
    Mas depois de muito me debater nas águas, consegui vencer e aprendi a lição.

    Navegar sempre, mas levar o colete junto.

    beijos Tuka

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  2. Que mensagem linda Tuka!
    Vou imprimir prá mim! Bela forma de começar a manhã com essa mensagem!

    bjs

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  3. Que mensagem linda Tuka!
    Vou imprimir prá mim! Bela forma de começar a manhã com essa mensagem!

    bjs

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