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sexta-feira, 29 de abril de 2011

O casamento real

Você não aguenta mais ouvir falar sobre isso? Mas pensa bem, você não costuma reclamar quando a mídia dá muita ênfase à tragédias e desgraças? Então, não é bom variar e ouvir falar durante dias sobre uma história de contos de fadas?

Eu assisti ao casamento do príncipe Charles e Lady Di há 30 anos atrás. Era criança, mas aquele evento ficou gravado na minha memória como algo espetacular. Agora, com o casamento do filho deles, o lindinho, fofo e tudibom do William, a história se repete. Será mesmo? Ouso dizer que não.

Charles sempre foi  feio, horroroso sem graça, sem carisma e o casamento com a jovem linda e bobinha Diana o fez ganhar muita simpatia, pelo menos até ele enfiar os dois pés na jaca com a igualmente sem graça da Camila. Ao contrário dele, William sempre foi o queridinho do reino. Herdeiro do magnífico sorriso e do carisma de sua mãe, o rapazinho é lindo, educado e ostenta uma timidez discreta aliada à uma segurança que sua mãe não tinha.

As noivas também são muito diferentes. Ambas cativantes e carismáticas, mas Diana era muito nova e realmente sonhava com o conto de fadas, enquanto Kate teve tempo suficiente para se deslumbrar e se desiludir antes de dar seu sim ao príncipe.

Não consegui assistir à cerimonia de agora, estava em viagem com a Camila, mas hoje em dia existe Internet e assim que cheguei em casa fui ver tudo sobre esse casamento, lindo, e que nos remete à sonhos quase infantis. Quem nunca, nunquinha mesmo, sonhou com um casamento de conto de fadas, que atire a primeira pedra. Acredito que todo mundo sonha em encontrar o seu par perfeito e ser feliz para sempre!

Alguns detalhes destas duas cerimonias igualmente lindas separadas por três décadas me chamam particularmente a atenção: No casamento de Charles e Diana, era visível o encantamento, a paixão na noiva. Diana tremia as mãos na hora de receber sua aliança, ficou corada diversas vezes, inclusive na cena do beijo no balcão do palácio, rápido, quase furtivo. Mesmo sendo linda a cerimonia e eu sendo uma criança, aquilo tudo cheirava à encenação. Já no casamento de William e Kate, a noiva estava firme, segura e radiante de felicidade. Foi recebida no altar por um príncipe embevecido com a sua figura e um discreto e fofíssimo "você está linda!". Talvez eu esteja enganada, tenha me entregue ao conto de fadas, mas aquilo me pareceu bem real, genuinamente amor. E um amor maduro, contemporâneo, "testado e aprovado" e que tem tudo para continuar dando certo.

Se vai dar certo ou não, se eles serão ou não felizes em nada mudará a minha vida ou de qualquer um de nós. Mas que é bom "viajar" nessas fantasias de vez em quando, ah isso é. Fico imaginando o meu "sapo" elegantemente trajado com aquele uniforme militar me recebendo linda e deslumbrante num vestido "podre de chique" e me dizendo entre sorrisos: "você está linda!" 

Ah, vá! Sonhar é bom demais!!!!




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Parece que o problema do blog foi solucionado. Quero bolar um layout bem bacana pra ele, mas por enquanto e tá bom demais. Obrigada à todos que deixaram a sua opinião. Valeu gente!

Um ótimo final de semana à todos!!!



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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Blog - Dúvidas e Mudanças

Há dias venho recebendo queixas de algumas pessoas que não conseguem comentar no meu blog. De fato, notei o "sumiço" de algumas leitoras e comentaristas assíduas e uma sensível e nada discreta diminuição nos comentários.

Acho que é algum problema com o blogger, mas como uma dessas pessoas que me reclamou disse-me que só no meu blog não conseguia comentar e como eu mesma estou conseguindo enviar comentários nos poucos que tenho conseguido ler, desconfio de que o problema seja realmente o meu blog.

Por isso, pra tentar solucionar este problema, resolvi mudar (de novo) o layout do blog. Tentei deixá-lo mais limpo, pra ver se carrega mais fácil e se não tranca mais.

Não entendo patavinas de layout, por isso não sei se as mudanças que fiz serão para melhor ou não, por isso peço encarecidamente para quem ler este post que deixe algum comentário qualquer, para que eu possa ter parâmetros.


Não sei se volto a postar ainda essa semana, vai depender da resolução deste mistério.

Obrigada a todos que deixarem seu recado.



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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Nossa páscoa


Nossa Páscoa até que foi bem bacana, melhor do que eu esperava.

Na quinta feira à noite tivemos uma surpresa, o Allyson, meu filho mais velho, chegou sem aviso e trouxe com ele aquela alegria de sempre. As crianças já estavam dormindo, mas divertiram-se muito com o mano nos fim de semana todo.

Domingo, ao amanhecer, levei as cestinhas com aquela metade de meia dúzia de coisiquinhas para cada uma e fiz aquela onda: olha o que o coelhinho trouxe! As carinhas eram de puro encantamento! Lindas de se ver!

Valeu a pena cada centavo gasto, só para ver aqueles sorrisos mais lindos e as caras e bocas da Letícia que sempre nos brinda com suas gracinhas. O mano e a Yasmin também ficaram felizes com os chocolates, pois também gostam e voltam a ser crianças. Depois foi uma briga controlar a gula das pequenas (e da mamãe também) queriam comer tudo de uma só vez. Não era muito, mas chocolate demais não é legal, é bom controlar.

Depois fomos pra rua, pegar um solzinho já que ele não havia aparecido por aqui nos dias anteriores e elas já estavam cheias de ficar presas em casa. Ligamos pra vovó e as gêmeas quiseram falar com ela. A cena foi hilária. Coloquei o viva voz para ajudar a vovó a entender o Javanês que elas ainda falam e foi divertido ouvir as conversas. A Camila não deixava ninguém falar, só ela queria. A Letícia também quis agarrar o telefone, mas ficou com ele encostado na orelha só ouvindo. A Aline e a Camila são umas graças, imitando o papai ao telefone. Mão na cintura, pose de quem sabe mais que todo mundo e caminhando pra lá e pra cá para falar e, é claro, gesticulando muito. Ri muito.

Mas o mais divertido foi numa das vezes em que a Aline pegou o telefone e disse pra vovó que tinha ganho chocolates. Vovó então perguntou se o coelhinho tinha trazido e ela, cândidamente respondeu: "Não. Mamãe comprou." Morri.

O bom foram os almoços de sexta e domingo, com a mesa cheia, filharada toda reunida. Na sexta o marido preparou o peixe (eu sou uma negação) e ficou muito gostoso. No domingo o cardápio foi mais simples, mas a mesa grande cheia de filhos foi o ponto alto do final de semana.

Agora eu, logo eu, vou ter que administrar os chocolates. Ah, os chocolates... 







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sábado, 23 de abril de 2011

Momento diversão

Letícia, divertindo a gente sempre. A bichinha se presta e ainda faz caras e bocas. Tirei uma fotinho só, com o celular desmemoriado, só porque foi irresistível.




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quinta-feira, 21 de abril de 2011

A páscoa de outrora

Estava dando uma passadinha pelos blogs que sigo e me deparei com um post  no blog Balzaca Materna sobre a Páscoa (confira aqui). Lendo o post da Dani fiquei nostálgica e me deu vontade também de falar sobre a Páscoa da minha infância.

Minha família nunca foi muito religiosa, tive formação católica, participei de grupos de jovens, mas era praticamente só eu que ia à Igreja. Aprendi muito com meus pais, mas eles não eram católicos fervorosos e nem frequentavam a Igreja, então os costumes me foram passados inicialmente como isso mesmo: costumes. Só mais tarde, quando fiz minha primeira comunhão (aos 12 anos!) foi que comecei a entender bem o porque de cada coisa.

Mas apesar disso, semana santa era semana santa. Sem música, sem euforia, sem carne. Sexta-feira santa era dia de ficar em casa, com a família, um dia reflexivo. Nada muito cheio de regras, era natural pra mim, minha mãe só me dizia que aqueles dias eram de se ficar mais quietinhos ou que não eram de sair e eu não contestava muito (pelo menos não na infância), a única coisa que eu sempre me debatia um pouco para aceitar era o tal do peixe (detesto!) e a proibição de todo e qualquer tipo de carne.

E o Domingo era só alegria, com a busca pelos ovos deixados pelo coelho (oi?) nunca entendi muito bem essa história de coelho por ovos na Páscoa, mas também não contestava, afinal chocolate é bom, vou reclamar pra que? Mas se eu não compreendia muito bem o significado da Páscoa, me lembro bem de minha mãe ou meu pai me explicando sobre isso, pacientemente, toda vez que eu perguntava algo.

Na minha infância, embora não se desse tanta ênfase aos chocolates e prendas como é dada hoje, minha cesta de Páscoa era bem recheada, pois tudo era mais simples e barato. Ganhava sempre duas cestas, uma dos meus pais e outra da minha dinda, com muitos ovos feitos de açúcar, lindos, todos coloridos e com desenhos incríveis (uma bomba calórica) e que eram sempre recheados com bolinhas de chocolate ou bombons.

Tinha ainda os coelhos de marzipã ou de pão de mel, balas e confeitos de todos os tipos, ovos de galinha pintados à mão e recheados de amendoim e, é claro, alguns ovos de chocolate. Embora os grandes fossem mais vistosos e desejados, no fundo eu gostava mesmo dos menores que geralmente eram de chocolate maciço e saciavam melhor a gula infantil.

Aquelas cestas duravam meses. Não era permitido comer tudo de uma vez (ainda bem!) e toda vez que eu extrapolava minha cota pré estabelecida, lá vinha uma dor de barriga seguida de muita bronca, então o jeito era se comportar.

Hoje quando vejo o preço dos ovos de Páscoa e a correria que se faz em torno deles, com as próprias crianças escolhendo aqueles que querem ganhar, vejo que minha Páscoa tinha muito mais sentido pra mim do que tem para as crianças de hoje. E quem as corrompe somos nós mesmos, os pais. Os tempos da inocência a muito já se foram.

As minhas crianças ficam felizes ao ganhar chocolates, claro. Crianças adoram doces. E quanto maior e mais colorido, mais alegra os olhos. Mas para elas tanto faz um ovo grande, colorido, com um brinquedinho furreca dentro, ou um saquinho com meia dúzia de chocolatinhos pequenos, o que elas ganharem as deixa feliz pelo simples fato de terem ganho um presente, seja ele feito de açúcar ou de plástico. Se não ganharem nada, também não sofrerão, pois ainda não entendem que seja dia de ganhar isso ou aquilo, só sentirão mesmo se virem outras crianças ganhando e elas não. Mas pouco ou muito, elas sempre ganham alguma coisinha e ficam muito felizes.

Assim como no Natal, proponho uma reflexão sobre que valores estamos passando aos nossos filhos com esse consumismo excessivo. Uma reflexão sobre a  forma que podemos conciliar a tradição e a alegria dos presentes, com a reflexão necessária que a data religiosa nos impõe.

Aproveitem bem o feriado, e muito cuidado nas estradas pra quem vai viajar. Desejo uma Sexta-feira Santa de muita paz e reflexão e uma Feliz Páscoa à todos!





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quarta-feira, 20 de abril de 2011

News

Segunda à noite, Letícia deu finalmente seus primeiros passinhos totalmente só. Ainda tem muito medo, nunca tinha visto uma criança com tanto medo de se largar quanto ela, mas em direção à mamãe ela criou coragem e deu, repetidas vezes, dois passinhos sem se segurar em nada.

Adorou a brincadeira, mas ainda esta afobada, quer correr para encontrar logo os braços protetores. Não vejo a hora dela chegar da escolinha para brincarmos mais um pouco dessa aventura nova que é caminhar.

Demorou muito, mas finalmente chegou o dia. Como contei neste post aqui, a Letícia teve um certo atraso no seu desenvolvimento. Um pouco (muito) por medo, um pouco por preguiça, outro pouco por falta de estímulos apropriados. Estimulávamos, brincávamos, mas não da forma adequada, também tínhamos medo de machucá-la já que ela chorava tanto que parecia sempre sentir alguma dor.

Mas graças ao carinho e também algumas valiosas dicas da fisioterapeuta Rúbia lá do Hospital de Clínicas que conversou comigo mesmo sem ter consulta marcada e me deu total atenção e apoio, pudemos dar os estímulos certos e produzimos uma evolução fantástica em alguns poucos meses. 

Dessa vez vou ficar devendo o vídeo, estou sem a câmera, mas assim que conseguir gravar, posto para "provar" o que estou dizendo.

Minha pequerrucha tá crescendo. Definitivamente. E isso é uma benção!





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terça-feira, 19 de abril de 2011

Decifrando os sonhos

Há muitos anos que tenho problemas com o sono. Eu durmo, mas durmo mal, raramente consigo dormir um sono profundo, restaurador. Acordo diversas vezes durante a noite e mesmo às vezes não despertando completamente, sinto que esses micro-despertares me deixam ainda mais cansada na manhã seguinte. Mas apesar disso, sempre sonhei, e muito.

Raramente tive pesadelos, do tipo sonho ruim mesmo, acho que só umas 3 vezes na vida. Mas tenho muitos sonhos malucos, coisas sem pé nem cabeça, que me fazem rir muito quando me lembro. Tem disso também, lembro que sonhei, mas na maioria das vezes não faço a menor ideia de que sonhei.

Um sonho muito comum e engraçado, é quando sinto vontade de ir ao banheiro e fico com preguiça de levantar da cama, muito comum no inverno. Sonho sempre que preciso ir ao banheiro, mas chegando lá tem algo que me impede de fazer xixi, desde jacarés dentro do vaso sanitário, até paredes de vidro no meio de um restaurante, aí não dá pra ficar a vontade né? Ainda bem ou acredito que faria xixi na cama. rsrs

Já sonhei muito com meu avô paterno. Tinha um sentimento de culpa por não ter dito a ele o quanto o amava. Ele faleceu pouco mais de 2 meses após seu aniversário que foi a última vez em que o vi. Fui até a casa dele, era um sábado à tarde. Tomamos café juntos, eu, ele e minha vó. Entre abraços, felicitações e afins, ele baixou a cabeça por um momento e disse entre suspiros: "esse é meu último aniversário". Fiquei tensa, nervosa mesmo com essa "revelação" e tratei logo de dissipar o climão que se criou dizendo que ele ainda viveria muitos anos. Mas infelizmente ele estava certo. Nos meus sonhos eu sempre pedia desculpas à ele por não ter sido mais clara, mais específica quanto ao meu amor e ficava tudo bem. Esse sonho me angustiou durante muito tempo, até cair nas minhas mãos o livro "Nosso Lar", psicografado por Chico Xavier. Eu sou católica, é bom que se diga, mas foi nesse livro que encontrei as respostas que procurava e a paz pro meu coração.




Também sonho frequentemente com minha avó, mas raramente me lembro desses sonhos. Lembro sempre que ela esteve comigo e me disse coisas importantes, mas nunca me lembro o quê. A última vez foi poucos dias atrás, mas ao acordar, só me lembrava da figura querida, sentada à minha frente numa cadeira, vestida de modo simples, camiseta, calça de malha, chinelos, cabelo preso por uma simples tiara, sem maquiagem nem adornos, de uma forma como eu só a via nos momentos mais íntimos. Ela estava serena e sorria pra mim, mas mesmo assim, fiquei com a sensação que ela me contou coisas que eu deveria me lembrar.

Tenho um sonho recorrente, esse sim, gostaria muito de entender seu significado. Sonho com uma casa (aí varia muito, às vezes é um apartamento) mas uma moradia, que é minha e foi herdada da minha vó (ó ela aí de novo) e essa casa (ou moradia) é muito grande e tem cômodos que eu mesma desconheço, portas que dão em lugares secretos e a descoberta desses lugares sempre me dão a sensação de que essa casa é muito maior do que eu sabia e que inclusive existem outras pessoas morando lá. Nunca acordo desse sonho com medo ou angustiada, sempre acordo me sentindo bem, como se tivesse feito uma grande descoberta para minha vida, mas acabo me angustiando na tentativa de entender o real significado dele.

Como já disse, sou católica, mas encontro muitas respostas na doutrina espírita. Isso confunde um pouco minha cabeça, por isso me deixo guiar pelo coração.  Meu coração me diz que nos meus sonhos, viajo por aí e descubro sim coisas importantes e reveladoras, mas como não é meu tempo para o entendimento delas, elas ficam guardadas em algum lugar obscuro da minha mente e só virão à tona quando eu estiver pronta para realmente entendê-las. 

E vocês, sonham com o quê? Também tem sonhos recorrentes como o meu? Acreditam que eles tenham um significado importante para suas vidas?


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Só para constar: hoje é aniversário do blog. Há exatamente um ano eu postava minha primeira "bobagem". Inicialmente o blog tinha outro nome, mas migrei para cá todas as postagens e dei continuidade com essa doideira de reunir minhas tralhas, meus cacos, meus desabafos. Obrigada a cada um dos que seguem o blog, a cada um que lê diariamente ou só de vez em quando, a quem comenta e e a quem só lê e guarda pra si suas impressões. Muitas vezes pensei em desistir desse blog, mas ele me faz tão bem e encontrei através dele muitas pessoas especiais. Continua nos meus planos deixar esse blog mais bacana, mas ainda está só em projetos... Obrigada à todos que passam por aqui.






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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Minha mãe


Como descrever minha mãe? Toda vez que penso sobre isso me vem à mente um adjetivo: Batalhadora. Mas minha mãe é muito mais que um único adjetivo. Carater, integridade, honestidade, valores, princípios, austeridade, doçura, aconchego, coragem, sensibilidade, segurança, amor também são palavras que cabem bem à ela.

Essa sou eu, no meio de papai e mamãe.

Sempre tive muito respeito pela minha mãe, um respeito que beira o medo. Porque? Não sei ao certo. Acho que ela sempre foi tão correta nas suas atitudes, sempre tão guerreira e forte, um modelo tão revestido de perfeição, que sempre tive medo de não estar a altura do que ela espera de mim. Essa sempre foi a maior barreira entre nós: a perfeição que eu vejo nela e que não consigo imitar.

Sempre digo que qualidades a gente adquire enquanto os defeitos a gente herda. Porque minha mãe tem tantas qualidades, tantas habilidades e eu só herdei dela os defeitos: o cabelo que cresce pra cima feito samambaia, os joelhos pra dentro, o dedinho torto, a teimosia...

Temos nossas divergências é claro, e muitas. Pensamos de maneira diferente e temos posicionamentos diferentes diante da vida. Batemos de frente muitas vezes. Mas acredito que a gente só briga com quem ama, com quem se importa.

Me preocupo muito com a sua mania de cuidar de nós, com uma preocupação tão grande ou até maior do que a que tenho pelos meus bebês. Já estamos bem grandinhos (meu irmão caçula já tem mais de 30 anos) e deveríamos saber tomar conta de nós mesmos, mas apesar de nos aborrecermos às vezes com a sua intromissão, gostamos de ser mimados.

Mamãe nasceu no interior do interior, em Esmeralda, antigo distrito de Vacaria numa família muito pobre. Terceira de 7 filhos, pai austero, mãe com saúde frágil. Estudou pouco na infância, completou o ensino fundamental quando eu já tinha uns 7 anos. Viveu parte da infância e adolescência com uma tia por quem sempre nutriu amor de filha e me ensinou a amar como se fosse minha avó. Saiu de casa relativamente cedo, para estudar enfermagem em Caxias do Sul indo parar em Porto Alegre, onde conheceu meu pai, se casou, trabalhou a vida inteira como auxiliar de enfermagem e criou seus 3 filhos.

Mas nunca foi só isso, ela vendeu tudo que foi treco, fez curso de todo tipo de artesanato, aprendeu a fazer todo tipo de bugiganga e foi com o artesanato que muitas vezes sustentou a casa e pagou pelos nossos "pequenos luxos". 

Nunca se deixou abater, pelo menos não na nossa frente. Foi sempre forte e discreta, mesmo em situações que a feriram profundamente e que eu só soube depois de adulta. 

Mesmo eu tendo dito muitas vezes que quando tivesse meus filhos faria tudo diferente, faço muita coisa igual. E mesmo o que faço diferente, faço pensando se ela aprovaria ou não. Quando fiz minha tatuagem, aos 40 anos, minha preocupação era saber se ela iria gostar, ou se iria me dar um daqueles sermões dela... Nossas brigas talvez sejam fruto disso, de eu querer, precisar da aprovação dela, e nem sempre ter.

Quando fiquei grávida, aos 17 anos, pensei em fugir de casa para não ter que enfrentá-la. Mas o instinto materno que já nascia em mim, me fez perceber o quanto precisava dela. Fiquei e ouvi um sermão de 3 dias, mas sempre reforçado pela promessa de que estaria do meu lado.

E ela tem estado sempre ao meu lado, mesmo estando longe. Seu radar a faz sentir minhas aflições, mesmo à distância, às vezes aparece do nada, nas horas que mais preciso de colo. E não me importa se ela é ranzinza ou se discorda sempre de mim, se me cobra e pega no meu pé. O colo dela ainda é o lugar que mais amo estar nesse mundo.

Por tudo isso, e mais um pouco, quero dizer a ela o quanto a amo. Que ela é a maior referência que tenho de integridade, valores e princípios éticos. Que o modelo que tento seguir, mesmo com opiniões divergentes, é o dela. Que ela é o meu chão, meu porto seguro, minha calma, meu norte. Que se eu conseguir ser metade da mãe que ela é, já terei sido uma ótima mãe. 

Nós duas.

Feliz Aniversário minha mãe! Que Deus nos mantenha unidas sempre e que possamos passar mais tempo juntas. Te amo. Muito.








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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Filha caçula

Letícia, com sua cara mais sapeca


Sempre me perguntei do porque das mães mimarem mais seus filhos caçulas. Não falo em amar mais ou menos, mas em tratar diferente. Não é uma regra absoluta, mas é o mais comum que o filho com mais regalias seja o último.

Agora começo a entender um pouco mais sobre a mecânica que nos leva à isso: O filho menor só tem como parâmetro irmãos maiores! (óbvio, dãããã) Mas essa referência nos faz tratar o menor sempre como bebê, mesmo quando ela já esta muito crescido.

Quando falo de mimos, não é conceder privilégios, nem dar mais amor ou carinho, falo em se tratar aquele filho como se nunca fosse crescer, como se fosse sempre permanecer um bebê, ou se sempre fosse precisar do nosso cuidado, não importa se tem 1 ano de idade ou se tá mais perto de fazer 50. 

Também tem o fato de sabermos que aquele será nosso último bebê, o último que teremos o prazer de amamentar, acalentar, ninar, mimar... Não que não esperemos pelos netos, mas estes não serão nossa responsabilidade e nem sabemos se seremos próximos ou não, são mera possibilidade enquanto o nosso nenê é real e palpável. E mimável.

Claro que falo por mim, mas vejo muito disso por aí. Meu marido mesmo, aos 45 anos, ainda é o bebê da casa dele, mimado tanto pela mãe, quanto pelos irmãos. A minha caçula, na verdade é a que menos ganha colo, mas ainda trato ela como se tivesse 3 meses de idade e não um bebezão de um ano e meio, quase uma mocinha. Quando ela nasceu, as maninhas tinham a idade que ela tem hoje, e foram tratadas de maneira menos "fresca".

Fico sempre achando que ela não sabe se defender, que as manas irão machucá-la, que ela vai cair... Enfim, estou atrasando deliberadamente o desenvolvimento dela, querendo reter o tempo e mantê-la sempre pequenininha. 

É claro que não é isso que eu quero. Quero que ela aprenda, que fique grande, que seja uma mocinha igual às outras, mas me vejo instintivamente tentando que ela permaneça sempre um bebê. Me dói perceber que faço isso, muito mais do que a dor de ver meus bebê crescerem e ficarem independentes cada vez mais de mim. 

Sou só a mãe delas, minha função é segurar suas mãozinhas para aprenderem a andar, depois elas terão mesmo que correr e eu não conseguirei mais acompanhá-las.

Aos poucos estou tentando dar mais autonomia pra minha pequena e vejo o quanto ela gosta disso, tanto quanto gosta de ser mimada e tratada como o bebê da casa.

Ela tá crescendo, é linda, é muito esperta e sempre me faz rir. Preciso deixá-la crescer. Mas ela sempre será o meu bebê.

E vcs, tem histórias pra contar de filhos caçulas?













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quarta-feira, 13 de abril de 2011

O bom e velho instinto materno - Blogagem coletiva - Maternidade Real

Essa semana teve uma blogagem coletiva proposta pela Carol Passuelo e que eu perdi com o tema "Maternidade Real" mas que pretendo participar agora mesmo sendo retardatária.

Quando fiquei grávida do meu primeiro filho, tinha só 17 anos, então não houve uma preparação minha para a maternidade. Gostava de crianças, queria ter filhos e sempre soube que teria vários (embora nunca tivesse sonhado com 5!) mas não li nada à respeito.

Mas eu achava, na minha arrogância adolescente, que já sabia tudo sobre ter filhos. Como sempre ajudei minha mãe nos cuidados com meus irmãos mais novos e também trabalhei em creche, achava que sabendo trocar fraldas, dar banho e alimentar, já sabia de tudo e isso bastava.

Só percebi meu engano na prática, no dia-à-dia. Aprendi a ser mãe com meu filho. E com minha mãe também, que acabou sendo meu modelo.

Nem mesmo na segunda gravidez, fui atrás de "informação técnica", sempre usei minha intuição, a velha e boa intuição de mãe. Se errei? Muito. Mas também acertei muito.

Somente agora, na gravidez das gêmeas e só por estar esperando gêmeos e não saber nada em como lidar com isso, que fui buscar esse apoio. Se me ajudou muito em certos aspectos, em outros só me atrapalhou. Tirou de mim a naturalidade, parei de confiar nos meus instintos e tentando fazer tudo certo sem ter as condições adequadas para muitas coisas, só me frustrei. Precisei fazer o caminho de volta, principalmente quando me vi novamente grávida. O instinto materno é o que tem me conduzido, aliado é claro com as novas informações que adquiri.

Fazer comparações entre a vida das revistas e a minha é complicado. Não aparecem pobres em revistas, não são mostradas pessoas sem convênio médico e os conselhos para todas as áreas da maternidade sempre incluem itens que não podemos comprar. Sem falar nas mamães como Adriane Galisteu e Cláudia Leite que uma semana depois de paridas já estavam com corpinho de miss, pra matar de raiva e frustração as gordas como eu.

Sou uma mãe tipo comum, me deixo levar pelos meus instintos, faço as coisas da forma mais natural possível. Busco sim por informações que me ajudem em situações que não domino, leio tudo que me cai nas mãos, mas confesso que as informações que mais tem me ajudado são as que extraio dos blogs, de mães reais, com problemas reais e que encontram soluções reais para estes problemas.

Acredito que nesta ânsia de sermos perfeitas como a mídia vende que devemos ser, acabamos criando um universo artificial para os nossos filhos. Buscar conhecimento é válido, mas devemos aprender a filtrar de toda essa enxurrada de informações que nos passam, aquilo que pode ser usado na nossa situação, que seja adequado à nossa realidade, aos nossos filhos.

Maternidade real pra mim é isso: usar o que aprendemos com nossas mães e avós, acrescentar o que lemos nas revistas e nos é confirmado pelos pediatras, mas acima de tudo, sermos nós mesmas. Acreditar que estamos sempre fazendo o melhor e que o velho e aposentado "instinto materno" existe e funciona. E saber que cometer erros é parte do que precisamos fazer para aprender a acertar.








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terça-feira, 12 de abril de 2011

Baboseiras pra descontrair






Cada vez que viajo, além de todas as desventuras que enfrento e que já contei aqui no blog, ainda tem a "trilha sonora".
Pelo horário que saímos, só uma rádio local tem programação. 
As músicas são quase sempre as mesmas, entra ano, sai ano. 
Então resolvi fazer uma "coletânea" das melhores, só um trechinho, pra vocês terem uma ideia do que eu passo.

Ela encasquetou
Edson e Hudson

"Tem 14 anos
Que a gente namora
E ela encasquetou
Que quer casar agora...

Ela tá cismada
Que a mulherada
Tá dando no meu pé
Que eu tô enrolando
Tempo passando
Casar é o que ela quer
"

Homem é que nem lata
Gabriel Valim
 
"Homem é que nem lata
Uma chuta a outra cata
Homem é que nem lata
Uma chuta a outra cata
Eu tô assim jogado
tô solteiro, tô largado
Procurando outra gata"

Batida de mamão
Tchê Barbaridade
"Cada pessoa bebe
Aquilo que deseja
Cachaça, whisky ou cerveja
Se é pra encher a cara
Qualquer bebida vai
Pode ser importada
ou até do Paraguai
Mas eu gosto é de batida
Mas essa ta no fim
Eu to querendo mais
Quem bate uma pra mim
Quem bate uma pra mim
Quem bate uma pra mim
Quem é que se habilita
Bater uma pra mim"


Para terminar essa coleção de baboseiras, um complemento para o post "Literatura de banheiro", duas frases que merecem destaque:


"Aqui nesse lugar sagrado onde toda vaidade se acaba é onde todo covarde faz força e todo valente se caga." - Esse é poeta!

 "Puxe a descarga com força porque daqui até Brasília é um longo caminho!" - Adorei essa!

Espero que consigam se divertir. Eu já me aborreci muito com as músicas, mas como não tem outro jeito, aprendi a dar risadas.






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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pequenas lições aprendidas ao acaso


Há pouco tempo atrás, escrevi um post (aqui) falando sobre um senhor e sua família que conheci no hospital na ocasião da cirurgia de meu marido.

Esta semana fiquei sabendo que este senhor faleceu. Não o conhecia e nem sequer à sua família, com excessão da irmã que é uma das tias da Letícia na escola com quem mantenho pouco contato, restrito aos intersses da minha filha.

Mas fiquei triste assim mesmo. Triste porque gosto dessa professora e vi que sofreu muito com a perda do irmão. Triste porque este senhor, mesmo na sua doença e debilidade, me proporcionou momentos de diversão num momento tão perturbador como o que eu estava vivendo naquela ocasião.

Pensando sobre isso cheguei à conclusão de que uma das maiores conquistas de um ser humano, chegada a hora da sua morte, deve ser a de ter consciência de ter cumprido o seu papel, de ter feito sua vida valer à pena. Acho que este senhor fez sua vida valer à pena, cumpriu com seu papel. Já afirmei que não o conhecia e nem sei muito sobre sua vida, mas o pouco que ouvi sobre ele e vi no cuidado dos irmãos, ele era uma pessoa querida, amada. Também tornou minha vida mais leve, num momento em que tudo à minha volta parecia pesar sobre meus ombros. Eu não sou ninguém especial, mas sou alguém que ele ajudou um pouquinho, mesmo sem saber.

Fiquei com essa pequena lição aprendida: a de que podemos fazer coisas boas para os outros mesmo sem perceber, apenas por fazê-los sorrir.

"Fica sempre um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas".
(Thomas Cray
)







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sábado, 9 de abril de 2011

Civilidade x Cansaço

Não sei se isso acontece com todo mundo, mas acredito que em maior ou menor grau deve acontecer, mas eu perco totalmente minha noção de civilidade quando estou cansada.

Do dia 1º ao dia 8 fiz três viagens à Porto Alegre, todas elas com criança no colo. Apesar de ter sido um bom momento a sós com minhas filhas, individualmente, onde nos curtimos, brincamos e tivemos bons momentos, não foram viagens à passeio e por isso mesmo cansativas. Com o acumulo de viagens, acumulou-se também o cansaço e as dores em minha pobre e maltratada coluna e quadril. 

Na primeira viagem, foi bem tranquilo, voltamos relativamente cedo e cheguei bem cansada, mas ainda me sentindo gente. Mas na segunda e nesta última foi bem difícil. Difícil porque eu já estava cansada e porque, pra me ajudar, o ônibus que nos carrega foi pra oficina nas duas ocasiões. Na primeira, ficou pronto bem à tardinha quando então o motorista começou a recolher os pacientes nos hospitais da capital e saímos de lá só perto de 8 da noite, e educação de criança também acaba quando o cansaço começa. Nesta última viagem aconteceu um pouco pior: o ônibus não ficou pronto e tivemos que esperar até saísse outro daqui para ir para lá nos buscar, ou seja, saímos de lá passado das 9 da noite.

Pra completar o quadro, choveu horrores e os bancos disponíveis para a gente aguardar o ônibus em frente ao Hospital de clínicas ficam embaixo de uma aba, mas tão próximos à aba que chovia normalmente em cima. 
Ao entrar no ônibus, a Aline em quem pus fralda para a viagem (até porque depois de certa hora os banheiros do hospital ficam indisponíveis pra quem tá na rua esperando) faz cocô. Ela podia ter feito 5 minutos antes e daria tempo de trocar a fralda dela deitada em algum banco, mesmo que fosse na chuva. Mas não, ela resolveu fazer na hora de entrar no ônibus. Imaginando que o motorista teria pena de nós e pararia o ônibus na saída da cidade como fez o outro no outro dia para que todos que ficaram horas privados do banheiro pudessem ter algum alívio, não vi outra alternativa senão aguentar o (mau) cheiro até poder parar e trocar a tal fralda.

Como desgraça nunca vem sozinha, mal passamos a ponte e outra criança vomita e lava meia dúzia de outras pessoas. todo mundo em pé no meio do ônibus que não tem espaço nem pra se mexer, tentando limpar o estrago, acabo com uma gorda sentada do meu lado, me espremendo contra o canto. Se o cheiro dentro do ônibus já tava uó por causa da Aline, agora tava um bocado pior, e eu nem podia respirar sem poder abrir a janela por causa da chuva (e frio!) e com a gorda me apertando. 

O querido, amado, coisa fofa do motorista acendeu as luzes internas da lata de sardinha do veículo e quando pediram para ele dar uma parada em algum lugar ele concordou na hora, mas só parou em Pântano, quase em casa, hora e meia depois. Nessa altura eu já parecia um pittbull raivoso, mostrando as presas, a baba escorrendo e espumando no canto da boca, louca pra dar umas dentadas em alguém.

Saí daquele troço do ônibus carregando a Aline e a mochila pesada que carreguei durante o dia todo e corri para o fraldário, tentando diminuir o impacto negativo dos aromas do ônibus e com isso o mau humor geral. 

Se alguém passasse na minha frente naquela hora, certamente eu daria alguns chutes na canela do sujeito e gritaria diversos palavrões, não que eu tivesse razão para isso, mas porque tava tão cansada, irritada, tão dolorida, com fome, com sono, com frio, me sentindo tão putadavida frustrada que chutar alguém e gritar palavrões me parecia algo bastante normal naquele momento.

E com vocês, acontece isso também? Vocês também vão perdendo as noções de civilidade e a educação à medida que o cansaço e as frustrações de um dia em que tudo dá errado vão aumentando ou será que sou só eu que sou sem noção mesmo?






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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Violência e loucura


Estou sob o impacto das notícias vindas do Rio de Janeiro onde um jovem entrou atirando em uma escola pública e matou pelo menos 11 crianças, feriu outras 13 antes de atirar contra a própria cabeça. Leia mais sobre isso aqui).

Estou tão chocada, imaginando que poderia ser minha filha uma dessas crianças, tentando imaginar o horror que se passou ali esta manhã e tudo pelo que as famílias, as crianças feridas e as crianças que não foram atingidas pelos tiros mas que presenciaram este fato trágico e a morte de amigos ainda terão que passar.

Estou sem graça, queria escrever sobre isso, mas não encontro palavras.

Tristeza, choque, perplexidade, violência, loucura, indignação, dor. É só no que consigo pensar.

Que Deus tenha piedade de todos os envolvidos neste triste episódio e dê a essas crianças e suas famílias, algum conforto.







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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Aspectos comportamentais da pessoa com EM

Apesar de receber mais comentários de amigas e principalmente de outras mães que se identificam com minha porção materna, o blog também é muito lido por quem é portador de Esclerose Múltipla e seus familiares e amigos e é pra essas pessoas que escrevo hoje.

O que vou relatar aqui hoje não tem embasamento científico nenhum, é só fruto da observação do meu próprio comportamento e de traços comportamentais de outros portadores com quem mantenho contato. E escrevo este texto hoje para ajudar uma amiga que está sofrendo por causa desses aspectos.

Descobrir que se tem uma doença como a E.M. é um choque. Primeiramente porque não se conhece o inimigo e a falta de conhecimento cria falsas impressões, em geral muito ruins. A princípio, tudo o que se sabe é que é uma doença grave por ser degenerativa e não ter cura. A palavra degenerativa aliada ao "não ter cura" bastam para nos colocar em pânico. Mas aí, na tentativa de se conhecer melhor o tal inimigo, a gente se depara com casos muito mais graves do que o nosso, de pessoas completamente debilitadas e incapacitadas pela doença. Aí, além do pânico, vem mais pânico.

Há ainda o fato de que não há prognóstico possível, pois em cada pessoa a doença se manifesta de
uma maneira e não há como saber se ficará ou não incapacitada e nem de que forma ou quando. Essa imprevisibilidade é o que mais nos assusta e deprime.  É uma espada afiada pendurada por um fio tênue acima da nossa cabeça. Pode cair a qualquer instante, mas também pode não cair nunca e nós ficamos ali, debaixo dela, sofrendo com a mera possibilidade dela vir a cair. 

Por ser uma doença de adultos jovens, normalmente se manifestando entre os 20 e os 40 anos quando estamos no auge da nossa idade produtiva, a possibilidade de nos tornarmos incapazes de trabalhar, produzir, amar, casar, ter filhos, subir numa árvore ou correr a São Silvestre já nos incapacita, nos paralisa e amedronta. A angústia de não ser capaz de prover o sustento da família, ou de cuidar dela é muito grande.

No início, quando tudo ainda é duvida e medo, a gente nega, se revolta, se questiona. São muitos porquês girando sem parar na nossa cabeça: porque eu, porque agora, porque E.M., porque tudo demora tanto... São tantos questionamentos que a gente meio que se isola, fica muito introspectivo, pensando muito no próprio umbigo e esquecemos um pouco quem está perto da gente. Isso não é legal, mas é normal acontecer.

É comum aparecer a depressão, se a pessoa tiver que parar de trabalhar (como eu tive) isso só piora o quadro. Ninguém, por mais malandro que seja, deseja se aposentar aos 35 anos de idade ou viver encostado como se fala de quem recebe auxílio doença. Aliás, chamar de encostado quem está em benefício já é bastante pejorativo e deprimente.


Outra situação comum, é sentir-se dependente. O humor altera-se com frequência e de maneira muitas vezes abrupta, quem tá perto não entende nada. Como já disse, a doença se manifesta na idade mais produtiva, quando as pessoas normalmente trabalham, já moram sozinhas ou com cônjuge, muitas já tem filhos, outras estão querendo ter... então de uma hora pra outra se vêem dependentes dos outros, precisando de ajuda para coisas simples e básicas e isso é muito ruim para a auto estima. Se os cuidados se estendem além do necessário e viram rotina, a gente se sente ainda mais incapaz. E isso além de deprimir, irrita.

Eu fico P... da vida quando quero sair pra dar uma caminhada e o marido insiste em me dar carona. Caramba, se quero caminhar pra que vou querer carona? Mas ele sabe que não aguento caminhar muito e que me canso e sinto dores, se preocupa. Isso é bom e louvável da parte dele, mas confesso que me irrita muito as vezes. Sinto como invasão, vigilância e não gosto disso. Mas acabo aceitando esse cuidado, às vezes excessivo, porque sei que é expressão do amor que ele tem por mim. 

Pude perceber isso quando a situação se inverteu e ele precisou dos meus cuidados. No início ele até queria que eu cuidasse dele, ficou dengoso que só, mas depois começou a se irritar comigo, ser grosseiro e recusar minha ajuda. Fiquei magoada, mas depois me dei conta do quanto isso é irritante mesmo e deixei que ele ficasse livre de mim, mas ainda cuido à distância, sem deixar muito ele perceber, pergunto menos. 

Mas é complicado achar o ponto, saber a dose certa, de quando perguntar, quando controlar os remédios, quando oferecer ajuda. A linha que separa a independência da pessoa da irresponsabilidade e displicência consigo e com o tratamento é muito tênue, tanto quanto a que separa uma maior liberdade que se dá para que a pessoa se cuide sozinha daquilo que ela possa sentir como negligência e falta de interesse.

Portanto, se alguém esta passando por momentos semelhantes à esses, ou é cuidador, ou apenas convive com quem esteja, espero que este post ajude numa maior compreensão. Paciência, amor, carinho e muita conversa são primordiais para se enfrentar essas oscilações de humor e as dificuldades nos relacionamentos que elas acarretam.


Mais sobre esse assunto pode ser lido no site da BACTRIMS (Brazilian Comiteee for Treatment and Ressearch in Multiple Esclerosis), no tópico "Esclerose Múltipla e família".



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terça-feira, 5 de abril de 2011

Gêmeas - Descobrindo a individualidade

Nos últimos dias vivi uma experiência nova com as gêmeas: passar um bom tempo com elas separadas, um dia inteiro com cada uma delas, só eu e elas.

Sempre que elas tem consultas ou exames no HCPA levo as duas juntas e meu marido me acompanha, mas por causa da cirurgia que ele fez me propus a levá-las sozinha, por isso separei as datas dos exames e consultas. Na sexta-feira viajei com a Aline e na segunda (ontem) com a Camila. Foi uma experiência cansativa, mas muito interessante.

Nunca tinha separado as duas por tanto tempo, por isso pude curtir cada uma delas de um modo que nunca tinha curtido antes, conhecê-las mais profundamente, usufruir da companhia de cada uma e perceber suas diferenças de uma forma mais real.

Sempre digo que elas são iguais na forma e diferentes no conteúdo, mas sempre uso da comparação entre uma e outra para ter parâmetros. Dessa vez pude observar cada uma de forma única e me surpreendi com isso.

A Aline se comportou tão bem, que nem parecia ela. Normalmente ela é tão manhosa, tá sempre pedindo colo e choramingando por alguma coisa, mas desta vez só chorou em dois momentos: um quando foi fazer o exame (tirar sangue não é coisa que criança faça sem chorar) e na volta, já quase chegando na cidade, numa parada no meio do caminho, quando tirei a lata de refrigerante que tinha dado à ela para embarcarmos de volta no ônibus, teve um chilique até que eu devolvesse a lata, mas aí ela já tava bem cansada e nem levei em consideração.

Parecia uma mocinha, chamou a atenção e quem viu pelo comportamento e a postura de "gente grande" inclusive na hora do almoço, sentadinha à mesa, comendo com a própria mão e bebendo num copo de vidro com todo o cuidado e educação. Até os donos do restaurante vieram falar comigo elogiando o jeitinho dela. 

Ouvi muitas vezes a expressão "obrigado mamãe" pra tudo que eu dava à ela, vi o quanto gosta de desenhar e como é bem articulada com as palavras. Mesmo ainda falando errado e não dando pra entender tudo o que diz, ela se articula bem e tem um bom vocabulário, adora contar histórias e cantar. Eu já sabia disso tudo, mas pude ver tudo bem mais claramente. 

Só não pode me perder de vista, passou o dia querendo caminhar para lá e pra cá e não se permitiu dormir até estar de volta dentro do ônibus. Como choveu a manhã toda, ficamos dentro do hospital só saindo na hora do almoço quando a chuva também parou.

O detalhe que mais me chamou atenção: não podia ver uma mulher de vestido que logo largava um: "olha mamãe, que linda de vestido!" Adora um vestido, seja de que jeito for e qualquer pessoa por mais mal vestida que esteja, se estiver de vestido, é linda!


A Camila deu um pouco mais de trabalho, porque é mais teimosa, mas também nos viramos bem. O problema maior com a Camila foi que o retorno foi BEM mais demorado. Enquanto com a Aline eu cheguei de volta em casa às 18:30, com a Camila cheguei às 23:00 e essas quase 6 horas fizeram toda a diferença.

Ela também é mais tranquila, menos agarrada e dependente de mim. Logo se soltou pra brincar e foi difícil mantê-la ao alcance das minhas mãos. Mas também dormiu tranquilamente por uma hora e meia deitada no banco à sombra das árvores. Tivemos sorte de um dia lindo de sol, só pegando uma chuva torrencial na hora de pegar a estrada na volta. Ainda bem que o motorista decidiu para logo na saída de Porto Alegre e quando voltamos à estrada já não chovia mais.

Descobri meio que por acaso que ela já reconhece várias cores, se atrapalha um pouco na hora de dizer os nomes, mas já identifica. É muito observadora, falo sempre isso aqui. Também ouvi dela muitos "obrigado mamãe" e até (pasmem!) um genuíno pedido de desculpas quando chamei a tenção dela por causa de uma arte que tinha feito.

Também gosta da caneta e do papel, mas em vez de desenhos ela diz que "escreve", mostrando outras preferências. Gosta mais de ouvir histórias que de contar, é mais atenta e absorve tudo que vê e ouve.

O detalhe que mais me chamou a atenção: não tem preconceitos, ainda não foi contaminada por esse mal que nós adultos colocamos na cabecinha das crianças. Ao ver uma menina numa cadeira de rodas e com uma cabeça enorme, meio deformada (não sei que doença tinha, mas para mim não era muito bonito de ver) ela disse que a menina era linda porque tinha sapatos cor-de-rosa e laços de fita no cabelo. Ficou repetindo bem alto "Que linda a menina mamãe! Olha o sapato dela! Olha o cabelo dela!" fiquei com vergonha, não por ela ou pelo que ela disse, mas por mim, por ter achado a menina feia, prestado mais atenção a um mero detalhe que não era comum, do que no todo, na beleza daquela criança.

Também foi interessante ver o quanto uma se preocupa com a outra e pergunta a toda hora onde tá e o que tá fazendo. O reencontro delas também foi interessante. A foto do abraço no início desse post é antiga, já até postei ela aqui, mas emblemática. Significa o que mais amo ver nessas duas: o amor, não por que são iguais, mas apesar das suas diferenças.

Logo iremos repetir essa experiência pois dessa vez elas foram fazer exames e agora tem as consultas. Espero poder observar novas coisas sobre elas e curtir bastante esse dia só nosso. Se cansei? Horrores! Tô completamente quebrada! Mas gostei muito dessa experiência nova!





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domingo, 3 de abril de 2011

Ser mãe de gêmeos é ...

...responder sempre às mesmas perguntas...


Ainda bem bebezinhas, dormindo sob a guarda da mamãe ursa e suas ursinhas gêmeas
Uma das primeiras coisas que percebi acerca do universo gemelar é de que teria que responder às mesmas perguntas indefinidamente. Apesar de gêmeos serem cada vez mais comuns por causa dos tratamentos de fertilidade e inseminações artificiais, as pessoas ainda tem muita curiosidade acerca do assunto.

Mas a clássica pergunta: "São gêmeos?" é a que acaba sendo a mais comum e por isso mesmo, a mais irritante. No início dá um certo prazer em responder, mas com o tempo começa a dar nervoso. Mesmo respondendo sempre com a educação que mamãe me deu já elaborei mentalmente inúmeras respostas "opcionais" para essa pergunta: 
-não, uma tem 5 anos e ao outra é recem nascida, como podem ser gêmeas?
-não, uma é filha do pai e a outra é filha da mãe.
-não são gêmeas, fiz xerox de uma delas;
 E muitas outras.

Mas tem outras perguntas muito comum pra quem me encontra com elas, não só perguntas, mas afirmações também. Por exemplo: "elas são idênticas?" Aí eu respondo que sim e a pessoa olha e diz: "Ah, mas elas são bem diferentes!" enquanto outra pessoa que acompanha diz: "É claro, são iguaizinhas!" aí eu saio de perto e deixo as duas pessoas brigando para ver quem tem razão. Eu mesma tem dias que acho elas iguais, outros completamente diferentes, vou querer convencer alguém disso ou daquilo porquê?

"É verdade que quando uma chora a outra chora também?" Em geral é sim, pois uma criança que ouve outra chorar normalmente chora também, seja ela sua irmã gêmea ou a filha da vizinha. Mas isso era mais comum quando eram mais bebês, agora já não ocorre tanto.

"É verdade que quando uma se machuca a outra sente dor também?" Se sente dor eu não sei, elas ainda não tem esse nível de comunicação para entender se sentem o mesmo que a outra e poderem me falar sobre isso, mas quando uma se machuca ou está doente, a outra sofre, porque são irmãs, estão sempre juntas e se amam, é normal.

 "Elas brincam juntas?" essa também dá vontade de responder que não, que eu coloco uma em cada cômodo da casa e não deixo brincarem juntas, mas respiro fundo e respondo pois entendo o que a pessoa quer perguntar, se elas são amigas, se interagem.

Aline sempre gostou de dormir assim, aconchegada na irmã
E a partir destas perguntas aparecem outras inúmeras variações: Dormem juntas? Comem as mesmas coisas? Dormem no mesmo horário? e por aí vai... Eu confesso que também tinha curiosidade sobre todas essas coisas, gêmeos parecem ser uma coisa mágica, meio misteriosa pra quem nunca teve contato com eles. Mas no fundo é igual a quaisquer outros irmãos, a única coisa que difere é que nasceram ao mesmo tempo e aprenderam a dividir tudo desde o ventre da mãe. Isso às vezes os torna mais generosos e tolerantes, outras vezes mais ciumentos, já que nunca tiveram a mamãe só pra si por mais do que alguns momentos.


Elas obviamente tem uma afinidade maior, uma cumplicidade única. É uma parceria que certamente levarão pela vida afora. Mas isso também se deve ao fato de serem irmãs e conviverem muito, estarem sempre juntas. Ninguém tem coragem, nem sequer vontade de mantê-las separadas, então elas vão crescendo sempre sabendo que a outra está ali, sempre perto. Sentem-se mais seguras assim. 

Na escola, alguns psicólogos orientam colocar cada irmão gêmeo em uma turma separada, para que um não fique dependente do outro, ou seja sua "sombra", mas ao que parece, esse não será o caso das minhas meninas. Mesmo tendo uma que é mais dominadora e autoritária, as duas tem personalidades fortes e buscam impor suas vontades. São duas criaturas distintas que possuem a mesma forma, mas conteúdo diferente e ao perceber e ressaltar isso, nós contribuimos para que estabeleçam suas personalidades como indivíduos únicos e não como um par. 

Vestir gêmeos com roupas iguais é bonitinho e divertido (fica mais difícil identificar quem é quem) mas faz com que elas pareçam uma pessoa só dividida em dois, quando na verdade elas são duas pessoas que se somam.

Elas às vezes querem a mesma roupa (geralmente quando aquela roupa em questão não tem um par), mas porque tem gostos parecidos ou só para implicarem e arrumarem briga, mas em geral elas fazem suas próprias escolhas e se determinam bem com elas.

Cada dia que passo aprendo mais com elas. Observar e interagir com elas é divertido e enriquece cada dia mais a nossa vida. Marido sempre diz que se as duas fossem uma só, nossa vida não seria tão divertida. Acredito que nem tão divertida, nem tão rica, nem tão abençoada.

Bom domingo pra vocês e que a semana que irá começar seja plena de realizações e feliz!



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