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sábado, 7 de agosto de 2010

Vó Lotti

Tinha adoração pelos meus avós, principalmente pelos vovôs que eram mais brincalhões e menos disciplinadores que as vovós, mas minha vó paterna Lotti é um capítulo à parte.

Alemã de nascimento, era uma figura imponente, postura de nobre européia e um certo ar de arrogância. Era alegre e muito vaidosa, andava sempre bem arrumada e maquiada, impunha respeito pelo tom de voz firme, mas sem gritar. 

Eu com 1 ano e vovô e vovó
Fui muito mimada pelos meus avós paternos quando criança, e também pelas minhas tias que eram ainda meninas quando eu nasci. Por ser a primeira neta e sobrinha, tive muito chamego e regalia. Mas depois que os outros netos vieram, e eu já estava crescida, foi exigida de mim uma postura de adulta e como eu era muito metida, me achava gente grande mesmo, uma coisa foi levando à outra e passei a ver mais o lado severo da minha vó.

Acabei ficando com essa imagem marcada, de uma pessoa dura, que não era dada a demonstrações de afeto, infelizmente esse é um traço da personalidade alemã que eu também tenho, por isso hoje compreendo melhor. Apesar de me sentir rejeitada, continuei a amá-la e respeitá-la e disse isso a ela algumas vezes enquanto ela era capaz de me entender.

Mas vovó teve Mal de Alzheimer e partiu muito pouco tempo depois de internação em uma casa de repouso. Obviamente ela já tinha a doença há muitos anos, mas quando o diagnóstico surgiu já não havia mais muito o que fazer, ela definhou e regrediu rapidamente.

Como tinha ficado algum tempo sem vê-la antes da sua partida, estranhei muito aquela figura inerte diante de mim. Magra, pesava em torno de 40kg quando morreu, cabelos totalmente brancos, sem a tradicional tintura, sem maquiagem, sem jóias, vestida com um abrigo e um blusão simples, nem de longe lembrava a criatura imponente que eu conheci.

Mensagem escrita por ela quando fiz encontro de jovens
Fiquei dando voltas em torno daquele corpo sem vida, tentando identificar algum traço da minha vó que pudesse reconhecer. Fiz uma oração de despedida e me afastei, intrigada com o fato de só perceber esse sinal de reconhecimento quando toquei em suas mãos. 

No momento em que encostei minha mão nas dela, frias e sem vida, percebi que aquelas mãos muitas vezes seguraram firmes as minhas, com força, segurança e amor. Toda a aspereza dela, ficou pequena naquele momento e eu me despedi dela lembrando só do amor que ela teve por mim e compreendendo enfim todos os puxões de orelha e broncas e outras atitudes que eu julgava serem de incompreensão e rejeição.

Hoje que eu estou mais velha e tenho também meus filhos em idades variadas para educar e orientar, percebo em mim muito dela. Aparência e atitudes às vezes duras, mas coração mole e cheio de amor. 
Essas lembranças me vem à tona hoje, porque é o dia em que ela faria aniversário, 89 anos se ainda estivesse entre nós. 

Enquanto escrevo isso às lágrimas da saudade me embaçam à visão, vou terminar dizendo que acredito, e tenho mil razões pra acreditar, que ela está por aí, em algum lugar e vela por mim e minha família. Então encerro dizendo que amei e amo minha vó, assim como meu vô e que vovô e vovó são as melhores coisas que existem na vida e digo sempre isso aos meus filhos que tem a felicidade de ter os seus ainda todos juntos de nós.
Comentários
9 Comentários

9 comentários:

  1. você não pode me fazer chorar assim no serviço prima :( muito lindo mesmo
    @gabemosena (via twitter)

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  2. Querida Kátia,
    Nossa que texto mais lindo! Adorei mesmo! Me deu uma saudade! Meu avô materno também era descendente de alemães e sei exatamente o que vc fala! Mas no fundo ele era um amor!
    Adorei,
    beijocas,
    Mari.

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  3. Que lindo Tuquinha!
    Amei. Super sensível
    Beijos,

    Irma

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  4. Prima!!!! Linda a homenagem!!! Eu e a mãe estamos aos prantos aqui!!!
    Tu estás te revelando nesse blog, né?!! Lindooooooooo!!! Com certeza ela está entre nós. Saudadessss, bjãooooo

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  5. Teu blog tem me feito rir, e hoje me fez chorar. mas tudo bem, foi por uma boa causa. Afinal, as lembranças que minha mãe deixou, são muito intensas e não tem como recordar dela e não chorar de saudades. continue nos alegrando e nos emocionando com suas histórias. um beijo

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  6. Katia que lindo, adorei relembrar exatamente como a mãe era. Que saudades, foi uma homenagem muito linda. Um grande beijo.

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  7. Katia que lindo, adorei relembrar exatamente como a mãe era. Que saudades, foi uma homenagem muito linda. Um grande beijo.

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  8. Querida Kátia,
    Nossa que texto mais lindo! Adorei mesmo! Me deu uma saudade! Meu avô materno também era descendente de alemães e sei exatamente o que vc fala! Mas no fundo ele era um amor!
    Adorei,
    beijocas,
    Mari.

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