Ache aqui o que você procura!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O descaso com a saúde pública – post 2

A falta de estrutura dos municípios em atender bem a saúde é visível. O despreparo ou desinteresse médico (ou ambos) também é gritante. (Leia aqui o Post 1).

Mas o pior problema da saúde pública é certamente político. Quem tem o poder e a obrigação de ser gestor dessa esculhambação, usa sempre a velha desculpa de que faltam verbas. Ora, o que não falta é verba! Falta organização, falta gestão, falta boa vontade, falta interesse.

Voltando a dar como exemplo a minha realidade, nosso PA voltou a ficar sem médico ontem. (Aqui tem a notícia no jornal local, é preciso fazer cadastro pra ler, mas é simples e rápido). Foi a 11ª vez em 30 dias. Ontem a falta de médico durou quase 7 horas! 

Enquanto isso, a emergência do hospital superlota e obviamente diminui muito a qualidade do atendimento.

E a situação toda já vem grave desde a raiz, já que os postos de saúde não prestam o atendimento que deveriam e as pessoas procuram o plantão ou a emergência do hospital para consultas médicas, receitas de medicamentos e resolução de dúvidas simples que poderiam ser atendidas nos postos.

palhao

Se tem algo que sempre me impressionou muito desde que vim morar aqui há 18 anos, é o fato de uma cidade que tem em torno de 80 mil habitantes ter um único PA 24 horas, que quando tem médico é apenas 1 (UM!!!) e nunca conta com um pediatra.

Postos de saúde que não funcionam, que contam com poucos médicos e consequentemente tem um número de consultas limitado, restrito, ineficaz.

Isso tudo é uma bola de neve. A ineficiência dos postos gera acúmulo no PA. A ingerência do PA superlota o hospital. A superlotação do hospital que também é ineficaz contando apenas com um médico para atender ao SUS, a falta de especialistas, a total desassistência faz com que a população procure atendimento na capital, gerando problemas lá também.

Enfim, os problemas são conhecidos. Mas e a solução? A solução é complicada e depende muito da boa vontade dos gestores públicos. Mas cada um pode fazer a sua parte. Cobrar soluções é algo que todos podemos (e devemos) fazer. Não aceitar essa bagunça, não se conformar com um serviço medíocre, não ficar achando que é melhor isso do que nada.

Eu não entendo o suficiente para apontar as soluções, infelizmente. Mas sei que temos direitos que precisam ser respeitados e devem ser exigidos.

sábado, 3 de novembro de 2012

O descaso com a saúde pública - Post 1

Falar sobre o descaso com a saúde no Brasil é chover no molhado. Há muito que a situação já passou de crítica para desesperadora.

Aqui em Cachoeira não é diferente. Até nem é tão ruim, se levarmos em conta o que vemos acontecer país afora todos os dias nos jornais, mas longe de ser um consolo, isso só prova o quanto nosso nível de exigência anda baixo.

A situação anda tão pavorosa, que os usuários de planos de saúde (anos atrás, sonho de consumo de qualquer mortal) estão tendo inúmeros problemas e virando campeões de queixas aos procons.

Mas voltando à vaca fria ou seja, ao SUS, aqui temos o seguinte problema: marcar consulta no posto de saúde é tarefa de ninja. Não existem mais filas, mas isso não diminuiu em nada a dificuldade da marcação, pois como agora são feitas por telefone mas continuam com o mesmo número limitadíssimo, a gente não sabe ao certo se as consultas se esgotam no primeiro minuto após serem abertas, ou se eles simplesmente tiram o fone do gancho  enquanto a gente gasta os dedos tentando a ligação.

Pra piorar, o único PA 24 horas da cidade vive sem médico. Esse é um problema antigo e para tentar solucioná-lo a prefeitura terceirizou o serviço. O resultado? Piorou. A empresa, além de não cumprir o contrato, é difícil de ser contatada para dar explicações.
charge2009-faltadear

Acaba o povo todo indo parar no plantão do hospital, que tem mais conforto e a garantia do atendimento, mas conta sempre com um (UM!!!) único médico plantonista para atendimento ao SUS, gerando superlotação e uma espera cruel pra quem já está debilitado.

O que acontece é que as pessoas desistem de procurar o médico. Uma historinha que aconteceu comigo há alguns anos, ilustra bem o quadro: Sentia algo no coração, não sabia explicar direito, mas me sentia mal com aquilo. Várias vezes procurei o médico pra falar daquilo, mas a consulta demorava tanto, exames idem, que não estava sentindo mais nada no dia e passava por doida. Uma vez o médico me disse que fosse lavar roupa que passava, brigou comigo porque eu estava ali tirando o lugar de quem precisava.

Anos mais tarde, sem saber do meu problema (já que eu mesma não sabia), outro médico me receitou um diurético. Tive uma crise violenta de arritmia (esse era o problema) e fui para num hospital particular, levada pelo meu patrão. Tive que ouvir do médico que devia ter investigado isso antes, que poderia ter morrido por causa disso.

Ou seja, se a gente procura o médico pra prevenção (sem estar morrendo, desmaiando ou com uma hemorragia violenta) nos olham com pouco caso, nos chamam de histéricos e xingam por tirarmos o lugar dos outros. Se deixamos o lugar para os outros em situações mais graves, permitimos o agravamento de nossa própria situação. Ou partirmos para a automedicação, que pode aliviar sintomas, mas igualmente agravar o que sentimos, seja por mascarar uma doença realmente grave, seja pela intoxicação do organismo por medicamentos que muitas vezes nem precisamos.

Além de toda falta de estrutura para um atendimento adequado, ainda temos que conviver com o despreparo dos profissionais ou pior, com o seu desinteresse.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...