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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Mais de Carpinejar

Li este texto no blog do Fabrício Carpinejar e achei tão belo e verdadeiro que quis compartilhar com vocês. Ele fala em colocar a dor para trabalhar, em fazer dela algo útil ao nosso crescimento. Maravilhoso. Já postei aqui outro texto dele, Mão Grande. (veja aqui)


Minha amiga Dora perdeu seu filho.

Ela disse que o momento mais difícil do luto foi quando ela riu de uma piada durante jantar entre amigas. Já havia completado dois anos do acidente e um ano que limpara o quarto do adolescente e oferecera suas roupas e pertences para campanha do agasalho.
Não conteve o riso, ele veio, cristalino, por uma história boba. Ela se penalizou pela alegria, acreditou que traía seu filho com a gargalhada, que não poderia mais ser feliz depois da tragédia familiar, que deveria seguir com a feição contraída e casmurra para homenagear a tristeza e avisar aos outros da longevidade e importância de sua ferida.
A lealdade tinha que ser séria, ornada de renúncias. Para indicar que a viuvez de ventre é definitiva, com o berço dos olhos petrificado em jazigo.
Ela se sentiu culpada por rir, envergonhada perante os céus, pediu desculpa ao filho, prometeu que estaria mais concentrada dali por diante e que o descontrole não se repetiria.
Mas ela quebrou a palavra, e riu novamente, como é próprio da vida superar o pesar de repente. Seu rosto agora participava da conversa com todas as rugas e covas. Bateu vontade de cobrir os lábios de batom para brilhar inteira.
Dora me segredou uma frase pura, que guardei na caixinha de sapatos de minha infância:
– Foi uma injustiça meu filho morrer, mas não poderia deixar a morte de meu filho me matar.
Doralice sempre me surpreendeu pela sua lucidez. Foi minha professora de matemática na Escola Estadual Imperatriz Leopoldina. Na última semana, passei pela frente de sua casa no bairro Petrópolis e arrisquei apertar sua campainha. Ela me recebeu com um longo abraço e me convidou a entrar. Reparei que pintava na varanda.
– Começou a pintar, Dora?
– Eu? Não...
– O que é essa tela? (eu me aproximei da moldura que reproduzia uma praia no inverno)
– Ah, é minha dor que estava pintando, coloquei minha dor a se mexer, a aprender algo de útil, e parar de me incomodar.
E concordei com seu raciocínio. Quantas vezes abandonamos nossa dor no sofá, vadia, assistindo TV? Quantas vezes permitimos que ela fique o dia inteiro dormindo, lembrando bobagens? Nossa dor sozinha, sem emprego, sem fazer nada, desejando morrer no escuro. Nossa dor comendo às nossas custas, terminando com os nervos, o casamento, as amizades.
Dor é feita para trabalhar, senão adoecemos no lugar dela.

 
 
Publicado no jornal Zero Hora
 
Coluna semanal, p. 2, 20/09/2011
 
Porto Alegre (RS), Edição N° 16831






Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Céu, Sol, Sul, Terra e Cor

Céu, Sol, Sul, Terra e Cor  - Leonardo

Em homenagem ao dia do Gaúcho (leia mais aqui) que se comemora hoje queria compartilhar com vocês uma música que considero o outro Hino do Rio Grande, pois é a mais linda canção de amor a esta terra que eu conheço. 

Eu quero andar nas coxilhas
Sentindo as flexilhas das ervas do chão,
Ter os pés roseteados de campo,
Ficar mais trigueiro com o sol de verão.
Fazer versos cantando as belezas
Desta natureza sem par.
E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar
(E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar!)

É o meu Rio Grande do Sul
Céu, sol, sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor.
É o meu Rio Grande do Sul
Céu, sol, sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor.
(Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor!)

Eu quero me banhar nas fontes
E olhar horizontes com Deus,
E sentir que as cantigas nativas
Continuam vivas para os filhos meus.
Ver os campos florindo e
Crianças sorrindo felizes a cantar!
E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar
(E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar!)

É o meu Rio Grande do Sul
Céu, sol, sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor.
É o meu Rio Grande do Sul
Céu, sol, sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor.
(Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor!)

Eu quero me banhar nas fontes
E olhar horizontes com Deus,
E sentir que as cantigas nativas
Continuam vivas para os filhos meus.
Ver os campos florindo e
Crianças sorrindo felizes a cantar!
E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar
(E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar!)

É o meu Rio Grande do Sul
Céu, sol, sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor.
É o meu Rio Grande do Sul
Céu, sol, sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor.
(Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor!)

sábado, 17 de setembro de 2011

A vida segue seu curso.

Quando soube do falecimento da minha dinda (se não sabe, leia aqui), passava um pouco das 8 da manhã e eu estava terminando de arrumar as crianças para a escola. Atendi o celular já com o coração aos pulos, pois ligação do meu pai aquela hora da manhã era sinal de notícia ruim. Ao ouvir o pranto do meu paizinho, também chorei e minhas filhas me olharam com espanto e perguntavam porque mamãe estava chorando.

Chamei-as para perto de mim, as abracei e perguntei se lembravam da tia Gina, que nós íamos na casa dela e com a resposta positiva delas disse-lhes que a tia tinha ido morar com o papai do céu (foi o que me ocorreu na hora), elas então me olharam com aquelas carinhas fofas e sorrindo me disseram: - "Ah, mamãe, então tá bom!" Aquilo me confortou tanto. Elas em sua inocência e pureza me deram o recado: se ela foi morar com papai do céu, porque então está chorando?

Na volta de Porto Alegre, fui direto para a igreja onde se iniciava o encontro do ECC. Estava comprometida em ajudar e não quis falhar com o compromisso. Mesmo muito cansada e bastante triste, fui trabalhar durante os 3 dias do encontro e foi isso que me deu forças para não sofrer além da conta. Continuo muito triste, mas não fiquei caraminholando, remoendo a dor, cutucando a ferida. Isso ajuda a cicatrizar.

Hoje novamente a dor da perda veio bater a nossa porta. Zulmira, uma amiga querida, mãe e sogra de um casal muito amigo e querido também, sucumbiu à um câncer aos 57 anos de idade. Ela tinha o abraço mais caloroso e aconchegante da cidade, era catequista e bastante conhecida e amada em nossa comunidade. Sofri. Sofri pelos 3 filhos, noras e netos que ela deixou e por uma comunidade inteira que ficará um pouco órfã do seu sorriso, da sua alegria e do seu vozeirão no coro das missas. Perdemos uma pessoa de muita fé, fibra, força. 

Mas ai, chego em casa tarde, cansada, triste, desolada. Mas resolvo dar uma espiadinha na internet antes de dormir e encontro a notícia de que a Fabi Coltri que esteve aqui outro dia (aqui), está grávida do segundo filho. Fiquei tão feliz!

A vida segue seu curso. Uns partem, outros chegam. Que bom que seja assim, é a própria vida nos dizendo que temos que continuar, que a terra não vai parar de girar porque estamos sofrendo. Toda a dor irá aliviar e se transformar em saudade e nós iremos continuar a viver, apesar dela. 

Damos adeus a quem parte, com o coração apertado mas desejando-lhes uma boa viagem. Damos também as boas vindas a quem chega, alegres e festivos, desejando-lhes uma longa e feliz permanência.



Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

Semana Farroupilha

Este post foi originalmente publicado em 17/09/2010, mas estando novamente na semana farroupilha, um ano depois, resolvi republicá-lo. É uma boa maneira de homenagear minha terra e de levar a conhecer o nosso jeito para quem vive longe do Rio Grande. Para quem já leu, vale a pena ler de novo.

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Estamos em plena semana Farroupilha, dia 20 de Setembro comemoramos o orgulho de ser gaúcho e exibimos nossas tradições e costumes. 


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Saga Farrapa marcou o Rio Grande
As comemorações da Revolução Farroupilha - o mais longo e um dos mais significativos movimentos de revoltas civis brasileiros, envolvendo em suas lutas os mais diversos segmentos sociais - relembra a Guerra dos Farrapos contra o Império, de 1835 a 1845. O Marco Inicial ocorreu no amanhecer de 20 de Setembro de 1835. Naquele dia, liderando homens armados, Gomes Jardim e Onofre Pires entraram em Porto Alegre pela Ponte da Azenha.
A data e o fato ficaram registrados na história dos sul-rio-grandenses como o início da Revolução Farroupilha. Nesse movimento revolucionário, que teve duração de cerca de dez anos e mostrava como pano de fundo os ideais liberais, federalistas e republicanos, foi proclamada a República Rio-Grandense, instalando-se na cidade de Piratini a sua capital.

Acontecendo-se a Revolução Farroupilha, desde o século XVII o Rio Grande do Sul já sediava as disputas entre portugueses e espanhóis. Para as lideranças locais, o término dessas disputas mereciam, do governo central, o incentivo ao crescimento econômico do Sul, como ressarcimemto às gerações de famílias que lutaram e defenderam o país. Além de isso não ocorrer, o governo central passou a cobrar pesadas taxas sobre os produtos do RS. Charque, couros e erva-mate, por exemplo,passaram a ter cobrança de altos impostos. O charque gaúcho passou a ter elevadas, enquanto o governo dava incentivos para a importação do Uruguai e Argentina.

Já o sal, insumo básico para a preparação do charque, passou a ter taxa de importação considerada abusiva, agravando o quadro. Esses fatores, somados, geram a revolta da elite sul-riograndense, culminando em 20 de Setembro de 1835, com Porto Alegre sendo invadida pelos rebeldes enquanto o presidente da província, Fernando Braga, fugia do Rio Grande. 


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 Eu tenho sim muito orgulho de ser gaúcha,um povo diferente do resto do povo brasileiro. Somos uma gente forte, de espírito guerreiro e alma libertária, temos costumes e tradições muito arraigados e próprios que nos diferem do restante dos brasileiros. Não quero dizer com isso que somos melhores, nem piores. Somos apenas isso, diferentes.

Quando fiz o supletivo para terminar meu 2º grau (ensino médio para os mais modernos) tinha um professor de OSPB que era tradicionalista até o último grau. Dava aulas pilchado (usando a indumentaria tradicional do gaúcho) e havia sido patrão de CTG (Centro de Tradições Gaúchas). Era todo gaudério e viva alardeando as maravilhas de ser gaúcho e as coisas boas que o nosso estado possuía.

Um dia perguntou na sala de aula qual era o melhor estado da Federação, ao que todos responderam prontamente: Rio Grande do Sul, achando que fosse esta a resposta óbvia. Não. Calmamente e com o jeito engraçado de sempre disse assim: "O melhor estado do Brasil é Santa Catarina!" e antes que o espanto de todos causasse tumulto na sala completou: "É o estado que separa nós do resto da porcaria lá de cima!" 

Rimos muito, mas é claro que ele não pensava assim de verdade, mas era uma maneira de nos explicar o quanto éramos diferentes do resto, desde a maneira de falar, de agir, nossas posições políticas, nossa disposição para a defesa de ideais. 

Somos muito incompreendidos pelas pessoas de outros estados que não nos "estudam" um pouco. Defendemos posições geralmente diferentes, nos comportamos de um jeito único, enfim, somos gaúchos. Este termo serve muito para nos definir: é o jeito dele, ele é gaúcho.

Nossa bebida mais comum é uma espécie de chá, quente e amargo, tomado em uma cuia e passado de mão em mão. Muitos acham esse um ritual estranho, mas para nós é o componente obrigatório numa roda de conversa. Nosso "happy hour" pode ser feito a qualquer hora do dia, basta uma cuia de chimarrão e uma chaleira de água, logo um se aproxima e depois outro e mais outro e logo tá formada a roda.

Os homens são chamados de peões e as mulheres de prendas. É claro que não é assim no dia-à-dia, mas é ou não é uma forma bonita de se chamar uma mulher? Os homens geralmente são muito cavalheiros e tratam suas "prendas" com muito amor e respeito.

Tudo isso, associado às nossas belezas naturais, à rivalidade acirrada mas sadia entre ximangos e maragatos, gremistas e colorados, às nossas tradições e costumes, fazem com que cada um nós sinta muito orgulho em ser gaúcho, em pertencer à esta terra, em ter suas raízes fincadas neste chão.


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As comemorações do Movimento Farroupilha, que até 1994 restringiam-se ao ponto facultativo nas repartições públicas estaduais e ao feriado municipal em algumas cidades do Interior, ganharam mais um incentivo a partir do ano 1995. Definida pela Constituição Estadual com a data magna do Estado, o dia 20 de Setembro passou a ser feriado. O decreto estadual 36.180/95, amparado na lei federal 9.093/95, de autoria do deputado federal Jarbas Lima (PPB/RS), especifica que "a data magna fixada em lei pelos estados federados é feriado civil".

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Ouçam o nosso hino e acompanhem a letra  É muito bonito e fala muito sobre nós, é cantado em cerimonias dos mais diversos tipos e é muito difícil conhecer um gaúcho que não saiba cantá-lo


Hino Rio-Grandense
Fontoura / Joaquim José de Mendanha


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

CONVERSAS - Cuidado

Hoje nossas conversas são coma queridíssima Fabi Coltri, mãe da linda, doce e espertíssima Sofia e que escreve no blog No mundo de Sofia. Fabi é uma dessas amigas virtuais que parecem assim bem próximas. 

Divertidíssima, faz brincadeira com tudo, até quando está braba, faz graça. 

No texto que ela enviou, fala da previdência divina, que a impediu de saber antes do parto que sua bebê tinha lábio leporino e assim a protegeu de sofrer antes da hora e pôr em risco o restante de sua gestação. 

Acompanhem o texto:

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Cuidado!
por: Fabi Coltri (@FabiColtri)

Fabi e sua filha linda Sofia

Quando a Tuka me convidou pra estar aqui, confesso que fiquei meio com medo! =o)
Ela escreve tão maravilhosamente bem, tem assuntos diversos e eu tão sem graça com minha vidinha máomeno!!
Resolvi então falar de como tem coisa que a gente não explica, acredito que só Deus tem mesmo explicação pra algumas coisas na nossa vida!
Quando me casei, meu marido e eu combinamos de ter filho logo, assim que desse. E 1 mês depois que parei de tomar o anti-bebê, engravidei.
Não me lembro de querer ser outra coisa na vida que não fosse mãe!
E assim, com semanas de gestação eu já me sentia, a mais completa mãe de todas as mães do planeta!
Tudo planejado, tudo cor de rosa, todo o mundo Sofia ao meu redor!
Quando a gente espera um bebê, é óbvio que desejamos sempre o melhor, que venha com muita saúde, perfeito, e que o dia do nascimento seja marcado de coisas boas.
Lembro que marquei pra fazer uma ultrassonografia 3D, só pra ver com quem a Sofia parecia, pra me gabar que ela seria a minha cara.
Não conseguimos fazer a ultra por motivos que nem lembro qual.
E eu fiquei triste, pq queria muito conhecer ali o rostinho da minha princesa, até chorei.
Depois disso fizemos um ultra morfológico, e nele não foi possível ver o rosto da Sofia, dava sim pra ver os olhos, a testa, o queixinho, as orelhas, mas a boca não, ela não tirava as DUAS mãos da frente, de jeito nenhum, saí pra comer chocolate, pra dar uma sacudida na garota, mas nada. Isso aconteceu em 3 ultras!
Logo depois chegou o dia do parto. E ali, enquanto meu médico fazia os procedimentos, ele me perguntou: ¨Fabiana, vc já ouviu falar em Lábio Leporino?¨
 Na mesma hora, visualizei a cena da Sofia tapando a boquinha pra que eu não visse ali no ultra. Na mesma hora, visualizei minha tristeza por não conseguir fazer o tal do ultra 3D.
Eu só imagino como teria sido minha gestação se eu tivesse visto nas ultras.
Sem saber que grau de L.L era, sem saber se era só isso que ela tinha.
Uma coisa eu sei: Deus escreve certo, por linhas certas!
 Ali, eu senti a união de Deus, e da minha filha, que ainda que não soubesse, ajudou a mamãe.
Independente do que aconteça Deus cuida de nós, e ele cuidou de mim ali, da maneira dele, mesmo sem eu entender, e naquele momento aceitar, Ele cuidou de mim!
Muitas vezes planejamos as coisas e quando não sai do jeito que gostaríamos, nem paramos pra pensar no pq daquilo, nossa primeira atitude é de reclamar, se irritar, mas tudo tem o outro lado, tudo tem o motivo pra acontecer.
E no meu caso, não era pra eu ver a boquinha da Sofia na ultra. Não vejo coincidência nisso, vejo sim o cuidado!
É certo que choraria a gestação inteira, e sabe Deus o que mais aconteceria.
Hoje ainda choro, mas de felicidade, por tamanho presente enviado por Deus pra mim!!


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Fabi, me emocionei com o teu texto e acredito sim que Deus está o tempo todo nos protegendo e cuidando. 

E nossos filhos são anjos, enviados por Ele para nos ajudar a superar momentos como esses e nos ensinar a sermos fortes e crescermos como pessoa. Sofia é linda e a pequena cicatriz em seu lábio é parte do seu charme. 

Obrigada por compartilhar conosco esta história!

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não há despedida sem dor.

Estive off line por muitos dias, havia deixado postagens programadas, pois já sabia que estaria fora no final de semana, envolvida com o ECC em nossa paróquia (lembram? falei sobre isso aqui), mas na quinta de manhã recebi a triste notícia do falecimento da minha tia e madrinha, que lutava bravamente contra um câncer. (Leiam o post que fiz pra ela aqui).



Não pensei duas vezes, só larguei as crianças na escola, tomei um banho e um café e me fui à Porto Alegre, na companhia da prima Alice para velar minha dinda. 

Não foi um programa agradável. Embora tivesse tido pequenos momentos felizes, como o reencontro com minhas tias, com meu tio Gustavo que também não via há tempos e mais algumas pessoas queridas, as circunstâncias desse reencontro eram muito tristes.

Por causa das minhas tias e do meu tio que moram todos em outros estados, o velório foi longo. A cerimônia de adeus foi só no dia seguinte e eu passei a noite toda lá, acompanhando meus primos Daniela e Rafael, e meu tio Noronha, inconsoláveis.

Todos já sabíamos que ela estava doente e que esse momento poderia acontecer de uma hora para a outra, mas ela estava bem e não estávamos preparados naquele momento.

A primeira coisa que me veio à mente foi o reencontro familiar promovido por ela no ano novo, (leia aqui) quando ela mesma disse que acreditava ser o último. Pra mim, quando os quatro irmãos se reuniram em abraços à volta do caixão dela, foi um dos momentos mais tristes e emocionados que presenciei na vida. Deste momento em diante, já não consegui mais parar de chorar, mesmo tendo passado toda a noite ali, conversando com minha tia Sônia e relembrando muitas coisas. 

Depois, ver o sofrimento do Rafael, um menino que se faz de forte, de auto-suficiente, mas que estava destruído pela dor chorando convulsivamente até precisar ser amparado pela esposa, que aguentou o tranco até o fim para só depois desabar e chorar também.

O choro mais contido, silencioso, mas igualmente doído da Dani, a filha mais velha, abraçá-la sem saber o que dizer ou fazer para que se sentisse amparada e confortada.

Mas chorei muito por mim mesma, que perdi um referencial. Minha Dinda era um misto de tia, mãe e avó, aglutinando todas as qualidades que essas figuras representam na vida de uma pessoa. Ela era o braço forte da família, era determinada e decidida, mesmo quando meus avós eram vivos, era ela quem "comandava" a família toda, não no sentido de mandar ou ditar regras, mas no sentido de proteger, ajudar, mediar e estar sempre por perto, disponível para cada um de nós.

Em determinado momento, me senti meio deslocada lá. Era a única sobrinha presente, pois a maioria mora longe, e mesmo me sentindo como filha, não me encaixava nesta posição. Mas fiquei lá, segurei a mão dos meus primos o quanto pude, e pretendo segurar sempre, ajudando eles no que eu puder, pois é o mínimo que posso fazer por ela que fez tanto por mim.

Ainda estou sofrendo muito e vou sofrer por muito tempo, minha Dinda sempre esteve presente na minha vida, mesmo nos anos em que nos falamos e nos vimos muito pouco devido à distância. Mas não sofro por ela, que sei que descansou do sofrimento que a doença lhe impunha, sofro por mim, pelos filhos dela, pela netinha que ela amava tanto e que não terá essa avó maravilhosa por perto, por meu pai que ficou sem chão com a perda da irmã tão querida.

A vida de todos nós continua e todos nos adaptaremos à sua ausência. Mas ela deixou muitas lembranças, sinal de que foi realmente muito presente em nossas vidas, muito especial e importante.

Este post é só uma singela homenagem, um registro da importância que ela teve e continuará tendo na vida de todos nós e aqui deixo os meus votos de que seus filhos encontrem o conforto de que necessitam e reajustem suas rotas de acordo com o norte que ela lhes deixou.

Descanse em paz minha querida! Vou te amar sempre!

Uma das últimas fotos que tenho com ela, no ano novo. Estava feliz pela reunião familiar. Essa é a lembrança que quero guardar dela.




Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

domingo, 11 de setembro de 2011

Onde você estava?

O atentado mais filmado e fotografado que já se teve notícias.

Quem tinha mais de 5 anos de idade  e alguma consciência de que algo grandioso estava acontecendo, lembra bem onde estava há 10 anos atrás (minha filha tinha 5 anos e se lembra) quando aconteceram os atentados de 11/9 em Nova York. 


Eu estava no trabalho. Ouvimos no rádio que um avião havia batido em um prédio em Nova York. De cara achei muito estranho, mas ligamos a TV para ver se aparecia alguma notícia. O resto vimos ao vivo. O tempo praticamente parou naquele dia, só fizemos o absolutamente necessário, o dia todo com os olhos e ouvidos grudados na TV.

De todas as sensações daquele dia, lembro bem que tive medo, muito medo. Aquilo estava acontecendo muito longe de nós, mas sabia que não ficaria sem resposta, e uma guerra envolvendo a nação mais importante do mundo não podia resultar em boa coisa.

A guerra veio, mas as consequências, pelo menos para nós, não foram assim tão dramáticas como eu previ naquele dia sombrio. 

Até hoje lembro bem daquele dia e das cenas que vimos ao vivo pela TV. Aquele atentado foi o maior que o mundo já presenciou porque foi transmitido pela TV e porque atingiu um lugar que o mundo todo julgava inatingível. Por isso nos trouxe tanto medo: se conseguem entrar lá e fazer essa barbárie, nenhum lugar no mundo é seguro agora.

Mas as barbáries sempre trazem lições e o 11/9 nos ensinou que ninguém é grande o bastante que não possa ser derrubado. Isso traz uma certa humildade. Esperemos que esse tipo de coisa aconteça cada vez menos em nosso mundo e que não tenhamos mais que presenciar tanta violência pela TV.

Que o mundo tenha paz.

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dia da Pátria

Já faz tempo que deixou de ser interessante ser patriota. Acho que nem ensinam mais nas escolas a cantar hinos, fazer reverência à bandeira ou qualquer outro símbolo de amor à pátria. No Brasil, por causa da ditadura, o povo associou essas coisas à repressão.

Mas eu acho bacana. Acho que as crianças aprendem a cantar fácil qualquer rap ou funk da moda, podem também aprender a cantar o hino nacional.

É claro que o Brasil tem muitos problemas, mas não é por isso que não devemos amar nosso país, nem tentar mudá-lo. Sim, é possível mudar o país, basta que aprendamos a votar nas pessoas certas, escolhendo quem realmente pode fazer essas mudanças almejadas e necessárias à nossa sociedade.

Então em homenagem ao dia da Pátria, o nosso hino, em sua linguagem formal e arcaica e sua explicação em português.




Clique duas vezes na imagem para ampliar

Imagem: Daqui

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CONVERSAS - desOCUPADA

Hoje apresento a vocês a Cléo. Conhecemos-nos há mais de 6 anos, tivemos a oportunidade de trabalhar juntas por um curto período de tempo, mas suficiente para ficarmos amigas. 

Cléo é dessas pessoas solares, com uma risada contagiante e que está sempre rindo e fazendo a gente rir. Novinha, casada há pouco tempo com o Marcelo, esse casal passou a fazer parte de nosso círculo de amigos, e embora não nos falássemos com freqüência, quando nos encontrávamos era sempre muito divertido. 


Ficamos grávidas na mesma época e nossos bebês deveriam ter nascido com 4 dias de diferença, mas eu esperava gêmeas, então elas nasceram quase 2 meses antes do Davi. Senti muito quando ela foi embora de Cachoeira, ainda mais porque estava grávida da Cecília que só vim a conhecer quando passaram por aqui, lembram? (A visita da D. Maricota).

Cléo é professora e tem muitos dons artísticos, faz trabalhos manuais lindos, tem muita imaginação e criatividade e ingressou a pouco no universo blogueiro editando o blog A dona Maricota. Está, como muitas mães da blogosfera, vivendo a experiência de não fazer nada cuidar dos filhos e da casa e é sobre isso que ela nos conta um pouco...

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Kátia,

Não sei onde andava com a cabeça ou o que tinha na cabeça quando me pediu pra escrever. Passei dias caraminholando sobre o que escrever, como escrever e aos poucos as letrinhas foram se “acuierando” na minha cachola, e saiu isso ai...

Espero não decepcioná-la!


desOCUPADA

Ingressei cedo no mercado de trabalho.
Comecei vendendo rapadura de leite e amendoim com meu irmão André, mamãe fazia e nós vendíamos pros vizinhos e conhecidos. E o pagamento é claro que eram rapaduras...
Depois comecei a vender cosméticos em vários catálogos que mamãe revendia, e ela me dava comissão pelas vendas...
Quando maiorzinha trabalhei no mercado do meu tio Artemio (em memória), eu e minhas primas, cada uma fazia um serviço determinado, eu cuidava das verduras, frutas e bebidas...
1994 virei a “Tatá”, babá da Júlia, e também fazia alguns afazeres domésticos. Com carteira assinada e tudo!
1995 fui serviços gerais num consultório odontológico...
Nesse período conheci a Inajara e comecei a fazer animações de festas infantis, pra fazer uma grana extra.
1996 passei no vestibular em Ed. Especial Audiocomunicação e comecei a trabalhar em uma creche, a Anjo da Guarda, que nem existe mais, como professora. E continuava a fazer animações, eu era o Palhaço Pipoca.
1997 comecei a fazer magistério também e tinha uma bolsa de estudos na faculdade, pois trabalhava na biblioteca setorial de Centro de Educação.
1998 troquei de creche e fui para Ipê Amarelo, a creche modelo da UFSM por alguns meses, depois comecei a trabalhar na Casa Abrigo de Meninas, mantida pela Prefeitura Municipal, para cuidar de adolescentes em situação de risco ou bando, em convenio com o CIEE por dois anos.
2000 comecei oficialmente como professora o Colégio Franciscano Sant Anna, onde fiquei até o final de 2003.
2001 voltei a trabalhar nos abrigos, porém no de meninos, onde fiquei por 6 meses e voltei pro de meninas até completar meus dois anos de convenio. Nesse período as animações eram muito esporádicas, mas as revendas de produtos e semi-jóias iam de vento em popa!
2004 casei e mudei de tudo: ESTADO CIVIL – CIDADE – TRABALHO – CASA – AMIGOS – PETS – VIDA!
Daí comecei no Colégio Imaculada Conceição, em Cachoeira do Sul onde fiquei até o final de 2008, ano em que nasceu meu amado filho Davi.
2007 iniciei na Prefeitura Municipal, pois passei em 7° lugar no concurso do ano anterior. Fui pra escola Maria Paccico de Freitas, e trabalhei num projeto da SMED de teatro para adolescentes nas escolas municipais. Eram 60h semanais de trabalho.
2009 mudei de escola e fui pra minha amada APCRIM, e iniciei também no projeto ACELERA BRASIL, do Governo do Estado. Participei da gravação de um longa metragem, dei entrevistais e tirei muitas fotos.
2010 fui garota propaganda nacional da Avon, engravidei e recebi a notícia de que mudaríamos de cidade!
2011 fiquei em licença maternidade até 03/07, depois...
desOCUPADA,
em Bagé, só...
... limpando casa, lavando louça, passando roupa, cuidando de dois filhos pequenos, 2 cachorros... blogando e agora escrevendo no blog das outras. kkkkkk
Se ainda tiver alguém ai, pergunto:
Como se pode dizer que uma mulher que cuida da casa é uma desocupada? Ou então responder essa pergunta assim:
- O que sua mãe/mulher faz?
- Nada. É do lar!
As donas de casa ou do lar deveriam receber muito bem por tudo que fazem!
Agradeço a todas por “me lerem” e principalmente a Tuka, por ter me feito escrever isso, me fazendo analisar a mim mesma, fazendo-me entender que só porque estou em casa não sou uma desocupada!!!!!!!!!!
Tenho que curtir meus pimpolhos até que cresçam um pouco mais, para depois pensar se volto pro mercado de trabalho. Kkkkkkkk
Bjocas em todassssssssss

Davi, Marcelo, Cléo e Cecília

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Cléo, querida amiga, obrigada pela tua presença aqui. Você, com seu jeito solar de sempre, nos faz ver quanta coisa deixamos pra trás ao decidirmos ser "apenas" mães, mas que ganhamos tanto e também fazemos tanto...

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

À Procura da Felicidade

Na semana passada, assisti novamente ao filme À procura da felicidade e mais uma vez me emocionei com a história. (Se você não viu o filme, joga no Google, ou leia a sinopse do filme aqui).

Essa história, me fez pensar novamente no conceito de felicidade.

Já falei uma vez aqui sobre o que eu acredito. Vou reproduzi um trecho da postagem Querido Papai Noel, de dezembro 2010, onde falo sobre a felicidade:
"Tem pessoas que acreditam que a felicidade é um destino, aonde se chega e se recebe uma dose imensa de alegria e bem estar que daí então, será permanente. Eu acredito que a felicidade está distribuída, em pequenas doses por toda a vida, como flores ao longo do caminho. Podemos, de forma egoísta, ir colhendo todas, mas chegará um momento em que não teremos mais lugar nos braços para continuar a colhê-las e certamente perderemos algumas pela estrada. Ou podemos admirá-las, sorver todo o seu perfume, nos encantarmos com a sua beleza e então seguirmos adiante, deixá-las ali para que continuem a embelezar o caminho de quem vier depois de nós. E ao chegarmos ao fim desta estrada, poderemos então olhar para trás e ver o quanto nossa vida foi fecunda, abençoada e feliz!"
Mas aí vejo o personagem do filme que acredita que a felicidade é uma meta, e submete-se a todos os sacrifícios para alcançá-la, e me pergunto: será que estou querendo pouco? Será que o meu conceito de uma vida feliz é muito simplório?

Sim, eu sou uma pessoa essencialmente ingênua. Apesar da idade que tenho e de já ter vivido muito, ainda sou ingênua diante de certas coisas. Será que estou sendo ingênua também diante da felicidade? Pode até ser. Mas continuo acreditando que não é possível ser feliz 24 horas por dia, todos os dias, e que é muito melhor perceber a felicidade escondida em pequenas coisas, recebê-la em pequenas doses como um remédio homeopático, do que ter uma overdose em determinado momento e passar o resto da vida se sentindo vazia tentando encontrar essa mesma sensação outra vez.

Pessoas como o sujeito do filme, são obstinadas e geralmente alcançam os objetivos a que se propõem. Mas quando (ou enquanto) não conseguem, ficam extremamente frustradas e não vêem beleza em mais nada à sua volta.

Também acredito que esse cara, focou a sua felicidade em conquistas materiais. Não que elas não sejam importantes, claro que são! Não sou assim tão ingênua de acreditar que ser pobre é melhor do que ser rico, mas ser rico não significa ter uma vida feliz, assim como ser pobre também não é sinônimo de infelicidade. Ser pobre, só torna a vida mais difícil, mas não menos feliz.

Por isso, foco minha felicidade em pequenas conquistas: crescimento espiritual, na convivência com as pessoas que amo, no sorriso e bem estar dos meus filhos, no abraço do meu marido, na voz da minha mãe e do meu pai ao telefone, num belo prato de lasanha num domingo qualquer, num copo de coca-cola gelada, num dia ensolarado de verão à beira da praia, em  vento no rosto, em uma pequena obra em casa, em caminhar sem ter pressa, nas contas pagas no fim do mês. O prazer proporcionado por essas pequenas coisas, o dinheiro não compra.

Conclusão: O dinheiro pode comprar os ingredientes da lasanha, mas não o prazer que eu sinto ao prepará-la com cuidado e carinho e depois degustá-la em família.

E pra vocês, o que é a felicidade? O que vocês fazem para encontrá-la?

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Abaixo, uma cena do filme em que, independente do que se julgue ser a felicidade e o que se faça para encontrá-la, a lição é valiosa.



Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
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