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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CONVERSAS - Quando nasce um filho, nasce uma mãe?

Hoje para as nossas conversas, recebo uma convidada muito especial, Ana Carolina Amado, a  do blog Uma mãe e muita coisa. Uma mãe sensível e apesar disto, muito divertida. Conta suas histórias com muita graça, mas também fala sobre assuntos sérios com a seriedade que eles precisam, mas com leveza, sem ser trágica ou densa demais. 
No twitter ou no face, uma amiga que tá sempre ali, pra dizer uma palavra na hora certa, seja para rir, ou para confortar.
Aceitou de pronto meu convite e me mandou este texto lindo que agora compartilho com vocês.

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Quando nasce um filho, nasce uma mãe?
Por: Ana Carolina Amado

No meu caso, quando meu filho nasceu, nasceu uma mulher de um lugar que eu nem sei. A mãe veio aos poucos.
        Nem sei por que comecei a namorar e casar então? Já pensou então ter um filho? Vivi a adolescência num grau alucinante, que pensei que nunca fosse sair desta fase. Só me dei conta que tinha crescido, tinha virado adulta quando entrei na sala de parto. E olha que eu nem era tão jovenzinha. Fui mãe aos 28 anos.
Ana Carolina e João Pedro
Mas até a sala de parto eu era um adolescente em corpo de mulher, que não tinha planos pro futuro, por que afinal de contas futuro é para quem é adulto.
Ao ouvir o médico dizer que em 5 minutos meu filho estaria em meus braços fiquei pensando: Vixe e agora? Cadê minha mãe?
Apresentaram-me o bebê mais rosado que eu já tinha visto na minha vida: meu filho João Pedro. A enfermeira perguntou que cor ele tinha para registrar no prontuário e eu disse rosa. Ela só me disse: mãezinha sem brincadeiras.
Fui costurada, levada pro pós-parto e as enfermeiras falaram para eu tirar a última soneca dos próximos meses. Eu só ficava pensando estão querendo me assustar. Quando fui pro quarto, meu bebê veio mamar, refletindo bem ele mamou pouco, mas ficou ali apertadinho no meu colo.
Não voltei direto para casa, fui para minha mãe e somente uns 10 dias depois fui para casa, viver a realidade sozinha. Eu tinha muito medo.
Ao contrário de mim, meu marido queria que voltássemos logo para casa. E eu acabei ficando boa parte do dia sozinha, chorava muito quando o João Pedro mamava, meu peito sangrava enchia a boca do meu filho de sangue e ele sugava, sugava, sugava.
Logicamente que recebi muitas visitas, mas nada me preenchia. Logicamente meu marido ficava ao meu lado, mas eu tinha medo. Não sabia quem eu era mais. E foram longos meses até eu descobrir o que era esse medo, o que era este pavor de ficar sozinha: depressão pós-parto.
Não há nada que se possa dizer para quem sente o que eu sentia se não for: chore, fale, desabafe.
Quando percebi que podia falar, que podia chorar meu filho já estava com quase 1 ano. Foi uma fase difícil. Tem horas que me dou conta que não aproveitei como deveria o seu primeiro sorriso, o seu primeiro gritinho. Mas eu aproveitei sim, da maneira que me foi possível.
Me vejo hoje mulher. A mãe foi nascendo dia-a-dia a cada movimento do meu filho ao meu lado!

Ana Carolina Amado

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          Ana, adorei a tua participação! A maternidade não é garantia de felicidade plena e uma mãe que viveu a experiência de uma DPP sabe como é difícil enfrentar essa fase. Mas você não só a superou, como fala dela de uma maneira muito franca, sem culpas nem neuras. Obrigada por compartilhar conosco esta história!

         E vocês, também gostaram?

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Conectados com o mundo, desconectados de si mesmos

Tenho conversado muito com alguns amigos, aqui no mundo virtual mas muito mais no real, sobre as influências dessa avalanche de informação e facilidade de comunicação que tem essa geração Z, a geração que já nasceu conectada com o mundo.

Não sou nenhuma especialista, nem em informática, muito menos em sociologia, mas tenho as minhas teorias. Antes de dar o meu pitaco sobre o assunto, vamos esclarecer os desavisados:

O que é geração Z?

No site Wikipédia temos a seguinte definição:
“Geração Z é a definição sociológica para definir geração de pessoas nascidas desde a segunda metade da década de 90 até os dias de hoje.Ou seja, geração que corresponde à idealização e nascimento da World Wide Web, criada em 1990 por e no "boom" na criação de aparelhos tecnológicos (nascidos entre o fim de 1993 a 2010). 
A grande nuance dessa geração é zapear, tendo várias opções, entre canais de televisão, Internet, vídeo game, telefone e mp3 players.
As pessoas da Geração Z são conhecidas por serem nativas digitais, estando muito familiarizadas com a World Wide Web, compartilhamento de arquivos, telefones móveis e mp3 players, não apenas acessando a Internet de suas casas, e sim pelo celular, ou seja, extremamente conectadas à rede.
Algumas denominações tem usado as letras do alfabeto. Assim a Geração X se refere aos filhos dos Babys Boomers da segunda guerra mundial e a Geração Y se refere aos filhos da Geração X. No entanto, uma nova denominação está sendo utilizada para uma geração de indivíduos preocupados, cada vez mais com a conectabilidade com os demais indivíduos de forma permanente, a Geração Z.”

Outra fonte, o site da Revista Veja/Abril fala sobre as características e perspectivas dessa geração, opinião que vem bem de encontro ao que eu penso:



“Há certa resistência entre alguns estudiosos em usar termos muito fechados para definir povos, regiões ou gerações. Outra corrente defende que, ainda que possam simplificar o debate, as definições têm o mérito de orientar as discussões.


Recentemente, o mercado publicitário saudou a maioridade da Geração Y, formada pelos jovens nascidos do meio para o fim da década de 70, que assistiram à revolução tecnológica. Ao contrário de seus antecessores slackers – algo como "largadões", em inglês –, os adolescentes da metade dos anos 90 eram consumistas. Mas não de roupas, e sim de traquitanas eletrônicas. Agora, começa-se a falar na Geração Z, que engloba os nascidos em meados da década de 80.


A grande nuance dessa geração é zapear. Daí o Z. Em comum, essa juventude muda de um canal para outro na televisão. Vai da Internet para o telefone, do telefone para o vídeo e retorna novamente à Internet. Também troca de uma visão de mundo para outra, na vida.


Garotas e garotos da Geração Z, em sua maioria, nunca conceberam o planeta sem computador, chats, telefone celular. Por isso, são menos deslumbrados que os da Geração Y com chips e joysticks. Sua maneira de pensar foi influenciada desde o berço pelo mundo complexo e veloz que a tecnologia engendrou. Diferentemente de seus pais, sentem-se à vontade quando ligam ao mesmo tempo a televisão, o rádio, o telefone, música e Internet.


Outra característica essencial dessa geração é o conceito de mundo que possui, desapegado das fronteiras geográficas. Para eles, a globalização não foi um valor adquirido no meio da vida a um custo elevado. Aprenderam a conviver com ela já na infância.


Como informação não lhes falta, estão um passo à frente dos mais velhos, concentrados em adaptar-se aos novos tempos.Enquanto os demais buscam adquirir informação, o desafio que se apresenta à Geração Z é de outra natureza. Ela precisa aprender a selecionar e separar o joio do trigo. E esse desafio não se resolve com um micro veloz. A arma chama-se maturidade. É nisso, dizem os especialistas, que os jovens precisam trabalhar. Como sempre.”


A minha opinião é de que essa geração, embora todo o acesso à informação (que a minha geração nem sonhava em ter) e toda a facilidade de comunicação com o mundo, não sabe exatamente o que fazer com isso tudo.
São extremamente conectados com o mundo, desde o berço, mas são desconectados de si mesmos.
Não sabem lidar com frustrações, não sabem lidar com sentimentos, não sabem lidar com pessoas.
Sim, eu estou generalizando, eu sei, mas mesmo sabendo que erro com alguns, sei que acerto com muitos. Principalmente quando falo dos mais jovens: as crianças pequenas e os adolescentes que passam horas diante de uma tela de computador, falando com milhões de amigos no msn, ao mesmo tempo que vêem vídeos, ouvem música, e interagem em outras redes sociais, como facebook, twitter, etc, mas não conseguem se comunicar com a família, não interagem com os vizinhos e nem com os colegas de classe. Acham-se seguros atrás das telas, mas escancaram suas vidas na Internet.


Muitas vezes não percebem a beleza da vida que há lá fora, entendem tudo sobre o mar menos a delícia que é mergulhar nele, sabem tudo sobre o vento, menos como é ele tocando o rosto. Sabem tudo sobre como é envelhecer, mas não ouvem as experiências de seus avós, não sentem seu cheiro, seu toque. Perdem experiências valiosas de vida, presos às facilidades e armadilhas do mundo virtual.
São pessoas que tem mais dificuldade em se conectar e interagir com o mundo real. Não sabem como usar toda a informação à que tem acesso, não sabem filtrar o que é bom do que é ruim, acabam sendo facilmente contaminados pelas influências ruins desse meio, dessa terra de ninguém.
smartphone de última geração, pra isso é preciso sensibilidade e maturidade e maturidade não se adquire da noite para o dia, nem com toda a informação do mundo estando disponível, para isso é preciso viver e viver num mundo que existe aqui, do lado de cá da telinha.

E você, qual a sua opinião?


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu como brega



Esta blogagem coletiva é em comemoração ao níver da amiga Fê Iasi do Blog "Ah, se eu fosse você". Como ela é muito bem humorada e adora uma breguice, outra amiga, a Ly Mello  do blog "Design my life" sugeriu que fizéssemos um "cardápio" para a festa.

Então tá. Aí vão as minhas sugestões. Que tal?


Ovo cor de rosa 





Não minha gente, não existe uma galinha cor de rosa que põe ovos dessa cor e, ao contrário do que eu pensava quando criança, esse ovo na prateleira do boteco não estava podre. rsrsrsrsr


Ingredientes: 
6 ovos, 1 beterraba descascada e cortada, água para cozinhar a gosto.
Como fazer: 
Pegue os ovos e coloque para cozinhar em água até cobri-los, com a beterraba em pedaços grandes, durante 10 minutos. O visual fica incrível, se quiser amarelinho, cozinhe com uma cebola cortada da mesma forma.


E pra beber, que tal um Hi-Fi?


O hi- fi é uma daquelas bebidas que já figurou em quase todo cardápio de bar e anda meio em desuso. 


A mistura de vodka com gelo e refrigerante (ou suco) de laranja é muito simples de ser preparada e tem um sabor muito agradável.


Para preparar é muito simples. 



Em um copo highball use duas doses de vodka com muito gelo e acrescente a bebida de laranja.



E pra ouvir?


Pra acompanhar a comeragem e beberagem, tem que ter uma musiquinha brega também, é claro! Então termino esse post deixando um vídeo de uma música antiga, breguíssima, mas que eu adoro cantar (não espalha!)



Parabéns Fê! Espero que você se divirta com essa blogagem bobagem, da mesma forma como você nos diverte todos os dias!


   

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Outubro Rosa


Vi esta blogagem coletiva em alguns blogs hoje e achei que deveria escrever algo sobre o assunto. Não sei de onde partiu a idéia desta blogagem, mas li sobre ela no blog Desconstruindo a mãe e no TPM moderna.



Como surgiu: O movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades. Este movimento começou nos Estados Unidos, onde vários Estados tinham ações isoladas referente ao câncer de mama e ou mamografia no mês de outubro, posteriormente com a aprovação do Congresso Americano o mês de Outubro se tornou o mês nacional (americano) de prevenção do câncer de mama.

Quem me segue há algum tempo, sabe que perdi minha Dinda há pouco mais de um mês, falei sobre isto no post intitulado "Não há depedida sem dor". Ela teve um câncer de mama. Tratou, e quando achou que tinha acabado, apareceu metástase no cérebro. Fez novo tratamento, mas as medicações pesadas e o tempo de internação e também o fato de ser uma pessoa muito dinâmica e ter ficado muito tempo acamada, fez com que ela tivesse por duas vezes embolia pulmonar, na segunda vez, foi fatal.


No caso dela, e em alguns outros que tive notícias, de pessoas próximas, nem toda a informação foi útil, pois ao perceberem pequenos nódulos em seus seios, ficaram caladas, paralisadas, talvez pelo medo, talvez por uma sensação de onipotência, mas o certo é que demoraram muito a procurar o médico e essa espera foi determinante para o desfecho trágico da questão.


Então eu percebo que não basta conscientizar as mulheres (e os homens!) da importância do auto-exame e nem da mamografia anual depois dos 40 anos. É preciso conscientizar da necessidade de uma consulta médica periódica ao médico e de se relatar qualquer anormalidade encontrada.

Então #ficaadica, faça o auto-exame, consulte seu médico regularmente, peça para fazer a mamografia anualmente após os 40 anos ou antes se você teve casos na família. Não se descuide de você!


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Um encontro especial

Sempre tive muito ciúmes das amigas blogueiras de São Paulo e do Rio de Janeiro, que volta e meia se encontram e postam fotos nas redes. Fico com uma invejinha delas!

Depois de minha última ida à Porto Alegre, fiquei com muita vontade de conhecer e abraçar a amiga Ingrid Strelow, do blog Desconstruindo a mãe. Ontem matei a vontade!

Como tinha bastante tempo livre entre um exame e outro, combinei com ela de nos encontrarmos à tarde. Ela me recebeu na sua casa, onde conversamos, tomamos um chá e tivemos uma tarde muito agradável.

Também conheci o marido dela, também blogueiro, Paulo Lima, do blog Incubando Idéias. Antes de ir embora, passamos no escritório dele e tiramos umas fotos.

Adorei esta, pois os efeitos escondem meus defeitos. rsrsr

Uma pena só não ter conhecido as crianças, pois já estavam na escola.

É muito bom ter a certeza que essa gente que vive do outro lado da tela existe de verdade e são assim bem parecidinhos com o que eu imaginava das conversas no facebook e das leituras dos blogs. Também é muito bom concretizar uma amizade que só existia no ambiente virtual.

No meio da minha rotina de consultas e exames, das minhas muitas e freqüentes idas à Porto Alegre, acostumada ao marasmo da espera no ambiente hospital, ontem tive um dia diferente. E ainda trouxe pra casa uma sacola de brinquedos para as crianças. A Ingrid havia separado alguns dos seus filhos para doação e eu os aceitei de bom grado. Brinquedos são caros e por aqui nem sempre podemos dá-los às crianças. Elas adoraram a novidade e desde ontem se divertem a valer com os brinquedos novos que chegaram quase ao mesmo tempo de alguns outros, doados pela minha amiga Carla.

Então é isso, queria deixar aqui o registro desse momento bacana que tive ontem, agradecer a hospitalidade e cordialidade da Ingrid e do Paulo e agradecer pelos brinquedos. Também quero deixar registrado que esse encontro será apenas o primeiro de muitos, quero manter o contato com a Ingrid, vê-la sempre que possível e encontrar e conhecer muitas outras amigas. Estão todas em meus planos, me aguardem!



Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

E as obras estão na metade.

Lembram que falei aqui que estava iniciando obras em casa? Pois é, depois de muito atraso por conta do tempo chuvoso e da falta de tempo do meu "pedreiro", o banheiro ficou pronto.

Já fazem uns 15 dias, mas como coincidiu com minha viagem à Porto Alegre e na sequência à minha pulsoterapia e convalescença, as fotos ficaram pra depois.

Ainda falta outra metade, transformar o banheiro velho numa sala de trabalho para o marido para que eu possa, finalmente, ter minha sala de estar de volta.

Como prometido, aí estão as fotos:

Detalhe da porta. Ainda falta uma tinta no marco.

O box. Atentem para a luminosidade da janela. Isso que o dia estava nublado!

O banheiro é pequeno, não tem muito espaço para as fotos. rsrs



Nunca mais shampoos e cremes na janela!

Detalhe da pia e vaso sanitário


Tapetinho no chão. Viu mãe?

Pra não escorregar

Detalhe da janela. Por fora ainda falta o reboco.





Agora é só esperar mais uns 2 meses (ou 2 anos) até que pedreiro e marido resolvam terminar o resto!



Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

sábado, 15 de outubro de 2011

Hein?

Foto: daqui

Hein? - Martha Medeiros
fonte: Zero Hora


“Quando meu pai ouve uma asneira muito grande, mas muito grande, ele costuma dizer: “É preferível ouvir isso do que ser surdo“, relativizando a ignorância alheia: há coisas piores na vida.

A surdez nunca me comoveu profundamente. Sempre imaginei que a deficiência auditiva seria a mais tolerável, mesmo sabendo que esse ranking é um disparate, não existe a melhor e a pior deficiência, ainda que, em segredo, todos já tenham pensado um dia: entre ser cego ou surdo, surdo toda vida.

O surdo tem recursos. Aparelhos auditivos, leitura labial, linguagem de sinais. Ele só não socializa se não quiser. E se não quiser, tem o álibi perfeito. “Desculpe, não estou escutando nada“.

Acabei de ler um livro que é o que costumo esperar de um bom livro: inteligente, divertido, humano, terno e bem escrito. Chama-se Surdo Mundo, do talentoso David Lodge, autor inglês. O título é um trocadilho deplorável, como todo trocadilho, mas não se pode querer tudo.

Foto: daqui
É a história de um professor de linguística aposentado que está perdendo a capacidade de ouvir. Ele, um aficionado pelas palavras, já não as escuta com precisão. Sua mulher está cada dia mais irritadiça por ter que repetir as frases toda hora. Seu velho pai já está meio surdo também, e além disso, caduco, o que torna as conversas entre eles totalmente nonsense. Uma aluna bonitona e sem escrúpulos entra na jogada e torna a confusão ainda maior. Mas essa confusão tem mesmo a ver com a surdez que ele sofre, ou com a surdez que ele deseja?

Estamos nos tornando surdos por gosto. As fofocas propagadas diariamente no local de trabalho, as queixas mil vezes repetidas na sala de jantar, as grosserias disparadas pelas janelas dos carros em meio ao trânsito, as angústias de sempre reprisadas nos divãs, as confissões íntimas que acabam por se banalizar: quem está a fim de ouvir quem hoje?”

Não por acaso, a personagem maluquete do livro está fazendo uma pesquisa sobre bilhetes de suicidas, pessoas que chegam ao extremo de se matar, por quê? Simplificando o que não é simples, poderíamos dizer que elas não estão sendo escutadas com a paciência e devoção que precisam. Um dia cansam de falar sozinhas.

Estamos todos muito barulhentos, virulentos, verborrágicos, ansiosos. Há muita comunicação, mas pouco conteúdo. A surdez pode ser uma deficiência física, mas pode também ser uma deficiência provocada, voluntária: cansei, não quero escutar mais nada.”


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Amo a Martha Medeiros e sua coluna sempre foi a minha preferida. 

Bom final de semana, bom domingo!!!

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dica: Assine o feed

Hoje vou só dar uma dica:

Se você quer receber as atualização do blog Ktralhas diretamente no seu email, é só usar o quadro ao lado igual a esse aqui ó:



Coloque aqui seu Email:





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É só colocar seu endereço de email no quadro e clicar em "Inscreva-se".

Assim que você clicar em "Inscreva-se", vai abrir uma janela pedindo uma confirmação e você deve digitar no quadro as letras conforme elas aparecem. Isto serve para autorizar o feedburner a enviar o email para você sem que ele caia na sua caixa de spam.

Você receberá logo um email, avisando sobre a sua inscrição e pedindo a confirmação.

Não esqueça de confirmar o recebimento, clicando no link enviado por email.

Pronto! A partir de agora você receberá direto no seu email todas as atualizações do blog. Mas não deixe de vir aqui pra comentar, ok?


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Blogagem Coletiva - Violência e Abuso Infantil



Mais uma blogagem coletiva, desta vez o assunto é violência e abuso infantil e foi proposta pela Taísa do blog Aprendendo com Davi e pela Tenikey do blog O amor de Cecília.

Não tenho muito o que falar sobre este assunto porque graças à Deus nunca sofri e nem presenciei nenhum caso de abuso ou violência contra crianças. Só uma vez, com uma família que morava aqui perto de casa, o pai e a mãe eram drogados, tinham uma penca de filhos e as crianças vivam soltas na rua pedindo dinheiro e as vezes apanhavam do pai. Fazíamos o que podíamos para ajudá-los da melhor forma, até que por fim tiraram a guarda das crianças dos pais colocaram-nas sob proteção.

Mas não é porque eu não sofri com isso que eu não acredito que exista e muito por aí. Não ficamos sabendo porque ninguém denuncia e é aí que mora a razão desse post e da blogagem coletiva: conclamar a sociedade para sair da sua zona de conforto e colocar a boca no trombone.

Precisamos proteger a infância, não só a dos nossos filhos, mas também das outras crianças que estão perto de nós. Proteger o filho do vizinho de maus tratos ou abuso, significa que essa criança terá menos chances de se tornar um adulto traumatizado ou violento e que poderá maltratar os nossos filhos no futuro.

Não é porque esse problema não está dentro da minha casa que ele não tem como me afetar. A criança maltratada pode maltratar os meus filhos e é aí que o problema entra na minha casa. Por isso não podemos ser omissos. Omissão é tão ou mais prejudicial do que a própria violência. Já dizia um velho ditado: Quem cala, consente.

Por isso, fique ligado. Se você testemunhar ou desconfiar que uma criança está sendo abusada ou maltratada, não perca tempo, denuncie! A denuncia pode ser feita nos seguintes locais: Conselhos Tutelares, no telefone *100, no site http://denuncia.pf.gov.br/ ou no email denuncia.ddh@dpf.gov.br. Só assim você poderá ter a certeza de estar protegendo os seus filhos.

Denuncie, nestes casos a identidade de quem faz a denuncia é preservada, então não há o que temer.






Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Blogagem coletiva - Infância

Blogagem sugerida pela Ingrid do blog Desconstruindo a Mãe.   //   Selinho by Dani Moreno

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Com mamãe e minha dinda
Tive uma infância linda. Infância mesmo, tempo de criança pequena, a adolescência é que foi complicada, mas minha infância foi maravilhosa.

Sou a primogênita, fui única por longos 8 anos e também fui a primeira neta e sobrinha por parte da família do meu pai. Tenho na memória a convivência forte e constante dos meus avós paternos, das minhas tias que brincavam comigo como seu eu fosse uma boneca, dos cuidados e ensinamentos da minha madrinha.

Nessa época, viajávamos com frequência, íamos a Gramado e Canela na serra, ou à praia, ou à Vacaria visitar o outro lado da família. Vovô e vovó eram companhia constante nestes passeios e eu adorava.


Tia Marli e Ana Bárbara, minha amiga mais querida da infância
Minha mãe gostava muito de me enfeitar, e dessa parte eu não gostava muito não. Estava sempre linda, com vestidinhos, meia de renda, laços nos cabelos... mas tinha pouca liberdade pra brincar. Este foi o meu primeiro ponto de rebeldia quando comecei a "me governar". Até hoje sou avessa à frufrus. Minha roupa é o tipo mais simples possível e também não enfeito muito minhas filhas.



No balanço da pracinha (a cara da minha filha Letícia!)
Eu também era uma criança sozinha. Não tive irmãos quando pequena, meu primeiro irmão nasceu quando eu já contava 8 anos e o outro aos 9. Minhas primas mais próximas eram 4, 5 anos mais moças que eu e isso na infância faz muita diferença. Brincávamos muito juntas, mas nem sempre estávamos juntas. Na vizinhança também não haviam muitas crianças em idade pra brincar comigo.

Com tio Gustavo e tia Sônia
Mas essa "solidão" sempre me fez ser reflexiva. Ampliou minha timidez, mas também me ajudou a aprender mais sobre mim mesma e também sobre o mundo que me rodeava. Cercada sempre mais por adultos, ansiava por aprender as coisas que os adultos faziam, como ler, fazer contas, desenhar bonito, entender as notícias da TV.



Gostava muito das festinhas de aniversário, feitas em casa, sem grandes decorações e nem comilança farta, festas simples em que as crianças brincavam enquanto os adultos conversavam e o som ambiente era o dos risos e conversas.

Mais uma da pracinha
Adorava andar descalça, embora minha mãe brigasse muito comigo por causa disso. Lembro uma vez que finquei um caco de vidro no pé por brincar descalça no pátio do prédio onde morávamos. Minha mãe ficou cheia de razão naquele dia. Mas não adiantou muito, logo eu já andava descalça novamente.

Mas o que mais marcou minha infância e que tornou ela maravilhosa na minha lembrança, foram os momentos de proximidade com meu pai e minha mãe e também com a família.
Na rampa do Hospital Conceição

 Lembro do meu pai me ensinando a fazer (e soltar) pipa, lembro de passear com ele de mãos dadas ou sentada nos seus ombros, lembro de minha primeira ida ao cinema (Já contei aqui), dos passeios pelas ruas do bairro, das brincadeiras na pracinha, das idas ao mercadinho, do pai tentando me ensinar a andar de bicicleta.

Ana Bárbara e seus pais Ervandil e Anita, a Dita, minha segunda mãe
Lembro que minha mãe sempre trabalhou muito, mas quando estava em casa, fazíamos companhia uma à outra. Lembro dela passando roupas na sala, ou limpando a casa, fazendo comida. Lembro das idas às lojas para comprar roupas ou sapatos e de como eu fugia dela e me escondia por sob as araras de roupas. Várias vezes me vi perdida por entre as lojas, sem saber onde mamãe estava, para depois de alguns momentos de puro pavor, vê-la num cantinho me espiando, dando-me mais uma lição de maneira suave.


Com vovô e vovó em Gramado
Adorava ir ao trabalho da mamãe. Ela trabalhava como auxiliar de enfermagem e quando eu era pequena trabalhava no Hospital Conceição, que era bem pertinho de onde morávamos. Lá tinha um chafariz que eu admirava muito e uma rampa que eu adorava subir e descer.

Minha prima Patrícia na praia
Mais tarde, me lembro de virar um moleque. Quando me rebelei contra os vestidos e comecei a usar calças, bermudas e kichute. Agora eu subia em árvores, brincava de guerrinha de bolinhas de mamona, corria na calçada, jogava volei ou futebol, andava de patins, caia de bicicleta. Tenho joelhos e canelas marcados pelas brincadeiras e me orgulho dessas cicatrizes. São cicatrizes feitas de muito riso e diversão. E algum choro também.


Na estrada para Vacaria, numa gruta logo após a ponte do Rio das Antas
Minha infância foi mais livre que a dos meus filhos, a violência não batia à nossa porta e brincar nas calçadas em frente aos prédios era comum e seguro.

Indo para escola
Por todas essas lembranças, em confronto com a vida que temos hoje, concluo que no meu tempo de criança as pessoas tinham mais tempo para estarem juntas. A televisão não tinha programação o dia inteiro, não existiam computadores nem celulares e mesmo telefone fixo era raro nas casas. A comunicação à distância era feita por cartas escritas à mão, com cuidado e dedicação, mas as pessoas próximas eram mais próximas.


Letícia, uma vizinha que adorava brincar comigo
Talvez essa velocidade absurda com que temos acesso à informação e à comunicação hoje, nos cause uma deformação: a de não buscarmos a qualidade dessa informação e dessa comunicação, contentando-nos com a quantidade. Cada época tem suas características e é impossível não entrarmos em choque diante de tantas mudanças.

Lembro de criticar a "velhice" de pensamentos dos meus pais com relação à minha juventude, mas sofro para entender a juventude de meus filhos mais velhos, e olha que ainda me considero jovem!


Meus irmãos e as primas Patrícia, Michele e Daniela (colo)
A palavra chave é adaptação. Temos que nos adaptar aos novos tempos, mas mantendo o cuidado de transmitir aos nossos filhos "velhos" valores. Para que quando eles próprios começarem a se confrontar com as mudanças radicais de seus próprios tempos, saibam onde se escorar, se proteger para enfrentar esse vendaval que são essas mudanças.

Agora fiquei curiosa: o que será que meus filhos irão contar daqui alguns anos sobre suas próprias infâncias?


Com meus irmãos no parque Marinha




Imagens: Arquivo pessoal

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

sábado, 8 de outubro de 2011

Notícias do front


Depois de contar aqui sobre as razões do meu sumiço, e das 5 sessões de pulsoterapia, as coisas começam a se normalizar. Fiz a última sessão na terça-feira e ainda estou sentindo as reações adversas da medicação, porém cada vez menos.

Não me lembro de ter me sentido assim tão mal outras vezes. Minha pressão foi na lua (mas agora já normalizou) senti muita fraqueza, fadiga e tonturas. Além daquela dor nas costas, pescoço e ombros, uma dor na pele, que fica muito sensível ao toque, como se alguém houvesse pegado um porrete e me dado uma surra, efeito do inchaço e retenção hídrica próprios do corticóide.

Pra completar o quadro desolador, na quinta-feira quis dar uma de fortona e fui ao mercado sozinha. Já anoitecia e na volta estava escuro, pisei em falso por sobre uma tampa de bueiro na calçada e caí o maior tombão. Torci o pé e bati com força o joelho no chão. 

Dessa forma fiquei de molho mesmo nos dois dias seguintes, quase sem conseguir andar, mas agora já estou me sentindo bem melhor. O tornozelo já desinchou e o joelho já dá para dobrar sem tanta dor.

Ainda sinto os sintomas do surto, mas creio que agora estão misturados aos efeitos da medicação. No fim do mês volto ao médico e então veremos como tudo ficou. Até lá já deu tempo de entrar em remissão e ter os sintomas bem reduzidos.

E assim como as árvores se enchem de flores e cores nessa época, eu também perdi minhas folhas, mas agora vou recuperar as forças e as cores.

Obrigada a todos pela força!



Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
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