Hoje para as nossas conversas, recebo uma convidada muito especial, Ana Carolina Amado, a do blog Uma mãe e muita coisa. Uma mãe sensível e apesar disto, muito divertida. Conta suas histórias com muita graça, mas também fala sobre assuntos sérios com a seriedade que eles precisam, mas com leveza, sem ser trágica ou densa demais.
No twitter ou no face, uma amiga que tá sempre ali, pra dizer uma palavra na hora certa, seja para rir, ou para confortar.
Aceitou de pronto meu convite e me mandou este texto lindo que agora compartilho com vocês.
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Quando nasce um filho, nasce uma mãe?
Por: Ana Carolina Amado
No meu caso, quando meu filho nasceu, nasceu uma mulher de um lugar que eu nem sei. A mãe veio aos poucos.
Nem sei por que comecei a namorar e casar então? Já pensou então ter um filho? Vivi a adolescência num grau alucinante, que pensei que nunca fosse sair desta fase. Só me dei conta que tinha crescido, tinha virado adulta quando entrei na sala de parto. E olha que eu nem era tão jovenzinha. Fui mãe aos 28 anos.
| Ana Carolina e João Pedro |
Ao ouvir o médico dizer que em 5 minutos meu filho estaria em meus braços fiquei pensando: Vixe e agora? Cadê minha mãe?
Apresentaram-me o bebê mais rosado que eu já tinha visto na minha vida: meu filho João Pedro. A enfermeira perguntou que cor ele tinha para registrar no prontuário e eu disse rosa. Ela só me disse: mãezinha sem brincadeiras.
Fui costurada, levada pro pós-parto e as enfermeiras falaram para eu tirar a última soneca dos próximos meses. Eu só ficava pensando estão querendo me assustar. Quando fui pro quarto, meu bebê veio mamar, refletindo bem ele mamou pouco, mas ficou ali apertadinho no meu colo.
Não voltei direto para casa, fui para minha mãe e somente uns 10 dias depois fui para casa, viver a realidade sozinha. Eu tinha muito medo.
Ao contrário de mim, meu marido queria que voltássemos logo para casa. E eu acabei ficando boa parte do dia sozinha, chorava muito quando o João Pedro mamava, meu peito sangrava enchia a boca do meu filho de sangue e ele sugava, sugava, sugava.
Logicamente que recebi muitas visitas, mas nada me preenchia. Logicamente meu marido ficava ao meu lado, mas eu tinha medo. Não sabia quem eu era mais. E foram longos meses até eu descobrir o que era esse medo, o que era este pavor de ficar sozinha: depressão pós-parto.
Não há nada que se possa dizer para quem sente o que eu sentia se não for: chore, fale, desabafe.
Quando percebi que podia falar, que podia chorar meu filho já estava com quase 1 ano. Foi uma fase difícil. Tem horas que me dou conta que não aproveitei como deveria o seu primeiro sorriso, o seu primeiro gritinho. Mas eu aproveitei sim, da maneira que me foi possível.
Me vejo hoje mulher. A mãe foi nascendo dia-a-dia a cada movimento do meu filho ao meu lado!
Ana Carolina Amado
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Ana, adorei a tua participação! A maternidade não é garantia de felicidade plena e uma mãe que viveu a experiência de uma DPP sabe como é difícil enfrentar essa fase. Mas você não só a superou, como fala dela de uma maneira muito franca, sem culpas nem neuras. Obrigada por compartilhar conosco esta história!
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Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira





















