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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Blogagem coletiva - Infância

Blogagem sugerida pela Ingrid do blog Desconstruindo a Mãe.   //   Selinho by Dani Moreno

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Com mamãe e minha dinda
Tive uma infância linda. Infância mesmo, tempo de criança pequena, a adolescência é que foi complicada, mas minha infância foi maravilhosa.

Sou a primogênita, fui única por longos 8 anos e também fui a primeira neta e sobrinha por parte da família do meu pai. Tenho na memória a convivência forte e constante dos meus avós paternos, das minhas tias que brincavam comigo como seu eu fosse uma boneca, dos cuidados e ensinamentos da minha madrinha.

Nessa época, viajávamos com frequência, íamos a Gramado e Canela na serra, ou à praia, ou à Vacaria visitar o outro lado da família. Vovô e vovó eram companhia constante nestes passeios e eu adorava.


Tia Marli e Ana Bárbara, minha amiga mais querida da infância
Minha mãe gostava muito de me enfeitar, e dessa parte eu não gostava muito não. Estava sempre linda, com vestidinhos, meia de renda, laços nos cabelos... mas tinha pouca liberdade pra brincar. Este foi o meu primeiro ponto de rebeldia quando comecei a "me governar". Até hoje sou avessa à frufrus. Minha roupa é o tipo mais simples possível e também não enfeito muito minhas filhas.



No balanço da pracinha (a cara da minha filha Letícia!)
Eu também era uma criança sozinha. Não tive irmãos quando pequena, meu primeiro irmão nasceu quando eu já contava 8 anos e o outro aos 9. Minhas primas mais próximas eram 4, 5 anos mais moças que eu e isso na infância faz muita diferença. Brincávamos muito juntas, mas nem sempre estávamos juntas. Na vizinhança também não haviam muitas crianças em idade pra brincar comigo.

Com tio Gustavo e tia Sônia
Mas essa "solidão" sempre me fez ser reflexiva. Ampliou minha timidez, mas também me ajudou a aprender mais sobre mim mesma e também sobre o mundo que me rodeava. Cercada sempre mais por adultos, ansiava por aprender as coisas que os adultos faziam, como ler, fazer contas, desenhar bonito, entender as notícias da TV.



Gostava muito das festinhas de aniversário, feitas em casa, sem grandes decorações e nem comilança farta, festas simples em que as crianças brincavam enquanto os adultos conversavam e o som ambiente era o dos risos e conversas.

Mais uma da pracinha
Adorava andar descalça, embora minha mãe brigasse muito comigo por causa disso. Lembro uma vez que finquei um caco de vidro no pé por brincar descalça no pátio do prédio onde morávamos. Minha mãe ficou cheia de razão naquele dia. Mas não adiantou muito, logo eu já andava descalça novamente.

Mas o que mais marcou minha infância e que tornou ela maravilhosa na minha lembrança, foram os momentos de proximidade com meu pai e minha mãe e também com a família.
Na rampa do Hospital Conceição

 Lembro do meu pai me ensinando a fazer (e soltar) pipa, lembro de passear com ele de mãos dadas ou sentada nos seus ombros, lembro de minha primeira ida ao cinema (Já contei aqui), dos passeios pelas ruas do bairro, das brincadeiras na pracinha, das idas ao mercadinho, do pai tentando me ensinar a andar de bicicleta.

Ana Bárbara e seus pais Ervandil e Anita, a Dita, minha segunda mãe
Lembro que minha mãe sempre trabalhou muito, mas quando estava em casa, fazíamos companhia uma à outra. Lembro dela passando roupas na sala, ou limpando a casa, fazendo comida. Lembro das idas às lojas para comprar roupas ou sapatos e de como eu fugia dela e me escondia por sob as araras de roupas. Várias vezes me vi perdida por entre as lojas, sem saber onde mamãe estava, para depois de alguns momentos de puro pavor, vê-la num cantinho me espiando, dando-me mais uma lição de maneira suave.


Com vovô e vovó em Gramado
Adorava ir ao trabalho da mamãe. Ela trabalhava como auxiliar de enfermagem e quando eu era pequena trabalhava no Hospital Conceição, que era bem pertinho de onde morávamos. Lá tinha um chafariz que eu admirava muito e uma rampa que eu adorava subir e descer.

Minha prima Patrícia na praia
Mais tarde, me lembro de virar um moleque. Quando me rebelei contra os vestidos e comecei a usar calças, bermudas e kichute. Agora eu subia em árvores, brincava de guerrinha de bolinhas de mamona, corria na calçada, jogava volei ou futebol, andava de patins, caia de bicicleta. Tenho joelhos e canelas marcados pelas brincadeiras e me orgulho dessas cicatrizes. São cicatrizes feitas de muito riso e diversão. E algum choro também.


Na estrada para Vacaria, numa gruta logo após a ponte do Rio das Antas
Minha infância foi mais livre que a dos meus filhos, a violência não batia à nossa porta e brincar nas calçadas em frente aos prédios era comum e seguro.

Indo para escola
Por todas essas lembranças, em confronto com a vida que temos hoje, concluo que no meu tempo de criança as pessoas tinham mais tempo para estarem juntas. A televisão não tinha programação o dia inteiro, não existiam computadores nem celulares e mesmo telefone fixo era raro nas casas. A comunicação à distância era feita por cartas escritas à mão, com cuidado e dedicação, mas as pessoas próximas eram mais próximas.


Letícia, uma vizinha que adorava brincar comigo
Talvez essa velocidade absurda com que temos acesso à informação e à comunicação hoje, nos cause uma deformação: a de não buscarmos a qualidade dessa informação e dessa comunicação, contentando-nos com a quantidade. Cada época tem suas características e é impossível não entrarmos em choque diante de tantas mudanças.

Lembro de criticar a "velhice" de pensamentos dos meus pais com relação à minha juventude, mas sofro para entender a juventude de meus filhos mais velhos, e olha que ainda me considero jovem!


Meus irmãos e as primas Patrícia, Michele e Daniela (colo)
A palavra chave é adaptação. Temos que nos adaptar aos novos tempos, mas mantendo o cuidado de transmitir aos nossos filhos "velhos" valores. Para que quando eles próprios começarem a se confrontar com as mudanças radicais de seus próprios tempos, saibam onde se escorar, se proteger para enfrentar esse vendaval que são essas mudanças.

Agora fiquei curiosa: o que será que meus filhos irão contar daqui alguns anos sobre suas próprias infâncias?


Com meus irmãos no parque Marinha




Imagens: Arquivo pessoal

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
Comentários
22 Comentários

22 comentários:

  1. Olá Tukas,
    Adorei o seu post que lindas passagens da sua infância.
    Eu também tive uma infância muito feliz... daquelas de passar o tempo todo a brincar na rua e chegar a casa quase só para comer, toda suja de terra de tanto brincar :) adoro relembrar estes tempos.
    E o mundo está tão diferente que dá um pouco de medo dos adultos que vamos ter a seguir que a liberdade que sentiram em criança foi ver TV e jogar jogos de computador fechados em casa.

    Mas mães dedicadas tentam sempre dar um pouquinho do gostinho de brincar na rua, rir e festejar em família para os nossos filhos não é verdade.

    e vamos nos adaptando a este mundo novo :)
    beijo

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  2. Que post mais lindo! Como é bom lembrar dessa época, né?! Sempre ouço pessoas dizendo que "no meu tempo as coisas eram bem melhores" mas tenho minhas dúvidas! Apesar de termos acesso fácil a muitas coisas, será mesmo que aquele tempo era melhor? Acho que as pessoas vivem a sua época, com tudo de bom e de ruim que ela oferece e vivemos tão bem a nossa que temos a pretensão de achar que ela era melhor que a dos outros... rsrs!!

    Amei as fotos!!

    Beijos...

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  3. Adoro fotos antigas!!!!! Que delícia lembrar dos velhos tempos!!!!
    Bjos
    Ana

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  4. Foi uma boa foto-reportagem de sua infância. Também gostava de usar kichute. Como minha mãe não os comprava eu usava os do meu irmão em 2ª mão. Passei por aqui para ler sua participação na blogagem coletiva e foi bom!

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  5. OI Tuka,
    adorei as suas lembranças a retrospectiva fase a fase. Eu também não gostava de me enfeitar. Acho que a maioria das crianças não gosta por isso deixo minhas filhas bem a vontade.
    Eu fui moleca desde sempre, apesar de ser bem tímida.

    Eu só vou poder entrar com o meu post amanhã porque hoje estou no blog da Nestlé. Estou louca para colocar logo no ar. Enquanto isso estou me emocionando com as lembranças e recordações das participantes.

    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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  6. Oi Tuka,
    acabei comentando com a chave da amiga da minha filha que entrou aqui no computador e não se deslogou.
    Só percebi isso depois.

    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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  7. adorei a fotos, as meninas se parecem mto com vc qnd pequena. beijos

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  8. Tukinha,adorei seu post e suas fotos?coisa mais gostosa...quase ñ tenho fotos de quando era criança,taí uma coisa ruim,nem todo mundo tinha câmera,digital nem existia...
    A sua solidão te fez encher a casa agora né?Estou muito feliz com essa blogagem e como a Ingrid falou estamos vendo muitas semelhanças entre nossas infâncias...coisa boa demais...bjs,querida e adorei vc ter sido a primeirona hj...muáhhhh

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  9. Tuka,
    você me fez pensar quando falou em ADAPTAÇÃO. Realmente, o que será que nossos filhos escreverão, em suas 'blogagens coletivas', daqui a pouco? E que idosos seremos? Tenho certeza de que seremos muito mais ágeis do que foram nossos avós e do que são nossos pais. A medicina já disse que quem está aqui, hoje, certamente vai aos 110 anos. Mas, e a velocidade das coisas? Isto é o que mais me incomoda hoje. Vamos nos adaptar, sim, mas qual o preço?
    Parabéns!
    Paulo
    incubandoideias.blogspot.com

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  10. Nossa Tuka ,quantas fotos ,quantas lembranças boas!!
    Eu também adorava ficar descalça.
    bjos amiga

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  11. Oi Tuka, adorei, adorei! Adoro ver fotos antigas, as tuas estão demais!
    Beijos
    Gabi
    www.minhas3meninas.com.br

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  12. Tuka,

    Acho que como portoalegrenses perigamos ter muito nos cruzado por aí, no Parque Marinha, na Redenção, no Cine Vitória, Baltimore ou todos aqueles outros que eram nas ruas. Nos tempos em que ir a cinema em shopping era impensável. O mais próximo disso era o Centro Comercial João Pessoa, kkkk!

    Acho que temos várias coisas em comum, como a rebeldia contra a ditadura dos frufrus, a simplicidade no jeito de criar os filhos, a reflexão, a coisa de sempre estar com um pé no mundo adulto. Talvez seja coisa de filha mais velha...

    Gosto da tua forma de escrever. Sempre me encanta! Sempre toca a alma.

    Nosso encontro fica marcado desde já! Mas antes te quero bem recuperada!

    Beijo,
    Ingrid

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  13. Adoreio o post e as fotos então? Que delicia...
    Obrigada pela visitinha la no blog!!!

    Bjus...
    Débora

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  14. Olá Tuka, me emocionei com o seu post, e com sua reflexão final. Também achei interesssante que por ser sozinha vc desenvolveu algo especial.Te dou parabéns pelo post, e pela sua infância, especiais.
    Abc, Ana.

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  15. Tuka querida
    Adorei seu post. Tbe me questiono sobre o que nossos filhos diriam desta blogagem daqui uns bons anos...
    Tbe sou a primogenita e me identifico com vc.
    Obrigada pelo carinho la no blog.
    Bjks mil

    http://blogdaclauo.blogspot.com/

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  16. Olá Tuka

    Que post lindo!
    Eusou Kinha do blog AMIGA DA MODA e vim conhecer seu espaço, gostei e já estou te seguindo. Vou aguardar a sua visita e ficarei feliz se me seguir também.

    Uma ótima 4º feira à vc...

    Bjooooooooooo..........................
    www.amigadamoda1.com

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  17. Oi Tuka!

    Que relato gostoso de ler! Eu também sou primeira neta (por parte de pai e mãe) e única menina (por parte de mãe). Meu irmão também nasceu quando eu tinha nove anos...

    Também acho que a minha solidão virou a meu favor hoje. Sou muito independente e faço muito bem as coisas sozinha. Não esquento a moringa com a opinião alheia... enfim, acho que minha infância é uma parte importante do que sou hoje. Mas não tenho saudades. Gosto mais da minha vida hoje.

    Bjs e obrigada pelo comentário carinhoso!
    Ia

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  18. Olá miguxa!!! Eu também adorava andar descalço e já pisei num prego,rsrsrsrs. Eu ainda não tenho filhos, mas já tenho consciência de que liberdade pouquíssima vão ter.


    b-jokas

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  19. Tuka,

    Uma das coisas que sinto falta da minha infância é da presença dos avós, eles morava em outra cidade, mas quando minha mãe me levava lá, poxa que felicidade era, comer peixe assado no chão, pescar com meu avô.

    E que infância gostosa a sua hein =)

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  20. Essas histórias de infância rendem! Me identifiquei muito com sua infância. Se parece muito com a minha!
    Muito bom o post!Dá gosto de ler e pena de acabar!
    bjin!

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  21. Oi Tuka! Vim retribuir sua visita e ler sua postagem para a blogagem! Que bacana seu blog, adorei!
    Gostei muito do seu post. Também fui um pouco sozinha por ser temporona (caçula de 4 filhas, nascida 10 anos depois da mais nova!), por isso brincava mais com os vizinhos do que com minhas irmãs. E também fui moleca! Tenho 2 cicatrizes no joelho esquerdo e uma no braço, rs...
    Vou te linkar para voltar mais vezes!
    bjos!

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  22. Nossa! Quantas fotos! Que linda postagem, cheia de recordações...
    Tempo bom, neh?

    Beijos

    Flavi

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