Cada escolha que fazemos implica em alguma renúncia. Mas na ânsia de adquirir, de somar, de usufruir, quase sempre não nos damos conta disso. Pessoas como eu, impulsivas e passionais, nunca se dão conta disso.
Passada a euforia das conquistas, me deparo com as renúncias e nem sempre estou de acordo com as escolhas que eu mesma fiz, levada pelo calor do momento.
Durante muito tempo, me martirizei e culpei por algumas escolhas erradas que fiz, sofrendo além da conta por coisas que eu já não podia mudar.
Custei muito a aprender que se perdi algo, foi para ganhar outra coisa. A escolha pode não ter sido das melhores, mas o que ganhei me fez feliz em algum momento e talvez só tenha deixado de fazer quando fiquei me culpando pelo que perdi.
É um raciocínio meio confuso, mas cheio de lógica pra mim agora. De uns tempos pra cá quis mudar esse comportamento, essa maneira de pensar e agir.
Quando recebi o diagnóstico da EM e tive que repensar muitas coisas, essa foi uma das que mais me consumiu. Tomei a decisão de mudar, mas mudanças internas não acontecem assim de uma hora pra outra.
Antes que o meu pensamento se redirecionasse e tomasse um novo caminho, andei muito no sentido contrário. Me culpei e sofri mais do que de costume. Sofri até por coisas que não escolhi, mas que causaram mudanças grandes na minha vida, como a própria doença e as limitações que ela me impõe.
Mas em algum momento, isso começou a mudar. Talvez tenha sido até com o nascimento do blog, quando comecei a externar meus sentimentos de uma outra forma e a refletir sobre eles.
Muitas vezes, ao ler algum dos meus textos reflexivos, me considero incoerente, um blefe. Porque não ajo da maneira que falo. Mas eu penso da maneira que falo, e cada vez que faço essas reflexões, me aproximo mais de ser aquilo que pretendo ser, de agir como penso que é certo.
Então é isso. Quando escolhi escrever o blog, renunciei ao silêncio. Renunciei a parte da minha privacidade, mas ganhei mais consciência de mim mesma.
Cada escolha, uma renúncia. Mas quem disse que isso tem que ser ruim?

Tukinha, Costumo falar que a vida sempre nos dá dois caminhos e cada caminho nos leva a outros dois e assim por diante. e a cada caminho exigi uma renuncia, e tenho a certeza que o caminho escolhido pode não ser o melhor mas é sempre o certo para aquele momento, mesmo que em um momento posterior já não faça nenhum sentido...
ResponderExcluirQuanto as limitações da EM é normal que encaremos como 'opção' mesmo sem ser, mas até quando nãõ temos opção temos escolha... ao menos a escolha de como encarar o inevitável... Tenha a certeza que tuas escolhas sempre foram as certas, mesmo que não as melhores, pois foram estas que te transformaram nesta mulher fantástica que vc é.
Beijo
Obrigada Beta. Acredito que aprendendo a respeitar nossas escolhas e o momento em que foram feitas acaba por diminuir a culpa e o estress pelas renúncias. A gente aprende.
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Oi, Tukinha,
ResponderExcluirDependendo do quanto e como tu te expões, só vejo benefícios... Acho que o fazes de maneira inteligente e muito sensível, que sempre nos toca e faz pensar.
Nossas escolhas muitas vezes são feitas no impulso e somente depois de vermos o resultado é que paramos para pensar - e confesso que agora me dou conta de que sou muito assim - então temos que pensar um pouco mais, talvez. Mas acredito que muito do que fiz no ímpeto, no calor das emoções foi que me possibilitou ser feliz, realizar e crescer.
Cada pessoa tem sua lógica, seu jeitão. E ninguém poderá dizer que existe um modo melhor que o do outro, a não ser estando na tua pele. Conhecendo a tua história, te lendo/ouvindo.
Te acho muito cabeça boa... Te admiro mesmo.
Beijo,
Ingrid
Obrigada Ingrid. Esse é o meu jeitão. Acho que minha coerência está em aprender comigo mesma. Pelo menos tenho tentado.
ExcluirBjs
Gostei muito do seu texto. A vida é composta disso, e vivemos cada uma dessas experiências, são elas que tornam o que somos. Beijos
ResponderExcluirExperiências! É isso que nos molda, nos leva de lá pra cá.
ExcluirBjs
Eu sempre digo isso... Não dá mesmo para ter tudo...
ResponderExcluirNão é só com você que isso acontece, eu também releio algumas coisas e vejo que mudei muito em alguns aspectos e ouso dizer que foi até para melhor rss...
Melhoras sempre querida.
Beijos
Flavi
A gente aprende enquanto escreve!
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Agora faço como uma Professora que tive "você faz suas escolhas ou a vida se encarrega disto" e se a vida se encarrega é bem pior. Então, acho que não tem como ficar com tudo, temos que escolhar e em consequencia, renunciar algo. Adorei o texto Tuka. bjs
ResponderExcluirÉ por isso que se chamam "escolhas", tem-se que optar entre isso ou aquilo, não dá pra ficar com tudo. E a tua prof tem razão, se a gente não toma a iniciativa a vida se encarrega e o resultado nem sempre é bom.
Excluirbjs
Tukinha,
ResponderExcluiré a maturidade que nos faz com o tempo reconhecer que somos nós os verdadeiros 'culpados' ou responsáveis por nossas escolhas.
bjim
É isso aí. Acho que estou amadurecendo...
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Nossa, Tuka, adorei seu texto, me identifiquei tanto! É incrível como o volume de decisões se multiplicou depois que virei mãe. O tempo todo tenho que escolher. O mais pesado é medir e justificar as escolhas, depois... Hoje procuro me tranquilizar e pensar assim, também: "quem disse que tem que ser ruim?" Essas reflexões têm me feito muito bem!
ResponderExcluirObrigada por compartilhar!
beijos,
Marusia
http://maeperfeita.wordpress.com
A gente tem essa mania de justificar tudo. Nem sempre é necessário. Parando de nos justificar, a gente aceita melhor nossas opções e não sofre com o que "poderia ter sido".
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Mais uma vez me identifiquei e mto com seu texto. Acredita q to esboçando um texto sobre culpas, escolhas... acho q estamos no mesmo ambito de reflexao por esses tempos. bjs Tuka
ResponderExcluirTemos muito em comum Dá!
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Não vou entrar no mérito da questão EM porque não tenho conhecimento de causa pra isso, mas queria te dizer que te acho uma das pessoas mais coerente que conheci e te admiro muiito. Bjo!
ResponderExcluirE vc é a mais direta e sincera, doa quem doer. Por isso um elogio teu é sempre muito bem vindo!
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Dizem que só os burros não mudam de idéia... Eu concordo!!!
ResponderExcluirMudo de idéia e de opinião a todo instante...
Belo texto!
Beijão
Eu também digo isso. Pelo menos acho que burra eu não sou! rsrsrs
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Mas que maravilha de texto!! Simples, objetivo e de extrema precisão.
ResponderExcluirObrigada Carina!!!
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Texto para muita reflexão! Excelente segunda-feira! Abraço fraterno e carinhoso!
ResponderExcluirElaine Averbuch Neves
http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com/
Obrigada Elaine! Ótima semana pra vc também!
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Tuka, que texto incrível.
ResponderExcluirA identificação foi to-tal.
"Mas eu penso da maneira que falo, e cada vez que faço essas reflexões, me aproximo mais de ser aquilo que pretendo ser, de agir como penso que é certo."
beijo
É isso Dani! Cada vez que refletimos, expomos nosso pensamento, verbalizamos o que vai dentro da gente, acabamos criando um trilho, um caminho mais claro a seguir. Aí fica mais fácil aproximarmos a ação da teoria.
ExcluirBjs