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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Andréli, a estranha.


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Há pouco mais de um ano atrás, fomos convidados para um jantar na casa de um amigo do marido. Eu o conhecia e a esposa de vista, já havíamos nos falado superficialmente, mas só.  A princípio, pelo que eu soubesse, o jantar seria só eles e nós com as respectivas crianças.

Por si só essa situação já me deixava apreensiva, sou bicho do mato e me causava certo desconforto ir jantar com as crianças em casa de desconhecidos, mas respirei fundo e fui, crendo que poderia ser uma grande oportunidade de conhecer aquelas pessoas e fazer novas amizades.

Chegando a casa, a primeira surpresa: a casa estava cheia! Cheia de gente desconhecida! Mas, já estávamos lá na porta, o cheiro do churrasco já pairava convidativo no ar e novamente respirei fundo e resolvi me dar uma chance de me divertir.

Mas quando eu entrei na casa, a primeira criatura que vejo é uma moça, muito jovem, com o corpo todo tatuado, um piercing muito esquisito no nariz e uma maquiagem carregadíssima. Na hora pensei: onde é que fui amarrar o meu burrinho! Pra ser sincera, me deu vontade de sair correndo dali na hora.

Mas aí, já estávamos lá dentro. O dono da casa e o marido da moça estranha eram amigos do marido, sair de lá correndo definitivamente não era uma opção.

Foi aí que apelei para o meu espírito cristão e resolvi não fazer julgamentos. Estavam todos ali em família. Amigos, maridos e esposas, filhos, sogras, cachorros e tals. Decidi que tinha ido ali pra me divertir e que iria me esforçar pra isso. E afinal de contas, eu não conhecia aquela gente, como pensar que poderiam não ser legais?

Aos poucos fui relaxando e deixando a conversa fluir. Se eu olhei para aquela moça com estranheza, ela também me olhou do mesmo modo, eu também era uma criatura estranhíssima pra ela, e nem por isso ela me excluiu, debochou ou fez pouco caso de mim. Primeiro ponto pra ela.

Eu sempre adorei tatuagens e sempre quis fazer uma. Mas ainda não tinha conhecido ao vivo e a cores uma mulher que tivesse tantas. Fiquei observando e achei bonito. Perguntei a ela quem havia feito as dela e foi esse tatuador que procurei quando decidi fazer a minha. Sim, foi depois de conhecer a Andréli que decidi que não deixaria mais que a opinião dos outros fosse mais importante que a minha própria e que faria a minha tatuagem. Já fiz duas.

Ao final da noite, tinha me divertido, conhecido uma porção de gente bacana e aprendido mais uma lição: não deixe que as aparências atrapalhem teu senso de julgamento sobre o caráter das pessoas. Adorei todo mundo que conheci naquela casa, mas a moça estranha ficou no meu pensamento por dias, semanas, meses.

Porque ela podia ter um visual chocante para uma pessoa da minha idade, com hábitos e costumes conservadores e ranços de uma convivência com pessoas fortemente preconceituosas com relação a esse tipo de visual, mas era (e é!) uma moça querida, com uma boa cabeça, educada, divertida, com um sorriso fácil e risada gostosa, uma boa mãe, uma boa esposa, uma boa amiga. E se eu tivesse deixado me levar pelas aparências teria perdido a chance de conhecer essa pessoa tão bacana. Ela definitivamente é muito diferente de mim, mas só por fora. Por dentro ela é alguém como eu, como você. Uma menina, uma mulher, uma mãe.

Desde aquele dia, penso em escrever sobre isso. Fiquei tão impactada com a situação que queria compartilhar ela com vocês, mas como não encontrei mais com ela, achei que não devia. Mas ontem ela me achou no facebook. Conversamos muito, matamos as saudades e eu contei pra ela desse post, agora devidamente autorizado. E agora não vamos mais nos perder de vista!

E vocês, já viveram alguma história assim? Já respiraram fundo, deixaram de lado todos os seus preconceitos e se permitiram conhecer (e amar) alguém muito diferente de vocês?



Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
Comentários
24 Comentários

24 comentários:

  1. Bom, eu sou o outro lado sabe?Sou tatuada, tenho piercing, alargador na orelha (grande!), uso maquiagem carregada, ando de all star e camiseta de banda, ou calça jeans rasgada, e sim as pessoas criam um pré conceito sobre você. Que você sempre será uma "porra louca". Já vivi situações, de encontrar ex professores do ensino fundamental e médio e eles não acreditarem que a Beatriz era a minha filha.
    E todas as vezes que vou em algum lugar mais " família" com a Beatriz tem gente que olha esquisito, alguns vem perguntar sobre tatuagem, outros sobre " se eu vou deixar a Beatriz fazer tatuagem", e assim vai.
    Mas com o tempo a gente acostuma, se torna normal. Porque tatuagem principalmente, é clichê, mas não muda carater!
    ENfim, adorie o post!

    Beijos

    http://parabeatriz.blogspot.com

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    1. Já conversamos sobre isso no face, mas é bem o que te disse: uma certa inveja de quem se considera livre de entraves e faz o que manda o seu coração.

      Bjs

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  2. Oi Tuka! Há quanto tempo não vinha aqui!
    Pois é menina, como temos medo do diferente né? Buscamos, sempre, nos aproximarmos de pessoas parecidas conosco e muitas vezes perdemos a oportunidade de conhecermos pessoas maravilhosas.
    Claro que isso já aconteceu comigo! E confesso a vc que adoro quando estou errada! Não gosto de ter uma primeira impressão ruim de quem quer q seja :)
    Parabens pelo post, super sincero!
    Beijos, ótimo final de semana =*

    @morenalilica

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    1. Também adoro estar errada! Tenho me policiado muito quanto a isso, não me permitindo mais perder oportunidades por causa de uma primeira impressão.

      Apareça mais.

      Beijos

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  3. bom vamos dizer que eu sou normal e anormal. kkkkkkkkkk pq é assim aos olhos da sociedade. tenho tatuagens (5 no total e por enquanto) tenho piercing. adoro preto, rock, e sou alternativa. mas tb depois da cecilia mudei mto, e por causa do meu emprego tb mudei um pouco de me vestir. mas nunca mudei qm eu sou e o meu carater.
    as vezes a gnt nao gosta do q nao conhece. mas depois que a gnt se permite a gnt aprende com a diversidade que o mundo é.
    beijos

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    1. Vc é muito jovem Teh! Eu sou velha, do tempo em que tatuagens eram coisa de marginal, era feio ter uma. Mesmo assim sempre quis ter! O importante é o carater da pessoa e ela saber se portar nos diferentes ambientes em que frequenta.

      Bjs

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  4. Engraçado Tukinha, eu na verdade tenho pavor de gente com aparencia 'normal' demais... não consigo confiar sei lá... tem que ter algo de estranho... e já te falei que tinha maior birra contigo pela tua foto no FB, parecia a cobra mor que atende pelo nome de CUnhada, aí fui edscobrindo que tinha humor, tatoo, inteligencia e me joguei no colo desta pessoa linda que tu é.
    Beijo

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    1. Saio um horror em qualquer foto! E não gosto de sorrir pois meus dentes são feios, então só uso fotos séria. Mas vc sabe que eu não sou assim, que bom que vc descobriu isso!

      Bjs

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  5. Também acredito que não devemos julgar pela aparência. Mas quando a gente ver alguém assim a gente se assusta rs.
    Acho lindo tatuagem, gosto pra caramba e penso em fazer em breve.
    Como diz né: Tatuagem não muda caráter.
    E eu conheço muita gente que julga pessoas com tatuagens sem ao menos conhecer.

    Beijos

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    1. Acho que o que mais me assustou na Andréli nem foram as tatoos, mas o piercing no nariz. Aff, que mal estar que aquilo me deu! Mas pousei meus olhos nos olhos dela e aí vi algo que não se estampa na aparência: caráter. E é isso que conta.

      Bjs

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  6. Que moça linda! Se eu pudesse escolher, seria assim! rs... Amo braços tatuados, com lindas cores e flores. Mas, olha Tuka, já passei por várias situações assim. Antigamente, possuía um censurador interno que media as pessoas dos pés a cabeça quando as via pela primeira vez. Graças a Deus, isso nunca foi empecilho para me abrir para novas amizades. Adoro bater papo, conhecer gente diferente. Mas, no fundo, sou igualzinha a vc quando tenho que ir a um lugar onde não conheço ninguem. O jeito é domar a fera e mergulhar de cabeça, dando oportunidade à vida de nos dar otimas surpresas. Beijosss! Gi, mãe do Lucca - Nascendo uma Mãe

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    1. Isso que eu não pude postar a foto mais linda dela, porque apesar dela ter me autorizado, não consegui contato com a fotógrafa e achei melhor não postar material alheio sem autorização. Ela é linda mesmo.
      É bom quando a gente aprende a domar a fera das primeiras impressões, a gente sempre se surpreende.

      Bjs

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  7. Adorei o post, miguxa!! As vezes as pessoas nos surpreendem com tantas
    coisas boas, que de repente lá estamos nós, sentindo saudades.
    Tatuagem, tb tenho e acho que muitos gostam, mas o principal é que
    não modifica nosso interior, nosso caráter.
    O bom de tudo isso é que são pessoas diferentes compartilhando as mesmas coisas.
    Fica com Deus, bjinhux mil no ♥

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    1. No fundo somos todos iguais e queremos a mesma coisa: sermos respeitados por quem somos.

      Beijos

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  8. Adorei o post! Realmente tatuagens e piercing não denotam caratér de ninguém. Existem muitas pessoas sem nada disso no corpo e que são horríveis por dentro.

    Beijoss linda!

    Flavi

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    1. Esse é o ponto! Tanta gente sem tatto e piercing que não tem um pingo de caráter e a gente, boba, se prendendo a essas convenções.

      Beijos

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  9. Tuka quebrar as barreiras do preconceito faz com que a gente conheça um mundo muito legal. Sempre tive a opinião que estilo não muda caráter. eu não tenho tatoo mas porque eu não gosto de nada que seja pra sempre a não ser minha família. Sei lá enjoo das coisas fácil e não sei como reagiria tenddo algo que não sai com água e sabão.

    Que bom que se permitiu viver aquele momento livre de preconceitos..

    Beijocas
    Carol

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    1. Eu também sou inconstante, por isso quando decidi fazer a minha, quis que tivesse um significado, uma razão.

      Tenho me policiado muito para não cair neste erro e perder de conhecer gente interessante e legal.

      Só é esperto quem aprende com a vida.

      Bjs

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  10. Olha só que post bacana! Estes dias lendo o blog da Diiirrce tive a certeza de que nós mesmas acabamos estereotipando as mães para um perfil comum e muitas vezes qdo vemos uma mulher mais descolada ou diferente do nosso padrão não levamos fé.

    Tenho também um caso de não ir com a cara da pessoa, com o jeito e depois fui conhecendo e hoje esta pessoa é uma das minhas melhores amigas.

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    1. É como o antigo estereótipo das vovós, sentadas numa cadeira de balanço usando pesados óculos e fazendo tricô! Nenhuma das vovós dos meus filhos se enquadra nesse perfil,mas elas são ótimas assim mesmo!

      Beijos

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  11. Amei o post, tenho 4 tattos...rsrs
    E esses encontros assim sempre nos surpreendem, já sofri preconceito, muitas vezes...as pessoas me julgam uma pessoa que não sou! Até minha GO desacreditou que eu seria uma boa mãe e se surpreendeu!

    Infelizmente julgamos sem conhecer! Adorei seu post.

    Beijão.
    #amigacomenta

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    1. Bom, quanto à sua GO não é de estranhar, o meu não leva muita fé em mim também! rsrsrs

      Mas é importante essas lições que a vida nos dá. E mais importante ainda é aprendê-las!

      Bjs

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  12. Erro! Mas somos seres humanos e muitas vezes carimbamos as pessoas antes mesmo de conversar, conhecer saber que pensam...
    Ou simplesmente sabemos de algo, alguma fofoca e etc e nos afastamos sem saber a versão do outro lado.
    Mas eh assim mesmo, a vida nos ensina que somos todos iguais perante a Deus!! Gostei muito do post... E quando puder, passe la no meu filho minha vida http://betestrom.blogspot.com/
    Beijao

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    1. Saudade de vc Bete! Vou passar lá no seu cantinho sim, to devendo...
      Vc talvez deve sentir na pele isso, já que é uma estrangeira bem diferente do povo local aí na Noruega. Mas eu espero que não, que o povo daí seja menos hipócrita que o nosso e que te tratem muito bem, pois vc tem o seu valor!

      Beijos

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