
Tenho pensado neste título há vários dias, mas ontem ele se fez real, tomando dimensões mais concretas depois de dois episódios de terrorismo na Noruega, (leia sobre isso
aqui) um país pacato e que já foi citado aqui no blog em outras ocasiões.
(Aqui e
aqui)
Assim que o primeiro episódio aconteceu, um atentado à bomba no centro de Oslo, capital da Noruega, as suspeitas recaíram direto sobre os ombros dos muçulmanos. Mas com a prisão de um rapaz, suspeito de ter cometido o segundo atentado, atirando contra dezenas de jovens num acampamento, parece mesmo que isso foi obra de noruegueses mesmo, e cristãos (a religião estatal protestante é oficial no país).
Mas meu interesse neste assunto não é discutir a fama de terrorista dos muçulmanos, até porque ela não é infundada, mas fazer novamente um alerta sobre o nosso costume de julgar as situações e as pessoas pelas aparências, e o que é pior, discriminar aquilo que não conhecemos e/ou não entendemos.
O Brasil é um estado laico, ou seja, é oficialmente neutro em questões religiosas, não apoia nem se opõe a nenhuma religião. Pelo menos na teoria. Na prática, vemos católicos e evangélicos se digladiando, disputando seus fiéis, e vemos ainda (mesmo que de forma discreta, velada) uma discriminação contra judeus e principalmente muçulmanos.
Fala-se muito em discriminação contra gays e negros, mas a discriminação religiosa também existe. Ela é mais suave, mais branda, mas isso só agrava os fatos, pois se fosse escancarada seria mais fácil se proteger dela.
Quem me acompanha por aqui sabe que sou católica e praticante, mas respeito quem me cerca e exijo que me respeitem também. Quer me ver P... da vida? Tenta me doutrinar. Vou te deixar falando sozinho. Para não desrespeitar tua crença, saio de perto pra não discutir, porque como já dizia o velho ditado: Religião, amor e cor não se discutem. Dá pra incluir aí também política e futebol, são assuntos que só geram discussões acaloradas e não levam a lugar algum.
Mas me interesso muito por essas questões, gosto de aprender sobre as outras religiões, tenho curiosidade, interesse real mesmo. Se vier falar comigo pra me explicar como é, vou ouvir atentamente. Tenho vontade de estudar sobre este assunto, me aprofundar, ser uma exímia conhecedora das religiões e suas doutrinas.
Outra coisa que me incomoda muito são os estereótipos criados. Cristão é santo, crente, bocó, pedante e burro. Umbandista é macumbeiro e alcóolatra. Muçulmano é radical, antissocial, machista e terrorista. Não é assim. Não existe uma fórmula para se identificar a crença de uma pessoa pela sua aparência ou modo de agir e menos ainda de se identificar o caráter de alguém pela religião que professa.
Depois dos atentados de 11 de Setembro, os muçulmanos passaram a ser vistos só como terroristas. Não dá pra negar que existem muitos entre eles, mas nem todo terrorista é muçulmano e nem todo muçulmano é terrorista.

Com a reprise da novela O Clone (que eu já citei
aqui) pode-se ver outro lado mais bonito do Islã, como a proteção às mulheres (às vezes vista só como machismo), a instituição familiar como pilar da sociedade, os véus coloridos e bonitos, o ardor como oram.
O que faz um terrorista, não é a sua religião, mas o fanatismo com que defende sua causa, seja ela religiosa, política, motivadas por supostas paixões, o radicalismo das suas posições e principalmente a falta de respeito pelo outro, pela vida humana.
Se nós não somos capazes de compreender o uso do Hijab (véu) pelas mulheres, que pelo menos se saiba admirar a beleza deles. Se somos incapazes de pensar como o outro pensa, vamos aprender a respeitar o pensamento como algo que é livre e que cada um tem o seu. Ser assim, ou assado, é opção de cada um, mas é obrigação de todos permitir que essa liberdade aconteça. Quando eu era criança já ouvia uma frase que serve bem a isso: A liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro. Ou seja, o limite de discordar do outro está onde começa o desrespeito.
Eu acabei falando mais sobre as religiões, mas isso vale para tudo. Tudo aquilo que desconhecemos, causa-nos espanto. E daí para o preconceito e a discriminação é só um passinho. Por isso, quando algo lhe causar estranhamento, procure conhecer um pouco, informar-se. Um bocadinho só de conhecimento e informação são capazes de desmistificar qualquer assunto e tornar tudo mais compreensível aos nossos olhos.
Essa é a visão que eu tenho, por isso busco conhecer, me informar. Meu desejo é que possamos no futuro COEXISTIR sem conflitos.
E você, o que pensa sobre esse assunto? Que atitude toma diante daquilo que lhe causa estranheza?
Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira