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sábado, 23 de julho de 2011

Nem todo cristão é santo, nem todo muçulmano é terrorista.

Tenho pensado neste título há vários dias, mas ontem ele se fez real, tomando dimensões mais concretas depois de dois episódios de terrorismo na Noruega, (leia sobre isso aqui) um país pacato e que já foi citado aqui no blog em outras ocasiões. (Aqui e aqui)

Assim que o primeiro episódio aconteceu, um atentado à bomba no centro de Oslo, capital da Noruega, as suspeitas recaíram direto sobre os ombros dos muçulmanos. Mas com a prisão de um rapaz, suspeito de ter cometido o segundo atentado, atirando contra dezenas de jovens num acampamento, parece mesmo que isso foi obra de noruegueses mesmo, e cristãos (a religião estatal protestante é oficial no país).

Mas meu interesse neste assunto não é discutir a fama de terrorista dos muçulmanos, até porque ela não é infundada, mas fazer novamente um alerta sobre o nosso costume de julgar as situações e as pessoas pelas aparências, e o que é pior, discriminar aquilo que não conhecemos e/ou não entendemos.

O Brasil é um estado laico, ou seja, é oficialmente neutro em questões religiosas, não apoia nem se opõe a nenhuma religião. Pelo menos na teoria. Na prática, vemos católicos e evangélicos se digladiando, disputando seus fiéis, e vemos ainda (mesmo que de forma discreta, velada) uma discriminação contra judeus e principalmente muçulmanos. 

Fala-se muito em discriminação contra gays e negros, mas a discriminação religiosa também existe. Ela é mais suave, mais branda, mas isso só agrava os fatos, pois se fosse escancarada seria mais fácil se proteger dela.

Quem me acompanha por aqui sabe que sou católica e praticante, mas respeito quem me cerca e exijo que me respeitem também. Quer me ver P... da vida? Tenta me doutrinar. Vou te deixar falando sozinho. Para não desrespeitar tua crença, saio de perto pra não discutir, porque como já dizia o velho ditado: Religião, amor e cor não se discutem. Dá pra incluir aí também política e futebol, são assuntos que só geram discussões acaloradas e não levam a lugar algum.

Mas me interesso muito por essas questões, gosto de aprender sobre as outras religiões, tenho curiosidade, interesse real mesmo. Se vier falar comigo pra me explicar como é, vou ouvir atentamente. Tenho vontade de estudar sobre este assunto, me aprofundar, ser uma exímia conhecedora das religiões e suas doutrinas.

Outra coisa que me incomoda muito são os estereótipos criados.  Cristão é santo, crente, bocó, pedante e burro.  Umbandista é macumbeiro e alcóolatra. Muçulmano é radical, antissocial, machista e terrorista. Não é assim. Não existe uma fórmula para se identificar a crença de uma pessoa pela sua aparência ou modo de agir e menos ainda de se identificar o caráter de alguém pela religião que professa.

Depois dos atentados de 11 de Setembro, os muçulmanos passaram a ser vistos só como terroristas. Não dá pra negar que existem muitos entre eles, mas nem todo terrorista é muçulmano e nem todo muçulmano é terrorista. 

Com a reprise da novela O Clone (que eu já citei aqui) pode-se ver outro lado mais bonito do Islã, como a proteção às mulheres (às vezes vista só como machismo), a instituição familiar como pilar da sociedade, os véus coloridos e bonitos, o ardor como oram.

O que faz um terrorista, não é a sua religião, mas o fanatismo com que defende sua causa, seja ela religiosa, política, motivadas por supostas paixões, o radicalismo das suas posições e principalmente a falta de respeito pelo outro, pela vida humana.

Se nós não somos capazes de compreender o uso do Hijab (véu) pelas mulheres, que pelo menos se saiba admirar a beleza deles. Se somos incapazes de pensar como o outro pensa, vamos aprender a respeitar o pensamento como algo que é livre e que cada um tem o seu. Ser assim, ou assado, é opção de cada um, mas é obrigação de todos permitir que essa liberdade aconteça. Quando eu era criança já ouvia uma frase que serve bem a isso: A liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro. Ou seja, o limite de discordar do outro está onde começa o desrespeito.

Eu acabei falando mais sobre as religiões, mas isso vale para tudo. Tudo aquilo que desconhecemos, causa-nos espanto. E daí para o preconceito e a discriminação é só um passinho. Por isso, quando algo lhe causar estranhamento, procure conhecer um pouco, informar-se. Um bocadinho só de conhecimento e informação são capazes de desmistificar qualquer assunto e tornar tudo mais compreensível aos nossos olhos.
 
Essa é a visão que eu tenho, por isso busco conhecer, me informar. Meu desejo é que possamos no futuro COEXISTIR  sem conflitos. 
 
E você, o que pensa sobre esse assunto? Que atitude toma diante daquilo que lhe causa estranheza?

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
Comentários
5 Comentários

5 comentários:

  1. Tuka, gostei do seu texto, porem discordo em algumas coisas.

    Vou puxar a sardinha pro meu lado, ok?...kkk

    Quando vc fala:

    "Mas meu interesse neste assunto não é discutir a fama de terrorista dos muçulmanos, até porque ela não é infundada..."

    "Depois dos atentados de 11 de Setembro, os muçulmanos passaram a ser vistos só como terroristas. Não dá pra negar que existem muitos entre eles, mas nem todo terrorista é muçulmano e nem todo muçulmano é terrorista." 

    Será que o Islamismo prega o terrorismo? Ou será que algumas pessoas que são da religião prega o terrorismo em nome do Islamismo? 

    Uma coisa é a pessoa achar que faz isso em nome de Deus, outra bem diferente é a pregação de Deus em relação a isso.

    Não estou aqui em momento algum sendo rude, ou brava. Estou só comentando esses trechos do seu texto, pois querendo ou não ha um pouco de rotulo aqui.

    Nós, muçulmanos, condenamos esse tipo de pessoa que usa a violencia em nome da nossa religião, queremos mostrar ao mundo que somos totalmente da paz e que esses "mosntros" usam o nome de Deus em vão.

    No mais, como disse acima, gostei do seu texto.

    Beijos grandes e fiquem com Deus

    Barbrinha

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  2. Ana Paula Lima Pereira24 de julho de 2011 17:47

    Oi Tuka, a máxima que impera na minha vida é respeito ao próximo e com religião não poderia ser diferente.
    Cada pessoa tem o direito de exercer sua opção, sem o dever de pressionar o outro.
    Bjs

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  3. Type your reply...Bárbarah, adorei a tua colocação, até porque era isso que eu pretendia
    dizer. Talvez tenha sido infeliz na escolha das palavras ou até porque
    desconheço também o Islã. Mas fique sabendo que eu entendo essa
    diferença entre o que o Islã prega e o que fazem os homens em nome do
    Islã. Desculpe se não soube me expressar corretamente. Beijos

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  4. Isso é básico Paula. E como eu disse no texto, o que faz um terrorista não é sua crença, mas o fanatismo, o radicalismo e a deturpação de preceitos, assim como o que faz um santo também não é a sua religião, mas o bem que faz e a maneira como leva sua vida.
    Saudade de vc Paula! Bjs

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  5. Tuka
    Adorei o seu post... esse assunto é muito pertinente. Eu tb sou católica, mas não tão praticante quanto gostaria ou deveria. Respeito e admiro todas as religiões. O que não tolero é fanatismo, venha ele de onde vier. Acho que tudo em exagero é prejudicial. Equilíbrio é a base de tudo, mas nem sempre é fácil atingi-lo. Agora mudando de assunto, muito obg pelas suas palavras de incentivo lá no blog. Não, eu não estava escondendo o jogo. Sou mesmo uma total iniciante nas artes manuais, mas estou aos poucos, descobrindo novas possibilidades e capacidades... Beijinhos e uma ótima semana

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