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terça-feira, 1 de novembro de 2011

O retiro, o encontro consigo, o prazer de ser útil

Neste final de semana, minha filha adolescente fez um retiro de jovens. O retiro é da Igreja Católica, mas antes de ser uma pressão pela escolha definitiva da sua religião, nossa intenção ao colocá-la no retiro foi a de que ela se encontrasse mais consigo mesma, passasse a dar valor a coisas que ela não enxerga nela mesma e também na família.

A Yasmin é uma menina abençoada, uma filha querida, amada, especial. Mas temos nossas rusgas, nossas diferenças. Isso é normal e vem do fato de que queremos o melhor para os nossos filhos e queremos que eles aprendam através do nosso amor e não através da dor, o que é certo e qual caminho seguir. Isso às vezes nos torna onipotentes e intransigentes, acabamos inevitavelmente nos colocando acima da razão e nos julgando sempre certos, e como é difícil admitir que às vezes estamos errados, cria-se certos impasses.

O retiro então teve essa intenção, de nós, como pais, nos reavaliarmos, e ela como filha, nos compreender e aceitar.

Ela adorou, contou maravilhas, estava feliz ao final do encontro, mesmo tendo ido completamente desconfiada, acompanhada do primo Leonardo igualmente desconfiado. Mas os dois terminaram felizes.

Yasmin e o primo Léo ao término do retiro
Mas eu, ah meus amigos, eu revivi o meu retiro de jovens que fiz aos 12 anos de idade. Nunca nesses últimos anos (uns 20 pelo menos) esse encontro esteve tão vivo na minha memória.
Relembrei todos os grandes momentos, as descobertas acerca de mim, o conhecimento mais aprofundado sobre as questões da Igreja, os amigos que fiz e que mesmo não encontrando mais, lembro como se os tivesse visto ontem. 

Lembrei da minha ansiedade ao retornar do encontro, procurando desesperada pelos meus pais na Igreja, perdidos entre aquela multidão. Só queria vê-los e abraçá-los! Lembro da chuva de pétalas de rosas ao entrarmos na Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, no bairro IAPI em Porto Alegre, e digo à vocês que ainda hoje (já se passaram 28 anos) fecho meus olhos e me sinto lá no interior daquela igreja que fez parte de  uma boa parcela da minha adolescência e onde aprendi o valor da família, da amizade, da partilha e o prazer do trabalho comunitário.

Igreja N. Srª de Fátima, saudades desse lugar e das emoções que vivi ali.
Lembrei de uma ocasião em que perdi um final de semana trabalhando por outros jovens como eu, e de uns três sacos enormes de laranjas que espremi com minhas mãos até ficarem comidas pelo ácido da fruta, e me diverti tanto com isso! Amei fazer aquilo e queria fazer novamente várias outras vezes.

Lembrei de outra ocasião em que planejamos e ajudamos a organizar uma festa para angariar fundos. Me diverti muito na festa, mas também trabalhei feito bicho, carregando mesas e cadeiras, engradados de bebidas, pratos de comida. Após o término da festa, quando todos estavam já em suas casas dormindo e descansando, eu e mais uma pequena turma ficamos lá, limpando o salão, carregando mais mesas e cadeiras, colocando tudo em ordem antes de ir pra casa. Me lembro de cochilar em pé na parada do ônibus, com o dia já amanhecendo, quando fui pra casa. 

Lembrei do quanto são prazerosas essas coisas, a gente se sentir útil, indispensável. Da gente trabalhar em grupo, entre amigos, e divertir-se com isso. Lembrei da diversão ser a maior e melhor remuneração que já recebi por qualquer trabalho que tenha feito na vida.

Depois de adulta, voltei a sentir essas sensações, quando voltei a frequentar a igreja e me dispor a trabalhar pela comunidade. E digo sem sombra de dúvida: o prazer e alegria que sinto nessas pequenas tarefas, ainda é o mesmo. A gente cansa, mas a alma descansa, fica leve!

Por isso, continuo frequentando a igreja. Posso discordar em muito da doutrina católica, porque tenho alma questionadora, mas é lá que tenho o trabalho mais prazeroso do mundo e a melhor remuneração, que é simplesmente ser feliz, sentir-se bem, ser útil. Não é o que todo mundo deseja, trabalhar com o que lhe dá prazer? 


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Ai Tuka, que delícia de post.

    Você me fez voltar há exatos quinze anos atrás, quando fiz meu retiro espiritual com minha igreja. Que delícia que foi!
    Agora, estou as vésperas do meu ECC, to tão ansiosa, sei que será tremendo!

    Beijo

    Tati

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  2. Também já participei de vários retiros espirituais na igreja e sempre voltava renovada. Tenho ótimas lembranças. Inclusive, foi em um deles que eu e o Júnior começamos a nos paquerar rsrs
    Num mundo onde os valores estão tão invertidos, vale a pena incentivar nossos filhos a se envolver com as coisas de Deus. Espero que sua filhota tenha se encontrado e voltado diferente.
    Beijos

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  3. Tuka,

    Dos 16 aos 28 anos eu participei de encontro de jovens da igreja católica. Foram momentos maravilhosos da minha vida. Primeiro recebendo e depois doando. Tinha meses em que eu estava em algum desses encontros dando palestra no mínimo dois fins de semana no mês.

    Hoje eu não sou mais católica, mas se tivesse um filho com certeza indicaria. A Igreja me ajudou muito a me focar e a construir valores.

    Super beijos

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  4. Post delicioso de ler.

    Também voltei no tempo e apesar de ter minhas inquietações ateístas, estudei a vida inteira num colégio Marista. E digo com certeza: foram os anos MAIS felizes da minha vida. Estar com as pessoas, procurar meios de fazê-las feliz, ajudar se sentir útil supera qualquer escolha espiritual.

    Também estive num encontro de jovens, mas nesse fui a convite da minha madrinha, que se converteu ao protestantismo. Foi num encontro evangélico. Fui amuada e só consegui me soltar um pouco no último dia e tb digo, não foi ruim, aqueles dias, pude me conhecer um pouco mais.

    Linda a foto dos primos. Que o caminho deles seja repleto de LUZ.

    beijo

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