Quem tem filhos sabe que a vida é feita de fases e que sempre que uma fase se encerra e pensamos que vamos enfim respirar aliviados, descobrimos que a próxima fase é ainda mais complicada que a anterior.
Já tenho filhos crescidos, que continuam dando preocupação em suas novas "fases", por isso já sabia que seria assim também com as pequenas, mas confesso que me surpreendi com a velocidade com que a mudança de fase se deu dessa vez.
A pequena segue no embalo das gêmeas, cada vez que as gêmeas superam determinada etapa, ela entra e não permite que eu sinta muita saudade da fase recém terminada. Mas apesar disso é diferente, por ela ser mais tranquila (e uma só), mas também por ser muito esperta e safadinha, gaiata como ela só, nos faz morrer de rir com suas traquinagens.
Mas as gêmeas agora entraram numa fase interessante. Essa fase dos 3 anos é uma das mais divertidas e dinâmicas, pois começamos a compreender tudo o que elas querem e pensam e elas ainda procuram compreender o mundo ao redor delas.
A Camila diverte muito nas conversas, sai sempre com palavras estranhas, coisas que nem imaginamos que ela seja capaz de dizer ou compreender. Levamos cada susto! Ela é prestativa (metida!) e esta sempre me ajudando nas tarefas e mandando nas irmãs. Adora dar ordens como "Não mexe aí Aline, que mamãe não quer!" mas ela própria estava mexendo ali minutos antes. Adora ajudar, seja no que for, mas a iniciativa tem que ser dela, se pedirmos pra fazer algo, trava toda e não faz.
Aline é a mais divertida, pergunta "o quê?" para cada coisa que falamos para ela, não sei se por ser meio desatenta e precise ouvir de novo o que dissemos, ou se virou mania, tipo o "hã?" da Yasmin, aquele segundo extra de que precisa para o cérebro se desligar de uma atividade e entrar em outra. Como ela é mais desligada, sonhadora, acaba nos fazendo rir com mais frequência com suas deliradas cômicas.
Essa semana tive dois momentos com elas que me fizeram rir muito, mas também me encheram de preocupação sobre essa nova fase delas. É muita imaginação para crianças tão pequenas, tenho medo de onde isso pode nos levar...
Outro dia, assistindo a um filme da Thinker Bell onde a fadinha derrama pozinho mágico sobre uma menina e ela pode então voar, (já viram né?) a Aline foi atrás de mim na cozinha e de cabeça baixa e olhar tristonho, sacudindo os bracinhos me confidenciou: "mamãe, eu não posso voar..." Suspirei fundo e pensei, cá com meus botões: "Ufa, ainda bem! Deus sabia o que estava fazendo quando não deu asas às crianças!" Imaginem a cena: ela já é arteira que só, vive subindo nos móveis, pendurando-se em cadeiras, pulando pra dentro do berço da Letícia e de lá para fora novamente, me deixando de cabelo em pé, imagina se soubesse voar! Eu já estaria internada num hospício, louca de dar nó!
Ontem foi a Camila que me proporcionou momentos de adrenalina pura. Mal chegadas da escola (chegam famintas e cansadas), estavam no quarto já na frente do DVD comendo uns biscoitos e eu julgava elas calmas por alguns minutos, quando a Aline vem correndo fugindo da Camila. Achei que já estivessem brigando por algum brinquedo, pois a Camila tem mania de arrancar o que quer das mãos da irmã que foge em disparada pra evitar o "roubo". Quando vi, a Camila tinha uma tesoura nas mãos (uma tesourinha dessas de escola que uso na cozinha pra cortar embalagens) e chamava a Aline: "senta aqui Aline, pra cortar o cabelo!" Na hora gelei e tive trabalho para dissuadi-la do seu momento "Fashion Hair", mas achei que como a Aline estava fugindo, ainda não havia cortado. Na hora do banho vi, algumas mechas de cabelo no chão e uns "repicados" muito modernos no alto da cabeça da Aline. Posso com isso? Por sorte, Camila deve ter herdado o dom da vovó Neura de cabeleireira e cortou pouco e nos lugares menos visíveis.
Esses momentos de "estalo", quando elas decidem aprontar alguma são muito rápidos e cada vez mais frequentes e entre a decisão de qual traquinagem aprontar e a ação propriamente dita, elas sempre dão um jeito de "cegar" a mãe. Quando digo que essa turma é uma gangue, que posso ser presa por formação de quadrilha, todo mundo ri, mas é assim que elas "agem": uma me distrai com algo já meio assustador enquanto a outra vai para outro canto aprontar algo ainda mais assustador. Ou seja: atenção redobrada, triplicada, quadruplicada ainda é pouco com essa galerinha!
Enquanto isso, fico esperando pra ver que tipo de arte a Letícia vai aprontar daqui há pouco e chego a me arrepiar só de pensar no que são capazes de aprontar essas 3 juntas...
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