A convidada de hoje pra nossa CONVERSA é nada menos do que a chique, elegantérrima e muito fina Aline da Silva Dexheimer (ou seria eu a chique por tê-la aqui?) lembram dela? Escrevi sobre ela quando ganhei de presente o livro O Brilho Oculto (leia o post aqui) escrito por ela.
Depois de ler o livro com a avidez de quem está há dias no deserto e encontra uma fonte de água fresca, me pus a conversar com a Aline via facebook. Lendo o livro, me achei tão próxima dela, que a cada página aguardava o momento da revelação de onde é que eu a conhecia. Não encontrei essa revelação no livro, embora suspeitasse conhecer alguns dos lugares que ela descrevia. Foi no face que realmente descobri: fomos "vizinhas" em Porto Alegre, moramos anos muito próximas e devemo ter cruzado o caminho uma da outra inúmeras vezes, sem no entanto nos encontrarmos efetivamente. Mais uma daquelas amizades incríveis que só a internet nos proporciona!
E como temos muito em comum, inclusive um trio de crianças (Aline é mãe de trigêmeos), o texto escolhido por ela é justamente sobre um tema que eu vinha pensando em escrever. Vamos à ele então:
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Quando o cansaço pesa
Todos os finais de ano praticamente me sinto assim: cansada. Já não consigo acordar mais na hora e nem dormir tão cedo! O caminho da escola me irrita; as compras do supermercado de repente ficam insuportáveis e levam um tempo interminável; as ideias para o almoço são escassas; a limpeza da casa atrasada; minha cesta de roupas para lavar e a pilha para guardar parece tão mais imensa!
Mãe não tem férias mesmo! Nem quero ter férias dos meus filhos, que fique isso bem claro. Mas o cansaço é real. Nesses casos, me permito deixar as coisas um pouco para depois. Não brigo com meu cansaço. Às vezes, é preciso fechar os olhos para as obrigações e rotinas do dia a dia em prol de situações mais importantes. Nas duas últimas semanas me permiti ficar assim. Deixar os pratos na mesa e sentar no sofá com as crianças; lavar a louça mais tarde, enquanto descemos para dar uma volta no prédio lá embaixo no playground; deixar o quarto da minha filha para organizar depois! Anotar as ideias para não perdê-las, mas escrever em outro momento.
As três últimas semanas foram cansativas porque tivemos um agravante somado ao cansaço natural do final de ano. Minha filha fez uma cirurgia (garganta, nariz e ouvidos). Na primeira semana tive que me concentrar para ficar forte, na segunda encarar e manter a força para deixá-la segura e tranquila, enquanto, ao mesmo tempo, mantinha a casa e o ambiente mais ou menos organizado para os meninos enquanto eu estivesse no hospital. E a terceira, simplesmente eu fiquei meio paralisada e cansada esperando minhas forças voltarem! Durante o tempo todo que estávamos no hospital só pensava em trazer minha filha de volta para casa e ter meus trigêmeos juntinhos outra vez. Graças a Deus tudo passa e tudo deu certo para nós. No entanto, durante o processo e o envolvimento nesse esforço todo, eu fiquei meio esvaziada.
Agora, corro atrás das roupas acumuladas, da poeira nos cantos e daquilo que deixei para trás. Busco minha energia e recomeço. Sem empregada já há bastante tempo, aprendi a não me estressar e não ser escrava do trabalho doméstico. Claro, não gosto de viver na sujeira, mas desacelerar e se permitir jogar os pés para o alto procrastinando o serviço de casa de vez em quando não mata ninguém, o trabalho doméstico é ingrato e quase não aparece. Deixei sim as coisas acumularem e ficarem um pouco empoeiradas; as roupas ficaram a espera para serem guardadas, mas sentei com meus filhos, os levei lá embaixo no playground, assisti a filmes com eles, descansei e também conclui muitas coisas positivas nessas semanas lentas.
Esse tempo reforçou ainda mais minha forma de ver as coisas e viver a vida, ou seja, o que importa mesmo é o aqui e o agora e as pessoas que nós amamos, bem como a saúde delas e as pequenas coisas simples da vida, como por exemplo, um filho sem dor. Temos que levar isso sempre dentro de nós, agarrar tais momentos e usá-los de forma positiva quando estivermos encarando neuroses domésticas ou problemas tão bobos do dia a dia, essas coisas são tão pequenas e desnecessárias diante do valor e a saúde dos nossos filhos. Prefiro mil vezes ficar mandando meus filhos pararem de brigar do que vê-los em camas chorando de dor.
Lembre-se que não precisamos de tragédias, doenças e problemas sérios para valorizar tudo àquilo que realmente importa para sermos felizes. O mundo não vai acabar se você deixar a louça ou qualquer outra tarefa secundária para depois.
Aline Silva Dexheimer é mãe de trigêmeos e começou a escrever a fim de entender, aceitar e encontrar caminhos alternativos para enfrentar as dificuldades da vida. Escreveu o livro “O BRILHO OCULTO” publicado pela Amazon. Também possui crônicas publicadas pela Editora Mackenzie para livro didático. Escreve sobre maternidade, vida e atitude positivas. Site: http://www.alinedexheimer.com/
Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira









