Este último ano foi bem difícil, tenho entrado e saído de inúmeras e sucessivas crises depressivas.
A depressão tem me acompanhado há anos, agravando-se a partir do momento que precisei parar de trabalhar.
Ao contrário do que a maioria das pessoas acreditam, parar de trabalhar não foi uma escolha ou uma necessidade por causa das crianças. Precisei parar porque a fadiga era enorme e fadigada minha cabeça não funciona.
Tenho me esforçado muito para não me deixar abater, sucumbir à depressão, mas depressão é uma doença e sair dela independe da nossa vontade. Preciso de ajuda, de compreensão, de apoio, mas só tenho julgamento, acusação, condenação.
A cada crise, me sinto pior. E sofro duplamente: pela depressão em si e pelo sofrimento que causo nas pessoas que convivem comigo.
Tenho consciência de que minhas filhas sofrem em me ver sempre prostrada ou mau humorada, que gostariam que a mãe brincasse mais com elas. Mas é difícil pra mim agir diferente.
Na minha cabeça se cria uma confusão, não sei até que ponto estou com fadiga e onde começa a depressão. E se eu não me entendo, imagina os outros. Embora eu me ressinta da falta de compreensão e apoio, também entendo o quanto é difícil conviver comigo e entender que minha falta de interesse por tudo, não tem nada a ver com falta de amor.
Se consigo racionalizar os sentimentos, percebo claramente o quanto sou abençoada por ter a família que tenho, por ter os filhos que tenho, por ter o marido que tenho. Os amo mais que tudo nessa vida e me sinto feliz. Mas esse sentimento de desânimo, de desinteresse que não me permite achar graça em nada independe do amor que sinto. Então eu sofro e sofro ainda mais por entender que também faço sofrer quem eu amo.
É confuso, difícil de explicar. Não é que me falte de algo, mas me falta a perspectiva. Não consigo olhar no horizonte e ver a solução de alguns impasses da minha vida. Muitas coisas que eu gostaria de mudar depende dos outros. É claro que eu posso mudar sozinha, mas além de ser mais difícil, pode gerar ainda mais problemas.
Enfim, continuo me esforçando. Um dia de cada vez.
Até ter o diagnóstico fechado passaram-se mais 10 meses, duas ressonâncias, uma punção lombar e muita peregrinação ao posto e à coordenadoria da saúde para conseguir realizar os exames e as viagens necessárias para fazê-los.
Neste aspecto, detalhar o que passou seria de uma chatice sem fim e nada diferente das inúmeras histórias de descaso com a saúde que ouvimos por aí.
Mas enfim, em agosto de 2006 tive finalmente o diagnóstico: Esclerose Múltipla. Aí começa uma nova batalha: entender, aceitar, conviver.
O início do tratamento em Porto Alegre, o processo demorado e complicado para obter a medicação, a volta ao trabalho, a demissão… Tudo se transformou em espera e algumas decepções.
Acho que o mais difícil da doença é isso: entender sua imprevisibilidade e aceitar a espera. A espera que ela se movimente primeiro para só depois saber o que fazer. Isso é angustiante.
Na época do surto, usei corticóide via oral por quase 8 meses. Inchei, criei pêlos no rosto, sentia dor em todo o corpo e perdi o paladar por causa do eterno gosto de ferrugem deixado pelo remédio.
Foi só quase 2 anos depois do surto que iniciei a medicação de controle. Avonex, uma injeção por semana, reações e efeitos colaterais nada divertidos.
Mas enfim, é uma sensação de controle. É um controle frágil, mas já ajuda a gente a começar a se situar. Aos poucos a gente acostuma com tudo. Acostuma mas não se conforma. Às vezes ainda bate uma revolta, um desejo de que tudo voltasse a ser como antes.
Fui internada numa quarta-feira. Meu lado direito já não me obedeciam totalmente, perdia a força gradualmente e já tinha dificuldade para andar. O cansaço era tão grande e tão sem explicação!
Fiz inúmeros exames, de sangue, de urina, tomografia, mas não recebi nenhuma medicação por falta de um diagnóstico preciso. A essa altura, eu já tinha algumas desconfianças, mas ainda não entendia o que estava acontecendo comigo.
Foi assustador passar esses dias no hospital, principalmente pela incerteza. Via minha força diminuir a cada instante, não podia ter alguém me acompanhando, precisava da ajuda da enfermagem até para ir ao banheiro.
Meu marido entrava escondido e ficava comigo o quanto dava, principalmente na hora das refeições pois eu não conseguia nem comer sozinha, mas ele precisava cuidar das obras da casa, dos nossos filhos, do trabalho dele, de tudo…
O auge do desespero pra mim foi a sexta-feira. A tontura virou vertigem e era tanta! Tomei o café da manhã auxiliada por uma enfermeira que conversava animadamente com outra e não percebeu quando comecei a passar mal. O café voltou todo, minha cama e eu estávamos cobertas com ele.
Precisei de ajuda pra levantar e não consegui ir até o banheiro caminhando. Duas enfermeiras me ajudaram a tomar banho, sentada em uma cadeira. Naquele momento, me senti tão frágil, tão dependende. Foi o pior momento de todos.
Mas no sábado, pra meu espanto, comecei a melhorar. Do mesmo jeito que “aquela coisa” apareceu, estava indo embora.
Saí do hospital após uma semana de internação. Ainda arrastava a perna (iria arrastá-la ainda por muito tempo), mas o braço já estava melhor. O cansaço, embora nunca mais tenha me abandonado, já não era tão devastador e a minha fala já havia voltado ao normal.
Minha vida nunca mais seria a mesma. O diagnóstico ainda não tinha vindo, mas as suspeitas eram grandes. Ainda haveria um longo caminho até as poucas certezas que viriam.
2005. Foi um ano bem estressante, de grandes mudanças, na maioria felizes, mas que como toda mudança geraram muito estresse.
Me casei “oficialmente”em julho, depois de 12 anos de vida em comum. Meu filho, com 17 anos e nossa filha com 9 levaram as alianças até o altar.
Um dos presentes que ganhamos, foi uma ajuda valiosa para a reforma da nossa casa, um chalé que estava sendo devorado pelos cupins.
Outubro. Fazemos nossa mudança temporária para a casa da sogra, cansativa e estressante mudança. Os motivos dela eram bons, as perspectivas de duração eram breves, mas casa da sogra é casa da sogra.
Uma semana após me sentia estranha, perna direita “pesada”, cansaço. Mas atribuí esses sintomas ao cansaço da semana de “carrega-empacota-arrasta” da mudança.
No dia seguinte, romaria na cidade. Um percurso de 4,5 km, um bom trecho de subida, muito calor, mas nada que eu já não tivesse feito antes sem problemas. Mas dessa vez, ao chegar ao parque,um cansaço avassalador. Difícil explicar. Me sentia como se tivesse carregado um elefante nas costas durante o trajeto. Com muita dificuldade voltei pra casa e descansei o resto do dia.
Na segunda feira, no trabalho, tonturas e fraqueza. Trabalhei até meio dia e fui ao médico. Orientações: repouso e procurar um otorrino para diagnosticar o porquê da minha 4ª ou 5ª crise de “labirintite” em pouco tempo.
No decorrer da semana, fui ao otorrino, fiz exames, voltei ao otorrino. A labirintite continuava, o cansaço não ia embora e além da pernameu braço também estava pesado, estranho. A orientação do otorrino foi de procurar um neurologista.
Marquei uma consulta e enquanto aguardava mais uma semana por ela, recebi a visita da amiga Marta, que além de muito amiga também é enfermeira. Ao me ver, conversar comigo, ela entendeu meu provável diagnóstico. Me colocou dentro do carro dela e me levou ao posto de saúde, falou com o médico antes que ele me atendesse e, pelo que conversaram e pela avaliação que ele fez de mim, fui internada.
Assim eu percebi que tinha algo realmente errado acontecendo comigo…
A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória que não tem cura e extremamente invasiva. Atinge as fibras nervosas responsáveis pela transmissão de comandos do cérebro a várias partes do corpo, provocando um descontrole interno generalizado.
Muitas vezes o termo esclerosado é usado para as pessoas que perdem a memória ou apresentam outras confusões mentais quando vão envelhecendo. Não tem nada a ver! A esclerose múltipla não tem nenhuma relação com as limitações que surgem com o envelhecimento. Trata-se de um problema comum em adultos jovens, na faixa de 20 a 40 anos. O maior pico é por volta dos 30 anos. Raramente pessoas na terceira idade desenvolvem a doença.
A esclerose múltipla não é um processo degenerativo contagioso e, na maioria dos casos, não é fatal. Apesar de não ser herdada, atinge pessoas geneticamente predispostas a doença e se manifesta de diferentes modos. Atualmente, há cerca de 35 mil brasileiros que sofrem deste mal. E, em geral, as mulheres são as mais atingidas (na proporção de duas mulheres para um homem).
O diagnóstico não é simples e pode levar alguns anos para ser feito corretamente, pois os sintomas se assemelham, em alguns casos, com outros tipos de doenças do sistema nervoso (devido aos sintomas iniciais, muitas vezes o paciente nem procura orientação médica). Entre os principais sintomas da doença estão alteração no controle de urina e fezes, comprometimento da memória, depressão, dificuldades de movimentos, fala e deglutição, dores articulares, dormências, fadiga intensa, mudanças de humor, paralisia total ou parcial de uma parte do corpo, perda da visão em um ou ambos os olhos, queimações, sensações de formigamento. tremores e tonturas.
Segundo o neurologista Dagoberto Callegaro, “estes sinais podem levar horas ou dias para aparecer. Em média, a doença inicia com um surto por ano ou um a cada dez meses. Chamamos de surto um novo sintoma neurológico que provoca uma alteração sensitiva ou motora”.
A forma mais comum de esclerose múltipla é a recorrente-remitente (quando os surtos podem deixar seqüelas ou não). A primário-progressiva é a pior forma de esclerose, onde a evolução da doença é galopante. A rápida progressão pode causar paralisia dos membros, perda da visão ou demência se não for tratada a tempo.
A esclerose múltipla pode se manifestar de 4 formas:
Remitente-recorrente: é a manifestação clínica mais comum, caracterizada por surtos que duram dias ou semanas e, em seguida, desaparecem.
Progressiva-primária: apresenta uma progressão de sintomas e comprometimentos (seqüelas) desde o seu aparecimento.
Progressiva-secundária: pacientes que evoluíram da forma remitente-recorrente e vão piorando lenta e progressivamente.
Progressiva-recorrente: do tipo progressiva com surtos. Desde o início da doença, mostra a progressão clara das incapacidades geradas a cada crise.
A ciência ainda não descobriu a causa da doença nem sua cura (atribui-se à doença a uma reação auto-imune do organismo, que em algum momento e por algum motivo, começa a atacar o Sistema Nervoso Central). Acredita-se que o motivo mais provável seja um vírus não identificado até o momento.
Entendendo melhor o desenvolvimento da esclerose múltipla
Ainda não se sabe o porquê do ataque ao Sistema Nervoso Central, que é dirigido à mielina – uma substância gordurosa que cobre as fibras nervosas do cérebro e facilita a comunicação entre as células. Esse ataque acontece silenciosamente e recebe o nome de desmielinização (o processo de destruição das camadas da mielina). Uma vez que as camadas da mielina vão sendo destruídas, as mensagens que saem do cérebro são atrasadas ou bloqueadas de vez, alterando, assim, o funcionamento da região que esperava um comando de ordem. Onde quer que a camada protetora seja destruída, forma-se um tecido parecido com uma cicatriz. Daí o nome esclerose. E é múltipla, pois atinge várias áreas do cérebro e da medula espinhal . A gravidade de cada caso está relacionada com a área afetada. Se atinge a medula, o paciente geralmente manifesta fraqueza, dormência ou paralisia dos braços e pernas. Não se tem como avaliar o desgaste da mielina; por isso, o diagnóstico é basicamente clínico, baseado nas queixas dos pacientes, em seu histórico médico, na avaliação dos sintomas e na existência de sinais neurológicos (através de testes para avaliação de coordenação, reflexos e sensibilidades). Exames como ressonância magnética,avaliação do líquido da medula espinhal (líquor) e potencial evocado também são fundamentais neste momento.
A atençãoda família e de pessoas próximas é essencial ao doente. Como o indivíduo perde a capacidade de fazer coisas simples, o apoio familiar ajuda a manter sua vida quase normal e sua saúde mental em melhor condição.
É importante controlar o estresse físico e emocional. Sessões de fisioterapia auxiliam no tratamento. Procurar reduzir o excesso de peso e praticar algum tipo de atividade física (caminhada, hidroginástica, por exemplo).
A luz no fim do túnel
Atualmente não existe a cura para a doença. Entretanto, como vimos, as pesquisas não param. Existem avanços na área e novos medicamentos que possam, pelo menos, tornar os efeitos da esclerose múltipla menos agressivos. É o caso dos remédios chamados imunomoduladores e imunosupressores (capazes de aliviar ou reduzir os sintomas da esclerose).
O acompanhamento terapêutico também é fundamental ao paciente de esclerose múltipla, cuidar da mente é tão importante quanto tomar a medicação correta. O neurologista Cícero Galli Coimbra afirma que, “O sistema imunológico é ativado toda vez que enfrentamos uma situação de estresse grave. Avisado de que algo está errado em nosso organismo, ele começa a vasculhá-lo na tentativa de identificar ‘invasores’ como vírus e bactérias. Por fim, acaba atacando a bainha de mielina que envolve os neurônios.
Com a estabilidade emocional, 85% dos surtos podem ser reduzidos. Psicoterapia e terapia ocupacional são indicadas para organizar os pensamentos e as atividades”.
Não há como prevenir a esclerose múltipla. Nem se pode afirmar quem ou não é propenso à doença. A recomendação é manter uma dieta equilibrada. E para aqueles que já foram atingidos pelo mal, uma dieta adequada é recomendada.
As fibras presentes em cereais integrais e leguminosas ajudam a fazer a digestão.
Dietas de baixo teor de gorduras saturadas (presente em produtos de origem animal) e ricas em ômega 3 podem retardar a evolução da doença (baseado em estudos realizados).
Evite ingerir alimentos duros, pois são difíceis de digerir e podem provocar engasgos.
Refeições pastosas ou líquidas (purês e/ou sopas) são as mais recomendadas.
Fontes: “Revista Viva saúde” e “Guia da Vida Saudável” e “Alimentação e Saúde de A a Z”
Sou a favor de que as pessoas cobrem os seus direitos, mas acho que as pessoas tem usado muito essa prerrogativa para atropelar o direito alheio. As pessoas tem direito até de serem ignorantes. Mudar opiniões enraizadas é trabalho de formiguinha, dia após dia, aos poucos. Ninguém muda do dia pra noite. E o que é de gosto é regalo da vida, já dizia minha vó.
Tudo vira motivo pra gritaria, bate-boca e brigas inflamadas. As pessoas parecem se negar a ver o outro lado das histórias, já saem dando sua opinião como se fossem donas da verdade absoluta, geram inimizades por conta de polêmicas que ao meu ver, são tão ou mais improdutivas que a inércia total.
Assuntos que estão “na moda”: consumismo infantil e sexismo.
Também me preocupo com eles, não quero (e nem posso!) criar filhos que pensam que podem ter tudo o que veem na TV, que escolhem seus lanches pelos brinquedos que oferecem e que ficam emburradas se ganham uma barra de chocolate na páscoa ao invés do ovo de igual sabor e quantidade mas 4 ou 5 vezes mais caro.
Também não quero que minhas meninas deixem de experimentar a sensação de subir numa árvore, chutar uma bola, brincar de polícia e ladrão ou empurrarem carrinhos por que isso é brincadeira de meninos.
Mas estão havendo exageros aí. Minhas filhas brincam com o que elas quiserem, desde que não corram riscos desnecessários de se machucarem, mas não vou me ofender se alguém der a elas uma boneca e disser que aquilo é que é brinquedo de menina. Elas também gostam de bonecas, de brincar de casinha e outras brincadeiras típicas do universo feminino. Quanto ao pensamento de que “isso é que é brincadeira de menina”, problema de quem pensa assim.
Outro dia vi uma discussão absurda na internet, sobre o fato de uma marca de chocolate que vem com brinquedo, não identificar se o brinquedo em questão era feminino ou masculino. Uma turma achava um absurdo isso, que criança deve brincar com qualquer brinquedo independente do seu sexo, outra turma defendia a identificação “para não frustrar as crianças que esperam por uma coisa e recebem outra”. Pra mim, o absurdo está em comprar o tal chocolate só pelo brinquedo, que vamos combinar, além de caro pra caramba, nem chocolate nem brinquedo são lá essas coisas, não valem tanto estresse.
De outro lado, mães que apoiam com unhas e dentes o direito de escolha dos brinquedos que seus filhos quiserem brincar, defendendo inclusive que não haja sessões separadas por preferências femininas e masculinas de brinquedos nas lojas, será que achariam bom escolher suas roupas e sapatos em lojas que não os diferenciasse por gênero?
Eu, por exemplo, não uso sapatos, muito menos de salto, só tênis. Se ao entrar numa loja, acho os tênis femininos muito cheios de frescuras, o que não é absolutamente meu estilo, vou olhar os da sessão masculina e pronto. É só pedir o meu número e experimentar. Serviu? Ficou confortável? Eu gostei? Tô pagando? Então não me interessa se é feminino ou masculino. Quem achar feio que olhe pro outro lado. E sempre foi assim, minha vó já tinha acessos quando me via usando kichute aos 9 anos de idade.
Acho importante que minhas filhas saibam que qualquer roupa ou brinquedo é permitido, mas se elas acham rosa a cor mais linda do mundo, a escolha é delas, já que eu sempre preferi vesti-las de vermelho, roxo, verde e azul.
Entendo que para as mães de meninos isso deve ser um pouco mais complicado, já que o preconceito é muito maior com meninos brincando de bonecas do que com meninas brincando de carrinho, mas não acredito que seja possível acabar com o preconceito a ferro e fogo. Para que os preconceituosos de plantão aceitem que é natural menino brincar de ser papai da mesma forma que meninas brincam de ser mamãe, é preciso que se trate o assunto com naturalidade.
O dia é amanhã, 25 de fevereiro. Mas antecipo a comemoração pra hoje.
Há 20 anos atrás, trocamos nosso primeiro beijo, tímido, um selinho.
Em pouco mais de tres meses já estávamos morando juntos. De lá pra cá, não nos largamos mais.
Nada tem sido fácil pra nós, mas temos nossos momentos.
Agradeço à Deus por cada dia juntos, por cada beijo, cada abraço, cada briga, cada reconciliação...
Cada momento tem o seu valor e os momentos ruins, só servem para valorizar ainda mais os momentos bons.
Obrigada meu amor por esses 20 anos, pela família que construimos, pelas lindas e maravilhosas filhas que me deste e por ter sido um bom pai para o filho que não é teu, mas que te tem amor e respeito, prova do quão bom tu tens sido.
Teria muitas coisas a te dizer, mas a emoção embaça meu raciocínio. Então fiz essa singela homenagem pra quem me atura bravamente há 20 anos...
Parabéns para nós!
"Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica,
assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a
rocha. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e
combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a
rocha." (Mt 7, 24-25)
Achei esse texto numa página do facebook, a "Mamãe Cansada". É tão lindo e verdadeiro que quis postar aqui e dividir com vocês:
"Nós
estamos sentadas, almoçando, quando minha filha casualmente menciona
que ela e seu marido estão pensando em “começar uma família”.
— Nós estamos fazendo uma pesquisa — ela diz, meio de brincadeira. — Você acha que eu deveria ter um bebê?
— Vai mudar a sua vida — eu digo, cuidadosamente, mantendo meu tom neutro.
— Eu sei — ela diz. — Nada de dormir até tarde n os finais de semana, nada de férias espontâneas…
Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha
tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela
nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que
as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe
deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre
vulnerável.
Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um
jornal sem se perguntar: “E se tivesse sido o MEU filho?”; que cada
acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar; que quando ela vir
fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia
ser pior do que ver seu filho morrer.
Olho para suas unhas com a
manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão
sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da
ursa que protege seu filhote; que um grito urgente de “Mãe!” fará com
que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um
instante.
Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos
anos investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos
profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um
belo dia entrará numa importante reunião de negócios e pensará no
cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua
disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza
de que o seu bebê está bem.
Eu quero que a minha filha saiba
que decisões do dia a dia não mais serão rotina; que a decisão de um
menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino, ao invés do feminino, no
McDonald's, se tornará um enorme dilema; que ali mesmo, em meio às
bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e
gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de
crianças possa estar observando no banheiro.
Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, se questionará constantemente como mãe.
Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso
da gravidez ela perderá eventualmente, mas que jamais se sentirá a mesma
sobre si mesma; que a vida dela, hoje tão importante, será de menor
valor quando ela tiver um filho; que ela a daria num segundo para salvar
sua cria — mas que também começará a desejar mais anos de vida, não
para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem
os deles.
Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias, se tornarão medalhas de honra.
O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da
forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode
amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que
nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que
ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia
nada românticas.
Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a
conexão que ela sentirá com as mulheres que, através da história,
tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas
bêbados.
Eu espero que ela possa entender por que eu posso
pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que me torno
temporariamente insana quando discuto a ameaça da guerra nuclear para o
futuro dos meus filhos.
Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta.
Quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o
pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Quero que ela prove
a alegria que, de tão real, chega a doer.
O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.
— Você jamais se arrependerá — digo finalmente. Então estico minha mão
sobre a mesa, aperto-lhe a mão e faço uma prece silenciosa por ela e por
mim e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu
caminho esse que é o mais maravilhoso dos chamados; esse presente
abençoado de Deus, que é ser mãe."
Acordamos hoje sobre o impacto de uma tragédia: a morte de cerca de 240 jovens no incêndio da boate Kiss em Santa Maria/RS.
A cobertura da imprensa, sobretudo aqui no sul, é intenso e já se falou muito sobre as prováveis causas, falhas e culpas. Fora as especulações e todo o sensacionalismo em cima da tragédia que as famílias desses jovens enfrenta, já se pode tirar algumas conclusões.
A principal conclusão, é de que atos geram consequências. Omissões também. Toda essa dor e sofrimento são resultado de uma série de atos e omissões cujas consequências não foram calculadas ou deliberadamente negligenciadas.
A culpa é de quem permitiu o funcionamento da boate com alvará vencido, de quem não fiscalizou e não cobrou as normas de segurança, do dono da boate que não se preocupou com a segurança das pessoas que frequentavam seu estabelecimento por não ter saídas de emergência, pela única saída ser um brete estreito, por não manter os extintores de incêndio funcionando, dos seguranças que demoraram a perceber o que estava havendo e até barraram a saída de alguns, da falta de um alarme que pudesse ter feito todos (inclusive os seguranças) perceberem logo que se tratava de um incêndio e não uma briga…
Enfim, muita gente tem culpa nessa história. A culpa é de todos nós. É nossa culpa, por não medirmos as consequências de não cobrarmos das autoridades a devida fiscalização; é nossa culpa não medirmos as consequências de frequentarmos lugares sem nos preocuparmos com a segurança e não ensinarmos nossos filhos a fazê-lo. É nossa culpa nos acostumarmos a viver as emoções do momento mas não nos prepararmos para situações de emergência, porque o que matou a maioria daquelas pessoas não foi o fogo, mas o pânico.
Fogo, fumaça, desorientação, superlotação… um amontoado de erros, falhas e omissões que geraram como consequência uma situação de intenso pânico e a consequência do pânico foi a morte.
A consequência agora é luto, consternação. Mas também deve ser de cobranças, punições e medidas preventivas para se evitar novas tragédias.
Encerro este texto com o pesar pelos familiares e amigos das vítimas. Muitos cachoeirenses estudam na UFSM (organizadora da festa) e se não estão entre as vítimas, certamente são amigos de muitas. Neste momento de luto e pesar, nos resta rezar para que essas famílias encontrem algum conforto.
Sempre gostei de observar as pessoas, era um hobbie comum nos meus tempos de menina, quando minhas horas de ócio eram mais livres e silenciosas.
Com o tempo, as responsabilidades do mundo adulto, o tempo ocioso ficou mais escasso mas com absoluta certeza meus momentos ociosos não são mais silenciosos.
Acabei retomando o velho hábito com as minhas viagens, já que passo muito tempo sozinha e esperando.
Essa observação é muito interessante. Às vezes, as pessoas se aproximam. Estão ali, na mesma situação, esperando, sozinhas, cansadas. Puxam conversa, se abrem. É impressionante como nessas situações as pessoas contam suas vidas, seus problemas, suas dores sem muito constrangimento para outra pessoa completamente estranha.
Apesar de ficar geralmente sozinha, eu evito ao máximo essas aproximações. Antes eu gostava de ter alguém pra conversar e ajudar a passar o tempo, mas depois fui ficando mais egoísta e evitando, porque em ambiente hospitalar ninguém tem boas histórias pra contar.
Acabava absorvendo toda a carga emocional das histórias alheias, aumentando meu stress psicológico e meu cansaço mental. Eu pouco ou nada ajudava quem falava e só me prejudicava.
Hoje eu evito ao máximo falar com quem quer que seja nas minhas viagens, procuro o silêncio. Me sento nos bancos da rua, embaixo das árvores, lugar agradável (se você esquecer que está num hospital),próprio pra contemplação.
E então observo. É difícil conhecer as pessoas até mesmo quando convivemos com elas, por isso não tenho a pretensão de decifrar ninguém. Só me divirto e exercito minha imaginação e humanidade tentando ir além das aparências.
Vejo a maneira das pessoas vestirem-se, a maneira como andam ou falam, a cor da pele, do cabelo, a idade presumida, a maneira como interagem entre si e fico imaginando as histórias que carregam. Quanto mais eu faço isso, mais tolerante com os “defeitos” alheios eu fico. É um exercício muito fascinante.
Cada vez que observo uma pessoa, procuro olhar para ela como se tivesse olhando pra mim mesma num espelho. Como eu seria se eu fosse daquela maneira, tivesse aquela aparência, aquela idade? De que maneira eu reagiria a isso ou aquilo? Que preconceitos eu sofreria? Que vantagens eu teria? Que pensamentos ou atitudes diferentes eu teria se eu fosse aquela pessoa?
Parece maluquice. Acho que até é. Você já tentou fazer isso?