Domingo, frio, almoço na mesa. Resolvemos abrir um vinho. Aline olha a garrafa na mesa e diz: “mamãe, isso é sangue de Jesus”.
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Segunda feira. Decidi comprar cobertas novas pras meninas. As que tinham em casa além de gastas, estavam poucas para os dias de muito frio. Comunico as meninas disso. Depois de dizerem como queriam, que cores queriam e todos os tipos de detalhes possíveis (ó o espírito consumista despertando) Aline me faz o pedido derradeiro: “mamãe, me compra uma cauda de peixe (sereia) pra mim nadar.” Tá, vou tentar...
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Edredons novos nas camas. Entre os vários desenhos, algumas notas musicais. Segundos depois da 1ª olhada, Letícia me chamou, mostrou uma das notas e cantou pra mim: “Ai lolé, ai lolé” (traduzindo: Ai olé, ai olé foi na loja do mestre André…) Galinha pintadinha ensinando algumas coisas…
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Dia difícil. Passei o dia batendo perna na rua, mil coisas pra fazer. Mal cheguei em casa e já tive que sair de novo para uma reunião. Cheguei tarde em casa e as crianças ainda ferviam. Depois dos banhos, e já arrumadas na caminha, fui buscar as mamadeiras e dar boa noite. Enquanto espero a Aline terminar (ela é sempre a última), Camila pega minha mão e lasca: “Como você é linda mamãe. Te amo mamãe.” Valeu o dia.
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Meninas trouxeram da escola o “primeiro dever de casa”. Mamãe deveria ler uma historinha de um livro enviado pela professora, desenhar a história e se preparar para conta-la aos coleguinhas no dia seguinte. Detalhe: uma história diferente pra cada uma.
Contei as histórias separadamente e repetidas vezes. Depois, dei folhas em branco e os estojos para elas e… mão à obra! Elas compreenderam bem as histórias, cada uma contou a sua bem direitinho (no outro dia também para a professora e os colegas), mas não houve Cristo que as fizesse entender que só deveriam desenhar os elementos da sua história. Cada uma desenhou algo da história da outra junto. Mandei assim mesmo.
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Marido sempre busca as crianças na escola. Para evitar atrasos e que elas fiquem sozinhas esperando, quando necessário vou e busco primeiro a Letícia que sai mais cedo, depois vou junto com ela à escola das gêmeas. Aí esperamos pelo papai, ou vamos indo devagarinho e ele nos encontra no caminho. Dia desses ele me avisou que não poderia ir mesmo. Subi então a pé.
O trajeto não é tão longo e as gêmeas encaram bem. O problema é que tem um trecho de subida íngreme e a preguicenta da Letícia adora um colo. Devido ao meu problema de saúde, não posso dar colo pra elas na rua. Não tenho força e se eu forçar a barra, posso perder o equilíbrio ou ter uma crise intensa de fadiga que nem eu mesma consiga sair do lugar.
Fomos indo a pé numa boa. No comecinho da subida a pequena pede colo. Vou enrolando ela um pouco e apresso o passo. Ela começa a chorar. Como explicar não resolve, sigo em frente com ela aos berros e vou driblando ela. Quando entramos na nossa rua, ela simplesmente se senta na calçada. “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Não teve conversa, não teve ameaça, não teve choro de mãe que a demovesse do firme propósito de só seguir adiante no colo.
À essa altura, eu já nem podia comigo depois de subir a lomba driblando ela e carregando 3 mochilas nas costas. Nem que eu quisesse muito. Numa última cartada, resolvo “abandonar” ela sentada na calçada e seguir adiante. Estava certa de que então ela levantaria e viria atrás de mim. Falei que ia embora, dei tchau e me virei. As outras duas quase me mataram. Uma chorava desesperada e me agarrava pelo braço dizendo que eu não podia deixar a coitadinha ali sozinha. A outra se botou de tapa em mim numa cena de total desespero impedindo que eu desse sequer um passo. A solução foi ligar pra Yasmin e esperar ela chegar da escola pra dar colo pra medonha. A birra do século, e tripla! Posso com isso?
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Pra encerrar, umas fotinhos da visita do mano e o “amontoamento” delas em torno da “cunhada”. Gisele tem uma paciência de Jó, Deus conserve.















