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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pérolas e algumas historinhas

Domingo, frio, almoço na mesa. Resolvemos abrir um vinho. Aline olha a garrafa na mesa e diz: “mamãe, isso é sangue de Jesus”.

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Segunda feira. Decidi comprar cobertas novas pras meninas. As que tinham em casa além de gastas, estavam poucas para os dias de muito frio. Comunico as meninas disso. Depois de dizerem como queriam, que cores queriam e todos os tipos de detalhes possíveis (ó o espírito consumista despertando) Aline me faz o pedido derradeiro: “mamãe, me compra uma cauda de peixe (sereia) pra mim nadar.” Tá, vou tentar...

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Edredons novos nas camas. Entre os vários desenhos, algumas notas musicais. Segundos depois da 1ª olhada, Letícia me chamou, mostrou  uma das notas e cantou pra mim: “Ai lolé, ai lolé” (traduzindo: Ai olé, ai olé foi na loja do mestre André…) Galinha pintadinha ensinando algumas coisas…

Isso não tem uma cara de sapeca?

 

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Dia difícil. Passei o dia batendo perna na rua, mil coisas pra fazer. Mal cheguei em casa e já tive que sair de novo para uma reunião. Cheguei tarde em casa e as crianças ainda ferviam. Depois dos banhos, e já arrumadas na caminha, fui buscar as mamadeiras e dar boa noite. Enquanto espero a Aline terminar (ela é sempre a última), Camila pega minha mão e lasca: “Como você é linda mamãe. Te amo mamãe.” Valeu o dia.

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Meninas trouxeram da escola o “primeiro dever de casa”. Mamãe deveria ler uma historinha de um livro enviado pela professora, desenhar a história e se preparar para conta-la aos coleguinhas no dia seguinte. Detalhe: uma história diferente pra cada uma.

Contei as histórias separadamente e repetidas vezes. Depois, dei folhas em branco e os estojos para elas e… mão à obra! Elas compreenderam bem as histórias, cada uma contou a sua bem direitinho (no outro dia também para a professora e os colegas), mas não houve Cristo que as fizesse entender que só deveriam desenhar os elementos da sua história. Cada uma desenhou algo da história da outra junto. Mandei assim mesmo.

Trio fazendo dever de casa.

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Marido sempre busca as crianças na escola. Para evitar atrasos e que elas fiquem sozinhas esperando, quando necessário vou e busco primeiro a Letícia que sai mais cedo, depois vou junto com ela à escola das gêmeas. Aí esperamos pelo papai, ou vamos indo devagarinho e ele nos encontra no caminho. Dia desses ele me avisou que não poderia ir mesmo. Subi então a pé.

O trajeto não é tão longo e as gêmeas encaram bem. O problema é que tem um trecho de subida íngreme e a preguicenta da Letícia adora um colo. Devido ao meu problema de saúde, não posso dar colo pra elas na rua. Não tenho força e se eu forçar a barra, posso perder o equilíbrio ou ter uma crise intensa de fadiga que nem eu mesma consiga sair do lugar.

Fomos indo a pé numa boa. No comecinho da subida a pequena pede colo. Vou enrolando ela um pouco e apresso o passo. Ela começa a chorar. Como explicar não resolve, sigo em frente com ela aos berros e vou driblando ela. Quando entramos na nossa rua, ela simplesmente se senta na calçada. “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Não teve conversa, não teve ameaça, não teve choro de mãe que a demovesse do firme propósito de só seguir adiante no colo.

À essa altura, eu já nem podia comigo depois de subir a lomba driblando ela e carregando 3 mochilas nas costas. Nem que eu quisesse muito. Numa última cartada, resolvo “abandonar” ela sentada na calçada e seguir adiante. Estava certa de que então ela levantaria e viria atrás de mim. Falei que ia embora, dei tchau e me virei. As outras duas quase me mataram. Uma chorava desesperada e me agarrava pelo braço dizendo que eu não podia deixar a coitadinha ali sozinha. A outra se botou de tapa em mim numa cena de total desespero impedindo que eu desse sequer um passo. A solução foi ligar pra Yasmin e esperar ela chegar da escola pra dar colo pra medonha. A birra do século, e tripla! Posso com isso?

***

Pra encerrar, umas fotinhos da visita do mano e o “amontoamento” delas em torno da “cunhada”. Gisele tem uma paciência de Jó, Deus conserve.

 

EntertimentoEstão tão juntas em torno da Gisele que mal saíram na foto.



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Entre a paixão e o amor


Deixei passar em branco o dia dos namorados. Não tá fácil escrever, falta tempo, inspiração e até vontade. #prontofalei
Mas ontem, assistindo um trecho do programa Bem Estar com participação do médico ginecologista José Bento,   e do educador e filósofo Mário Sérgio Cortella de quem sou fã, ouvi algumas considerações que me fizeram pensar. (Quem quiser assistir, o link é esse: Globo - Bem Estar 12/06/12)
À luz da medicina e da filosofia, a paixão é um estado passageiro. Assemelha-se a qualquer droga, causa êxtase, mexe com nosso organismo, vicia. Não fosse passageira, não suportaríamos essa montanha russa de emoções.
Ou seja, não há nada que se possa fazer, a paixão tem prazo de validade. Findo este prazo ela acaba. A não ser que a transformemos em amor.
Isso não significa que quem ama não possa viver momentos de paixão, nem que não possa se apaixonar novamente pela mesma pessoa. Mas se isso não acontecer, também não significa uma vida sem graça.
Assim como existem viciados em adrenalina e viciados em drogas, também existem os viciados em paixão. Estas pessoas vivem intensamente o tempo do encantamento, mas não conseguem manter seus relacionamentos quando a paixão se extingue. Precisam dessa sensação permanentemente.
Mas aqueles que conseguem transformar a paixão em amor, se organizar em seus sentimentos, conseguem também ter relacionamentos mais longos e estáveis. A segurança é um bônus.
Como disse o professor, a paixão é o cérebro preenchido pelo coração, enquanto que o amor é o coração com o cérebro dentro.
O amor é a evolução da paixão. A paixão é um estado primitivo, o encantamento de dois seres visando a reprodução. Já somos mais do que isso, amar é a prova da nossa evolução.
Cada um sabe de si não sou eu quem vai dizer o que é melhor pra ninguém. Mas vou dizer o que é melhor pra mim. Já estive apaixonada, diversas vezes até. É muito bom, mas a gente também sofre muito. Em determinado momento, cansei desse sobe e desce de emoções. Foi então que descobri o amor.
De lá pra cá tenho sido feliz. Minha vida não é nem de longe uma estrada sem curvas, aclives e declives, e a paisagem também muda a todo instante. Mas ainda assim, é uma bela trajetória, um caminho gostoso de se percorrer.
Apesar de ter deixado passar o dia dos namorados e também o dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, resolvi falar em paixão e amor, e digo que entre um e outro, eu fico com o amor. Fico com o meu amor.



P.S.: Este post faz parte da blogagem coletiva para o Dia dos Namorados, promovido pela Mulher e Mãe

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O banco


Todo mundo já se sentou em um banco de praça, ou em algum outro banco de rua.
Mas pra que serve um banco? Pra descansar de uma longa caminhada. Para uma pausa no dia e apreciar a paisagem. Para aproveitar o solzinho da manhã ou a quietude da tarde. Para ler um livro. Para cuidar da criança que brinca no parque. Para esperar o cãozinho dar seu passeio. Para flertar, namorar, beijar. Para esperar, ansiar, temer.
Já vimos e passamos por tantos! Certamente nos sentamos em muitos. Tanto que nunca pensamos nisso, tão corriqueiro que é.
Mas e quantas pessoas já passaram por um determinado banco? Aquele da praça já viu muita gente. Aquele da avenida principal também. Mas e aquele perdido numa ruazinha de bairro? E aquele do canteiro da avenida cinco?
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Aquele banco específico, viu tantos que já perdeu a conta. Gerações passaram por ele. Amizades começaram ali. Romances também. Alguns também tiveram fim naquele banco. Local de risos, de lágrimas, de brigas, de amores, de estudo, de cumplicidade, de segredos, de conflitos, de disputas, de ambiguidades, de discórdias, de vida. Muita vida em redor daquele banco.
Mas porque esse post inteiro falando de um banco? Porque o banco é o símbolo de um grupo de amigos que se conheceram e se reuniram durante anos em torno dele. Assim como é simbólico que o banco não estivesse mais lá quando depois de anos sem se verem, esses amigos se reencontraram.
Porque a vida seguiu seu curso, nós crescemos, seguimos nossas vidas, cada um foi pra um lado. Fora o nosso passado em torno desse banco, pouca coisa temos em comum hoje em dia. Mas a amizade permanece. E se a amizade permanece, não é a falta de um banco que irá nos distanciar novamente.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Diferentes, mas com alguma coisa em comum.

 

cores

 

Temos um pequeno grupo de casais com uma missão especial este ano. Cada um tem uma função específica, mas todos temos o mesmo objetivo.

Não escolhemos trabalhar juntos, nem a função que exerceríamos. Fomos escolhidos. Não tanto por méritos e conhecimento, mas porque precisávamos estar juntos. Este grupo, estas pessoas, precisavam se encontrar e estarem perto umas das outras.

No início, embora todos se conhecessem ao menos de vista ou de nome, éramos desconhecidos. Cada casal com suas particularidades, composto de indivíduos peculiares. Todos tão diferentes!

Uma apreensão, um nervosismo. Será que vai dar certo? Será que conseguiremos nos entender? Será que vamos gostar de estar junto dessas pessoas?

Passado quase metade do ano e com uma grande parte do nosso trabalho concluído ou bem encaminhado posso dizer que estamos indo bem.

Ainda falta muito, mas até aqui estamos tendo êxito. Nossas diferenças tem servido para nos aproximar e agora olho em volta e nos vejo todos tão parecidos!

É que apesar de todas as nossas diferenças, temos duas coisas importantes em comum: o objetivo e o guia. Estamos nos deixando guiar pelo Espírito Santo e a oração é nosso elo de ligação.

Temos nossas dificuldades, nossas limitações, nossos desejos de perfeição, nossas cobranças. Mas em cada nova dificuldade, surgida de nossas diferenças, unimo-nos naquilo que nos iguala: a fé!

E aos poucos vamos compreendendo os mistérios que existem por trás da formação desse grupo. O porque estarmos juntos, o porque termos nos encontrado, o porque cada um ser como é se encaixando naquilo que todos necessitam.

E assim vamos seguindo. Que Deus nos ajude, o Espírito Santo nos ilumine e que tudo continue dando certo…



quarta-feira, 30 de maio de 2012

O filtro do amor - #BC Ser gentil vale a pena


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Blogagem Coletiva
Selinho by Sílvia Azevedo


Este mês, meu post sobre gentileza vai ser um pouco diferente.


Quero falar na gentileza despertada pelo amor, pela amizade, pelo bem querer.


No último fim de semana, durante o meu reencontro com a turma do bairro, pude perceber isso bem claramente: o filtro do amor faz maravilhas!


Encontramo-nos cerca de 25 anos depois, todos na casa dos 40 anos e lá vai se virando. Tanto homens quanto mulheres naturalmente envelhecidos, uns bem mais que outros. Alguns quilos a mais ou a menos fazem diferença na aparência. Cabelos de menos também. A mulherada disfarça com maquiagem, mas mesmo as mais bonitas já disfarçam algumas rugas.


Pensa que alguém realmente notou isso? Isso só dificultou um pouco o "reconhecimento" de alguns, mas tão logo isso acontecia, víamos novamente aquele rosto infanto-juvenil do qual lembrávamos bem.


Achei todo mundo lindo. De verdade. Em alguns, o sorriso é tão lindamente igual ao de antigamente, o jeito de falar idem, que simplesmente não consegui ver ali um adulto(a).


Sei que essa sensação foi comum à muitos ali. Como sempre digo que a beleza está nos olhos de quem vê, a gentileza no olhar transforma as relações.


Olhar com amor, com amizade, com bem querer faz tudo ficar mais bonito. A saudade também pinta quadros mais coloridos, e foi essa que fez com que antigas picuinhas, mágoas ou mal entendidos, fossem completamente ignorados. Todo mundo só queria confraternizar.

Isto me faz concluir que colocando o filtro do amor no olhar, olhando para as pessoas e situações com gentileza, tudo fica melhor e mais bonito.


Até no olhar, ser gentil vale a pena!



Esta postagem é parte da Blogagem Coletiva proposta pela Rogéria Thompson, do blog "Um espaço pra chamar de meu", uma das pessoas mais gentis com quem tenho a honra de me relacionar nas redes sociais e na blogosfera. A idéia é fazer um post sobre esse assunto todos os meses, divulgando atos de gentileza, sejam da nossa parte ou de alguém que presenciamos.


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Um domingo de emoções


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Neste domingo vivi grandes emoções. O reencontro da galera do bairro aconteceu e meio sem querer, mas querendo, eu fui.

Eu tinha outro compromisso pra mesma data, anteriormente marcado, então não queria ir. Tinha medo que marido achasse que o primeiro fosse uma desculpa para ir ao outro e não gostasse, como não tínhamos condições de irmos todos, achei melhor não ir.

Onde tudo começou...
Como mantive contato com o grupo todo o tempo, avisei que iria à Porto Alegre. Minha intenção era ir até o banco, local de encontro da época e aonde iriam se reunir para depois seguir em comboio até o local do encontro.

Quando cheguei a Porto Alegre, fui resgatada na rodoviária e praticamente seqüestrada e levada ao encontro.

O comboio dos perdidos...
Tava muito bom. Só não aproveitei mais porque fiquei muito constrangida de estar ali sem o conhecimento do meu marido e também porque não tinha levado nada (carne, bebida, pratos talheres, cadeira). Acabou que mal comi.

Mas fora esse meu constrangimento, o encontro tava muito bom. Todos ali pareciam ter novamente 15 anos. Algazarra, euforia, emoção. A maioria não se enxergava há pelo menos uns 25 anos.

Eu, que achava que nem se lembrariam de mim, me emocionei com alguns abraços.  Eufóricos, emocionados, apertados e com o meu nome pronunciado com carinho e saudade. Paulo, Joice, Tita, Luth, Valesca, Kiko, Miguel, Carlinhos, Bréia, Kika, Agda, Vivi, Verinha, Marcos...

O dono da casa
O Álvaro, dono do sítio onde houve o “evento” e protagonista de uma das histórias mais impressionantes e marcantes da nossa adolescência continua a mesma figura. Ele está bem diferente do que eu me lembrava, mas a sua risada é inconfundível!

Depois dos abraços emocionados, outros um pouco mais tímidos pela dificuldade de reconhecimento (estamos todos iguais, mas muito diferentes!) e algumas apresentações, foi a vez das lembranças e histórias tomarem conta. Muita risada, muita euforia, muita alegria.

Infelizmente precisei sair cedo e saí meio à francesa. Queria me despedir de todo mundo, mas bastaram alguns abraços pra que a emoção tomasse conta e as lágrimas aparecessem com força. Preferi fazer a mal educada e ir embora sem me despedir de todos. Afinal, planejamos repetir esses encontros e terei oportunidade de me redimir.

Mas o que posso dizer é que foi um domingo histórico. Ver de novo essa gente que brincava comigo na rua em minha infância, ou me acompanhava nas farras adolescentes foi maravilhoso. O local do encontro era lindo e até São Pedro participou, mandando um dia lindo de um sol magnífico.

E acabou que nem apanhei em casa. Marido ficou um pouco chateado, mesmo que não tenha dito. Mas como ele fica feliz em me ver feliz, ficou tudo bem. E no próximo ele estará lá com certeza!

Agradeço à Deus por ter tido essa oportunidade, por esse reencontro, por ver todos bem, pelos abraços, pelos sorrisos, pela alegria. 

Um agradecimento especial ao Paulo, que foi quem me sequestrou. Obrigada amigo, por tua insistência pude desfrutar disso tudo!

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Na segunda parte do dia, o encontro na redenção com os portadores de Esclerose Múltipla também estava muito bacana.

Conheci alguns amigos que só falava pelo facebook, como a blogueira Bruna, e trocamos bastante informação. 

Também demos risada, nos divertimos com alguns maridos ausentes, pensando que veriam na TV a marcha das vadias que acontecia no mesmo local e nos imaginariam lá no meio.






Enfim, um domingo de sol lindo, dois lugarem maravilhosos, sois encontros muito bons. Um domingo de emoções!


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

terça-feira, 22 de maio de 2012

Da alegria à decepção


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Conhecemos o Mauro quando nos mudamos pra cá. Ele tinha 6 ou 7 anos e morava num beco no final da nossa rua. Amontoava-se num pequeno barraco de 2 cômodos com a mãe, o padrasto (um dos muitos que teve) e meia dúzia de irmãos (depois vieram mais meia dúzia) e era o mais velho deles todos.

A vizinhança dizia que ele e as irmãs roubavam, mas embora não duvidássemos, sabiam que eles nos respeitavam, porque dávamos atenção e alguma ajuda sempre que podíamos.

Mas o menino cresceu e os problemas também. A mãe envolveu-se com drogas e ele também. O padrasto, além das drogas e da bebida, era violento. Na última vez que soube dele, tinha sido preso por retalhar o rosto da mulher e quebrar o braço de uma das filhas.

Nessa mesma época, tiraram eles da vila onde moravam, colocaram as crianças no abrigo tirando a guarda delas da mãe e começaram a tentar salvar mãe e filho.

Depois de inúmeras internações, mais algumas crianças nascidas e retiradas da guarda, não os vimos mais. Às vezes surgia alguma notícia, mas nunca era muito certo o que se dizia.

Cerca de um mês atrás, dei de cara com o guri, agora um rapaz de quase 20 anos. Estava em frente a um estabelecimento comercial da cidade, de uniforme, aparência saudável, bem arrumadinho e cheiroso. Estava trabalhando!



Fiquei tão feliz! Exultei de alegria. Me comovi com a sua vitória, gritei aos quatro cantos sobre o seu êxito. Abracei, beijei, parabenizei e novamente aconselhei.

Depois disso, apareceu aqui em casa algumas vezes, sempre pedindo alguma coisa, mas sempre com uma história convincente.

Ontem à noite, eu voltava do mercado quando o encontrei. Estava vindo aqui em casa e precisava de 7 reais para juntar ao dinheiro que já tinha e pagar o aluguel da mãe. Disse-lhe que tinha gasto o dinheiro que tinha no mercado, mas que esperasse pelo meu marido.

Veio comigo até em casa. Ofereci um sanduiche e um copo de suco e me sentei ao lado dele na frente de casa e conversamos enquanto ele comia.

Me contou sobre o que aprendera na fazenda onde estivera internado. Falou que sabia que não deveria mais cair em tentação com a droga, pois agora perderia muito mais do que já havia ganhado. Falou sobre como as pessoas que antes o tratavam com desprezo, agora o tratavam com educação e até lhe davam gorjetas no emprego. Convidou para que fossemos a pizzaria em que ele estava trabalhando e disse que ele mesmo nos atenderia. Ofereceu-se para cortar a grama. Enfim, só coisas boas. Novamente fiquei feliz.

Depois, tinha um compromisso. Liguei pro marido perguntando se ele ainda demorava. Disse pro Mauro que tinha que sair, mas que ele ficasse ali esperando o Carlos chegar.

Fui para o meu compromisso e logo depois o Carlos chegou lá. Não tinha passado em casa antes, contrariando o seu costume. Disse-lhe então que o menino o aguardava em casa, mas aí ele já estava lá.

Quando voltamos pra casa, minha filha nos informou que ele tinha ficado muito tempo ali esperando. Bateu novamente na porta e pediu comida e a Yasmin aqueceu o que tinha e deu para ele que comeu e ainda aguardou mais algum tempo e depois foi embora.

De repente meu marido olha para as coisas dele e pergunta de algo que estava numa mesa perto da porta. Havia sumido. O objeto em questão, nem nosso era. Pânico e consternação.



Depois de conversarmos (marido ficou histérico!) e relembrarmos cada passo, não restava dúvida de que o sumiço havia se dado durante o tempo de permanência do guri por aqui. Quando deu a comida pra ele, minha filha abriu a porta e permaneceu cm ela abeta, mas sentada diante do computador, vesga e alheia como qualquer adolescente diante da telinha.

Eu me recusava a acreditar que pudesse ter sido ele, mas não havia como não ter sido, pois se ele ficou todo tempo na frente de casa, teria visto e sido conivente com qualquer outra pessoa que tivesse estado ali.

Fomos até a pizzaria. Ele não trabalhava mais lá já fazia 15 dias. Só me contou mentiras e bravatas.
Em apenas algumas horas, passei da alegria total para a mais profunda decepção.

O que fica disso tudo? Sou uma ingênua boboca que já passou dos 40 e ainda acredita em coelhinho da páscoa.

Mas olha, vou continuar acreditando. SEMPRE acho que as pessoas podem mudar, que todo mundo merece uma segunda chance diversas vezes e que todos tem um lado bom.

Só agora vou ficar de olho na porta. 

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A máquina do tempo


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Quem me acompanha sabe que sou dada à viagens no tempo. Pois essa semana eu descobri a máquina do tempo, que me permitiu viajar longe, visitar lugares, histórias e pessoas há muito perdidas no passado.

O Facebook, maravilha do mundo moderno, é essa máquina. Alguns dinossauros da minha vida criaram um grupo dos moradores do bairro da minha infância e adolescência. Noooooooooossa! O grupo bombou! Todo mundo tirou as teias de aranhas das gavetas e postou fotos do fundo do baú, relembraram histórias das mais variadas espécies. Fizemos uma viagem coletiva no tempo.

O sentimento no grupo era o mesmo: saudosismo puro! Teve a turma da pré-escola, os vizinhos de prédio, os primeiros amores da infância, as amiguinhas de pular corda e as confidentes de segredos, as brincadeiras infantis e as mazelas adolescentes.

Minha juventude acabou cedo. Fui mãe aos 17 anos e antes disso já trabalhava fora. Não tive mais tempo pra tanta bagunça. Mas vivi intensamente essa fase. VIVI. Fazia o que tinha vontade e o que minha mãe permitia (ou o que eu conseguia esconder) e me diverti muito.

Também sofri muito, pois adolescência é a fase dos conflitos e também tive muitos. Mas esses conflitos moldaram a pessoa que sou hoje.

Esta foto é do dia dos meus 15 anos. A qualidade é péssima, mas foi suficiente para trazer à tona muitas recordações. Eu sou a moleca em pé sobre a pedra e ao lado, o fomoso banco da Av. Cinco.

Fiquei absolutamente fascinada pelos reencontros virtuais, pelas fotos antigas, por lembrar de coisas que estavam apagadas, quase esquecidas, mas que ainda são importantes na minha história.

Disso tudo, restou um desejo. Não de voltar ao passado, nem o de retomar velhas histórias pois sou vivida o suficiente para saber que isso não funcionaria e além disso, estou muito bem onde estou e como estou. Mas o desejo de resgatar a energia daquela menina que eu fui. Reascender nela os sonhos, a pureza e a alegria.

Mais uma vez, reforço a minha teoria: só sente saudade quem foi feliz e ter lembranças boas é o que nos recarrega as baterias em tempos difíceis. 

Não podemos voltar ao passado. Mas lembrar dele é muito bom. Nos faz dar valor ao que conquistamos e nos faz repensar sobre aquilo que deixamos de conquistar. 

E você, já experimentou viajar na máquina do tempo? Dê um mergulho, atire-se à fundo nas suas memórias. É uma viagem de auto conhecimento e reflexão. Recomendo. 

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

sábado, 12 de maio de 2012

Sentimentos fora do script


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Esta semana como era de se esperar, houve homenagens às mães nas escolas das crianças. Na quinta-feira foi na da Aline e Camila. Muito bonitinho tudo. Chorei (só pra variar), minhas filhas eram as mais lindas de toda a escola (vai dizer que não?) e ganhei presentes confeccionados por elas. Lindos. 

Na sexta foi a vez da Letícia. Como as crianças são todas ainda muito pequenas, quem cantou para as mães foram as professoras e as crianças só acompanharam. Lindo demais! Também ganhei presente lindo feito pela minha caçula.

Até aí, tudo bem. Mas a pequena quando me viu, não quis mais ficar com os outros e fez um chororô pra vir para o meu colo. Quando começaram as homenagens e eu comecei a me emocionar, me abracei nela e foi neste momento que os sentimentos saíram do script.

Senti-me mal, culpada, triste, a própria mãe de merda. Constrangida de estar ali representando o papel da mãe amorosa me lembrando de todas as vezes que perdi a paciência com minhas filhas.

Veio-me à mente todas as vezes que permiti que o meu descontrole emocional fosse maior que a necessidade de minhas crianças de ganhar um pouquinho de atenção.

Muitos poderão me dizer: mas são três crianças, elas agitam, fazem barulho, teimam. É normal perder a paciência às vezes. Tudo bem, mas isso deveria ser uma exceção e não a regra.

Quantas vezes minha intolerância ao barulho que me desorienta e irrita, teve mais importância que aqueles olhinhos curiosos que me perguntavam algo, só porque ao mesmo tempo outro par de olhos escorriam lágrimas porque brigou com a irmã que por sua vez grita descontrolada porque a outra pegou o seu brinquedo.

Quantas vezes minha TPM gritou tão alto que nem fui capaz de ouvir que aquela algazarra toda que elas faziam era de alegria e contentamento e gritei ainda mais alto para que ficassem quietas?

Quantas vezes minha fadiga da EM ou o meu cansaço corriqueiro me impediram de brincar com elas, de contar-lhes uma história, de ouvir o que elas tinham pra me contar?

Quantas vezes deixei minha paciência acabar? Quantas vezes eu me irritei? Quantas vezes não as ouvi? Quantas vezes não as olhei com ternura? Quantas vezes deixei-as chorar? Quantas vezes as fiz esperar pelo meu carinho? Quantas vezes eu as apressei? Quantas vezes eu falhei, errei, me omiti?


Ao mesmo tempo em que pensava nas minhas falhas como mãe, pensava na minha própria mãe e das acusações que já fiz a ela. Das injustiças que cometi, das cobranças que fiz. Das vezes que fiz questão de ferir seus sentimentos, de provocar nela culpa e sofrimento.

Penso nas falhas da minha mãe, mas sei que cometi muitas delas (e outras piores) com o Allyson, meu primogênito e cobaia de uma mãe em fase de testes. Vejo que tenho os mesmos conflitos de gerações com minha filha Yasmin e que ouço dela as mesmas barbaridades que já disse um dia à minha mãe.

Lembrei-me então do quanto amo minha mãe, mesmo achando que ela cometeu alguns erros, que podia ter feito algumas coisas diferentes. Independentemente de qualquer coisa que tenha dado errado na nossa relação, meu amor por ela não diminui. Nossa ligação, nosso vínculo, nossa amizade e companheirismo existem apesar de qualquer desavença.

Temos nossas diferenças e as teremos sempre, da mesma forma que as tenho com a Yasmin. Por mais que sigamos uma mesma linha de pensamento, temos opiniões e posições conflitantes. Mas isso não impede que a gente se ame.

Da mesma forma, SEI que meus filhos me amam. Sinto isso no olhar do meu filho e no calor do seu abraço quando a gente se encontra. Sinto na alegria espontânea da minha filha quando brinca comigo, e me abraça mesmo a gente tendo brigado feio 20 minutos antes. Sinto no olhar de admiração das gêmeas e na voz delas chamando mamãe. Sinto no sorriso da Letícia e nos seus bracinhos ao redor do meu pescoço quando lhe dou um beijo de boa noite.

Mas penso que poderia ser melhor. Eu poderia deixar nelas só lembranças e sensações boas. Elas não precisam também ter mágoas ou frustrações, carências ou angústias deixadas por uma mãe sem paciência, sem calma, sem energia, sem disposição.

Eu bem que poderia me lembrar dessas coisas ANTES de perder a paciência e o controle, porque mesmo depois de sentir tudo isso lá na festinha, voltei a perder a paciência e o controle com elas horas depois.

Agora, na véspera do dia das mães, peço à minha mãe, ao meu filho e minhas filhas que me perdoem e a Deus que me dê mais paciência, tolerância e energia para tratar com meus filhos e também com minha mãe. Mas sei que esse presente, eu é que tenho que me dar. É um aprendizado que terei que fazer.

Refletindo sobre tudo isso, desejo um Feliz dia das mães para todas as mães. Que todas nós sejamos capazes de aprender com nossos erros e mudar aquilo que podemos, sem nos deixar corroer pela culpa daquilo que já passou e não pode mais ser modificado.

Um beijo especial à minha mãe, que amo muito e queria estar pertinho.


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira

terça-feira, 8 de maio de 2012

Blog Esclerose Múltipla e Eu


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O Eu aí do título não sou eu, é a Bruna Rocha Silveira, essa moça bonita aí da foto, uma esclerosética como eu e que escreve esse blog bacana que tem de tudo um pouco, mas muito da história dela com a Esclerose Múltipla. O blog dela é referência para nós portadores, é ali que vemos o quanto a vida pode e deve ser normal e divertida, apesar da EM.

Sou uma grande fã do blog da Bruna e por consequência sou fã da Bruna. Ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas isso está prestes a mudar.

Fiquei muito feliz em honrada quando ela me convidou a escrever um post para o blog dela. Aproveitando a semana das mães, ela que ainda não é mãe, teve a gentil ideia de convidar outras mamães com esclerose múltipla pra falar sobre como é ser mãe sendo também uma "esclerosada".

É com muita alegria e uma pontinha de orgulho que convido vocês à visitarem este blog e dar ibope pro meu texto por lá!

Bora lá? Esclerose Múltipla e Eu - Mamães Esclerosadas


Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
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