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Esta
semana como era de se esperar, houve homenagens às mães nas escolas das
crianças. Na
quinta-feira foi na da Aline e Camila. Muito bonitinho tudo. Chorei (só pra
variar), minhas filhas eram as mais lindas de toda a escola (vai dizer que
não?) e ganhei presentes confeccionados por elas. Lindos.
Na
sexta foi a vez da Letícia. Como as crianças são todas ainda muito pequenas,
quem cantou para as mães foram as professoras e as crianças só acompanharam. Lindo
demais! Também ganhei presente lindo feito pela minha caçula.
Até
aí, tudo bem. Mas a pequena quando me viu, não quis mais ficar com os outros e
fez um chororô pra vir para o meu colo. Quando começaram as homenagens e eu
comecei a me emocionar, me abracei nela e foi neste momento que os sentimentos saíram do script.
Senti-me
mal, culpada, triste, a própria mãe de merda. Constrangida de estar ali
representando o papel da mãe amorosa me lembrando de todas as vezes que perdi a
paciência com minhas filhas.
Veio-me
à mente todas as vezes que permiti que o meu descontrole emocional fosse maior
que a necessidade de minhas crianças de ganhar um pouquinho de atenção.
Muitos
poderão me dizer: mas são três crianças, elas agitam, fazem barulho, teimam. É
normal perder a paciência às vezes. Tudo bem, mas isso deveria ser uma exceção
e não a regra.
Quantas
vezes minha intolerância ao barulho que me desorienta e irrita, teve mais
importância que aqueles olhinhos curiosos que me perguntavam algo, só porque ao
mesmo tempo outro par de olhos escorriam lágrimas porque brigou com a irmã que
por sua vez grita descontrolada porque a outra pegou o seu brinquedo.
Quantas
vezes minha TPM gritou tão alto que nem fui capaz de ouvir que aquela algazarra
toda que elas faziam era de alegria e contentamento e gritei ainda mais alto
para que ficassem quietas?
Quantas
vezes minha fadiga da EM ou o meu cansaço corriqueiro me impediram de brincar
com elas, de contar-lhes uma história, de ouvir o que elas tinham pra me contar?
Quantas
vezes deixei minha paciência acabar? Quantas vezes eu me irritei? Quantas vezes
não as ouvi? Quantas vezes não as olhei com ternura? Quantas vezes deixei-as
chorar? Quantas vezes as fiz esperar pelo meu carinho? Quantas vezes eu as
apressei? Quantas vezes eu falhei, errei, me omiti?
Ao
mesmo tempo em que pensava nas minhas falhas como mãe, pensava na minha própria
mãe e das acusações que já fiz a ela. Das injustiças que cometi, das cobranças
que fiz. Das vezes que fiz questão de ferir seus sentimentos, de provocar nela
culpa e sofrimento.
Penso
nas falhas da minha mãe, mas sei que cometi muitas delas (e outras piores) com
o Allyson, meu primogênito e cobaia de uma mãe em fase de testes. Vejo que
tenho os mesmos conflitos de gerações com minha filha Yasmin e que ouço dela as
mesmas barbaridades que já disse um dia à minha mãe.
Lembrei-me
então do quanto amo minha mãe, mesmo achando que ela cometeu alguns erros, que
podia ter feito algumas coisas diferentes. Independentemente de qualquer coisa
que tenha dado errado na nossa relação, meu amor por ela não diminui. Nossa
ligação, nosso vínculo, nossa amizade e companheirismo existem apesar de
qualquer desavença.
Temos
nossas diferenças e as teremos sempre, da mesma forma que as tenho com a
Yasmin. Por mais que sigamos uma mesma linha de pensamento, temos opiniões e
posições conflitantes. Mas isso não impede que a gente se ame.
Da
mesma forma, SEI que meus filhos me amam. Sinto isso no olhar do meu filho e no
calor do seu abraço quando a gente se encontra. Sinto na alegria espontânea da
minha filha quando brinca comigo, e me abraça mesmo a gente tendo brigado feio
20 minutos antes. Sinto no olhar de admiração das gêmeas e na voz delas
chamando mamãe. Sinto no sorriso da Letícia e nos seus bracinhos ao redor do
meu pescoço quando lhe dou um beijo de boa noite.
Mas
penso que poderia ser melhor. Eu poderia deixar nelas só lembranças e sensações
boas. Elas não precisam também ter mágoas ou frustrações, carências ou
angústias deixadas por uma mãe sem paciência, sem calma, sem energia, sem
disposição.
Eu
bem que poderia me lembrar dessas coisas ANTES de perder a paciência e o
controle, porque mesmo depois de sentir tudo isso lá na festinha, voltei a perder a
paciência e o controle com elas horas depois.
Agora,
na véspera do dia das mães, peço à minha mãe, ao meu filho e minhas filhas que
me perdoem e a Deus que me dê mais paciência, tolerância e energia para tratar
com meus filhos e também com minha mãe. Mas sei que esse presente, eu é que
tenho que me dar. É um aprendizado que terei que fazer.
Refletindo sobre tudo isso, desejo um Feliz dia das mães para todas as mães. Que todas nós
sejamos capazes de aprender com nossos erros e mudar aquilo que podemos, sem
nos deixar corroer pela culpa daquilo que já passou e não pode mais ser modificado.
Um
beijo especial à minha mãe, que amo muito e queria estar pertinho.
Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira