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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Em camas separadas



Quase um em cada quatro casais americanos dorme em camas ou quartos separados, segundo pesquisa da Fundação Nacional do Sono, nos Estados Unidos. Nessa mesma linha, a Associação dos Construtores de Casas dos EUA prevê que 60% dos imóveis feitos sob encomenda terão duas suítes master até 2015. Li as informações acima no caderno com uma seleção de textos do New York Times que a Folha de S. Paulo publica todas as segundas-feiras. E fiquei pensando no assunto. Será que dormir na mesma cama não faz mais parte do pacote casamento? Será que estamos ficando individualistas demais?

Tem gente que ronca absurdamente, eu sei (OBRIGADA SENHOR por não ter problemas dessa ordem), pode ser complicado, mas, fora isso, por que não dormir junto? Tem coisa melhor, nesse frio que tem feito em São Paulo, do que dividir o leito com quem se ama? No quentinho? Mesmo sem temperaturas baixas, tem o aconchego, o cheiro, o acordar no meio da noite e ver o parceiro dormindo, aquela sensação de paz e intimidade que, na minha opinião, só une os casais. Literalmente, neste caso.

De acordo com a reportagem, alguns dos motivos alegados por aqueles que preferem camas separadas são priorizar o próprio sono (os companheiros dos roncadores, imagino) e desejar ter seu espaço pura e simplesmente. OK, OK, cada um na sua, vamos respeitar diferentes modos de viver, não quero aqui ditar regras. Mas gostaria de encerrar este post com algumas das conclusões de uma pesquisa citada na mesma reportagem, feita pelo professor de psiquiatria Paulo Rosenblatt, da Universidade de Minnesota, para o livro Two in a Bed: The Social System of Couple Bed Sharing (Dois numa Cama: o sistema social do compartilhamento da cama entre casais).

Segundo Rosenblatt, que desconfio ser um romântico como eu, dormir junto é melhor para a saúde, já que, em casos de emergências médicas durante a noite, tem alguém do lado para socorrer. Outro argumento apontado foi o fato de que o hábito, claro, é melhor para a vida sexual. Ou seja, em quartos separados os casais namoram menos. Assim sendo, senhoras e senhores, vamos tratar de ser mais saudáveis. E dar uma chance à boa convivência entre lençóis, por que não?

Much love,

Isabela – A Divorciada
Texto publicado em 11/08/2010 no blog 3x30 

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Ao contrário da Bela, que escreveu este belo texto, eu tenho um roncador ao meu lado. Também ronco às vezes e posso garantir que dorme melhor quem dorme primeiro, no caso ele. Mas digo que dormir em camas separadas poderia me dar uma qualidade de sono melhor, mas não gostaria disso não. Como já dizia um amigo nosso, "quando marido e mulher dormem afastados, o diabo deita no meio" e acredito nisso. Quando brigamos (discutimos, porque nunca realmente brigamos), deitamos um pouco longe um do outro, mas sempre rola aquele pé que roça no outro e daí para chegarmos mais perto e fazermos as pazes é só uma questão de tempo e do quanto ficamos magoados com a discussão. Se dormíssemos em camas separadas talvez já tivéssemos também em casas separadas, porque casamento é compartilhar, os bons e os maus momentos. 

"Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne De modo que já não são dois, mas uma só carne" (parte de Mt 19, 5-6)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eis a Júlia!

Apresento-lhes a pequena Júlia, linda e gorducha. Nasceu dia 25/11 às 21:36 com 3.525kg e 49cm.

Olha a seriedade!
Se tratando, que não é boba...
Se queixando da vida




Colinho de mãe
Devidamente amassada por mim




domingo, 28 de novembro de 2010

Feche a boca e abra os braços

Recebi este texto por email de uma grande amiga. Achei a história ótima e muito pertinente, resolvi compartilhá-la.


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Uma amiga ligou com notícias perturbadoras: a filha solteira estava grávida.

Relatou a cena terrível ocorrida no momento em que a filha finalmente contou
a ela e ao marido sobre a gravidez.
Houve acusações e recriminações, variações sobre o tema "Como pôde fazer
isso conosco?" Meu coração doeu por todos: pelos pais que se sentiam traídos
e pela filha que se envolveu numa situação complicada como aquela.

Será que eu poderia ajudar, servir de ponte entre as duas partes?
Fiquei tão arrasada com a situação que fiz o que faço com alguma
frequência quando não consigo pensar com clareza: liguei para minha mãe.
Ela me lembrou de algo que sempre a ouvi dizer. Imediatamente, escrevi um
bilhete para minha amiga, compartilhando o conselho de minha mãe: "Quando
uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços."

Tentei seguir o mesmo conselho na criação de meus filhos. Tendo tido cinco
em seis anos, é claro que nem sempre conseguia. Tenho uma boca enorme e uma
paciência minúscula.

Lembro-me de quando Kim, a mais velha, estava com quatro anos e derrubou o
abajur de seu quarto. Depois de me certificar de que não estava machucada,
me lancei numa invectiva sobre aquele abajur ser uma antiguidade, sobre
estar em nossa família há três gerações, sobre ela precisar ter mais cuidado
e como foi que aquilo tinha acontecido e só então percebi o pavor
estampado em seu rosto. Os olhos estavam arregalados, o lábio tremia.

Então me lembrei das palavras de minha mãe. Parei no meio da frase e abri os
braços. Kim correu para eles dizendo: Desculpa... Desculpa... repetia,
entre soluços. Nos sentamos em sua cama, abraçadas, nos embalando. Eu me
sentia péssima por tê-la assustado e por fazê-la crer, até mesmo por um
segundo, que aquele abajur era mais valioso para mim do que ela.

"Eu também sinto muito, Kim" disse quando ela se acalmou o bastante para
conseguir me ouvir. Gente é mais importante do que abajures. Ainda bem que
você não se cortou. Felizmente, ela me perdoou.

O incidente do abajur não deixou marcas perenes. Mas o episódio me ensinou
que é melhor segurar a língua do que tentar voltar atrás após um momento de
fúria, medo, desapontamento ou frustração.

Quando meus filhos eram adolescentes todos os cinco ao mesmo tempo me
deram inúmeros outros motivos para colocar a sabedoria de minha mãe em
prática: problemas com amigos, o desejo de ser popular, não ter par para ir
ao baile da escola, multas de trânsito, experimentos de ciência malsucedidos
e ficar em recuperação.

Confesso, sem pudores, que seguir o conselho de minha mãe não era a primeira
coisa que me passava pela mente quando um professor ou diretor telefonava da
escola. Depois de ir buscar o infrator da vez, a conversa do carro era, por
vezes, ruidosa e unilateral. Entretanto, nas ocasiões em que me lembrava da
técnica de mamãe, eu não precisava voltar atrás no meu mordaz sarcasmo, me
desculpar por suposições errôneas ou suspender castigos muito pouco
razoáveis. É impressionante como a gente acaba sabendo muito mais da
história e da motivação atrás dela, quando está abraçando uma criança, mesmo
uma criança num corpo adulto.

Quando eu segurava a língua, acabava ouvindo meus filhos falarem de seus
medos, de sua raiva, de culpas e arrependimentos. Não ficavam na defensiva
porque eu não os estava acusando de coisa alguma. Podiam admitir que estavam
errados sabendo que eram amados, contudo. Dava para trabalharmos com "o que
você acha que devemos fazer agora", em vez de ficarmos presos a "como foi
que a gente veio parar aqui?"

Meus filhos hoje estão crescidos, a maioria já constituiu a própria família.
Um deles veio me ver há alguns meses e disse "Mãe, cometi uma idiotice..."
Depois de um abraço, nos sentamos à mesa da cozinha. Escutei e me limitei a
assentir com a cabeça durante quase uma hora enquanto aquela criança
maravilhosa passava o seu problema por uma peneira. Quando nos levantamos,
recebi um abraço de urso que quase esmagou os meus pulmões.
Obrigado, mãe. Sabia que você me ajudaria a resolver isto.
É incrível como pareço inteligente quando fecho a boca e abro os braços.





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Histórias para aquecer o coração das mães

Jack Canfield, Mark Victor Hansen e outros

Editora Sextante




sábado, 27 de novembro de 2010

Atualizando as notícias

Júlia nasceu na quinta-feira dia 25/11 por volta das 21:30. Ainda não tenho os detalhes todos, pois ainda não pude conhecê-la nem visitar a sua mamãe, pois nossa viagem ontem foi uma "coisa" e eu tô me sentindo como se um trator tivesse passado por cima de mim e dado à ré depois... 
O horário de visitas no nosso hospital também é bem ruim e deve ter lá umas 300 pessoas querendo vê-las. Detalhe: o hospital só libera um visitante por vez, então decidi só ir visitá-las em casa, mas logo que isso acontecer, posto aqui as fotos e todos os detalhes.
Por enquanto só o que eu sei é que nasceu com pouco mais de 3.500kg e 49cm, é gorducha, cabeluda e braba e que tanto ela como a Magda estão muito bem. Agradeço à todos que mandaram suas boas vibrações e votos de felicidade para esta criança. Qualquer dia escrevo um post contando um pouco da história das duas para que todos possam entender o quanto este nascimento é especial.

Bom final de semana à todos!!!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ansiedade

Esse é o meu nome! Se alguém quiser dar um exemplo de como é uma pessoa ansiosa, mostre uma foto minha.
Não tenho a menor paciência para esperar, principalmente por algo que eu queira muito. 
Agora pela manhã estive visitando minha amiga Magda, prestes à dar à luz a pequena Júlia (lembram? escrevi um post sobre ela, "À espera de Júlia") e pude perceber que ela está muito mais tranquila do que eu. Júlia deve conhecer o mundo hoje à noite, numa cesariana e eu só poderei conhecê-la no sábado pois amanhã estarei numa daquelas confortáveis e estimulantes (oi?) viagens à Porto Alegre, desta vez carregando junto as gêmeas.
Foto da minha barriga na gestação das gêmeas 1 semana antes do parto
Por isso fui lá hoje, dar um abraço apertado na minha amiga/irmã e desejar-lhe tudo de bom que foi possível me lembrar que existe para esse momento. Ela tá linda, baixinha que é com aquele baita panção, a cara inchada. Lembrei de mim no final da gestação das gêmeas e confesso que não senti saudades... 
Mas estou aqui torcendo e vou passar o dia com dor no estômago de tanta ansiedade, que vai aliviar um pouco quando, após eu telefonar pela ducentésima quadragésima quinta vez, receber a notícia de que a Júlia nasceu. Mas só vai passar mesmo no momento em que eu finalmente puder ver a carinha dela e sentir seu cheirinho doce de bebê recém-nascido. 
A ansiedade que sinto é tão grande que parece que quem vai parir sou eu!



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mais uma vez

Adoro Legião. Amo todas as músicas, sei (quase) todas as letras e muitas foram hinos da minha geração. Muitas ainda são hinos da minha vida. Mas esta tem me "perseguido" ultimamente. Onde quer que eu vá, a ouço tocando, até mesmo em blogs que visito, tenho encontrado ao menos uma citação à ela. A perseguição tem sido tanta, que resolvi colocá-la aqui, letra e vídeo. A letra é, como todas do Renato Russo, uma poesia. Linda e cheia de significado. Um hino. Apreciem SEM moderação.

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Mais uma vez  
Renato Russo

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Obrigada Senhor!

É hoje, estou finalmente completando 40 anos. Para comemorar esta data fiz uma prece para agradecer por minha vida tão abençoada. Compartilho com vocês esta prece. 

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Obrigada Senhor, por meu pai. Num mundo onde muitas pessoas não conhecem o próprio pai, o meu me pegou nos braços, me embalou, cantou pra eu dormir, contou histórias, me ensinou a andar e a gostar do mar, me segurou pela mão e me conduziu pela vida com carinho e amor.
Meus pais com minha sobrinha Maria Eduarda




Rafael, meu sobrinho
Obrigada Senhor, pela minha mãe. Mulher valente, lutadora, guerreira. A fortaleza que sempre me deu segurança. Exemplo de vida, de conduta, de valores. Mulher delicada, doce, sensível. Capaz de sentir minha dor ou minha tristeza mesmo morando à quilômetros de distância e ficar aflita até ouvir minha voz ao telefone dizendo que estou bem, mesmo que eu não esteja, pois ouvir sua voz é bálsamo para minhas dores e angústias.




Obrigada Senhor, por ter me permitido conhecer meus avós. Mesmo tendo convivido pouco com alguns aprendi muito e fui muito amada. Vovôs e vovós são tudo de bom e curti os meus enquanto os tive.


Meu filho, Minha prima Daniela e minha tia/dinda Gina
Obrigada Senhor, pelos meus tios e tias, primos e primas. Com alguns quase não tive contato, com outros convivi muito proximamente por algum tempo ou muito tempo. Mas de alguma forma cada um deles é parte do que eu sou. Aqueles com que tenho a graça de conviver mais de perto, ou tive por algum tempo, me ensinaram lições que me servirão para a vida toda. Amor, além do sangue, é o que nos une.


Meu irmão Diego e minha cunhada Aline
Meu irmão Bruno
Obrigada Senhor, pelos meus irmãos. Quantas vezes orei à ti pedindo para ter irmãos! Eles talvez não saibam disso, mas eu os amo com toda a força do meu coração e amo muito meus dois sobrinhos, que são parte deles e parte de mim também e hoje oro para que se encontrem e sejam felizes.




Obrigada Senhor, pelo pai do meu filho. Ele saiu da minha vida por não estarmos no destino um do outro, mas antes disso me deixou meu bem mais precioso, meu filhote, meu gurizinho.




Meu marido Carlos. Gato, mas é meu!
Obrigada Senhor, pelo meu marido. Além de ser o amor da minha vida, soube ser um bom pai para um filho que não era seu, e foi aperfeiçoando a técnica, se tornando um pai ainda melhor para cada uma das 4 filhas que me deu. Este homem íntegro, de carater, paciencioso, generoso, embora tenha o dom supremo de me irritar e faça isso por gostar da minha brabeza, é quem aquece meu coração e faz ferver o meu corpo.




Obrigada Senhor pelos meus sogros e cunhados. Eles fizeram do meu marido o homem maravilhoso que é. Cada um da sua maneira nos ajudou muito até aqui e tenho certeza que posso ainda contar com eles apesar das nossas diferenças. São minha família afinal.




Obrigada Senhor, pelos meus amigos. São poucos mas especiais. Muito me deram força em momentos cruciais da minha vida. Apoio e carinho em situações onde me sentia perdida e muito só. Sem eles meu caminho teria sido muito mais difícil e certamente sem metade da graça.


Minhas meninas: Yasmin, Aline, Camila e Letícia
Obrigada Senhor, pelos meus filhos. Tesouros da minha vida, alegria da minha existência, razão do meu viver. Pelo Allyson que me ensinou a ser mãe, aos trancos e barrancos, e apesar da porcaria de mãe que fui pra ele, se tornou um homem de verdade, com valores éticos e morais sem ser um caretão reprimido, de carater, hombridade, sensibilidade e muito espírito de luta. É um vencedor não importa o que ele pense, muito menos o que digam. Meu filho é meu orgulho. Só eu sei a falta que ele me faz; Pela Yasmin, que está se tornando uma linda mulher. Seus rompantes adolescentes me fazem ver muito da menina que eu fui, com ela aprendo a me reconhecer melhor e com isso revejo alguns conceitos. Não posso dizer à ela o quanto à amo ou ela ficaria insuportável. Mas ela sabe que é minha companheira, minha amiga; Pela Aline, minha pequena estressada. Tá sempre "piando" exigindo atenção e carinho, como se tivesse pouco. Mas ao mesmo tempo é destemida e corajosa. Intuitiva e instintiva, aprende as coisas fazendo, com uma naturalidade que chega a assustar. Meiga, doce e generosa; Pela Camila que é igual a Aline na forma, mas bem diferente no conteúdo. Luta pela sua autonomia. Observadora, aprende tudo cuidando os detalhes. Não faz nada que não possa ficar perfeito. É mais forte, decidida, sabe muito bem o que quer. Mas igual à irmã gêmea, é coração mole, doce, meiga, generosa; E pela Letícia, meu pequeno filhote de onça, braba como ela só, mas que é o bebê mais alegre que eu já conheci. Um pinguinho de gente que ainda nem fala, mas sabe muito bem se fazer entender. Brinca e faz graça o tempo todo, mas mostra toda a sua fúria quando não é devidamente atendida do jeito que deseja. Boazinha, doce, alegre, mas de boba não tem é nada.




Tunel Verde - RS 040 - Balneário Pinhal
Enfim, obrigada Senhor pela minha vida e por ter tornado ela interessante colocando cada uma dessas pessoas no meu caminho. Agradeço por esses 40 anos e peço humildemente, mais uns 40. E se não for pedir muito, que sejam de alegria, de saúde, amor e prosperidade.




Obrigada Senhor, por todas essas bênçãos!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Competição

Hoje tem uma participação especial minha no blog da Vanessa, Eu&Enzo falando sobre a competição entre as mães.

 Quando tive a idéia de escrever um blog, minha intenção era falar muito sobre a maternidade e sobre os meus filhos, mas comecei a ler outros blogs que falavam exclusivamente sobre isso e achei que estas outras mães se dedicavam muito em registrar cada momento dos seus filhos, cada segundo do desenvolvimento do seu bebê, descrevendo cada sentimento novo que ele desperta, que acabei achando que eu era uma mãe muito desligada, que não me apegava à esses detalhes.

Mas depois comecei a ler mais e me inteirar de cada história e pude perceber o quanto que cada uma tem suas limitações, seus problemas, seus erros e acertos.

Vejo muito no twitter essa competição entre as mães, muitas vezes uma descendo o porrete em outra porque essa não amamenta mais o seu bebê, ou porque uma mãe decidiu voltar ao trabalho enquanto outra decidiu largar tudo pra tomar conta de seu rebento, isso só para citar algumas coisinhas. Ficam se achando mais mãe do que outras porque seguiram mais à risca o que dizem as revistas, os especialistas, os pediatras.

Mas esquecem que existem muitas diferenças entre  cada uma de nós. Por exemplo, uma mãe que tem o seu primeiro bebê aos 20 e poucos anos, terá uam visão e uma relação com a maternidade muito diferente de uma mãe que teve o seu 5º filho aos 40. Ambas amam seus filhos, os tem como a coisa mais importante de suas vidas e sentiram as mesmas dores e desconfortos para gerá-los, mas é diferente. 
A maternidade não é uma disputa. Faz melhor quem faz com amor e só.

Existe entre nós diferenças culturais, financeiras, de estado civil, de família, de criação e educação, de condições climáticas do local onde vive. Umas moram em grandes capitais, outras na fronteira do fim do mundo com Deus-me-livre.

Todas essas diferenças nos fazem mães diferentes, temos filhos diferentes. Não podemos ficar comparando nossos filhos e nem o comportamento das mães. Ninguém é menos mãe por não ter amamentado seu filho, mesmo que isso tenha sido uma opção. Afinal quem sabe o conjunto de fatores que levaram aquela mãe à fazer aquela escolha, ou sabe quantos sacrifícios e abdicações ela teve que fazer por seu filho que a maioria das outras não seria capaz de fazer?

Não devemos julgar outras mães por terem feito escolhas diferentes do que nós fizemos. Somos todas muito diferentes, com problemas e limitações diferentes. 

Em comum, só esse amor incondicional pelas nossas crias.

Acabei escrevendo outro post, não consigo comentar com poucas palavras, por isso não me dou bem com o twitter, dizer o que penso em 140 caracteres é quase impossível!

Agradeço aqui a Vanessa, uma fofa e Mãezona, dessas assim com "M" maiúsculo mesmo e que compartilha comigo desse sentimento, de que essa competição é uma bobagem que às vezes irrita e fere. Obrigada amiga por mais esse espaço e pelo teu imenso carinho ao falar de mim.


Tenham todos uma excelente semana!!!





quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pedro da Bica

Era uma figura horrenda, daquelas de dar pesadelos em criancinhas pelo resto da vida. Sujo, maltrapilho, cabelo e barba compridos e desgrenhados, unhas enormes e só meia dúzia de dentes na boca. A personificação do bicho-papão e outros nomes desse tipo que assombram a infância.

Tinha por volta de 50 anos. Dizia-se que ficara assim por conta de uma desilusão amorosa. Via-se que não era ignorante nem inculto, apenas refugiara-se em algum lugar distante da razão. Ao contrário do que fazia supor sua medonha aparência, era gentil e educado.
Foto da Internet

Nunca soube que tivesse roubado ou agredido alguém. Passava os dias andando de cá para lá, fumando as guimbas de cigarros que os passantes deixavam pelo caminho.

Me acostumei a vê-lo na frente de casa, quase sempre à mesma hora. Batia palmas e esperava. Jamais entrava em algum pátio sem que lhe dessem permissão. Eu ou algum viznho lhe dava algo para comer e água, deixava usar a torneira da rua para que se lavasse. Dávamos algum agasalho. Dormia na rua, às vezes ao relento, às vezes se escondia nalgum buraco. Ficava imaginando como ele não morria de frio! Tomava banho na bica da praça, por isso o apelido.

Já faz algum tempo que não sei mais dele. Há quem diga que morreu, que foi levado para uma clínica ou asilo ou ainda que a família o encontrou e resgatou. Seu desaparecimento é pra mim um mistério tão grande quanto sua vida.

Tivesse ele vivido numa grande cidade, talvez passasse desapercebido. Mas calhou de viver por aqui e ser um personagem do folclore da nossa cidade.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Reflexo no espelho

Não conheço aquela mulher que vejo no meu espelho, ela é o reflexo de algum pesadelo do qual eu não consigo acordar.

Não! Definitivamente não sou eu ali dentro! Aquela criatura gorda não se parece em nada comigo! E eu nem sou tão baixinha assim...e ela é BEM mais velha do que eu, pelo menos uns vinte anos!

O meu reflexo, aquele que eu reconheço, não o vejo há anos. Desapareceu, se perdeu por aí, fugiu de mãos dadas com minha mocidade. Deixou no seu lugar esse clone mal feito que me olha nos olhos com essa cara de desdém.


Quando me olho no espelho, não me vejo por inteiro. Vejo apenas partes de mim. E essas pequenas partes compõem quem eu sou, mas nenhuma delas me representa por inteiro. Exceto meus olhos.

Aliás, essa é a única característica que tenho em comum com essa criatura que mora dentro do meu espelho: os olhos. Eles não engordam, não envelhecem, não perdem a cor, o brilho, o viço. Perderam apenas a capacidade de me reconhecer...






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