Tive que editar o post, pois estava havendo algum problema com o formulário de comentário. Algumas pessoas estavam reclamando que não estavam encontrando o formulário. Então resolvi voltar à opção antiga. Espero que agora dê certo. Desculpem o transtorno e obrigada pela volta.
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MEDO
Muitas pessoas que conhecem minha história, me chamam de corajosa, mas eu não sou corajosa. Tenho medo, de tudo, de nada.
Tenho tanto medo do sofrimento, que sofro por antecipação pensando no quanto sofreria se me acontecessem coisas ruins. É meio maluco isso, mas é assim que me sinto.
Mas por incrível que pareça, enfrento as coisas quando elas acontecem. Um exemplo é o medo de falar em público. Sou tímida e falar diante de um monte de gente, mesmo que sejam pessoas conhecidas é algo muito difícil, mas já precisei fazer isso algumas vezes. Até alguns segundos antes, minhas pernas tremiam tanto que eu temia não conseguir parar em pé, na garganta um nó apertado, uma vontade de chorar e sair correndo! Mas assim que comecei, o pânico foi passando e fui me sentindo dona da situação.
Quando soube que estava esperando gêmeas, não sabia se ria ou chorava, porque achava lindo ter gêmeos, mas entrei em pânico ao pensar em como seria, se daria conta de 2 bebês ao mesmo tempo. Não é que Deus achou que 2 eram pouco e me mandou logo mais 1 e mandou eu me virar? Tem dias que acho que vou ficar louca, mas acho que estou dando conta do recado.
Mas sentir tanto medo é ruim, paralisa. O medo é parte de nós, nos faz sermos previdentes, precavidos, mais cuidadosos com tudo. Mas se o medo for muito grande, nos tira a mobilidade, nos atrasa, nos emperra.
Tenho medo de sentir dor, não qualquer dor pois já sinto muitas há tanto tempo que até já me acostumei à elas, mas dor de verdade do tipo que não alivia nem com remédios fortes, nem com anestesia. Medo de violência, de acidentes. Tenho medo da morte, não tanto da minha apesar de temer deixar minhas filhas pequenas sem mãe, mas tenho mais medo da morte das pessoas que amo, o simples fato de mencionar isso já me faz chorar e sofrer tanto que já me arrependi de ter entrado nesse assunto.
Sou uma pessoa difícil, tenho muita dificuldade em expressar meus sentimentos. Amo com tanta força que chega a doer, mas não consigo fazer esse amor ser "visto", não consigo demonstrar, me sinto travada e qualquer coisa me trava ainda mais, como quando deito minha cabeça no ombro do marido e ele não me abraça. Pode ser porque acredita que me ceder o ombro seja já um sinal de afeto, mas a falta de um gesto mais receptivo me faz sair dali e não voltar mais. Mais tarde, em outra ocasião, ele vai deitar a cabeça no meu ombro e eu não vou abraçá-lo temendo ser rejeitada novamente, mesmo que o gesto (ou a falta de) não tenha sido intencional e muito menos de rejeição. (Me enrolei toda mas acho que expliquei, ou não?)
Tenho medo de expressar claramente meus sentimentos, principalmente aqueles menos nobres, e ferir suscetibilidades alheias. Tenho medo de falar claramente até mesmo aqui no blog sobre o que me irrita, o que me deixa incomodada, o que me magoa e o que (ou quem) eu gostaria de mandar para o raio que o parta e alguém se sentir ofendido e brigar comigo. Não gosto de magoar as pessoas, mesmo que seja sem intenção, e tenho tanta necessidade de ser aceita, de ser amada, que prefiro não falar tudo o que me desagrada e sufocar com isso do que perder uma amizade.
Então aproveito este texto pra fazer uma oração e pedir que Deus não permita que o medo que tenho de não ser amada me impeça de dar incondicionalmente o meu amor; que o medo que tenho de sentir dor me impeça de correr e brincar com minhas filhas, ou protegê-las; que o medo que tenho de dizer tudo o que penso não me impeça de falar algumas verdades àqueles que amo; que o medo que eu tenho do futuro não me impeça de planejá-lo; que o medo que eu tenho da morte não me impeça de viver plenamente minha vida.
Sei que enfrentarei meus desafios quando eles se apresentarem a mim, mas não quero mais me sentir paralisada de medo de coisas que nem sei se acontecerão um dia.