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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Branca de Neve

Eu tinha uns 5 ou 6 anos, fazia um calor senegalesco e o meu pai nos convidou para um passeio. Achei aquele convite muito estranho pois apesar da iniciativa ter partido do pai, o destino alegado era a casa de uma suposta amiga da mãe. Ele também me pareceu muito empolgado para visitar uma amiga da mãe, fiquei desconfiada. Minha mãe também não ajudou muito pois cada vez que eu perguntava que amiga era essa ela só me enrolava, sem me olhar nos olhos, sabia que tinha algo que não era bem aquilo, mas como eles estavam muito faceiros, confiei.

Pegamos um ônibus em direção ao centro de Porto Alegre e eu me queixava muito do calor, meu pai só dizia que já íamos chegar e que na casa da tal amiga tinha ar condicionado. Fiquei ainda mais curiosa. Quando desembarcamos, no percurso que fizemos a pé até o nosso destino pedia insistentemente por um sorvete ou refrigerante. Não tinha costume de pedir nada na rua, me mãe me doutrinava direitinho, mas esse dia estava mesmo muito quente, mas o pai continuava me enrolando e dizendo que já estávamos chegando.

Branca de Neve e os 7 anões, filme da Disney de 1923

Foi quando passamos por um cartaz colorido anunciando o filme da Branca de Neve. Eu achei lindo e logo gritei que queria ver o filme. Foi aí que o rosto do meu pai  se iluminou com aquele ar de vitória e depois de trocar um olhar cúmplice com minha mãe anunciou: "Que bom que tu quer ver esse filme, pois é aqui mesmo que nós estamos vindo, essa é a "amiga" da mãe, uma mentirinha pra te fazer uma surpresa."

Entramos no cine Vitória, na esquina da Borges de Medeiros com Salgado Filho, nem sei se esse cinema ainda existe, provavelmente foi transformado em algum templo evangélico, como muitos outros cinemas antigos da capital. Foi a primeira vez (que me lembro) em que entrei em um cinema. Além do ar condicionado tão anunciado e desejado e da famosa caixinha de Mentex, o filme era lindo, próprio para uma criança da minha idade, e era colorido! Ainda por cima, de brinde, passei uma tarde muito agradável em companhia dos meus pais, tudo o que uma criança precisa pra ser feliz. De todas as lembranças da minha infância essa é sem dúvida a mais feliz, por isso lembro desse dia com tantos detalhes.

Hoje em dia, nossos filhos podem ver esses mesmos filmes em casa. É mais confortável e barato sem duvida, mas sem metade da emoção. Aqui na minha cidade, temos um único cinema, caro pra xuxu, que se torna proibitivo pra uma família com tanta gente. Não sei quando e nem se minhas pequenas conhecerão um cinema, só tenho a lamentar por isso.



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A história de um milagre

Bruna antes do diagnóstico
Bruna tem 14 anos, recém completados, mesma idade da minha filha Yasmin. Há poucos meses começou a sentir dores abdominais. Cogitou-se de tudo até de que estaria grávida! Mas após alguns exames, constatou-se que tinha um câncer de ovário. A contagem de células cancerígenas na corrente sanguínea que numa pessoa saudável não deve ser superior a 15, nela era algo em torno de 13.000. Teve que retirar o ovário e havia ainda o risco de ter que retirar também o outro. O médico não deu esperanças à família. Hamilton, o pai, conta que assim que saiu da sala do médico, completamente sem chão, uma equipe de psicólogos os aguardava para “prepará-los para o pior”. O pai se desesperou, se revoltou. A menina chorou uma única vez.

Linda mesmo sem cabelos
O médico então marcou seis sessões de quimioterapia que deveriam ser feitas vários dias por semana ao longo de seis meses. Esse também foi o prazo dado para que ela vivesse. Ele não foi direto ao dizer isso, não teve coragem diante do sofrimento deles, mas deu bem a entender. Hamilton então começou uma busca por algo que diminuísse os efeitos da quimioterapia que ele sabia ser muito forte, disse que não iria conseguir ver sua filhinha sofrendo. Nesta busca encontrou uma linha de produtos naturais, chamados de nutracêuticos, à base de Aloe Vera, a popular babosa, beneficiada e produzida por uma empresa americana, e com a concordância do médico, passou a usar na filha. Estes suplementos mantiveram a imunidade dela alta apesar da químio. Também ajudaram a preparar seu organismo para combater a doença junto com a quimioterapia. Exceto pela falta de cabelos, a aparência dela sempre foi de uma menina saudável, um sorriso encantador sempre nos lábios.


Quando os cabelos começaram a cair, o pai raspou os dele. Parece um gesto à toa, mas foi a forma que ele encontrou de demonstrar seu amor e que nada neste mundo é mais importante que a filha. Puseram-na pra dormir na cama do casal e se revezavam à noite para velar seu sono. Andréa, a mãe, conta que ficava em cima dela para ver se estava respirando, como todas as mães fazem com seus bebês recém nascidos. A dedicação deles foi total. Passaram a viver em função dela, sem com isso abandonar ou descuidar dos outros três filhos. Mantiveram-se unidos, fortalecidos pela fé e pelo amor que sentem uns pelos outros.




Com os pais, Hamilton e Andréa
O exame foi feito mais uma vez em agosto. A contagem das células surpreendeu os médicos: 1.200, um resultado que esperava-se alcançar com muita sorte em fevereiro. Na última semana ela teve um sangramento nasal, coisa boba em crianças, mas que no caso dela podia ser preocupante. Ela tinha levado uma pancada da irmãzinha de 1 ano e meio. Por causa disso, e com o zelo de sempre, levaram ao médico que resolveu antecipar os exames que faria após a 6ª sessão de quimioterapia (ela tinha completado a 4ª). O resultado do exame mostrou que ela tinha apenas três células cancerígenas (lembram que disse no início que o normal é até 15). O médico mostrava o exame, circulava o resultado à caneta, mas eles não entendiam, não caía a ficha, então o médico disse com muita ênfase: - “Três! Pra mim está bom e pra vocês? A Bruna está curada!”

Hamilton ficou tão eufórico que se sentiu sufocado naquela sala e antes de sair correndo levando a Bruna pela mão, só gritou para o médico que se preparasse para a festa de 15 anos dela. E saiu em disparada deixando a Andréa com o médico conversando detalhes. Foram para frente do hospital e gritavam enlouquecidos os dois, diante do olhar curioso e incrédulo dos demais. Pela segunda vez a Bruna chorou, mas desta vez foi de alegria, de alívio.
Com os irmãos Stéfanie, Jonatan e Luiza

Essa família venceu esta batalha, recebeu esta graça porque se manteve unida e porque teve fé. Fé na medicina, fé nas escolhas que fez, nas alternativas que encontraram, fé no amor e na união, fé em Deus. O amor reina naquela casa, sente-se ele pairando no ar e a fé  fez com que Deus colocasse em seus caminhos as pessoas certas nas horas certas: amigos, conhecidos e até desconhecidos surgiram no caminho no momento propício para ajudá-los. Foi esta fé o que os manteve fortes para suportar todo o sofrimento dessa dura batalha. Este post é um presente para Bruna e uma homenagem a uma família que tem sua base forte no amor.


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Este é o post que prometi e que deixou muita gente curiosa.  Espero que tenham gostado dessa bela história de fé e esperança. Procurei contá-la com toda a emoção com que a ouvi diretamente das pessoas envolvidas nela.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Théo - O descanso do guerreiro

Estamos em luto. Estamos todas em luto. Eu não conhecia a Aline, muito menos o valente Théo, não seguia a Aline no Twitter, nem era seguida por ela. Conheci suas histórias através de outras mães no twitter e me encantei com a força e coragem dessa mãe, sua fé e perseverança. Passei a acompanhar o blog dela e as notícias do pequeno Théo.

Orava por ele, pedindo a sua saúde, ao mesmo tempo em que agradecia a saúde dos meus filhos. Quando estive em Porto Alegre a ultima vez, foi bem no dia da cirurgia dele, entrei em uma igreja pra pedir por sua recuperação.

A mãe, sempre otimista e cheia de fé, nos fazia acreditar que era possível, mas Théozinho ficou cansado e papai do céu levou ele para descansar um pouquinho. Cheguei em casa ontem tarde e cansada depois de um dia difícil e dei de cara com a notícia da sua partida, chorei alto, como se fosse alguém muito próximo. E era. Vivi sua história nos últimos meses, torci diariamente por suas vitórias, sofria com sua fraqueza e mais e mais procedimentos dolorosos.

Sempre que era possível, mandava algumas palavras de apoio à Aline, mas algumas vezes, nem sabia o que dizer, apenas rezava. E vou continuar rezando, para que ela e o pai do Théo tenham forças para aguentar a saudade, tenham forças para continuar a vida porque acho que o Théo gostaria de vê-los felizes.

Fico pensando no poder de união que tem a internet. Acabamos fazendo hoje, uma blogagem coletiva sem nenhuma combinação. Quase todas escrevemos algo em nossos blogs em homenagem ao Théo e dando forças à sua família. Talvez porque sejamos todas mães e este assunto feriu nossos corações de uma forma muito profunda. Falta-nos assunto, o Théo hoje domina nosso pensamento, nosso sentimento.

Gostaria de ter as palavras certas para exprimir o que sinto e poder dizer à essa mãe e a esse pai palavras que os confortassem, mas tudo que consigo pensar é naquilo que sempre disse à eles: força e fé.

Ao Théo, fica mais uma vez meu agradecimento, por ter me ensinado que ninguém é tão fraco que não possa lutar. Descansa em paz meu guerreiro. 

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Quem quiser conhecer mais sobre a breve história de vida do Théo, o blog é My baby history.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Agradecimentos e notícias

AGRADECIMENTO

Hoje quero agradecer muito à minha querida amiga Laudiane, a @Sra_mimimi, que fez esse layout fofo pra mim. E quero agradecer fazendo propaganda, ela faz trabalhos ótimos, cheios de ternura. Quem quiser conferir, clique na figura aí embaixo.


Lau, amei! Muito obrigada pelo teu carinho e atenção!


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NOTÍCIAS

Passei por um perrengue brabo. estou mudando algumas coisas aqui em casa,  troquei os móveis dos quartos meu e das crianças de lugar e ainda tô com uma bagunça danada no meio da casa para arrumar. No meio disso tudo, hoje meio-dia e pouco, estava sozinha em casa esperando meu marido para almoçarmos e resolvi dar uma espiada nas roupas da corda pra ver se sobraria lugar para mais, desci o degrau da porta e quando fui subir, meu pé resvalou e caí de costas. Para defender a cabeça e não rolar escada abaixo, pus as mãos para trás e acabei apoiando todo o peso do corpo e o impacto do tombo com os punhos. O direito tudo bem, mas o esquerdo tá doendo pra caramba. O pior nem foi o tombo, pois quando me levantei, fiquei tonta, com o estômago embrulhado, ânsia de vomito, um mal estar MUITO forte. Quando dei por mim estava deitada no chão com a cabeça pendurada pra fora da porta, o corpo estendido no meio do lixo pois quebrei  o balde do lixo (não me perguntem como). Não sei como fui parar ali. Levei um tempão pra conseguir me levantar e ir até a cama. Tive que esperar até meu marido chegar. Ainda tinha apresentação das crianças na escola e não podia perder, então só depois fui ao hospital onde passei horas pra fazer um raioX e tomar um soro com medicação pra dor. Não quebrei, graças à Deus, mas tô com a mão imobilizada.
Mas tudo bem. Ainda bem que as crianças não estavam em casa, ou teriam se assustado.

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Uma nota triste: Théo partiu. Depois de uma vida breve de muita luta, ele foi descansar nos braços do pai. Estou triste pela Aline, meu coração dói como se fosse um filho meu. Mas estou feliz, porque tive a chance de aprender algo com ele e sua mãe guerreira. Agora temos mais um anjinho no céu. Força Aline!!!




domingo, 24 de outubro de 2010

Vinicius de Moraes

Adoro esse poema, por isso resolvi colocá-lo aqui. Não é falta de assunto, só falta de tempo para escrever. Estou me dedicando àquele post especial que falei antes. Ele já está escrito, mas faltam detalhes que preciso coletar para que as informações estejam todas corretas, aguardem para os próximos dias.

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Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure




quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Momentos

Estou em Porto Alegre (de novo) para consulta médica. Queria aproveitar o tempo ocioso enquanto espero a hora para me concentrar e escrever um pouco um post especial que estou preparando.
Sentei em um banco do Parque da Redenção/Farroupilha bem próximo à av. Oswaldo Aranha. 
O dia está lindo, ensolarado, mas onde estou, à sombra, o vento frio predomina.
Escrevi por mais de 1 hora, chorei quase o tempo todo, mas isso nem chega a ser novidade, pois me emociono fácil. Mas a história que me propus a contar é realmente emocionante. (aguardem!)
Agora, enquanto recuperava o folêgo para ir adiante, pude reparar o azul do céu sem nuvens e ver o quanto o verde das copas das árvores fica bonito em contraste com ele. Em toda a volta há passarinhos cantando, bemtevis e pardais, e achei incrível eu prestar atenção nesse som tão delicado apesar do trânsito intenso e barulhento à minha volta. Abstraí.
De onde estou também posso avistar 2 igrejas, uma em cada esquina, bem próximas uma da outra. Estou me decidindo em qual delas vou entrar agora e agradecer por esse momento divino.


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Me decidi pela igrejinha mais simples, a capela do Sagrado Coração de Jesus. Entrei e fiz minhas orações. Agradeci por tantas bençãos recebidas, pela saúde dos meus filhos. Aproveitei para pedir pelo Théo, que está em cirurgia neste momento. Me fez um bem danado.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Vínculo

A convite das meninas do blog Mulher & Mãe, vou fazer um post para uma blogagem coletiva. 


Fiquei pensando um pouco sobre este assunto e tentando me lembrar de algumas coisas. Eu criei e crio os meus filhos de forma intuitiva. Leio, me informo, sigo conselhos. Mas no fundo, faço as coisa de forma intuitiva e embora tenha um vínculo forte com todos eles, nunca fiquei prestando muita atenção sobre minhas ações e me ligando "ah, isso vai fortalecer nossos vínculos", as coisas acontecem naturalmente e quando a gente percebe, os vínculos estão todos aí, bem estabelecidos.

Eu tenho várias histórias, afinal, tenho 5 filhos. A Amamentação é sem dúvida a principal fonte. Amamentar nos faz aprender a desvendar cada olhar, é a nossa primeira linguagem com os filhos. 

Tenho uma filha que acabou de completar 1 aninho e mais duas com 2 anos e meio. Amamentá-las foi um passo importante para nossa "amizade" e cumplicidade, elas conhecem meu cheiro, sabem o calor do meu abraço e é para onde correm quando estão carentes. É incrível ver que é a mim que elas querem quando estão dodói, com sono, ou quando alguém briga com elas, mesmo que esse alguém tenha sido eu mesma.

É gostoso quando põem aqueles bracinhos curtos e gordos em volta do meu pescoço, encostam o rostinho no meu e dão aquele sorriso, aquele que derrete qualquer coração, meu corpo fica todo mole, que nem manteiga e acho que vou derreter mesmo. A pequenatem o costume de encostar a testa na minha e fica assim durante horas se eu deixar. É seu jeito de me fazer carinho, e de pedir carinho também. Ficamos assim, com as testas coladas, às vezes olho no olho, às vezes ela cola mais o rosto ao meu. É sinal de aconchego. Sinto que é quando ela se sente segura e eu, mais mãe.

Mas também tenho uma filha que vai completar 15 anos e foi quem eu amamentei mais tempo. Além disso, era minha única companhia quando o pai saía para trabalhar e o mano mais velho ia para a escola. Saíamos muito para caminhar pela cidade, primeiro eu a levava no carrinho, mas assim que aprendeu a caminhar, levava aquele toco de gente pela mão. E ela caminhava! Claro que dava uns colinhos aqui e ali, mas ela me acompanhava. Ficamos cúmplices. Agora ela tá numa idade em que não quer muito papo comigo, mas ainda me pede às vezes para sairmos juntas, se queixa que com as manas isso não é possível, mas assim mesmo, vive me rodeando contando suas histórias, das suas amigas, das festinhas, dos planos. Ela acha que não presto muito atenção, pois estou sempre atendendo as pequenas, mas eu escuto cada palavrinha que diz e observo o quanto ela cresceu física e emocionalmente.

Mas acho que as histórias mais extraordinárias que tenho dos vínculos criados com os meus filhos foram com os bebês prematuros. Tanto as gêmeas quanto o meu mais velho nasceram antes da hora, o guri com 30 semanas de gestação e as gêmeas com 32.

As gêmeas nasceram quando as novas tecnologias e estudos médicos já permitiam às mães segurarem seus bebês, naquilo que se chama de mãe-canguru. Só as tinha sentido, calor e cheiro, na hora do parto. Cada uma ao sair da minha barriga foi colocada alguns segundos com o rosto perto do meu para que sentíssemos uma à outra, e assim que as duas estavam prontas para ir para a UTI, colocaram novamente, dessa vez as duas juntas pertinho de mim. Depois disso foram para a incubadora. Uma delas precisou de oxigênio por um pouco mais de um dia e as duas precisaram da luz forte por causa do amarelão, então tive que esperar pacientemente alguns dias para poder fazer o primeiro canguru. Era difícil, tinham fios conectados à elas com sensores e elas tinham sondas para serem alimentadas, era uma traquitana que não me permitia muitos movimentos e o primeiro canguru eu fiz sentada em uma cadeira muito desconfortável, mas a emoção que senti ao segurar as duas assim peladinhas encostadas no meu peito nu, pele com pele, sentindo o calorzinho delas e transmitindo o meu, ah ninguém pode imaginar!!! Estou aqui às lágrimas escrevendo isso só de lembrar. 

Canguru duplo: Aqui já tinham 15 dias
Depois desse primeiro contato, contava as horas para poder fazer o próximo, tinha que ser nos intervalos entre as mamadas, pois elas mamavam por sonda e não podiam ser muito estimuladas para não vomitar, então era um pouquinho de cada vez, até elas irem ficando maiores. Aí começaram a mamar na mamadeira (eu não podia dar meu leite por causa de uma medicação que uso por causa da esclerose múltipla, e elas só puderam mamar meu leite depois que atingiram 2 quilos) e então podia ficar mais tempo com elas, sempre com as duas. Elas entrelaçavam as mãos sobre o meu peito e às vezes até brigavam, querendo um pouco mais de espaço e atenção, tinha que colocar minha mão sobre elas do jeitinho que gostavam para que ficassem quietinhas. E foi assim até que já não cabiam mais as duas no meu colo, já saíram da incubadora e agora usavam roupinhas, mas continuaram sempre ganhando colo coletivo. Até hoje. Uma vem pro colo, logo a outra se chega e quer também, estão sempre disputando atenção e espaço.

Já o guri, meu primeiro filho, nasceu em outro tempo. Há 22 anos atrás não se fazia mãe-canguru, o bebê não saía da incubadora nem para mamar! Ele tinha 1.200gr quando nasceu e 40 cm. Era virado só em perna! Muito pequeno e magrinho, dava medo de tocá-lo, achava que iria quebrar. Passou alguns dias também se alimentando por sonda, mas quando foi liberado para mamar eu tinha que encaixar meu seio no buraco da incubadora e com a outra mão no outro buraco levantar o corpinho dele para que alcançasse o seio para mamar. Eu tinha 17 anos, ele era meu primeiro filho, éramos 2 desajeitados. Foi muito difícil amamentá-lo. Eu chorava de angústia e ele de fome, ninguém me ajudava e a mamadeira vinha para nos salvar daquela situação desesperadora. Queria muito amamentá-lo, mas foi muito difícil mesmo. Depois que saiu do hospital, 42 dias depois de nascer, ainda mamou por uns 3 meses ,mas a mamadeira sempre serviu de complemento até ele não me querer mais. 


Como ele era muito pequeno, como eu disse dava medo de tocá-lo pois achava que ia quebrar, as primeiras vezes que o vi na incubadora, colocava minha mão lá dentro e tocava seu corpinho com a ponta do dedo. Minha mão parecia enorme perto dele. Acariciava suas costinhas assim, passando meu dedo por elas, e via que ele se aclamava e se contorcia assim como um gatinho para ganhar mais carinho. No final, pousava minha mão delicadamente em suas costas, minha mão escondia ele todo, mas ele adorava isso. Depois que cresceu, essa era a nossa senha, um chamego nas costas. Até hoje ele gosta. Tenho poucas chances agora de acarinhar meu filho, que está longe de mim, fazendo faculdade e cuidando da própria vida, o que me enche de orgulho, mas sinto saudades de quando ele vinha se chegando, sentava perto de mim, depois se encostava, até deitar a cabeça no meu colo e eu fazer um cafuné nas suas costas. É uma coisa boba, tão simples, mas é o que nos liga definitivamente no amor que sentimos.

O que cria vínculos entre mães e filhos, entre marido e mulher, entre irmãos, entre amigos, seja o que for, são sempre gestos simples, coisas bobas, um carinho feito de um jeito diferente, um jeito de olhar, caminhar juntos. Essas coisas ficam na nossa memória e lembramos delas para sempre. Eu ainda me lembro da minha mãe, fazendo cachinhos nos meus cabelos após o banho. Eu sentada num banco de madeira na área de serviço para que o vento secasse meu cabelo mais rápido enquanto minha mãe fazia cada cachinho com o dedo enrolando meu cabelo que era lisinho de dar dó. E eu ficava linda, todo mundo falava dos meus cachos! Eu tinha uns 2 anos de idade, mas lembro disso como se tivesse sido ontem. Ou seja, vínculos se criam não pelos gestos, mas pelo amor que colocamos em cada gesto, em cada olhar.



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Para quem quiser conferir os outros posts desta blogagem coletiva Acesse: Mulher e Mãe: Nossos vínculos

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A força da Fé

Há poucos dias, o mundo pode testemunhar um acontecimento fantástico: 33 homens, presos em uma mina no Chile, a quase 700m de profundidade por longos 69 dias foram resgatados com sucesso, vivos e em surpreendente estado de saúde física e mental.

Depois de passarem 17 dias incomunicáveis, quando ninguém sabia se estavam vivos ou não, passando fome, medo e a dúvida sobre se seriam ou não resgatados, foram encontrados num refúgio e passaram então a receber comida, água e suprimentos extras de oxigênio, além de produtos para higiene pessoal, presentes, cartas/bilhetes de familiares e ganharam muita atenção da mídia tanto no Chile, quanto no resto do mundo.

Foto da Internet, mostra a cápsula usada para içar os mineiros
O momento da libertação, quando foram içados das profundezas da terra de volta à vida foi emocionante, com direito à cobertura jornalística internacional ao vivo, presença do presidente do Chile e muitas outras autoridades. 

Retirando-se os excessos, a super exposição da mídia e a avalanche de presentes de gente querendo se promover à custa da desgraça alheia (como sempre), talvez nem eles próprios tenham se dado conta do quão extraordinário foi o fato ocorrido com eles. Não falo do resgate, espetacular, muito bem feito e planejado, nem do montante dos dias que passaram presos lá embaixo, mas daqueles primeiros 17 dias, às escuras, com pouquíssima comida e água, sem comunicação com o mundo exterior que ainda nem sabia que estavam vivos e provavelmente já os julgavam todos mortos, quando tinham por companhia apenas uns aos outros, a escuridão, o calor, a fome, o medo, seus pensamentos e temores e a inabalável esperança enraizada na excepcional fé cultivada por todos. 

Que importante lição poderemos tirar para nossa vida deste acontecimento tão incrível? Como puderam aqueles homens manter a calma e a esperança diante de situação tão desesperadora? Com fé. Independentemente de religiões, seja essa, aquela ou até mesmo nenhuma, é importante termos fé em Deus. Acreditar na força do amor Dele por nós. 

Deus não tirou aqueles homens das profundezas da terra, foram os homens que trabalharam incansavelmente para isso e as máquinas que fizeram o trabalho mais pesado, mas certamente foi a fé em Deus que os manteve vivos e fortes para serem resgatados. Foi Deus que deu forças à eles e à suas famílias para suportarem a espera. Foi Deus quem deu forças e iluminou o pensamento daqueles encarregados de planejar e executar o resgate. 

É nisso que acredito. Deus não resolve nossos problemas,isso nós mesmos temos que fazer. Mas ele nos dá forças, entendimento, coragem. Quem não carrega Deus no coração nem tem fé se desespera, se revolta e, com a razão comprometida por esses sentimentos, não consegue realizar aquilo que poderia.


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Com este post, comemoro 6 meses do meu bloguinho. Mais de 8 mil acessos em 37 países diferentes, com 79 seguidores e outros tantos leitores assíduos. Obrigada aos novos seguidores e à todos que lêem minhas "tralhas".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mais polêmica

Outro assunto polêmico sobre o qual queria opinar aqui é a adoção de crianças por casais gays. Novamente peço licença para deixar de lado as questões religiosas e tratar o assunto de forma mais fria.

A lei impede que casais homoafetivos adotem crianças, mas essa mesma lei permite que uma criança seja arrancada dos braços da sua mãe e entregue a um pai (oi?) que no mínimo a deixou morrer sem socorro em condições de extrema dor e sofrimento (Caso Joanna).

Ora, se a justiça entrega a guarda de uma criança para ser negligenciada e morta nas mãos do próprio pai, qual o problema em entregar a guarda para um casal de gays que podem dar a essa criança amor e cuidados dignos? 

Temos visto todo tipo de barbárie cometida por quem deveria cuidar, proteger e amar que não consigo entender a relutância em se permitir que pessoas que tem capacidade para amar e cuidar sejam impedidas de adotar.

As pessoas que se candidatam à adoção, sejam elas gays ou não, devem ser investigadas para saber se tem mesmo condições EMOCIONAIS e PSICOLÓGICAS para adotar uma criança, pois estas condições devem contar muito mais que as financeiras, religiosas e outras questões mais preconceituosas do que práticas. Afinal, famílias ditas "normais" não são perfeitas. Pais e mães, apesar do amor, também erram na criação de seus filhos.
Não vou me estender muito nesse assunto, me faltam argumentos técnicos e os emotivos me embaçam um pouco a razão, mas o que penso é que crianças não devem viver em abrigos, nem nas ruas ou em qualquer outra situação de abandono enquanto houverem pessoas capazes de amá-las e educá-las desejando adotá-las.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Não ao aborto

Quero abordar aqui alguns assuntos chatos, que certamente irão me render protestos e algum mal estar porque envolvem questões religiosas, preconceitos ou dogmas. São assuntos recorrentes e persistentes nas rodas de discussão e quero deixar aqui minha opinião sobre eles, mesmo que isso me renda alguma dor de cabeça. 
Um desses assuntos é a legalização do aborto. Este assunto volta e meia volta a ser discutido, e com as eleições presidenciais indo para o 2º turno, ficou ainda mais "na moda".

Eu sou contra o aborto. 
Aborto é assassinato, já que o feto É um ser vivo, uma manifestação de Deus, parte da criação.
Mas o assunto não é tão simples assim. Todos os dias mulheres morrem ou são mutiladas por causa de abortos mal feitos em clínicas clandestinas, muitas sem higiene nenhuma. Clínicas que cobram verdadeiras fortunas para executar tal crime. A legalização do aborto certamente diminuiria os riscos para as mulheres que se submetem à esse procedimento e suas consequências para a saúde pública do país e acabaria com o "ganha pão" de gente sem escrúpulos que lucra com a desgraça alheia. Também diminuiria muito o nascimento de crianças indesejadas que seria negligenciadas, abandonadas, maltratadas. Isso é fato.

Mas nada disso justifica o crime. Legalizar o aborto seria um sinal verde para que mais mulheres desistam de suas gestações e se aventurarem por esse caminho. O que precisa urgentemente ser feito é a criação de uma política pública com campanhas maciças de esclarecimento e conscientização para que as mulheres (e os homens também) entendam que ter o domínio sobre o próprio corpo e o poder de decidir o seu futuro, passa necessariamente pela responsabilidade de se prevenir de gestações indesejadas. É preciso que as mulheres saibam que usar um método anticoncepcional é mais fácil, barato, eficiente e saudável do que se submeter a um aborto. Questões religiosas à parte, (embora sejam bons e fortes argumentos), em qualquer situação prevenir é sempre melhor do que remediar. Isso também é fato.

O assunto é polêmico e muito complexo e seja qual for o desfecho deste caso, certamente não agradará à todos, mas há que se tratar a vida com o respeito que ela merece. A vida é um dom divino, caro, precioso. Precisa ser guardado, protegido de todas as formas. E à nós, mulheres, esse dom é dado com uma reponsabilidade à mais: recebemos nossa própria vida e o poder de gerar outras. Isso é uma honra e precisa ser tratado como tal.



 



(Foto da Internet)
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