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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A força da Fé

Há poucos dias, o mundo pode testemunhar um acontecimento fantástico: 33 homens, presos em uma mina no Chile, a quase 700m de profundidade por longos 69 dias foram resgatados com sucesso, vivos e em surpreendente estado de saúde física e mental.

Depois de passarem 17 dias incomunicáveis, quando ninguém sabia se estavam vivos ou não, passando fome, medo e a dúvida sobre se seriam ou não resgatados, foram encontrados num refúgio e passaram então a receber comida, água e suprimentos extras de oxigênio, além de produtos para higiene pessoal, presentes, cartas/bilhetes de familiares e ganharam muita atenção da mídia tanto no Chile, quanto no resto do mundo.

Foto da Internet, mostra a cápsula usada para içar os mineiros
O momento da libertação, quando foram içados das profundezas da terra de volta à vida foi emocionante, com direito à cobertura jornalística internacional ao vivo, presença do presidente do Chile e muitas outras autoridades. 

Retirando-se os excessos, a super exposição da mídia e a avalanche de presentes de gente querendo se promover à custa da desgraça alheia (como sempre), talvez nem eles próprios tenham se dado conta do quão extraordinário foi o fato ocorrido com eles. Não falo do resgate, espetacular, muito bem feito e planejado, nem do montante dos dias que passaram presos lá embaixo, mas daqueles primeiros 17 dias, às escuras, com pouquíssima comida e água, sem comunicação com o mundo exterior que ainda nem sabia que estavam vivos e provavelmente já os julgavam todos mortos, quando tinham por companhia apenas uns aos outros, a escuridão, o calor, a fome, o medo, seus pensamentos e temores e a inabalável esperança enraizada na excepcional fé cultivada por todos. 

Que importante lição poderemos tirar para nossa vida deste acontecimento tão incrível? Como puderam aqueles homens manter a calma e a esperança diante de situação tão desesperadora? Com fé. Independentemente de religiões, seja essa, aquela ou até mesmo nenhuma, é importante termos fé em Deus. Acreditar na força do amor Dele por nós. 

Deus não tirou aqueles homens das profundezas da terra, foram os homens que trabalharam incansavelmente para isso e as máquinas que fizeram o trabalho mais pesado, mas certamente foi a fé em Deus que os manteve vivos e fortes para serem resgatados. Foi Deus que deu forças à eles e à suas famílias para suportarem a espera. Foi Deus quem deu forças e iluminou o pensamento daqueles encarregados de planejar e executar o resgate. 

É nisso que acredito. Deus não resolve nossos problemas,isso nós mesmos temos que fazer. Mas ele nos dá forças, entendimento, coragem. Quem não carrega Deus no coração nem tem fé se desespera, se revolta e, com a razão comprometida por esses sentimentos, não consegue realizar aquilo que poderia.


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Com este post, comemoro 6 meses do meu bloguinho. Mais de 8 mil acessos em 37 países diferentes, com 79 seguidores e outros tantos leitores assíduos. Obrigada aos novos seguidores e à todos que lêem minhas "tralhas".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mais polêmica

Outro assunto polêmico sobre o qual queria opinar aqui é a adoção de crianças por casais gays. Novamente peço licença para deixar de lado as questões religiosas e tratar o assunto de forma mais fria.

A lei impede que casais homoafetivos adotem crianças, mas essa mesma lei permite que uma criança seja arrancada dos braços da sua mãe e entregue a um pai (oi?) que no mínimo a deixou morrer sem socorro em condições de extrema dor e sofrimento (Caso Joanna).

Ora, se a justiça entrega a guarda de uma criança para ser negligenciada e morta nas mãos do próprio pai, qual o problema em entregar a guarda para um casal de gays que podem dar a essa criança amor e cuidados dignos? 

Temos visto todo tipo de barbárie cometida por quem deveria cuidar, proteger e amar que não consigo entender a relutância em se permitir que pessoas que tem capacidade para amar e cuidar sejam impedidas de adotar.

As pessoas que se candidatam à adoção, sejam elas gays ou não, devem ser investigadas para saber se tem mesmo condições EMOCIONAIS e PSICOLÓGICAS para adotar uma criança, pois estas condições devem contar muito mais que as financeiras, religiosas e outras questões mais preconceituosas do que práticas. Afinal, famílias ditas "normais" não são perfeitas. Pais e mães, apesar do amor, também erram na criação de seus filhos.
Não vou me estender muito nesse assunto, me faltam argumentos técnicos e os emotivos me embaçam um pouco a razão, mas o que penso é que crianças não devem viver em abrigos, nem nas ruas ou em qualquer outra situação de abandono enquanto houverem pessoas capazes de amá-las e educá-las desejando adotá-las.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Não ao aborto

Quero abordar aqui alguns assuntos chatos, que certamente irão me render protestos e algum mal estar porque envolvem questões religiosas, preconceitos ou dogmas. São assuntos recorrentes e persistentes nas rodas de discussão e quero deixar aqui minha opinião sobre eles, mesmo que isso me renda alguma dor de cabeça. 
Um desses assuntos é a legalização do aborto. Este assunto volta e meia volta a ser discutido, e com as eleições presidenciais indo para o 2º turno, ficou ainda mais "na moda".

Eu sou contra o aborto. 
Aborto é assassinato, já que o feto É um ser vivo, uma manifestação de Deus, parte da criação.
Mas o assunto não é tão simples assim. Todos os dias mulheres morrem ou são mutiladas por causa de abortos mal feitos em clínicas clandestinas, muitas sem higiene nenhuma. Clínicas que cobram verdadeiras fortunas para executar tal crime. A legalização do aborto certamente diminuiria os riscos para as mulheres que se submetem à esse procedimento e suas consequências para a saúde pública do país e acabaria com o "ganha pão" de gente sem escrúpulos que lucra com a desgraça alheia. Também diminuiria muito o nascimento de crianças indesejadas que seria negligenciadas, abandonadas, maltratadas. Isso é fato.

Mas nada disso justifica o crime. Legalizar o aborto seria um sinal verde para que mais mulheres desistam de suas gestações e se aventurarem por esse caminho. O que precisa urgentemente ser feito é a criação de uma política pública com campanhas maciças de esclarecimento e conscientização para que as mulheres (e os homens também) entendam que ter o domínio sobre o próprio corpo e o poder de decidir o seu futuro, passa necessariamente pela responsabilidade de se prevenir de gestações indesejadas. É preciso que as mulheres saibam que usar um método anticoncepcional é mais fácil, barato, eficiente e saudável do que se submeter a um aborto. Questões religiosas à parte, (embora sejam bons e fortes argumentos), em qualquer situação prevenir é sempre melhor do que remediar. Isso também é fato.

O assunto é polêmico e muito complexo e seja qual for o desfecho deste caso, certamente não agradará à todos, mas há que se tratar a vida com o respeito que ela merece. A vida é um dom divino, caro, precioso. Precisa ser guardado, protegido de todas as formas. E à nós, mulheres, esse dom é dado com uma reponsabilidade à mais: recebemos nossa própria vida e o poder de gerar outras. Isso é uma honra e precisa ser tratado como tal.



 



(Foto da Internet)

domingo, 10 de outubro de 2010

Dia das crianças

Sou do tempo em que o dia das crianças era mais uma data para se fazer um bom passeio com o pai e a mãe, do que de ganhar presentes. É claro que sempre ganhava uma coisinha, mas como faço aniversário em novembro e em dezembro tem o Natal, época em que os presentes são mais volumosos, em outubro o mais interessante era mesmo passear ou qualquer coisa do tipo.

Vejo na TV os pais levando os filhos para escolherem os presentes e ficando aflitos com essas escolhas, no meu tempo os presentes eram dados de acordo com o que  o pai e mãe (ou tios, avós, dindos) podiam dar, a mim foi ensinado à agradecer. Até hoje não consigo escolher um presente e fico imensamente grata por terem lembrado de mim, não importa muito o que me é presenteado e sim o carinho com que é dado.

Crianças brincando de cantar
Crianças pequenas não entendem a necessidade do presente, até que nós mesmos as ensinarmos. Aqui em casa, como a situação não tá lá essas coisas, elas não sabem que dia 12 é dia de criança ganhar presente e portanto não irão sofrer por não ganhar. A estratégia é passar o dia com elas, levá-las na pracinha, fazer um lanche gostoso, dar a elas mais atenção do que temos dado.

Não acho importante que minhas filhas tenham brinquedos caros, nem as bonecas que aparecem nos comerciais de televisão, ou a última sandália da Xuxa. Acho mais importante que elas brinquem, tenham espaço para correr, possam rabiscar seus desenhos (dia desses ganhei um enfeite lindo de círculos de todos os tamanhos no meu lençol), recebam carinho e atenção. Que possamos ter tempo e paciência para ouvir suas histórias, mesmo que ainda não tenhamos aprendido a traduzir a sua linguagem.

É óbvio que quero o melhor para minhas filhas, sonho em poder dar a elas roupas novas compradas exclusivamente para elas, brinquedos educativos, bonitos e coloridos, mas peço mais a Deus que me dê saúde para vê-las crescer, serenidade para acompanhar o ritmo acelerado e frenético das suas brincadeiras sem perder a paciência e, se não for pedir muito, capacidade para ensinar a elas valores verdadeiros e fazer delas pessoas felizes, plenas, capazes.

Neste momento, tudo o que eu tenho para dar às minhas filhas é o imenso amor que sinto por elas, um bocadinho de sabedoria que ganhei ao longo da vida e os valores que aprendi com os meus pais. Não é muito, mas espero que seja suficiente.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Lembranças de uma viagem

Conheci São Paulo quando tinha 11 anos. Meus tios Marta e Fernando haviam mudado para lá um ano antes e como éramos muito apegados, em especial à tia Marta, resolveram me levar pra passar uns dias com eles depois das festas de fim de ano celebradas aqui no sul junto das famílias. 

Passei uns dias com eles na praia de Atlântida e nos primeiros dias de Janeiro pegamos a estrada rumo à capital Paulista. Foi uma viagem longa, de carro, íamos parando aqui e ali para um lanche, um xixi e um pouco de descanso para os motoristas que embora fossem 2 se revezando na direção do chevetinho, uma viagem longa assim, horas e horas na estrada, cansa qualquer mortal.

Para me distrair, me compraram uma pilha imensa de gibis que eu adorava, mas como lia rápido, devorei toda a pilha entes mesmo da hora do almoço do primeiro dia de viagem.  Mas ainda tinha as lindas paisagens de Santa Catarina e suas praias azuis, que eu até então nunca tinha visto. Almoçamos em Garopaba e depois nos atiramos naquele mar de águas transparentes. Foi o melhor banho de mar que tomei na vida, não esqueço nunca.

Ainda tínhamos muita estrada pela frente então ficamos pouco tempo parados ali, seguimos viagem até Curitiba onde passamos  a noite e de onde partimos para o segundo dia de viagem. A essa altura, já não tinha mais tantas belas paisagens a serem admiradas, a única fita K7 (é, eu sou velha) existente no carro era "10 anos de Abba" e já tinha rodado umas 300 vezes de cada lado e já não suportávamos mais ouvi-la. 

Também já tinha lido todos os gibis umas quantas vezes e já não tinha a menor graça. Do Paraná para cima, em direção ao estado de São Paulo, o trânsito era intenso e as estradas repletas de caminhões. Comecei a contá-los para passar o tempo. Obviamente perdi a conta.

Catedral da Sé - foto da internet site http://culturageralsaibamais.wordpress.com/
Mas finalmente chegamos à cidade e fiquei maravilhada com tudo que conheci lá. Naquele quase um mês que passei naquela cidade imensa, conheci muita coisa que não existia por aqui ainda, como os Shoppings  (o primeiro de Porto Alegre inaugurou uns dois anos mais tarde) ou coisas grandiosas como os aeroportos, a praça da Sé, as avenidas repletas de arranha-céus, a 25 de Março e a multidão que circulava por lá. Lembro que comprei uns presentes para meus irmãos e uma camiseta do "Curintia" pra mim de lembrança da cidade.

  Como eu ainda era criança, os passeios que mais me marcaram foram os de criança, como uma noite no playcenter, um parque gigante perto dos que eu conhecia, com brinquedos que eu nunca tinha experimentado e os adultos fazendo todas as minhas vontades. Outro passeio inesquecível foi à ida ao cinema para assistir o filme "Indiana Jones" (ó eu entregando a idade de novo) que era censurado para menores de 14 anos. Eu tinha 11 e entrar no cinema enganado o bilheteiro que tinha 14 e que a tia era minha mãe, foi uma aventura e tanto para mim. 

No final do tempo previsto para minha estada lá, fui convidada à ficar. Meus tios ainda não tinham filhos e seria muito bom pra mim ficar com eles. Balancei, fiquei tentada. Mas pensei na minha mãe e nos meus irmãos ainda pequenos, sabia que viveriam sem mim, mas apesar disso sabia também que precisavam da minha ajuda. Senti saudades e voltei. Dessa vez sozinha e de avião, vivendo mais uma experiência nova e inesquecível.

O tempo passou e nunca mais consegui voltar lá. Meus tios mudaram-se para Manaus, tiveram dois filhos lindos que já são adultos (e continuam lindos), voltaram para São Paulo, separaram-se, casaram de novo. Eu cresci, tive filho, casei, tive mais um monte de filhos. A vida segue seu curso. Mas as lembranças constróem a pessoa que somos e as lembranças boas são as que mais contribuem para essa construção.

Não sei se gostaria de morar em São Paulo, aquela cidade me assustou um pouco, por sua imensidão, seu movimento, agitação e barulho. Sei com certeza que gostaria de voltar lá e ver de novo esta cidade com um olhar mais atento. É com certeza uma cidade magnífica e grandiosa.

Depois dessa, fiz muitas viagens bacanas onde me diverti muito. Mas nenhuma ficou tão marcada na minha memória quanto essa, por todas as experiências novas que meus tios me proporcionaram naqueles dias.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Errar e acertar

Quem nunca pecou, nunca, em momento algum de sua vida, fez algo de que se envergonhe, que atire a primeira pedra. Ser uma pessoa correta, íntegra, de caráter ilibado, é muito bonito e fácil na teoria, na prática nem tanto.

Falo isso porque muitos dos meus textos fazem crer que tenho uma vida linda, que faço tudo de maneira perfeita, não reclamo da vida e sempre sei a coisa certa a ser feita. Eu não minto, nem enfeito a verdade, apenas emito as partes chatas e escrevo aqui aquilo que é positivo e que dá certo. Não vou ficar aqui resmungando e me lamentando. Falo sobre o que funcionou comigo, que caminho tomei para resolver minhas questões em vez de contar todas as tentativas e erros. A vida não tem manual de instruções e a gente só aprende a viver, vivendo. Só aprende a amar, amando. Só aprende a educar, educando.

Eu cometi muitos erros ao longo desses quase 40 anos de existência, alguns dos quais me envergonham muito. E se me envergonho é porque percebi que errei, mudei meu pensamento e minha maneira de agir em função deste ou daquele erro e disto sinto orgulho, pois admitir nossas faltas e tentar corrigi-las é uma atitude que poucos tem. 

Mas se sinto vergonha dos meus erros, não me arrependo de tê-los cometido, pois aprendi uma lição com cada um deles. Só erra quem faz.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

CADEIRANTE BARRADO

Recebi ontem à noite um email do meu amigo Renato Zang, de Esteio-RS, portador de Esclerose Múltipla como eu, pessoa admirável cujo perfil pode ser conhecido no orkut clicando aqui. Li e fiquei revoltada pelo descaso com que meu amigo foi tratado e resolvi divulgar as palavras dele aqui no blog, como forma de protesto e também para que não ocorra mais, nem com ele, nem com quem quer que seja. 

Abaixo, reproduzo na íntegra as palavras dele:

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"CADEIRANTE BARRADO NA HORA DO VOTO"


"MAIS UMA VEZ , POR FALTA DE ACESSIBILIDADE, EU, RENATO CESAR ZANG DE MORAIS, FUI IMPEDIDO DE EXERCER MEU DIREITO DE CIDADÃO BRASILEIRO. AO ME DIRIGIR AO COLÉGIO ELEITORAL DE MINHA CIDADE, APÓS TER TOMADO TODAS AS PROVIDÊNCIAS CABÍVEIS PARA QUE NÃO HOUVESSE NENHUM IMPEDIMENTO, ME DEPARO PRA COMEÇO DE CONVERSA COM O PORTÃO FECHADO ONDE FICA A RAMPA DE ASCESSO AO CADEIRANTE.
APÓS UNS DEZ MINUTOS MAIS OU MENOS, ENCONTRARAM A CHAVE DO PORTÃO , PORÉM FUI IMPEDIDO PELA TERCEIRA ELEIÇÃO COMNSECUTIVA POR UM LANCE DE ESCADAS, SENDO QUE A URNA DEERIA ESTAR COLOCADA NUM LOCAL DE ASCESSO AO QUAL EU PUDESSE VOTAR.
COMO SE NÃO BASTASSE, FUI ORIENTADO PELO PRESIDENTE DA MESA, QUE DEVEREI ME DIRIGIR AO CARTÓRIO ELEITORAL APÓS 15 DE NOEMBRO PARA JUSTIFICAR O VOTO, SENÃO O FIZER, CORRO O RISCO DE PAGAR UMA MULTA POR ISSO.
SEGUE O DOCUMENTO ABAIXO , QUE JÁ JUSTIFICA MEU NÃO COMPARECIMENTO A URNA , CASO FOSSE ESSA A MINHA VONTADE, POIS MEU VOTO PASSOU A SER FACULTATIVO,EMBORA EU TENHA OPTADO PELO VOTO."
.


"AINDA COMO SE NÃO BASTATE ESSE CONSTRANGIMETO, AINDA FUI OBRIGADO A ASSISTIR UMA CENA DE DISCUSSÃO ENTRE O PRESIDENTE DA MESA E UMA FISCAL, NÃO ENTRAVAM EM ACORDO DE COMO PROCEDER NO MEU CASO. UMA VERGONHA.
ISSO REALMENTE ESTRAGOU O MEU DOMINGO.
FICA AQUI O MEU PROTESTO."
ASS: RENATO CÉSAR ZANG DE MORAIS

ESTEIO, 04 DE OUTUBRO DE 2010

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Como se vê, um cidadão que não é obrigado a votar, mas QUER exercer sua cidadania, foi impedido por falta de acessibilidade, algo que deveria ser simples e comum à todos nós. Será que os eleitos de agora serão capazes de modificar essa situação, para que pessoas como o Renato não tenham mais que passar por este tipo de constrangimento, de humilhação?



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Saber esperar, saber aceitar

Tudo que acontece em nossa vida, sejam coisas boas ou ruins, servem para nos ensinar alguma coisa. Só sobrevive às suas "tragédias" pessoais quem for capaz de extrair delas algum aprendizado, alguma coisa boa para sua vida.

Mas o que pode haver de bom em eventos deste tipo? É difícil dizer, cada caso é um caso, cada pessoa reage de uma maneira, em um tempo diferente e cada um sabe o que é melhor para si mesmo, mas é preciso estar atento para não perder aquilo que a vida nos ensina.

Vou citar um exemplo que aconteceu comigo, primeiramente à partir de algo ruim, depois de algo bom, mas ambos os eventos resultaram em um aprendizado muito grande para mim, e o evento ruim que veio primeiro, foi uma preparação para o evento bom.

Vamos aos fatos. Quando tive aquela crise que resultou na descoberta da EM, tive que aprender a ESPERAR. Meu marido agora vai rir disso, pois o que mais me irrita nele é justamente ter que esperar por ele, que nunca tem pressa pra nada, mas foi à partir desta crise que comecei a ser mais tolerante com isso. 

Nunca gostei de esperar por nada, sempre fui impaciente, apressada, ansiosa. Quando me vi daquele jeito no hospital, queria saber logo o que eu tinha. Tinha minhas suspeitas é claro, mas queria ouvir dos médicos o que eu tinha e como iria me livrar daquilo. Já. Mas logo descobri que as coisas não eram bem assim.

Na EM tudo se processa muito devagar. O diagnóstico é difícil, pois não existe um exame capaz de detectá-la com precisão, são necessários vários, ao longo de meses, às vezes anos, antes que se defina o diagnóstico. Eu até tive "sorte", entre este surto e o diagnóstico conclusivo se passaram 10 meses. Mas esta suposta sorte se deveu ao fato de minha doença estar em plena atividade e já existir há alguns anos, só que como os sintomas eram brandos, foram confundidos por mim com cansaço, stress e coisas do tipo, me levando a negligenciar minha saúde e atrasar meu diagnóstico em pelo menos uns 4 anos.

Como dependo do SUS, conseguir realizar exames como ressonância, punção lombar e potencial evocado é difícil e demorado. Essa demora na realização dos exames gera uma demora nas consultas e no início do tratamento que é feito com remédios caríssimos (valores entre 7 e 8 mil reais uma caixa que dura um mês) e necessitam de processo para serem conseguidos. Tudo isso é muito frustrante. 

Mas aos poucos a gente vai entendendo que é assim que as coisas funcionam e embora não seja possível se conformar com isso, é preciso conviver com isso. Aprendemos a ACEITAR. Vamos aos poucos descobrindo que a doença não nos traz nenhuma certeza, muito pelo contrário, a imprevisibilidade passa a fazer parte da nossa vida.

Não é possível saber se a doença vai progredir, como vai progredir, quando será o próximo surto, que parte do meu corpo será atingida, se haverá remissão, se ficarão sequelas... Nada pode ser previsto. Não existe sequer uma lógica nesta maldita. Ela se manifesta quando quer e do jeito que quer. Diante disso, só nos resta esperar. 


Aí vem o evento bom, o nascimento das meninas. Com a chegada delas, esta lição se fez mais contundente. Primeiro precisei aceitar, porque queria mais um bebê e acabei ganhando três em pouquíssimo tempo, mas essa foi a parte mais fácil. Queria muito um menino, mas vieram mais três meninas, essa parte também foi fácil. 

Precisei parar de trabalhar, primeiro porque ficou muito cansativo pra mim essa jornada de casa, trabalho e muitas crianças e a fadiga é uma constante na minha vida por causa da doença e não posso forçar a barra com o meu corpo. Depois, porque ficou inviável pagar creche para duas (e depois três), era pegar o dinheiro de um lado e largar do outro, não compensava mais trabalhar. Foi preciso me organizar, criar uma rotina. 

Precisava ter paciência para ouvir o choro de uma enquanto cuidava da outra, sem me desesperar. Ainda agora, quando todas já estão maiorzinhas, é preciso jogo de cintura para atender uma de cada vez, nem sempre ELAS tem paciência para esperar. Essa é foi parte mais difícil.

Foi um aprendizado e tanto. Claro que isso não é um estalo, não acontece assim da noite para o dia, é um processo, lento, doloroso e que ainda está em curso. Também não pude ver isso no início, mas fui percebendo as mudanças à medida que aconteciam e não me rebelei contra elas, deixei que acontecessem. 

Mas este processo só foi possível à partir de um evento ruim na minha vida, algo doloroso e sofrido, que com o tempo se transformou em algo construtivo e que tem sido bom na minha vida.

Saber esperar que as coisas nos aconteçam ao seu tempo, saber aceitar o que a vida nos oferece, ao contrário do que possa parecer não é conformismo, nem comodismo. É saber usar o que temos para buscar e construir o que não temos, é ter paciência e não atropelar os acontecimentos, ter consciência que a primavera, florida e perfumada, só vai chegar quando o inverno terminar.

domingo, 3 de outubro de 2010

À espera de Júlia



Dia desses falei aqui sobre uma irmã do coração, a Carla, pois hoje quero falar de outra irmã que o meu coração escolheu, a Magda.

Magda foi minha vizinha durante anos, quando me mudei para esta casa, logo veio oferecer ajuda, puxar papo. É uma pessoa comunicativa, expansiva, otimista , falante e sempre alegre, o tipo de gente que me cativa de longe.

De cara, o que nos aproximou ainda mais, foram as crianças:eu tinha o Allyson com 11 e a Yasmin tinha 3 anos  meio, ela tinha o Guilherme com 8 e a Gabriela que iria fazer 3 em pouco tempo. As meninas viraram irmãs siamesas no mesmo instante em que se conheceram.

Prestativa e generosa, minha vizinha estava sempre pronta pra me ajudar com o que eu precisasse e foi ela quem cuidou da Yasmin quando eu de repente arrumei um emprego, assim sem esperar nem planejar e de um dia para o outro precisei arrumar alguém pra tomar conta da minha pequena. Ela tomou conta da minha filha por um ano inteiro, até que ela própria arrumasse um trabalho fora, mas aí eu já tinha me planejado melhor.

Quando fiquei grávida das gêmeas, fizemos mil planos de ela ficar mais perto de mim e me ajudar, mas quando voltei pra casa com as meninas ela tava de mudança, havia separado do marido.
Embora soubesse que isso era possível e até provável de acontecer, fiquei em choque com a notícia: mas como? tu vai me abandonar justo agora?

No alto: Gabriela, Yasmin e Magda. No centro: Eu com a Aline e a Letícia no colo. Em baixo: Camila e Guilherme.
Na verdade ela nunca me abandonou, mas foi morar longe e ficamos mais distantes, mas nunca menos amigas.
Agora ela refez a vida e está à espera da Júlia que deve chegar em 2 meses. Estou muito feliz por ela, porque conheço bem sua história e todos os perrengues por que passou e vê-la feliz é felicidade pra mim também.
Ontem foi o chá de bebê dela, uma festa simples, com as amigas mais próximas e a família, mas sempre muito divertida pois onde a Magda está, lá também está o riso e a alegria.

Queria só registrar aqui o "evento" e a minha torcida para que esta menina chegue trazendo com ela tanta luz e tantas bênçãos capazes de fazer feliz à todos que se aproximarem dela. Desejo à Júlia, tanta saúde, paz, amor, sucesso e alegrias quanto desejo aos meus próprios filhos. Seja bem vinda Júlia!!! Estamos ansiosos à tua espera, com muito amor para lhe dar!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Votar com consciência

É chegada a hora do voto. Depois de meses de campanha, semanas aguentando o tal horário eleitoral gratuito na TV e rádio (um verdadeiro inferno, até quando eles vão continuar a nos submeter à essa tortura?), debates, entrevistas, corpo à corpo, acusações, denúncias, disse-que-me-disse, pesquisas de validade duvidosa para o processo como um todo, agora é hora da verdade.

Neste domingo vamos às urnas e depositaremos lá nossa esperança num país melhor, mais justo e igualitário.
Mas ainda há tempo para refletirmos. Uma última revisão na biografia dos nossos candidatos, suas ações e promessas, pesar os prós e contras e mudarmos nosso voto ou decidirmos por quem já estava no nosso pensamento.

A Lei da Ficha Limpa, grande esperança popular para essas eleições, esbarrou no mesmo de sempre: o jeitinho brasileiro de burlar toda e qualquer lei que exista. Por isso caberá à nós mesmos mostrarmos ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal quem é que manda nesse país: NÓS! Para fazer valer a nossa vontade, soberana vontade popular, de termos deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente com Ficha Limpa é bem simples: basta votar em quem a tem.

Votem com consciência. Não permitam que as pesquisas ou o que quer que seja lhe induza a votar em quem você não acredita. Lembre-se que você pode mudar o seu voto a qualquer momento, que ninguém irá saber em quem você votou a menos que você conte. Não se deixe iludir, não se deixe comprar, não se deixe induzir.

Vote em quem você acredita. Vote conscientemente sabendo que essa decisão pode mudar a história desse país, ou não. Só depende de você.

Bom voto à todos!!! E seja o que Deus quiser. Seja o que o povo brasileiros quiser!


Deposite aqui a sua esperança, com confiança e convicção.
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