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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Luto


Comecei o dia sem saber muito bem do que falar, ou melhor, sabia bem sobre o que queria falar mas não tinha idéia de como. Então resolvi começar e ver no que vai dar.
Ontem faleceu uma pessoa que foi muito importante para nossa cidade e em especial para a comunidade da Igreja Santo Antônio à qual faço parte. Pe. Paulo foi pároco da nossa igreja entre 1999 e 2003 e sua passagem pela nossa paróquia foi marcante. Não tive o prazer de conviver muito com ele pois fiquei muitos anos afastada da igreja e o ano do meu retorno foi o mesmo da sua saída, mas foi o suficiente para eu aprender a admirá-lo. Ele foi meu confessor e tinha o dom da palavra. Um ser humano fabuloso, um padre empreendedor e muito dinâmico. Seus sermões eram de muita sabedoria. A gente falava ou perguntava algo e ele respondia com palavras simples, mas de uma força sem igual, que aliviavam o peso da culpa, mas colocavam alguns kilos a mais no peso da responsabilidade e do compromisso que devíamos ter com Deus e com o próximo. Fiquei muito triste com a sua partida repentina, ele era ainda muito jovem, 55 anos, e partiu bruscamente deixando em todos que conviveram com ele uma enorme sensação de vazio.
Mas ele deve estar agora nos braços do Pai e essa certeza deverá ser o conforto de todos aqueles que o amavam.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ao pé do farol

Linda mensagem que recebi por email da minha querida tia Marta e que diz muito sobre pais e filhos. Acredito realmente no que diz essa mensagem e procuro colocar em prática tal verdade, embora seja muito difícil.

"Os pais fazem dos filhos, involuntariamente, algo semelhante a eles, a isso denominam “educação”, nenhuma mãe duvida, no fundo do coração, que ao ter seu filho pariu uma propriedade; nenhum pai discute o direito de submeter o filho aos seus conceitos e valorações." (Friedrich Nietzsche)

Li, certa vez que, ao do Farol, não há luz.
Mas, e o que dizer, quando falamos não de uma proximidade geográfica, mas emocional, como na relação entre pai e  filho, por exemplo?
Somente hoje, distante de meu pai, vejo o suficiente para enxergar, com relativa nitidez, a luz de seu Farol e para compreender a liberdade acolhedora de seu amor que, à época, eu percebia como sufocante e limitador. 
Foi preciso jogar-me ao mar, navegar nas ondas e intempéries daquilo a que chamamos vida, para vislumbrar não somente em que me tornei, mas também para reconhecer a segurança do porto de onde parti.
Só assim pude entender não apenas o que hoje sou, mas de que raízes brotei...
Lembro-me  de, quando jovem, ter dado a meu pai um livro do genial poeta Kahlil Gibran.  
No capítulo "Dos Filhos", Gibran escreve:  
"Vossos filhos não são vossos filhos.  
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma."
Eu, como todo jovem, clamava por liberdade. 
E,como jovem, ignorante e esquecido dos perigos do desconhecido, enxergava apenas o mar que à minha frente se expandia.
Dar o livro a meu pai era como dizer a ele:  
"me deixa viver, me conceda a liberdade plena da experiência."
Lembro que toda vez que discutíamos sobre liberdade ele me falava dos perigos que a vida nos reserva.  
Mas eu, que estava ao do Farol, enxergava apenas a beleza do horizonte e meus olhos não percebiam a dureza do percurso...
Hoje sou pai.  
Os filhos crescem, amadurecem, e percebo que, como muitos pais, continuo a tratá-los como se tivessem sempre a mesma idade, a mesma mentalidade, as mesmas fraquezas...
Como hoje eu entendo que, para aprender a navegar, precisamos desafiar os tormentos e as borrascas do mar, é chegada a hora de aceitar um dos inevitáveis desígnios da vida:  
se nossos filhos estão ao do Farol, eles só poderão ver a luz se entrarem mar adentro...
E o melhor que podemos fazer, é desejar-lhes boa viagem.  
E torcer para que carreguem consigo um pouco de suas raízes.  
Desconheço o Autor.

"Acreditar que basta ter filhos para ser um pai é tão absurdo quanto acreditar que basta ter instrumentos para ser músico." (Mansour Chalita)

"Os filhos são educados como se fossem ficar toda a vida filhos, sem nunca se pensar que eles se tornarão em pais." (August Strindberg)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

10 Coisas que aprendi com meus filhos

  1. Deus existe e as crianças são sua mais bela forma de manifestação;
  2. Crianças não vem com manual de instruções, e como são feitas por fabricantes diferentes, cada um tem que descobrir como funciona a sua;
  3. Nada funciona do mesmo jeito sempre, quando achamos que finalmente estamos acertando é aí que começamos a errar;
  4. Crianças crescem, as roupas não;
  5. Esqueça essa ideia de que crianças pequenas não entendem nada. Aquele bebezinho de 15 dias, rechonchudo e quase imóvel no berço, entende muito bem que se ele chorar a mãe corre pra atendê-lo e se a mãe correr pra atendê-lo a cada resmungo, vira a escrava de um doce tirano e daí por diante;
  6. Adolescentes testam a nossa autoridade, nossa paciência e os próprios limites. Isso é fato. Cabe aos pais permanecerem vigilantes;
  7. Quem ama também diz NÃO;
  8. É mais fácil tratar um adulto que teve uma educação repressora do que impor limites a quem não aprendeu a tê-los desde pequeno;
  9. Filhos em qualquer idade dão trabalho, muita preocupação e despesa, mas enchem a casa e a vida da gente de alegria;
  10. Filhos criados, trabalho dobrado. Sabe aquela noite de sono tranquila que você tinha antes deles nascerem? Esqueça. Bebês choram e mamam, crianças pequenas ficam doentes, adolescentes saem à noite para festas e adultos vão morar sozinhos. E as mães, essas passarão para sempre suas noites dormindo com um dos olhos abertos e o coração na mão.

Apesar dos prós e contras, filhos são bênçãos de Deus na nossa vida, não que quem não os tenha não seja abençoado também, mas os filhos são a forma de bênção que Deus dá a quem se dispõe a abrir seu coração e sua vida para tê-los, a despeito do trabalho que dão e do mundo em que vivemos. Ter filhos é acreditar em Deus e apostar no futuro, e é a melhor maneira (senão a única) de nos tornarmos imortais.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um pouco de poesia

Como peguei pesado, com textos longos e muito emotivos nos últimos dias, vou dar um refresco. Uma poesia, um pouco de amor.



Fanatismo
Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és se quer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio do Fim!..."
Florbela Espanca

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos pais

Hoje é dia dos pais e como não podia deixar de ser quero homenagear todos os papais e em especial dois que eu conheço muito bem. 

Meu pai

Levando a neta pra conhecer o mar
Meu pai é uma figura singular. Ele é um contador de histórias. Não histórias de contos de fadas ou coisa parecida, embora inventasse algumas pra mim quando era criança, mas de histórias da sua vida, da sua infância e juventude, histórias que ele traz guardadas na memória com riqueza de detalhes. A grande maioria delas já ouvi milhares de vezes, mas ainda me encanto em ouvir. Já sei o que vem depois e já ajudo ele a contar quando a memória falha um pouco e ele se perde nas suas narrativas, mas ele logo retoma o fio da meada e segue contando suas ricas histórias.
Pai, mãe e eu. Lindinha né?

Tenho verdadeira adoração pelo meu pai, quando criança acreditava que ele era a pessoa mais inteligente que existia, sempre tinha respostas para minhas intermináveis perguntas infantis. Eu acreditava que ele sabia de tudo . Na adolescência descobri que ele não era um super-herói, mas um mortal como qualquer outro, sem super poderes, nem visão de raio X e o pior, que era imperfeito, cometia erros e não sabia de tudo. Confesso que me decepcionei um pouco, coisa normal de adolescente, mas depois isso passou, afinal ele é o MEU super-herói, com seus defeitos e falhas, um herói extremamente humano, sensível e que tem um amor enorme pela sua família.

Ele é do tipo papai bobão, que apresenta os filhos pra todo mundo, e me olha como se ainda tivesse 5 anos e fosse a menininha do papai com seus cachinhos dourados e bochechas rosadas. Com os netos (7 no total) então, ele repete com eles as mesmas brincadeiras que fazia comigo, meu filho mais velho que é o 1º neto e moramos juntos com ele até os 6 anos, ele deu todas as ousadias possíveis e imagináveis  e embora não tenha o mesmo vigor e disposição, ainda encara um bom passeio na praia carregando uma pela mão, outra no colo... 
No dia do meu casamento
Sempre foi muito amoroso e carinhoso, sentimental ao extremo, mas o DNA alemão não permite que demonstre suas emoções que ficam cada vez mais evidentes quanto mais ele tenta escondê-las. É meu pai. E isso só me basta, é suficiente para que eu o ame e respeite. Mas ele é mais do que meu pai, é uma das minhas referências de valores, de honestidade, retidão de carater, de cidadão consciente. Valores que eu aprendi vendo o seu comportamento, suas atitudes e que na medida do possível tento repassar para os meus filhos. Pessoa simples, que não precisa de luxo pra ser feliz, basta-lhe ter os filhos e netos por perto, quem dera poder ter também os irmãos, cunhados, sobrinhos, mas todos moram longe, cada um em um lugar diferente. Se pudesse estaria sempre junto de todos, assim como eu gostaria de poder estar mais perto dele. 
Por essas e outras tantas coisas que nem caberiam neste espaço eu digo: 
EU TE AMO MEU PAI.



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O pai dos meus filhos

Carlos é um pai maravilhoso, presente, participante, que troca fraldas, dá banho, corta as unhas, penteia os cabelos, brinca, educa, dá carinho, tudo o que é preciso fazer e mais um pouco.
Dividindo a cama com a mulherada
Foi um ótimo pai pro meu filho, mesmo ele já tendo um que também é um bom pai. Aceitou e amou o Allyson desde o início do nosso namoro, que poucas vezes foi a sós, já que o pequeno estava sempre junto em nosso passeios, nossas idas ao cinema eram na maioria das vezes para assistir, Rei Leão, Mogli, Xuxa e Trapalhões. Apesar de ser meio apavorado e ter entrado em pânico toda vez que anunciei uma gravidez, ele recebeu as filhas com um carinho e amor ímpares. Desde o primeiro momento sempre quis tomar conta, embalar, acarinhar, e principalmente, mimar e encher de manias. Elas adoram o pai que tem, sou testemunha disso e morro de ciúmes às vezes. Desde a mais velha que já é uma moça até a menorzinha que ainda é só um bebê, elas adoram esse pai. E apesar de ele trabalhar 25 horas por dia e estar sempre muito atarefado e cansado, tem sempre um tempo pra brincar com elas, paciência pra dar um colo e muito amor pra dar à elas. Merece também por isso, meu amor e meu respeito. 
FELIZ DIA DOS PAIS MEU AMOR!

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Pai, paizão !

Este homem que eu admiro tanto,
com todas as suas virtudes e também com seus limites.
Este homem com olhar de menino, sempre pronto e atento,
mostrando-me o caminho da vida, que está pela frente.
Este mestre contador de histórias
traz em seu coração tantas memórias,
espalha no meu caminhar muitas esperanças,
certezas e confiança.
Este homem alegre e brincalhão,
mas também, às vezes, silencioso e pensativo,
homem de fé e grande luta,
sensível e generoso.
O abraço aconchegante a me acolher, este homem,
meu pai, com quem aprendo a viver.
Pai, paizinho, paizão...
meu velho, meu grande amigão, conselheiro e leal amigo:
infinito é teu coração.
Obrigado, pai, por orientar o meu caminho,
feito de lutas e incertezas,
mas também de muitas esperanças e sonhos!
Que seu dia seja muito feliz!


Terço Bizantino.
Feliz dia dos pais também para o meu sogro, meus irmãos, cunhados, tios e primos . Feliz dia dos pais a todos os pais!

sábado, 7 de agosto de 2010

Vó Lotti

Tinha adoração pelos meus avós, principalmente pelos vovôs que eram mais brincalhões e menos disciplinadores que as vovós, mas minha vó paterna Lotti é um capítulo à parte.

Alemã de nascimento, era uma figura imponente, postura de nobre européia e um certo ar de arrogância. Era alegre e muito vaidosa, andava sempre bem arrumada e maquiada, impunha respeito pelo tom de voz firme, mas sem gritar. 

Eu com 1 ano e vovô e vovó
Fui muito mimada pelos meus avós paternos quando criança, e também pelas minhas tias que eram ainda meninas quando eu nasci. Por ser a primeira neta e sobrinha, tive muito chamego e regalia. Mas depois que os outros netos vieram, e eu já estava crescida, foi exigida de mim uma postura de adulta e como eu era muito metida, me achava gente grande mesmo, uma coisa foi levando à outra e passei a ver mais o lado severo da minha vó.

Acabei ficando com essa imagem marcada, de uma pessoa dura, que não era dada a demonstrações de afeto, infelizmente esse é um traço da personalidade alemã que eu também tenho, por isso hoje compreendo melhor. Apesar de me sentir rejeitada, continuei a amá-la e respeitá-la e disse isso a ela algumas vezes enquanto ela era capaz de me entender.

Mas vovó teve Mal de Alzheimer e partiu muito pouco tempo depois de internação em uma casa de repouso. Obviamente ela já tinha a doença há muitos anos, mas quando o diagnóstico surgiu já não havia mais muito o que fazer, ela definhou e regrediu rapidamente.

Como tinha ficado algum tempo sem vê-la antes da sua partida, estranhei muito aquela figura inerte diante de mim. Magra, pesava em torno de 40kg quando morreu, cabelos totalmente brancos, sem a tradicional tintura, sem maquiagem, sem jóias, vestida com um abrigo e um blusão simples, nem de longe lembrava a criatura imponente que eu conheci.

Mensagem escrita por ela quando fiz encontro de jovens
Fiquei dando voltas em torno daquele corpo sem vida, tentando identificar algum traço da minha vó que pudesse reconhecer. Fiz uma oração de despedida e me afastei, intrigada com o fato de só perceber esse sinal de reconhecimento quando toquei em suas mãos. 

No momento em que encostei minha mão nas dela, frias e sem vida, percebi que aquelas mãos muitas vezes seguraram firmes as minhas, com força, segurança e amor. Toda a aspereza dela, ficou pequena naquele momento e eu me despedi dela lembrando só do amor que ela teve por mim e compreendendo enfim todos os puxões de orelha e broncas e outras atitudes que eu julgava serem de incompreensão e rejeição.

Hoje que eu estou mais velha e tenho também meus filhos em idades variadas para educar e orientar, percebo em mim muito dela. Aparência e atitudes às vezes duras, mas coração mole e cheio de amor. 
Essas lembranças me vem à tona hoje, porque é o dia em que ela faria aniversário, 89 anos se ainda estivesse entre nós. 

Enquanto escrevo isso às lágrimas da saudade me embaçam à visão, vou terminar dizendo que acredito, e tenho mil razões pra acreditar, que ela está por aí, em algum lugar e vela por mim e minha família. Então encerro dizendo que amei e amo minha vó, assim como meu vô e que vovô e vovó são as melhores coisas que existem na vida e digo sempre isso aos meus filhos que tem a felicidade de ter os seus ainda todos juntos de nós.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um pouco sobre as crianças

Amigos me perguntam porque não tenho falado das crianças, do dia-à-dia com elas ou suas histórias. Não sei bem porque isso acontece, mas vou tentar explicar

Passo muito tempo com elas, passo muito tempo SÓ com elas. Tenho convivido pouquíssimo com adultos nos últimos 2 anos e meio.

Meu filho mais velho cresceu, bateu assas e voou para longe do ninho, foi alçar seus próprios voos indo atrás dos seus sonhos. A adolescente da casa não me dá muita linha, tá naquela fase em que tudo que a mãe fala é besteira. Além da escola os interesses dela são as amigas, as intermináveis conversas no msn, mini fazenda, café mania, Luan Santana, Restart e Justin Bieber. Eca! Fica difícil um diálogo muito prolongado. O marido trabalha 25 horas por dia, 8 dias por semana. Nosso tempo juntos é limitado, se resumindo em pequenas doses diárias assim tipo um tratamento homeopático. Só quem quer papo comigo são as crianças.

Em ordem: Camila, Letícia e Aline a turminha do barulho
De tempos em tempos me sinto exausta e sem paciência. Elas sugam toda a pouca energia que eu tenho, vocês devem lembrar que a fadiga é o principal sintoma da EM e ela me debilita bastante. Então preciso de uma "folga". 

Essa semana finalmente recomeçamos a levá-las para escola depois de umas "férias" forçadas de uns 2 meses, em virtude do frio extremo e do tempo úmido para que se recuperassem bem da sucessão de dodóis que vinham tendo desde março. O frio e a umidade ainda persistem, mas como agora elas estão bem, decidimos pelo retorno.

Na escola, além de me darem uma folga pois não é fácil nem mesmo para uma mãe saudável e cheia de energia tomar conta sozinha de 3 crianças pequenas, elas podem conviver com outras pessoas e crianças, receberem um estímulo pedagógico diferenciado e ainda aproveitam o espaço para brincar, já que em casa espaço é o que menos se tem.

Imaginei, e as professoras também, que depois de tanto tempo elas precisariam de uma readaptação, mas elas entraram na escola como se estivessem indo todos os dias, nem tchau nos deram. E ficaram bem. Elas simplesmente adoram a escola e é por isso que eu não me sinto culpada em deixá-las lá. É bom pra mim, mas é muito bom pra elas também, que se desenvolveram bastante depois que começaram a ir. Deixaram de ser tão bicho-do-mato, estão muito mais sociáveis, desenvolveram bem a linguagem e várias outras coisas mais.

Estes primeiros dias aproveitei pra descansar um pouco (muito!), estava realmente precisando pois a fadiga física sempre vem acompanhada da fadiga mental que me deixa muito desatenta e burra.
Espero que na medida em que esteja mais descansada e depois de tagarelar com o mundo através do blog, eu encontre inspiração de narrar as peripécias das minhas pequenas, que não são poucas.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Saudades de Vacaria....

Minha mãe nasceu numa cidade chamada Vacaria,que fica nos campos de cima da serra, região mais fria do Rio Grande do Sul. Por causa da distância, íamos lá uma vez por ano, ás vezes menos que isso, visitar meus avós, tios e primos e ficávamos apenas um final de semana. Pra mim, era o passeio mais esperado do ano. Embora fosse um mundo bem diferente do que eu estava acostumada, amava visitar eles.


Catedral de Vacaria - Foto de Ederson Almeida  RS Virtual

A casa dos meus avós não tinha banheiro, só uma patente nos fundos da casa. Aquela casinha velha, caindo aos pedaços e mal cheirosa no meio do mato no fundo do pátio era a única parte ruim da visita. Acostumada desde pequena com banheiro dentro de casa, usar a tal patente era um suplício, verdadeiro tormento, mas fazia parte do pacote. Era isso ou o penico. Eca! 

A casa toda era muito simples, de madeira, teto baixo, os quartos num degrau acima, a varanda dos fundos onde se tomava banho num chuveiro improvisado(não tinha luz elétrica nem água encanada) e onde mais tarde finalmente se fez um banheiro, uma cozinha grande com fogão à lenha, a cadeira da vovó ao lado, onde ela sentava pra tomar o seu chimarrão balançando a perna, mania que é marca registrada da família, assim como um teste de DNA e nos faz rir sempre que nos lembramos disso.

Vovó partiu cedo, eu tinha apenas 7 anos, as lembranças que tenho dela são poucas. Lembro mais dela sentada em sua cadeira ao lado do fogão, o cabelo branquinho, a voz doce e fraca, debilitada pela doença. Às vezes ficava brava com a bagunça dos primos e dava uma bronca, mas lembro mesmo da sua aparência frágil e doce.

Vovô era meu chapa. Brincava comigo, me fazia as vontades, me levava pra passear. Éramos muito amigos. Tinha o cabelo e a barba bem branquinhos também e fumava cigarro de palha. Ainda lembro do cheiro dele, que diferente do que possa parecer, era gostoso. Também partiu cedo, apenas 4 anos depois da vovó, vítima de um grave acidente.

Tinha ainda tia Alady e tio Adolpho, ela irmã da minha vó e que criaram minha mãe. Ela parecidíssima com minha vó tanto na aparência quanto no jeitinho, querida. Ele sempre foi meio grosseirão, gostava muito de mim e não sabia o que fazer pra me agradar. Me achava fofinha e me mordia. Morria de medo dele. Depois que eu cresci um pouco e entendi que ele fazia aquilo porque gostava de mim, parei de lutar contra ele e passamos a ser bons amigos. E ele parou de me morder...

Vô Vilmar, Tios Nenê e Marilene, mãe e crianças

Fora meus avós, que eu amava visitar, também tinha meus tios e primos, que via tão pouco que às vezes nem lembrava o nome de todos, confundia as famílias sem saber ao certo quem era irmão de quem ou filho de que tio ou tia (isso quando bem pequena, é claro) mas adorava estar com eles. Eles levavam uma vida ainda mais simples do que a minha, mas eram mais livres, andavam descalços, brincavam na rua sem medo, caminhavam sozinhos pela cidade toda, coisas que eu não podia fazer ou porque na cidade grande não era seguro ou porque minha mãe simplesmente não deixava

Foi essa liberdade e simplicidade sempre repleta de alegria que eu via neles que me fazia desejar um dia ir morar no interior, tanto que acabei aqui em Cachoeira do Sul, um pouco além do fiofó do mundo. A vida no interior é mais difícil, mais simples, mas é mais saudável e livre.

Tio Adolpho e tia Alady, tia Hilda, João, Graça e crianças
Mas as visitas aos parentes em Vacaria ainda tinham um ingrediente a mais: o frio. Eu nunca gostei de inverno e era um problema pra mim quando íamos pra lá, pois meu pai tinha o sonho de conhecer a neve e acabávamos indo quase sempre no inverno. E Vacaria é frio, muito frio. Aquele frio que parece entrar nos ossos da gente. Tínhamos que nos enfiar dentro de tantas roupas que o simples ato de ir ao banheiro se tornava uma tarefa árdua e demorada. 

Mas lá, todas as casas tinham fogão à lenha, eternamente acesos, uma chaleira d'água em cima para o chimarrão, ás vezes uns pinhões assando na chapa ou uma polenta. Em cada casa que entrávamos, erámos recebidos com muita alegria e acolhimento e por mais que disséssemos ter acabado de almoçar na casa anterior, não saíamos daquela sem comer alguma coisa. Havia sempre pão feito em casa, pão italiano, aquele grandão delicioso, doces de frutas, cucas e café preto feito na hora. Eu que ERA muito magrinha, não gostava de comer nada, lá me fartava tanto que voltava para Porto Alegre fofa.

Outra coisa boa de lá era dormir. Como íamos muito pouco pra lá e todo mundo queria nos agradar eu pelo menos, que era pequena, dormia sempre na melhor cama que eram macias com travesseiros enormes e fofos e cobertas com acolchoados tão pesados que nem dava pra se mexer e mudar de posição durante à noite. Adorava isso. 

Eu vi neve duas vezes na vida, uma delas em Vacaria quando fomos pra lá visitar os tios e primos (vovó e vovô já não existiam mais) e meus pais foram embora e eu fiquei por mais uns dias, pois estava de férias. Outra vez foi na única vez na vida que nevou em Porto Alegre, em agostotv anunciavam que ela cairia por lá, ele ainda hoje não a conhece.

Não vou pra lá há muitos anos. A última vez foi em dezembro de 93, fazia pouco tempo que eu e o Carlos estávamos juntos e levei ele para conhecer a cidade e a parentada. Sinto saudades. Meus primos também se tornaram adultos, (claro!) casaram, tiveram filhos, alguns descasaram e voltaram a casar, muitos saíram de lá. Reencontrei alguns, aqui ou ali, hoje tenho contato com muitos pela internet, mas nada que se compare aos tempos das visitas à casa dos meus avós.

Essas lembranças todas me vieram à tona porque além do frio de renguear cusco que está por aqui essa semana, a tv noticiou neve essa madrugada em Gramado e Vacaria. Meu pai deve ter esbravejado um bocado...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Doar-se

Doar-se faz bem. Mas doar-se sem exigir nada em troca, sem esperar reconhecimento, sem vangloriar-se disso.
Conheço muitas pessoas, algumas bem próximas à mim, que são disponíveis, estão sempre ali pra te dar uma mão, mas falam isso pra todo mundo. Dizem que fazem porque querem, porque gostam, mas no fundo, gostam mesmo é de fazer propaganda de si mesmo.

Quem se doa ao outro sem interesses, o faz tão discretamente que muitas vezes nem mesmo o principal beneficiado percebe que está sendo ajudado. Quem se doa sem interesse, o faz por amor e espera como única recompensa, o sono tranquilo de quem sabe que fez a coisa certa. A maneira de doar deve valer muito mais que o ítem doado, valor não só monetário, mas principalmente o valor sentimental, valor do tempo, valor do amor.
Doar-se em pequenos gestos, como dar lugar no ônibus a uma pessoa mais velha, ou mesmo a uma mais nova que esteja visivelmente mais cansada que você. Ou dedicando seu tempo a ouvir as queixas de alguém, simplesmente ouvir sem julgar nem dar conselhos, apenas ouvir. 
Doar a sua atenção, ao vovô ou a vovó, não necessariamente os seus, mas aqueles que estão sozinhos e tem ainda tantas histórias pra contar.
Abrir mão do seu lazer preferido, do fim de semana de descanso, de um tempinho a mais com os filhos para ajudar aquele vizinho que nem te dá bom dia a consertar a cerca. 
Dar carona num dia de chuva a uma pessoa que você conhece só de passagem. 
Ajudar alguém que você não conhece a carregar as compras do supermercado.
Empurrar um carro velho que quebrou no meio da rua ou ajudar a trocar um pneu.
Ou às vezes, simplesmente caminhar ao lado de alguém, que está tão triste ou furioso que não quer nem conversa, mas acaba ficando mais calmo percebendo que você caminha silenciosamente ao seu lado.
Enfim, existem mil maneiras de se doar para os outros. Maneiras simples, silenciosas, sem alarde. Acredito que nenhuma delas nos cause dor ou sofrimento, pelo contrário nos trazem alegria e calor ao coração. E doar-se, acreditem, vicia.
 
É uma postura que assumimos para nossa vida e que devemos passar adiante para os nossos filhos, lembrando sempre que os filhos não aprendem aquilo que nós ensinamos, mas aprendem aquilo que nos vêem fazer, pelo exemplo que damos. E essa postura, de doação, de gentileza, de pequenos gestos realizados com afeto e desprendimento, contagia as pessoas que convivem conosco e passam a imitá-la, passando adiante alguns valores esquecidos que vão aos poucos sendo "ressuscitados" no círculo das pessoas com quem convivemos e assim por diante, formando um enorme círculo vicioso do bem.
Que possamos refletir sobre isso e doar-nos mais aos outros, aos amigos, ao amor, à vida.




segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mulheres

Hoje vou compartilhar um texto de LF Veríssimo intitulado "Mulheres". Adoro os textos dele, sou uma fã incondicional há muitos anos das suas crônicas. Deliciem-se.

"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Pare para refletir sobre o sexto-sentido.
Alguém duvida de que ele exista?

E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?

E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece?
O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
"Leve um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça..."
Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...

O sexto-sentido não faz sentido!

É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil...
As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...

Tudo isso é meio mágico...
Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?

Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?

Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM !

E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro!
Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".
Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus.
E com as mulheres também é assim.

O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.
E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor.
É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.
E levitam.
Algumas até voam.
Mas os homens não sabem disso.
E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora."
Luís Fernando Veríssimo
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