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sábado, 3 de novembro de 2012

O descaso com a saúde pública - Post 1

Falar sobre o descaso com a saúde no Brasil é chover no molhado. Há muito que a situação já passou de crítica para desesperadora.

Aqui em Cachoeira não é diferente. Até nem é tão ruim, se levarmos em conta o que vemos acontecer país afora todos os dias nos jornais, mas longe de ser um consolo, isso só prova o quanto nosso nível de exigência anda baixo.

A situação anda tão pavorosa, que os usuários de planos de saúde (anos atrás, sonho de consumo de qualquer mortal) estão tendo inúmeros problemas e virando campeões de queixas aos procons.

Mas voltando à vaca fria ou seja, ao SUS, aqui temos o seguinte problema: marcar consulta no posto de saúde é tarefa de ninja. Não existem mais filas, mas isso não diminuiu em nada a dificuldade da marcação, pois como agora são feitas por telefone mas continuam com o mesmo número limitadíssimo, a gente não sabe ao certo se as consultas se esgotam no primeiro minuto após serem abertas, ou se eles simplesmente tiram o fone do gancho  enquanto a gente gasta os dedos tentando a ligação.

Pra piorar, o único PA 24 horas da cidade vive sem médico. Esse é um problema antigo e para tentar solucioná-lo a prefeitura terceirizou o serviço. O resultado? Piorou. A empresa, além de não cumprir o contrato, é difícil de ser contatada para dar explicações.
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Acaba o povo todo indo parar no plantão do hospital, que tem mais conforto e a garantia do atendimento, mas conta sempre com um (UM!!!) único médico plantonista para atendimento ao SUS, gerando superlotação e uma espera cruel pra quem já está debilitado.

O que acontece é que as pessoas desistem de procurar o médico. Uma historinha que aconteceu comigo há alguns anos, ilustra bem o quadro: Sentia algo no coração, não sabia explicar direito, mas me sentia mal com aquilo. Várias vezes procurei o médico pra falar daquilo, mas a consulta demorava tanto, exames idem, que não estava sentindo mais nada no dia e passava por doida. Uma vez o médico me disse que fosse lavar roupa que passava, brigou comigo porque eu estava ali tirando o lugar de quem precisava.

Anos mais tarde, sem saber do meu problema (já que eu mesma não sabia), outro médico me receitou um diurético. Tive uma crise violenta de arritmia (esse era o problema) e fui para num hospital particular, levada pelo meu patrão. Tive que ouvir do médico que devia ter investigado isso antes, que poderia ter morrido por causa disso.

Ou seja, se a gente procura o médico pra prevenção (sem estar morrendo, desmaiando ou com uma hemorragia violenta) nos olham com pouco caso, nos chamam de histéricos e xingam por tirarmos o lugar dos outros. Se deixamos o lugar para os outros em situações mais graves, permitimos o agravamento de nossa própria situação. Ou partirmos para a automedicação, que pode aliviar sintomas, mas igualmente agravar o que sentimos, seja por mascarar uma doença realmente grave, seja pela intoxicação do organismo por medicamentos que muitas vezes nem precisamos.

Além de toda falta de estrutura para um atendimento adequado, ainda temos que conviver com o despreparo dos profissionais ou pior, com o seu desinteresse.
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