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Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
Conhecemos o Mauro quando nos mudamos pra cá. Ele tinha 6 ou
7 anos e morava num beco no final da nossa rua. Amontoava-se num pequeno
barraco de 2 cômodos com a mãe, o padrasto (um dos muitos que teve) e meia
dúzia de irmãos (depois vieram mais meia dúzia) e era o mais velho deles todos.
A vizinhança dizia que ele e as irmãs roubavam, mas embora
não duvidássemos, sabiam que eles nos respeitavam, porque dávamos atenção e
alguma ajuda sempre que podíamos.
Mas o menino cresceu e os problemas também. A mãe envolveu-se
com drogas e ele também. O padrasto, além das drogas e da bebida, era violento.
Na última vez que soube dele, tinha sido preso por retalhar o rosto da mulher e
quebrar o braço de uma das filhas.
Nessa mesma época, tiraram eles da vila onde moravam,
colocaram as crianças no abrigo tirando a guarda delas da mãe e começaram a
tentar salvar mãe e filho.
Depois de inúmeras internações, mais algumas crianças
nascidas e retiradas da guarda, não os vimos mais. Às vezes surgia alguma
notícia, mas nunca era muito certo o que se dizia.
Cerca de um mês atrás, dei de cara com o guri, agora um rapaz
de quase 20 anos. Estava em frente a um estabelecimento comercial da cidade, de
uniforme, aparência saudável, bem arrumadinho e cheiroso. Estava trabalhando!
Fiquei tão feliz! Exultei de alegria. Me comovi com a sua
vitória, gritei aos quatro cantos sobre o seu êxito. Abracei, beijei,
parabenizei e novamente aconselhei.
Depois disso, apareceu aqui em casa algumas vezes, sempre
pedindo alguma coisa, mas sempre com uma história convincente.
Ontem à noite, eu voltava do mercado quando o encontrei.
Estava vindo aqui em casa e precisava de 7 reais para juntar ao dinheiro que já
tinha e pagar o aluguel da mãe. Disse-lhe que tinha gasto o dinheiro que tinha
no mercado, mas que esperasse pelo meu marido.
Veio comigo até em casa. Ofereci um sanduiche e um copo de
suco e me sentei ao lado dele na frente de casa e conversamos enquanto ele comia.
Me contou sobre o que aprendera na fazenda onde estivera
internado. Falou que sabia que não deveria mais cair em tentação com a droga,
pois agora perderia muito mais do que já havia ganhado. Falou sobre como as
pessoas que antes o tratavam com desprezo, agora o tratavam com educação e até
lhe davam gorjetas no emprego. Convidou para que fossemos a pizzaria em que ele
estava trabalhando e disse que ele mesmo nos atenderia. Ofereceu-se para cortar
a grama. Enfim, só coisas boas. Novamente fiquei feliz.
Depois, tinha um compromisso. Liguei pro marido perguntando
se ele ainda demorava. Disse pro Mauro que tinha que sair, mas que ele ficasse
ali esperando o Carlos chegar.
Fui para o meu compromisso e logo depois o Carlos chegou lá.
Não tinha passado em casa antes, contrariando o seu costume. Disse-lhe então
que o menino o aguardava em casa, mas aí ele já estava lá.
Quando voltamos pra casa, minha filha nos informou que ele
tinha ficado muito tempo ali esperando. Bateu novamente na porta e pediu comida
e a Yasmin aqueceu o que tinha e deu para ele que comeu e ainda aguardou mais
algum tempo e depois foi embora.
De repente meu marido olha para as coisas dele e pergunta de algo
que estava numa mesa perto da porta. Havia sumido. O objeto em questão, nem
nosso era. Pânico e consternação.
Depois de conversarmos (marido ficou histérico!) e
relembrarmos cada passo, não restava dúvida de que o sumiço havia se dado
durante o tempo de permanência do guri por aqui. Quando deu a comida pra ele,
minha filha abriu a porta e permaneceu cm ela abeta, mas sentada diante do
computador, vesga e alheia como qualquer adolescente diante da telinha.
Eu me recusava a acreditar que pudesse ter sido ele, mas não
havia como não ter sido, pois se ele ficou todo tempo na frente de casa, teria
visto e sido conivente com qualquer outra pessoa que tivesse estado ali.
Fomos até a pizzaria. Ele não trabalhava mais lá já fazia 15
dias. Só me contou mentiras e bravatas.
Em apenas algumas horas, passei da alegria total para a mais
profunda decepção.
O que fica disso tudo? Sou uma ingênua boboca que já passou
dos 40 e ainda acredita em coelhinho da páscoa.
Mas olha, vou continuar acreditando. SEMPRE acho que as
pessoas podem mudar, que todo mundo merece uma segunda chance diversas vezes e
que todos tem um lado bom.
Só agora vou ficar de olho na porta.


Eita, que história, acho que permanecer com o coração puro e acreditando sempre é a saída, mas sempre vigiando a porta mesmo... bjs,querida!!!!
ResponderExcluirOlha eu sei bem como que confiar e levar uma rasteira,mas com a minha madrinha aconteceu algo bem pior,ela comprou uma casa em área de invesão,essas casas normalmente não tem escritura,só o título de posse,ela arrumou a casa bem bonitinha que era p/ o filho quando casasse ir morar lá,mas a casa não podia ficar sem ninguém,ai ela pediu p/ um compadre dela se ele podia ficar na casa etá o filho ir p/ lá,quando ela foi avisar que o filho já ia casar e ia precisar da casa descobriu que esse compadre tinha transferido a casa p/ o nome dele.,minha madrinha ficou muito triste,mas é como vc disse nunca deixar de acreditar,confiar desconfiando.
ResponderExcluir#amigacomenta
Que história triste....Espero que ele fiqe bem longe da sua família daqui pra frente....Também confio demais e já quebrei a caralgumas (muitas) vezes.Mas sou como você: prefiro acreditar que ser uma pessoa dessas amarguradas que só enxerga o lado ruim em tudo.
ResponderExcluirComo diz o comercial da Coca-Cola: Os bons são a maioria. Nunca deixe de acreditar.
Beijos
Calu
É um caso complicado, hein??
ResponderExcluirMas sabe, ainda bem que existem pessoas como vc, que ainda acreditam, porque se não fosse assim, pode ter certeza que o mundo estaria triplamente pior.
Amiga, vc é de ouro.
Decepções vem e vão... o que fica são pequenas ou grandes lições... confie ainda, mas fique de olho na porta... é a nossa lição de hoje...
Um grande beijo no seu coração, para quem sabe assim, confortá-lo um tiquinho que seja.
A gente se sente o cocô do cavalo do bandido... Simples assim... Muito chato isso Tukinha... Bjo!
ResponderExcluirque situação!
ResponderExcluirinfelizmente existem pessoas assim ... não é todo mundo, mas temos sempre que ficar atentas!
beijos
#amigacomenta
nem vou falar nada porque no seu lugar tomaria a mesma atitude, pois também acredito nas pessoas até que me provem o contrário, e mesmo depois que provam ainda acredito na mudança .
ResponderExcluirVocê é uma super mulher de coração nobre viuu
Beijos
#amigacomenta
Michelle Imilio
SINTO MUITO, QUERIDA...
ResponderExcluirAi Tuka, que triste..
ResponderExcluirMuito triste tudo isso. Como comentei com você, o errado é ele, você sim é uma pessoa especial. Espero que ele mantenha distância de vocês daqui pra frente.
ResponderExcluirBeijos, fica bem!!!
Nossa, é muito triste mesmo. Uma pena... A gente é assim mesmo. Dá um voto de confiança e muitas vezes acabamos nos decepcionando. Mas temos que ter esperança nas pessoas mesmo. Seão, o que será do mundo? Só temso que ficar de olhos atentos a porta. Beijos.
ResponderExcluirTukinha, você é exatamente como eu. Engraçado que fui lendo o post e pensando: mas será que eles não se precipitaram, será que foi mesmo o garoto? kkkk Eu sou assim, nunca acho que as pessoas são capazes de fazer algo ruim. Claro que eu sei que fazem, mas eu sempre penso o bom primeiro - e assim como você muitas vezes quebro a minha cara. Mas quer saber? Ainda acho que é melhor ser assim do jeito que nós somos. Deve ser muito triste ser uma pessoa amarga e desiludida, que acha que todas as pessoas são ruins.
ResponderExcluirBeijos
Tati
Mulher e Mãe
#amigacomenta
Oieee,
ResponderExcluirPuxa, que tristeza!!! As drogas são uma maldição mesmo, transformam as pessoas, roubam vidas e alegrias!!
Mas acho q vc tem q continuar acreditando sim, eu acredito sempre!!
Neste roubo quem perdeu mais foi ele, com certeza!!
bjo!
Loreta #amigacomenta;)
bagagemdemae
Tuka, uma pena, né? Pior que sempre que ouço esse tipo de história, nem consigo sentir raiva da pessoa, porque sei que para o dependente químico, a vontade da droga e a abstinência são coisas que cegam. Que você nunca perca a esperança, pois sua atitude foi maravilhosa, e se ele realmente estivesse disposto e apto a mudar, teria um grande apoio em vc. Beijos!!!
ResponderExcluirOi Tuka, acho que eu também sou boboca e acreditaria. Na verdade a gente quer acreditar no lado bom dos seres humanos, né? Seria tão bom e ele realmente tivesse se rcuperado, uma esperança para muitos e para nós também. Eu lendo o seu post também passei da alegria à decepção. Voltei a alegria ao ver que você vai continuar acreditando.
ResponderExcluirbeijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/
#amigacomenta
Nossa, que chato.... é muito triste mesmo....
ResponderExcluirInfelizmente os exemplos em casa e a vida dele não serviram de exemplo para ele querer fazer diferente.. foi pelo caminho mais facil... ma pena.
#amigacomenta
http://www.lookbebe.com.br
@Look_bebe
Decepção é algo que todo mundo passa... e é difícil lidar, principalmente quando estávamos de coração aberto.
ResponderExcluirVc fez a sua parte!
Beijos!!!
Nossa....
ResponderExcluirEstava esperando você falar que encontrou o objeto em algum outro lugar da casa...
gosto como vc escreve!
Me emocionei, fiquei triste, tudo junto com você!
Não devemos perder a esperança no ser humano. Só ele pode nos decepcionar assim, mas tb só ele consegue nos surpreender profundamente!
Beijão
@Juleite
#amigacomenta
Tuka, que chato e triste...
ResponderExcluirtambem sou como voce, e acabo me estrepando,pois infelizmente o mundo ta cheio de gente assim ...... Sinto muito pela situacao que passou. bjOs querida
Não fique triste! Você, com certeza, fez a diferença na vida desse rapaz. Mesmo que ele demore para perceber isso, um dia ele compreenderá. E que você continue amando e acreditando no próximo, são pessoas como você, que fazem a diferença nesse nosso louco mundo.
ResponderExcluirBeijos#amigacomentaLelisPaula