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terça-feira, 22 de maio de 2012

Da alegria à decepção


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Conhecemos o Mauro quando nos mudamos pra cá. Ele tinha 6 ou 7 anos e morava num beco no final da nossa rua. Amontoava-se num pequeno barraco de 2 cômodos com a mãe, o padrasto (um dos muitos que teve) e meia dúzia de irmãos (depois vieram mais meia dúzia) e era o mais velho deles todos.

A vizinhança dizia que ele e as irmãs roubavam, mas embora não duvidássemos, sabiam que eles nos respeitavam, porque dávamos atenção e alguma ajuda sempre que podíamos.

Mas o menino cresceu e os problemas também. A mãe envolveu-se com drogas e ele também. O padrasto, além das drogas e da bebida, era violento. Na última vez que soube dele, tinha sido preso por retalhar o rosto da mulher e quebrar o braço de uma das filhas.

Nessa mesma época, tiraram eles da vila onde moravam, colocaram as crianças no abrigo tirando a guarda delas da mãe e começaram a tentar salvar mãe e filho.

Depois de inúmeras internações, mais algumas crianças nascidas e retiradas da guarda, não os vimos mais. Às vezes surgia alguma notícia, mas nunca era muito certo o que se dizia.

Cerca de um mês atrás, dei de cara com o guri, agora um rapaz de quase 20 anos. Estava em frente a um estabelecimento comercial da cidade, de uniforme, aparência saudável, bem arrumadinho e cheiroso. Estava trabalhando!



Fiquei tão feliz! Exultei de alegria. Me comovi com a sua vitória, gritei aos quatro cantos sobre o seu êxito. Abracei, beijei, parabenizei e novamente aconselhei.

Depois disso, apareceu aqui em casa algumas vezes, sempre pedindo alguma coisa, mas sempre com uma história convincente.

Ontem à noite, eu voltava do mercado quando o encontrei. Estava vindo aqui em casa e precisava de 7 reais para juntar ao dinheiro que já tinha e pagar o aluguel da mãe. Disse-lhe que tinha gasto o dinheiro que tinha no mercado, mas que esperasse pelo meu marido.

Veio comigo até em casa. Ofereci um sanduiche e um copo de suco e me sentei ao lado dele na frente de casa e conversamos enquanto ele comia.

Me contou sobre o que aprendera na fazenda onde estivera internado. Falou que sabia que não deveria mais cair em tentação com a droga, pois agora perderia muito mais do que já havia ganhado. Falou sobre como as pessoas que antes o tratavam com desprezo, agora o tratavam com educação e até lhe davam gorjetas no emprego. Convidou para que fossemos a pizzaria em que ele estava trabalhando e disse que ele mesmo nos atenderia. Ofereceu-se para cortar a grama. Enfim, só coisas boas. Novamente fiquei feliz.

Depois, tinha um compromisso. Liguei pro marido perguntando se ele ainda demorava. Disse pro Mauro que tinha que sair, mas que ele ficasse ali esperando o Carlos chegar.

Fui para o meu compromisso e logo depois o Carlos chegou lá. Não tinha passado em casa antes, contrariando o seu costume. Disse-lhe então que o menino o aguardava em casa, mas aí ele já estava lá.

Quando voltamos pra casa, minha filha nos informou que ele tinha ficado muito tempo ali esperando. Bateu novamente na porta e pediu comida e a Yasmin aqueceu o que tinha e deu para ele que comeu e ainda aguardou mais algum tempo e depois foi embora.

De repente meu marido olha para as coisas dele e pergunta de algo que estava numa mesa perto da porta. Havia sumido. O objeto em questão, nem nosso era. Pânico e consternação.



Depois de conversarmos (marido ficou histérico!) e relembrarmos cada passo, não restava dúvida de que o sumiço havia se dado durante o tempo de permanência do guri por aqui. Quando deu a comida pra ele, minha filha abriu a porta e permaneceu cm ela abeta, mas sentada diante do computador, vesga e alheia como qualquer adolescente diante da telinha.

Eu me recusava a acreditar que pudesse ter sido ele, mas não havia como não ter sido, pois se ele ficou todo tempo na frente de casa, teria visto e sido conivente com qualquer outra pessoa que tivesse estado ali.

Fomos até a pizzaria. Ele não trabalhava mais lá já fazia 15 dias. Só me contou mentiras e bravatas.
Em apenas algumas horas, passei da alegria total para a mais profunda decepção.

O que fica disso tudo? Sou uma ingênua boboca que já passou dos 40 e ainda acredita em coelhinho da páscoa.

Mas olha, vou continuar acreditando. SEMPRE acho que as pessoas podem mudar, que todo mundo merece uma segunda chance diversas vezes e que todos tem um lado bom.

Só agora vou ficar de olho na porta. 

Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
Comentários
20 Comentários

20 comentários:

  1. Eita, que história, acho que permanecer com o coração puro e acreditando sempre é a saída, mas sempre vigiando a porta mesmo... bjs,querida!!!!

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  2. Olha eu sei bem como que confiar e levar uma rasteira,mas com a minha madrinha aconteceu algo bem pior,ela comprou uma casa em área de invesão,essas casas normalmente não tem escritura,só o título de posse,ela arrumou a casa bem bonitinha que era p/ o filho quando casasse ir morar lá,mas a casa não podia ficar sem ninguém,ai ela pediu p/ um compadre dela se ele podia ficar na casa etá o filho ir p/ lá,quando ela foi avisar que o filho já ia casar e ia precisar da casa descobriu que esse compadre tinha transferido a casa p/ o nome dele.,minha madrinha ficou muito triste,mas é como vc disse nunca deixar de acreditar,confiar desconfiando.
    #amigacomenta

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  3. Que história triste....Espero que ele fiqe bem longe da sua família daqui pra frente....Também confio demais e já quebrei a caralgumas (muitas) vezes.Mas sou como você: prefiro acreditar que ser uma pessoa dessas amarguradas que só enxerga o lado ruim em tudo.
    Como diz o comercial da Coca-Cola: Os bons são a maioria. Nunca deixe de acreditar.
    Beijos
    Calu

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  4. É um caso complicado, hein??

    Mas sabe, ainda bem que existem pessoas como vc, que ainda acreditam, porque se não fosse assim, pode ter certeza que o mundo estaria triplamente pior.

    Amiga, vc é de ouro.
    Decepções vem e vão... o que fica são pequenas ou grandes lições... confie ainda, mas fique de olho na porta... é a nossa lição de hoje... 

    Um grande beijo no seu coração, para quem sabe assim, confortá-lo um tiquinho que seja.

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  5. A gente se sente o cocô do cavalo do bandido... Simples assim... Muito chato isso Tukinha... Bjo!

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  6. que situação!
    infelizmente existem pessoas assim ... não é todo mundo, mas temos sempre que ficar atentas!
    beijos
    #amigacomenta

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  7. nem vou falar nada porque no seu lugar tomaria a mesma atitude, pois também acredito nas pessoas até que me provem o contrário, e mesmo depois que provam ainda acredito na mudança .
    Você é uma super mulher de coração nobre viuu

    Beijos

    #amigacomenta

    Michelle Imilio

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  8. Muito triste tudo isso. Como comentei com você, o errado é ele, você sim é uma pessoa especial. Espero que ele mantenha distância de vocês daqui pra frente.
    Beijos, fica bem!!!

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  9. Nossa, é muito triste mesmo. Uma pena... A gente é assim mesmo. Dá um voto de confiança e muitas vezes acabamos nos decepcionando. Mas temos que ter esperança nas pessoas mesmo. Seão, o que será do mundo? Só temso que ficar de olhos atentos a porta. Beijos.

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  10. Tukinha, você é exatamente como eu. Engraçado que fui lendo o post e pensando: mas será que eles não se precipitaram, será que foi mesmo o garoto? kkkk Eu sou assim, nunca acho que as pessoas são capazes de fazer algo ruim. Claro que eu sei que fazem, mas eu sempre penso o bom primeiro - e assim como você muitas vezes quebro a minha cara. Mas quer saber? Ainda acho que é melhor ser assim do jeito que nós somos. Deve ser muito triste ser uma pessoa amarga e desiludida, que acha que todas as pessoas são ruins.

    Beijos
    Tati
    Mulher e Mãe
    #amigacomenta

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  11. Oieee,

    Puxa, que tristeza!!! As drogas são uma maldição mesmo, transformam as pessoas, roubam vidas e alegrias!!
    Mas acho q vc tem q continuar acreditando sim, eu acredito sempre!!
    Neste roubo quem perdeu mais foi ele, com certeza!!

    bjo!

    Loreta #amigacomenta;)
    bagagemdemae 

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  12. Tuka, uma pena, né? Pior que sempre que ouço esse tipo de história, nem consigo sentir raiva da pessoa, porque sei que para o dependente químico, a vontade da droga e a abstinência são coisas que cegam. Que você nunca perca a esperança, pois sua atitude foi maravilhosa, e se ele realmente estivesse disposto e apto a mudar, teria um grande apoio em vc. Beijos!!!

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  13. Oi  Tuka, acho que eu também sou boboca e acreditaria. Na verdade a gente quer acreditar no lado bom dos seres humanos, né? Seria tão bom e ele realmente tivesse se rcuperado, uma esperança para muitos e para nós também. Eu lendo o seu post também passei da alegria à decepção. Voltei a alegria ao ver que você vai continuar acreditando.
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/
    #amigacomenta

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  14. Nossa, que chato.... é muito triste mesmo.... 
    Infelizmente os exemplos em casa e a vida dele não serviram de exemplo para ele querer fazer diferente.. foi pelo caminho mais facil... ma pena.
    #amigacomenta
    http://www.lookbebe.com.br
    @Look_bebe 

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  15. Decepção é algo que todo mundo passa... e é difícil lidar, principalmente quando estávamos de coração aberto.
    Vc fez a sua parte!
    Beijos!!!

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  16. Nossa....
    Estava esperando você falar que encontrou o objeto em algum outro lugar da casa...
    gosto como vc escreve!

    Me emocionei, fiquei triste, tudo junto com você!

    Não devemos perder a esperança no ser humano. Só ele pode nos decepcionar assim, mas tb só ele consegue nos surpreender profundamente!

    Beijão

    @Juleite 
    #amigacomenta

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  17. Tuka, que chato e triste...
    tambem sou como voce,  e acabo me estrepando,pois infelizmente o mundo ta cheio de gente assim ......  Sinto muito pela situacao que passou.  bjOs querida

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  18. Não fique triste! Você, com certeza, fez a diferença na vida desse rapaz. Mesmo que ele demore para perceber isso, um dia ele compreenderá. E que você continue amando e acreditando no próximo, são pessoas como você, que fazem a diferença nesse nosso louco mundo. 

    Beijos#amigacomentaLelisPaula 

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