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quarta-feira, 30 de março de 2011

Traquinagens

Quem tem filhos sabe que a vida é feita de fases e que sempre que uma fase se encerra e pensamos que vamos enfim respirar aliviados, descobrimos que a próxima fase é ainda mais complicada que a anterior.

Já tenho filhos crescidos, que continuam dando preocupação em suas novas "fases", por isso já sabia que seria assim também com as pequenas, mas confesso que me surpreendi com a velocidade com que a mudança de fase se deu dessa vez.

A pequena segue no embalo das gêmeas, cada vez que as gêmeas superam determinada etapa, ela entra e não permite que eu sinta muita saudade da fase recém terminada. Mas apesar disso é diferente, por ela ser mais tranquila (e uma só), mas também por ser muito esperta e safadinha, gaiata como ela só, nos faz morrer de rir com suas traquinagens.

Mas as gêmeas agora entraram numa fase interessante. Essa fase dos 3 anos é uma das mais divertidas e dinâmicas, pois começamos a compreender tudo o que elas querem e pensam e elas ainda procuram compreender o mundo ao redor delas.

A Camila diverte muito nas conversas, sai sempre com palavras estranhas, coisas que nem imaginamos que ela seja capaz de dizer ou compreender. Levamos cada susto! Ela é prestativa (metida!) e esta sempre me ajudando nas tarefas e mandando nas irmãs. Adora dar ordens como "Não mexe aí Aline, que mamãe não quer!" mas ela própria estava mexendo ali minutos antes. Adora ajudar, seja no que for, mas a iniciativa tem que ser dela, se pedirmos pra fazer algo, trava toda e não faz. 

Aline é a mais divertida, pergunta "o quê?" para cada coisa que falamos para ela, não sei se por ser meio desatenta e precise ouvir de novo o que dissemos, ou se virou mania, tipo o "hã?" da Yasmin, aquele segundo extra de que precisa para o cérebro se desligar de uma atividade e entrar em outra. Como ela é mais desligada, sonhadora, acaba nos fazendo rir com mais frequência com suas deliradas cômicas.

Essa semana tive dois momentos com elas que me fizeram rir muito, mas também me encheram de preocupação sobre essa nova fase delas. É muita imaginação para crianças tão pequenas, tenho medo de onde isso pode nos levar...

Outro dia, assistindo a um filme da Thinker Bell onde a fadinha derrama pozinho mágico sobre uma menina e ela pode então voar, (já viram né?) a Aline foi atrás de mim na cozinha e de cabeça baixa e olhar tristonho, sacudindo os bracinhos me confidenciou: "mamãe, eu não posso voar..." Suspirei fundo e pensei, cá com meus botões: "Ufa, ainda bem! Deus sabia o que estava fazendo quando não deu asas às crianças!" Imaginem a cena: ela já é arteira que só, vive subindo nos móveis, pendurando-se em cadeiras, pulando pra dentro do berço da Letícia e de lá para fora novamente, me deixando de cabelo em pé, imagina se soubesse voar! Eu já estaria internada num hospício, louca de dar nó!

Ontem foi a Camila que me proporcionou momentos de adrenalina pura. Mal chegadas da escola (chegam famintas e cansadas), estavam no quarto já na frente do DVD comendo uns biscoitos e eu julgava elas calmas por alguns minutos, quando a Aline vem correndo fugindo da Camila. Achei que já estivessem brigando por algum brinquedo, pois a Camila tem mania de arrancar o que quer das mãos da irmã que foge em disparada pra evitar o "roubo". Quando vi, a Camila tinha uma tesoura nas mãos (uma tesourinha dessas de escola que uso na cozinha pra cortar embalagens) e chamava a Aline: "senta aqui Aline, pra cortar o cabelo!" Na hora gelei e tive trabalho para dissuadi-la do seu momento "Fashion Hair", mas achei que como a Aline estava fugindo, ainda não havia cortado. Na hora do banho vi, algumas mechas de cabelo no chão e uns "repicados" muito modernos no alto da cabeça da Aline. Posso com isso? Por sorte, Camila deve ter herdado o dom da vovó Neura de cabeleireira e cortou pouco e nos lugares menos visíveis.

Esses momentos de "estalo", quando elas decidem aprontar alguma são muito rápidos e cada vez mais frequentes e entre a decisão de qual traquinagem aprontar e a ação propriamente dita, elas sempre dão um jeito de "cegar" a mãe. Quando digo que essa turma é uma gangue, que posso ser presa por formação de quadrilha, todo mundo ri, mas é assim que elas "agem": uma me distrai com algo já meio assustador enquanto a outra vai para outro canto aprontar algo ainda mais assustador. Ou seja: atenção redobrada, triplicada, quadruplicada ainda é pouco com essa galerinha!

Enquanto isso, fico esperando pra ver que tipo de arte a Letícia vai aprontar daqui há pouco e chego a me arrepiar só de pensar no que são capazes de aprontar essas 3 juntas...






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Um exemplo pra seguir

Enquanto acabava de escrever meu post de ontem, ouvia as notícias na TV sobre o estado de saúde de José Alencar, nosso ex-vice presidente. Terminei o post com algumas palavras sobre ele, já antevendo que seria seu último dia entre nós, tal a gravidade do seu estado e a emoção na voz do médico. Cerca de 40 minutos depois ele partiu.

De ontem para hoje muito já se falou nesse homem admirável, mas ainda assim, quis fazer minha homenagem. Não uma homenagem ao político, até porque não tenho tanto conhecimento assim para falar dele nesse âmbito, mas numa homenagem ao ser humano José Alencar.

Quando eu "crescer", quero ter a mesma serenidade para falar das tragédias da vida, a mesma tranquilidade e confiança ao falar sobre a doença e a morte. Quero ter tanta fé em Deus quanto esse homem demonstrava, uma confiança cega, absoluta na proteção e nos desígnios de Deus.

Quando eu "crescer" quero ter a mesma resignação para aceitar os desafios que me forem impostos e a mesma coragem para lutar contra eles. Aceitar sim, se entregar jamais!

Quando eu "crescer" quero ter o mesmo bom humor em todos os momentos da minha vida, sejam eles imensamente alegres ou tensos e preocupantes. Quero exibir sempre um sorriso no rosto e aliviar o sofrimento de quem me ama por me julgar bem e feliz. Mesmo diante da dor, do sofrimento e da iminência da morte, sorrir, fazer piada, contar histórias alegres, mostrar-me VIVA!

Me emocionei muito com o anúncio, mesmo que já esperado, da sua morte. Perdemos todos um exemplo positivo. Mas apesar da sua partida, o exemplo fica, o modelo continuará aí para quem quiser aprender alguma coisa.

Que possamos todos nos espelhar na sua atitude positiva, na sua fé e bondade.





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terça-feira, 29 de março de 2011

Relações descartáveis


Hoje, dando uma passada de olhos por um portal de notícias, me deparei com a chamada para uma reportagem que dizia que a cantora (oi?) Gretchen havia se separado após 3 meses do seu 14º casamento, o 6º no papel. Essa semana também li a notícia da separação de Dani Winnits e Jonatas Faro que também se casaram há poucos meses quando ela já estava grávida, sendo que esse relacionamento começou quando ela ainda era casada com Cássio Reis, com quem já tem um filho.

Nada contra as pessoa se separarem quando um casamento já não dá mais certo e procurarem a felicidade e um novo amor, mas "peralá" né gente? Três meses é muito pouco tempo pra se entregar os pontos...

No mundo de hoje as relações humanas estão cada dia mais descartáveis, superficiais. Não existe um comprometimento de um para com o outro. Cada um pensa só na sua própria felicidade e o outro que se dane!

Casamento é mais do que uma festa badalada, benção do padre e papéis assinados. Casamento é união de duas vidas que deveriam tornar-se únicas. É claro que as duas pessoas continuam a ser indivíduos e que cada um tem as suas manias e sua maneira de ser, mas o objetivo da vida deve ser comum, os planos, a maneira como conduzir esta união deve ser algo compartilhado.

Um casamento onde cada um tem a sua própria vida, não compartilha os amigos, os interesses, os objetivos, as alegrias, as conquistas nem os problemas, as dívidas e às vezes nem mesmo a mesma casa, pra mim não pode ser chamado de casamento. Pode ser uma parceria muito boa e atá funcionar para alguns, mas casamento pra mim é outra coisa.

Casamento implica sobretudo em amor. E esse amor precisa ser incondicional, ou seja, não se deve impor condições ao outro para que ele seja amado. Ou ama-se ou não ama-se. O amor deve permanecer apesar dos defeitos do outro, porque todo mundo tem defeitos. Aceitar os defeitos e limitações do outro é um ato de amor e também de doação e amor sem doação não existe.

Fico imaginando eu trocando de marido toda vez que me decepciono ou descubro um novo defeito... Ou já teria me casado umas 439 vezes, ou teria desistido e estaria sozinha. É inviável! Porque pra cada decepção que se tem, existe algum bom momento que se contrapõe, cada defeito novo que se descobre, existe uma qualidade que ainda não tínhamos percebido, cada ato de egoísmo tem outros tantos de extrema generosidade e afeto. Mas se nos limitarmos à raiva e à magoa momentânea, perdemos de apreciar todo o resto.

Não se pode julgar a Gretchen nem a Dani Winits, só elas sabem da "dor e a delícia" de ser quem são e como eu mesma sempre digo; "é fácil falar de mim, difícil é ser eu", acredito que elas tenham lá suas justificativas pra essas "trocas". Mas acredito que falte à elas algumas coisas, que talvez nem elas saibam que falte, coisas como compreensão do outro, doação e perdão.

Saber perdoar o outro por sua humanidade também é essencial nas relações, sejam elas de amor ou qualquer outro tipo de relação familiar ou de amizade. Tmbám é preciso saber perdoar a si mesmo, não ficar remoendo os proprios erros. O que ficou pra trás já não pode ser mudado, então pra que sofrer por isso? O importante é ter consciência dos erros e buscar corrigi-los e não repeti-los.

Eu já vivi relacionamentos descartáveis, por isso defendo tanto meu casamento. Sei que o tipo de relação que tenho hoje me completa e me faz mais feliz. Acredito que sempre se deve dar mais uma chance ao amor, que não é uma briga hoje que me impedirá de ser feliz de novo amanhã e que não devo deixar nunca que ressentimentos permaneçam no meu coração, pois eles corroem a alma e turvam nossa visão, nos impedindo de ver o que o outro tem de melhor.



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Um outro assunto que não posso deixar passar: José de Alencar, um homem admirável.
A situação do nosso ex-vice presidente José Alencar dessa vez é crítica e os médico já falam em "deixá-lo confrotável, sem dor". Esse homem, a despeito de qualquer defeito que possa ter, é um guerreiro. Admiro muito a coragem e a serenidade com que ele sempre enfrentou os problemas de saúde. Numa das últimas vezes que esteve internado ele disse algo mais ou menos assim: "Estou preparado para morrer. Se Deus quiser me levar hoje eu já estou no lucro. Mas enquanto eu estiver vivo, vou continuar lutando, é minha obrigação lutar pela vida." Isso é uma frase dita por alguém que confia muito em Deus e que tem plena consciência da sua própria vida, suas virtudes e seus pecados. Que aceita com resignação seu destino, mas ainda assim luta pra se manter vivo.
Que Deus lhe dê forças para suportar o que ainda terá que suportar e, quando findar seu tempo na terra, o leve com a mesma serenidade com que ele sempre enfrentou seus desafios.



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segunda-feira, 28 de março de 2011

Palavreado

Com 3 anos as gêmeas já tem um bom vocabulário. Expressam-se muito bem, contam histórias e repetem as histórias que ouvem. Com tanta conversa entre elas, acabam ensinando muito à Letícia, que já fala umas coisinhas e tenta outras tantas. É uma diversão ouvir as conversas delas e principalmente, ver a Letícia tentando se comunicar também.
Registro pouco esses momentos das crianças, um pouco por falta de tempo e "logística", outro pouco por falta de hábito mesmo. Guardo na memória todos os lances, mas minha memória já me deixa muito na mão então quero registrar algumas gracinhas para lembrar delas mais tarde.

Aline é mais tagarela, na verdade parece uma metralhadora fora de controle. Emenda-um-assunto-no-outro-e-quando-a-gente-começa-a-entender-um-ela-ja-ta-falando-em-outro... ufa! Chega a dar canseira! Fala pelos cotovelos e gesticula muito, parece até descendente de Italianos (familia da minha mãe) e Portugueses (família do papai), nem imagino a quem puxou... rsrsr 

A diversão maior é vê-la com o celular de brinquedo na mão imitando o pai: fala e caminha pela casa pra lá e prá cá gesticulando com as mãos. Questionada sobre com quem esta falando ela para, põe a mão no bocal do telefone e faz sinal pedindo silêncio e diz: "peraí que eu tô falando!" 

Outra diversão da Aline é quando ela troca as sílabas das palavras que diz. Por exemplo "tivido" quer dizer vestido e "ibá" é Abrir. E não adianta corrigir, ela não consegue falar certo. Por enquanto é divertido e acho que é da idade, eu mesma ao 7 anos, ainda falava mánica ao invés de máquina. 

Já a Camila fala menos, mas também não fala pouco. Quando começa a conversar rápido faz tanta enrolada que às vezes nem eu entendo nada. Mas se ela diminuir um pouquinho só a velocidade, mesmo meio enrolado já da pra compreender bem a conversa. Gosta de contar histórias e de dar ordens. Mandar é com ela mesma! Não costuma trocar sílabas como a Aline e se fala alguma palavra errada e a gente corrige, ou ela repete várias vezes até chegar a uma maneira mais próxima, ou simplesmente não fala mais. É uma estratégia que ela sempre usa quando percebe que não consegue realizar com perfeição alguma tarefa. Abstém-se de executá-la até que se sinta capaz de fazê-lo com êxito. Perfeccionista essa minha filha.

Já a Letícia é a diversão da casa, como sempre. A danadinha só não caminha ainda porque é muito medrosa, pois já solta as mãos quando está em pé no berço e bate palmas, joga os braços pro alto e faz "ÊÊÊ" pra mostrar que está com as mãos soltas, mas se a pusermos no chão, a bunda pesa e ela não quer ficar de pé, só engatinhar. Para caminhar temos que segurar as duas mãos dela ao mesmo tempo, aí caminha bem direitinho e já bem firme, só falta a ela mesmo é um pouco de coragem.

Ela já fala algumas palavrinhas, mas comunica-se muito com expressões e gestos. Não há nada que a gente faça que ela não imite e tem o rosto muito expressivo, faz caretas de todos os tipos pra todas as sensações que tem. Não fala, mas se comunica melhor que todo mundo, sabe se fazer entender! Esses dias demos muita risada com ela na hora do almoço. Papai falando e gesticulando muito (novidade) e a gente olha pra ela e ela tá fazendo discurso e gesticulando da mesma forma que o papai. Rimos um bocado, mudamos de assunto e quando olhamos de novo ela está novamente nos imitando. Rachamos de rir com ela!

É isso, nossos bebês estão crescendo. As gêmeas já largaram definitivamente as fraldas, embora ainda aconteçam alguns "acidentes", cada vez menos frequentes. A Letícia que até o início do ano não saia do lugar e só queria ficar sentada, agora já anda por tudo se tiver onde se segurar e até já sobe sozinha na cama das irmãs. E a nós, só resta observar os avanços e nos deliciar com eles. Já começo a sentira saudades desses momentos pois sei que logo elas passarão dessa fase. Mas então virão outras...





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domingo, 27 de março de 2011

O aniversário do blog e o seu destino

Procurando na internet uma imagem pra ilustrar este post, achei essa que é a minha cara, vcs não acham?
Agora em Abril o blog completa um ano. Nossa! Como passou depressa e como cresceu e rendeu frutos meu bloguinho! Achei que nunca ninguém leria minhas bobagens e hoje já conto com 157 pacientes seguidores. Sem falar naquelas pessoas que passam por aqui de vez em quando e deixam o seu carinho.

Quando resolvi finalmente dar o pontapé inicial, nem sabia ao certo o que iria escrever, nem sobre o que. Por isso o nome KTRALHAS me pareceu adequado, juntando a letra "K" do meu nome (muito prazer, eu me chamo Kátia) às tralhas que ajunto aqui e ali pra postar aqui. O blog virou uma mistureba de assuntos, mas minha vida é assim mesmo, como escrever de modo diferente?

Vez por outra me aborreço com ele e tenho vontade abandoná-lo, principalmente quando recebo poucos comentários em alguma postagem que fiz com tanto carinho e cuidado. Aliás, já notei isso: meus posts mais despretenciosos, aqueles que escrevo às pressas sem muito nhém, nhém, nhém são os que acabam se tornando mais populares...Ainda estou tentando entender este fenômeno, mas gosto disso.

A falta de comentários me aborrece um pouco porque estou sempre preparada para críticas e elas não aparecem! Os comentários que recebo são sempre elogiosos ou no mínimo cordiais, mas não lido bem com o desprezo. Tenho tantos amigos nas redes sociais, não entendo porque muitos deles não aparecem aqui nem pra me dizer que isso aqui é uma porcaria... 

Mas deixando os lamentos de lado, ainda penso em que rumo quero dar para esse blog. Planejo grandes mudanças, um layout bacana, bem produzido, colunas semanais com assuntos fixos e previamente determinados, abrir o blog para textos de outras pessoas... enfim uma infinidade de ideias que tenho, mas que no momento são impossíveis de colocar em prática. Falta-me o principal: um computador que seja meu e tempo.

Planejo poder me dedicar mais ao blog e dar a ele um destino mais adequado à importância que ele ganhou na minha vida. Também planejo poder me dedicar mais à leitura e comentários nos blogs que sigo e gosto tanto e que são essenciais para o meu aprendizado, tanto como blogueira, quanto como pessoa, mãe, mulher.
Mas como não há mal que sempre dure, creio e espero por dias melhores. Logo eles virão, tenho certeza, e poderei propiciar à minha meia dúzia de leitores mais qualidade, assiduidade e retorno.

Enquanto isso, vocês vão me aguentando assim, desse jeitinho mesmo. Espero que não me abandonem, pois não saberia mais viver sem vocês. Agradeço todos os dias por cada amigo que surgiu aqui, por cada novo seguidor do blog que é um novo amigo em potencial, por todos os comentários que recebo e até pelos que NÃO recebo, pois indicam que ainda tenho muito que melhorar.

Desejo à todos vocês, uma semana abençoada e produtiva!





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quinta-feira, 24 de março de 2011

Porto Alegre é demais!

O mais belo pôr-do-sol do planeta!
Essa semana, mais precisamente no sábado dia 26/03, Porto Alegre completa 239 anos e eu não podia deixar esse aniversário passar em branco.

Porto Alegre é a cidade onde nasci e morei até os meus 24 anos, foi lá também que nasceram 4 dos meus 5 filhos, só a Yasmin cuja gestação foi absolutamente normal, sem nenhuma intercorrência, é que nasceu em Cachoeira.

É uma cidade linda, culturalmente ativa e repleta de opções de lazer, muitos gratuitos ou de baixo custo, tem diversão para todos os gostos e também para todos os bolsos.

Tapete de flores na Redenção
O Parque Farroupilha é uma dessas opções e a que mais sinto falta aqui no interior. Lá você pode passar um dia inteiro com a família e ainda assim não ter tempo de conhecer todo o parque e as atrações que ele oferece. Poderá divertir-se pra valer, com ou sem as crianças, gastando pouco ou nenhum dinheiro.

O Parque possui uma área de 37,5ha onde se pode caminhar por entre os mais de 8 mil espécies vegetais, entre flora nativa e exótica, conhecer monumentos belíssimos como o monumento ao expedicionário, andar de pedalinho no lago, visitar o orquidário e o mini-zoo, brincar com as crianças na pracinha ou no parquinho de diversões, fazer umas comprinhas nas lojas de conveniência, na feira ecológica ou no famoso brique aos domingos. Pode ainda saciar a fome numa das diversas lancherias disponíveis, ou dar um passeio romântico à noite junto ao lago da fonte luminosa (meu ponto favorito quando criança) e registrar tudo em lindas fotografias.

O Parque Farroupilha, também conhecido como Parque da Redenção, é o mais antigo e ao mesmo tempo o mais moderno e bonito parque de Porto Alegre. Com 76 anos de existência, recebe em torno de 9 milhões de visitantes por ano.

Vista da parte central do parque, os espelhos d'água e o chafariz
Existem outros pontos turísticos e culturais que não podem ser ignorados por quem vem conhecer a cidade como: Theatro São Pedro, os Altos da Duque, Parcão, Praça da Matriz, Catedral Metropolitana, Palácio Piratini, Laçador, Usina do Gasômetro, cais do porto, os Parques Marinha e Harmonia, Jardim Botânico (um dos 5 maiores do Brasil), Casa de Cultura Mário Quintana, mercado público central, Ponte de Pedra e o monumento aos Açorianos, Chalé da Praça XV, Planetário, Museu da Varig, MARGS, os estádios Beira Rio e Olímpico, teatros, igrejas, prédios históricos, museus, além da variada gastronomia, são só alguns dos inúmeros atrativos da cidade.


Chalé da praça XV
Viaduto Otávio Rocha que interliga a Av. Borges de Medeiros aos Altos da Duque

Conhecer Porto Alegre, mais do que um passeio turístico, é um acontecimento, uma experiência a ser intensamente vivida.

Mas não há nada que me emocione mais em Porto Alegre do que chegar na cidade. A vista de sobre a belíssima ponte do Guaíba (nosso lago que chamamos de rio), é simplesmente magnífica! Chegando à cidade no final da tarde, além do famoso por do sol dourado que só o Guaíba tem (perdoem-me o excesso de bairrismo, mas porto-alegrense que se preza acredita que o pôr do sol do Guaíba é o mais lindo de todo o universo) pode-se avistar a cidade com seus prédios, morros, avenidas, os viadutos da entrada da cidade, os trilhos do trensurb, a usina do Gasômetro e o cais do porto todo iluminado numa linda mistura de elementos urbanos totalmente agregados à paisagem.

Para finalizar, deixo esse vídeo que foi veiculado por uma grande rede de supermercados no aniversário da cidade em 2008 e que ilustra um pouco de tudo isso que eu falei. As últimas frases do vídeo me fazem sempre derramar uma lágrima de emoção. Coisa de quem ama Porto Alegre!







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terça-feira, 22 de março de 2011

O Japão e o dom da sobrevivência

Tenho evitado esse assunto por ser de tanto sofrimento, mas não posso me furtar de falar sobre ele.
O recente terremoto seguido de tsunami que arrasou o norte do Japão, além de incredulidade com a força da natureza, me trouxe muitas reflexões.


Vendo o noticiário da TV, fiquei horrorizada com o tamanho da destruição causada, não tanto pelo terremoto que foi muito forte, mas que o país já está acostumado e bem preparado para enfrentá-los (e mesmo assim fez muitos estragos), mas com o tsunami, provando que a natureza é maior que o homem e contra a força dela, ninguém pode. Ver carros, caminhões, barcos de médio e grande porte empilhados como blocos de um brinquedo de criança e edifícios inteiros sendo arrastado pelas águas como castelos feitos na areia, foram imagens fortes que me impressionaram muito.

Mas o que impressiona mesmo é ver como os japoneses se comportam diante de toda essa tragédia. Um terremoto de magnitude próxima de 9, um tsunami arrasador e ainda a ameaça da radiação, fantasma que assombra os japoneses desde a 2ª grande guerra, nada disso é capaz de tirar a ordem e a educação culturalmente enraizada nesse povo.

Se fosse aqui no Brasil, certamente os sobreviventes estariam matando-se na disputa por alimentos e combustível, saqueando os escombros, lojas e supermercados. Mas lá não acontece nada disso. Mesmo com fome e frio, eles entram em filas e aguardam pacientemente a sua vez. É claro que deve haver desespero e dor, pois nos locais mais atingidos, as pessoas perderam tudo. TUDO. A casa, as roupas, os documentos, os carros, os empregos, os familiares e amigos... Mas sobrou-lhes o que tem de mais precioso: suas vidas e toda a paciência e resignação nipônicas. São sobreviventes por natureza, já reconstruíram aquele país e certamente o farão de novo.

Faço minha homenagem à esse povo através de 3 brasileiros com forte ligação com o Japão: as blogueiras Flávia Shiroma do Compartilhando Idéias  e a Rose do Cheiro de Terra que residem no país arrasado e transmitem através dos seus blogs um pouco da cultura japonesa e também algumas notícias vindas de lá,  e o meu primo Tadeu Tomita, filho da tia Clélia irmã da mãe. Tadeu é filho de Japonês e embora não tenha convivido com o pai, é diferente de todos nós. Não só pelos "olhos puxados", mas por ser o mais educado, que sempre teve uma paciência "monstruosa", e sempre foi imensamente cavalheiro, desde muito menino. Era estudioso, consciente dos seus deveres, companheiro da mãe. Lembro da gente criança brincando lá em Vacaria, ele é quem cuidava de mim e me tratava sempre com muito amor e carinho. Seu jeito, seu carater, sua personalidade, certamente foram influenciadas pelos genes do pai e definitivamente "grudados" no seu comportamento pela rigidez da mãe. Não o vejo há mais de 25 anos, mas ainda tenho por ele um imenso amor e muita saudade. que meu abraço nesses 3 brasileiros/japoneses, seja um abraço à todo o povo do Japão.

E encerro esse post com o desejo que esse povo acorde desse pesadelo, que a ameaça radioativa se desfaça e que todos possam restabelecer o corpo dos ferimentos e a alma de tantas perdas e possam reconstruir suas vidas e aquela parte arrasada do Japão volte a ser sinônimo de vida e a produzir. Que as cerejeiras voltem a florir e colorir as ruas e as crianças possam brincar e sorrir. E que todos nós possamos tirar alguma lição desse episódio, no mínimo, que educação e respeito são possíveis mesmo onde há dor e sofrimento, e que torna tudo mais fácil de ser superado.






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domingo, 20 de março de 2011

Informe especial


Hoje venho aqui só pra agradecer a vocês que "ouvem" meus lamentos e me dão força, me animam, me fazem rir. Estes últimos 20 dias foram bem difíceis por aqui e precisei juntar forças de onde não tinha para conseguir ultrapassá-los.
Meu marido sempre foi minha força e nos últimos tempos tenho me apoiado muito nele. Vê-lo doente foi como se tivessem me quebrado uma perna, ou as duas. Mas não sofri só por ter ficado sem o seu braço forte pra me amparar, mas por vê-lo tão fraco, entregue, com dor e sofrendo. 
Esses momentos de intenso envolvimento com a dor, sempre nos fazem refletir e costumam ser divisores de águas nas nossas vidas. Desde o princípio acreditava que seria assim com esse momento e hoje ouvi do meu marido uma frase que me confirmou essa suspeita. Ele me disse que a sua vida nunca mais seria a mesma depois disso que ele está passando e então questionei se era pessimismo, mas ele disse que esse episódio tinha mudado totalmente a concepção que ele tinha do mundo e que pensava em grandes mudanças e transformações na sua vida.
Uma pena que ele tenha tido que sofrer para entender que precisava mudar algumas coisas, mas agradeço aos céus por ele entender essa necessidade e avaliar a concretização disso. Amém!

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O aniversário das gêmeas não passou em branco, fiz uma nega-maluca e levei na escola com refrigerantes. Num pequeno intervalo, a professora levou as crianças todas para o refeitório e elas cantaram parabéns pras gurias e depois comeram o bolinho. Foi uma graça ver as carinhas de alegria delas, com os coleguinhas todos cantando parabéns pra elas. Elas davam risadinhas e faziam umas carinhas tão lindinhas... Uma M%#$@ eu não ter a droga da câmera pra registrar! Mas elas curtiram o momento, que embora breve, foi muito fofo.

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Depois do bolinho na escola, fomos lá na vovó buscar o papai. Ele já estava nervoso de estar lá, longe das crianças e de casa. Estava com medo de trazê-lo e as gurias machucarem ele jogando-se no colo ou coisa parecida, mas elas até se comportaram bem. A vida finalmente começa a retomar seu curso normal, as coisas voltando ao seu eixo.

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Para encerrar, meu muito obrigada pelo carinho, um agradecimento especial aos novos seguidores do blog e à todos os visitantes. Um abraço e um ótimo final de semana!



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quinta-feira, 17 de março de 2011

Aniversário em dose dupla!!!

Há 3 anos atrás, neste mesmo dia 17 de março, minha vida mudava drasticamente. Do momento em que ouvi o choro estridente e carente da Aline e o chorinho manhoso e autoritário da Camila, meus dias ganharam mais cor e alegria. 

Ainda não sabia muito bem como iria dar conta de dois bebês ao mesmo tempo e ao vê-las tão pequenas, tão frágeis, meu coração ficou tão pequenininho e apertado que eu quase nem respirava, tamanha era minha angustia e preocupação. 

Mas os dias foram passando, elas ganhando peso e não tiveram nenhuma intercorrência naqueles dias de UTI, então sabia que levaria elas logo pra casa. Mas se a angústia era muita no momento do parto que nem me permitiu grandes emoções, elas vieram pra valer no dia em que as peguei no colo, juntas pela primeira vez. 

Aline (à dir.) e Camila no canguru
Ainda me lembro como se tivesse sido há alguns segundos, quando a enfermeira me perguntou se eu queria fazer o canguru com as duas e eu de tanta ânsia não quis esperar mais nem um segundo para esse momento. A enfermeira calmamente me preparou para a situação, me acomodando numa cadeira entre as duas incubadoras e com muita calma colocou aquelas duas ratinhas minúsculas bem aconchegadas sobre o meu peito nu, e as cobriu com um cobertor.

Naquele momento, queria que o tempo parasse. Chorei muito abraçada às minhas filhas, beijei suas testas enrugadas, seus olhos fechados, suas mãozinhas pequenas. Lembro de ter cantado pra elas uma duas músicas que costumava cantar na missa e que por gostar muito já cantava pra elas na minha barriga:

"Entoai Ação de Graças 
  E cantai um canto novo
  Aclamai a Deus Javé,
  Aclamai com amor e fé" 

e
 
"Dentro de mim existe uma luz
 que me mostra por onde deverei andar
 Dentro de mim também mora Jesus
 que me ensina o seu jeito de amar.
  Minha luz é Jesus. 
 E Jesus me conduz pelos caminhos da paz. "

Papai também fez canguru
 E via elas fazendo força para abrir os olhos apesar de toda aquela luz forte e querendo me olhar. Aconchegaram-se tanto ali nos meus braços, que dormiram quase sem se mexer, mantendo-se aquecidas e tranquilas só com o calor do meu amor por elas. Quase chorei mais ainda quando a enfermeira me disse que tinha que colocá-las de volta porque era hora da medicação, mas voltaria a fazer o canguru com elas varias vezes por dia, diariamente até a alta delas.

De lá pra cá muita coisa aconteceu, elas cresceram, ficaram cada dia mais lindas, ganharam mais uma irmãzinha, aprenderam a andar, falar, vestirem-se sozinhas, usar o banheiro. Também aprenderam a dividir os brinquedos, a atenção, e a somar forças para fazer traquinagem, multiplicar o barulho e a alegria da casa e diminuir consideravelmente minhas horas de sono.

Amo observar o desenvolvimento delas, suas imensas diferenças apesar de serem gêmeas idênticas, suas personalidades fortes e distintas, cada uma com o seu caráter, ambas doces, meigas, generosas, amáveis, solidárias.

Elas brigam muito, por qualquer bobagem, mas se amam visivelmente. Uma não fica longe da outra sem perguntar onde está e porque não está por perto. Tudo o que uma faze quer partilhar com a outra e as duas com a mais nova. Preocupam-se com a maninha pequena como se fossem as mãezinhas dela, só vendo mesmo para acreditar no carinho e no cuidado que tem com a irmã caçula que retribui tanto zelo com o mesmo carinho.




Aline e Camila


Elas são muito amadas e refletem isso no seu comportamento. Somos uma família meio atrapalhada, todos temos nossas limitações e deficiências e certamente estamos longe do modelo de pais que queríamos ser, mas dentro do nosso possível fazemos o impossível para que elas saibam o quanto são especiais.

Já quase não pego mais as duas no colo ao mesmo tempo, e mesmo uma é cada vez mais raro, mas ainda canto para elas. Se não preciso mais fazê-las dormir, canto depois que já estão dormindo, baixinho no ouvido delas para que sintam meu amor mesmo que não o vejam.

As comemorações serão tímidas: um bolinho com refrigerantes na sala da escola, pois com o papai ainda convalescendo da cirurgia nem dá pra pensar em mais além disso, e mesmo a série de textos que mamãe prometeu à elas não deu pra fazer, essas últimas semanas tem sido o caos aqui em casa, vocês não tem noção. 

Mas não importa, nosso coração e nossa casa está em festa hoje pois a nossa duplinha está de aniversário.





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quarta-feira, 16 de março de 2011

Quando a implicância é sinal de amor

Das muitas histórias que presenciei no hospital neste final de seman uma me chamou particularmente a atenção. Um senhor, não sei precisar a idade, sofreu um avc há cerca de um mês. Solteiro e sem filhos, mora perto de uma irmã que é viuva. Não sei dizer quantos irmãos tem, mas além dessa que mora próximo e é quem mais tempo passa com ele no hospital, conheci mais dois irmãos e outra irmã mais nova que eu já conhecia pois é uma das "tias" que trabalha com minhas filhas na escolinha.

Nas conversas que tive com seus familiares fiquei sabendo que antes de ficar doente era um homem independente e trabalhador, muito bom e justo. "Ninguém fica triste perto dele" me confidenciou uma das irmãs. As irmãs falaram dele com muito amor e carinho. Pude notar que é mesmo assim através do comportamento dele, embora assim "meio fora do ar" por conta do avc, as conversas e as brincadeiras que faz o tempo todo, levam mesmo a crer ser ele um homem bem humorado e divertido.

Esta irmã mais velha, que toma conta dele no hospital, talvez por ser quem convive mais de perto com ele, é meio implicante e ele tabém implica o tempo todo com ela. Num primeiro momento, achei ela muito estranha. Que mulher mais ranzinza, pensei. Mas fiquei observando e entendi aquela relação. O amor dela é tanto, que ela se preocupa com medo dele cair e bater a cabeça. O homem está magrinho, fraco, mas teima em querer fazer as coisas sozinho, mas ela não deixa e o segura com força pelos braços. e ele, é claro, resmunga.

Mas embora pareça brutalidade, é puro amor. E ele, apesar de implicar o tempo todo com ela, quano ela não está, pergunta por ela o tempo todo e até diz que sonha com ela. Ao mesmo tempo em que me diverti muito ouvindo as histórias dele que um pouco são bem lúcidas e outro pouco são devaneios de uma mente corroída pela doença, também me enterneci observando o carinho e o amor entre aqueles irmãos. Os homens, embora tenham falado pouco comigo, também demonstraram imenso amor e cuidado com aquele irmão doente, dando trela pras suas conversas, auxiliando-o nos momento em que necessitava, cobrindo seu corpo frágil para protegê-lo do ar frio da noite.

Histórias de amor assim sempre me comovem. Amor puro, incondicional e sem pedir nada em troca. Acho que essa é a verdadeira essência do amor.




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terça-feira, 15 de março de 2011

A dor, o hospital e as mulheres

Nesta curta (graças à Deus) temporada que passei no hospital acompanhando o marido estive muito tempo sozinha, esperando ele sair da cirurgia e depois da sala de recuperação. Mesmo depois que ele foi para o quarto, passava a maior parte do tempo dormindo, acordando em intervalos regulares para alimentação e a medicação, também teve momentos em que não conseguia dormir por causa da dor, mas 70% do tempo, fiquei só. 

À noite, tratava de dormir um pouco, mal acomodada numa cadeira, recostando a cabeça na pontinha do colchão da cama do marido, acordando a cada gemido dele, ou sempre que as enfermeiras entravam no quarto para medicar um dos 5 pacientes do quarto.

Mas durante o dia, me pus a observar o movimento e as pessoas ao meu redor. O hospital de Cachoeira é relativamente pequeno, principalmente se levarmos em conta que é o único da cidade que tem uma população em torno de 70 mil habitantes. 

O prédio é centenário, muito bonito na parte externa, como qualquer prédio antigo, mas velho e arcaico por dentro. Algumas alas foram reformadas, outras construídas recentemente, como a pediátrica por onde também andei passando umas temporadas com as crianças, essa é bem mais confortável e com uma aparência mais agradável. 

A ala onde meu marido ficou internado é dessas bem antigas. Recebeu pintura nova, mas a estrutura é bem deficiente, as janelas antigas da parte frontal do prédio, pesadas e emperradas, além de não permitirem uma ventilação adequada, ainda oferecem um certo risco aos pacientes. O quarto é escuro, quente. Conta com dois ventiladores presos no alto da parede e um deles ainda não funcionava direito. O ambiente sombrio, soturno, dá às pessoas que ali estão uma sensação de opressão, deixando quem já está doente ainda mais doente, já que afeta o lado psicológico das pessoas.

Mas o aspecto que mais me chamou a atenção, é que o hospital é um ambiente majoritáriamente feminino. As equipes de enfermagem embora contem com alguns rapazes são compostas na sua grande maioria por moças, gente muito jovem já que o hospital é também uma escola de enfermagem. Os pacientes também são mulheres na sua imensa maioria, porque as mulheres são gestantes ou parturientes, e porque as mulheres procuram com mais frequência a ajuda médica enquanto os homens tem medo e fogem de hospitais e médicos. Os acompanhantes então, nem se fala, mulheres são quase 90% dos acompanhantes. 

São as mulheres, mães, que acompanham seus filhos doentes, é raro ver um pai nessa posição. São as mulheres que acompanham o marido, o pai, os irmãos, a mãe, a tia e até mesmo a vizinha sem parentes disponíveis. Ou porque as mulheres não trabalham, ou porque abrem mão do trabalho para cuidar de alguém doente, enquanto que os homens não abrem mão de nada pra cumprir essa tarefa inglória. À noite é mais comum vê-los acompanhando doentes, embora ainda assim as mulheres sejam maioria, mas durante o dia são minoria absoluta. 

Uma dessas mulheres, acompanhando o marido que também fez cirurgia de apêndice como meu marido, resumiu a situação de maneira muito simples, dizendo sem o menor constrangimento: "o homem é tudo cagão." Meu marido riu, quis se aborrecer, mas no fim, acabou concordando. Os homens toleram menos a dor, isso é um fato que se não for comprovado cientificamente, pode ser facilmente comprovado passando-se algumas horas dentro de um hospital.

As mulheres acostumam-se a sentir dor. Já logo que nascem tem suas orelhas furadas para colocar brincos, objeto de vaidade e que serve para identificar que aquele bebê careca é mesmo uma menina. Depois de crescerem os cabelos, é aquela luta diária para desembaraçar as madeixas, escovar, puxar, prender, enfeitar. Mais adiante vem a menstruação e as cólicas, dor de cabeça e outras que acompanham o evento mensal.  Depilação de axilas, pernas, virilhas, sobrancelhas são coisa normal, nem reclamam do desconforto disso. Aí resolvem ter filhos, vem o desconforto da gestação, enjoo, seios doloridos, dor nas costas, contrações, dores do parto, pós-parto, amamentação... enfim, um rosário de dores a ser desfiado ao longo da nossa vida!

Já os homens, se acostumam a serem os fortes, aprendem que homem não chora, isso tem mudado, mas ainda é assim para os mais "maduros", comportam-se como se nunca fossem ficar doentes e quando ficam, parece que sentem-se envergonhados pela sua "fragilidade" como se ficar doente fosse "coisa de mulher".

Vi coisas que seriam hilárias em outro contexto, como homens fisicamente fortes, com cara de mau, fazendo beicinho e choramingando por causa dos pelinhos do braço sendo arrancados no momento da troca de um curativo, ou fazendo muitas caretas e gemendo por causa da agulha de uma injeção. 

Outra coisa é a resistência deles em serem ajudados. Pacientes cirúrgicos, dependendo da situação, precisam de ajuda até para ir ao banheiro e tomar banho e é aí que o bicho pega. No caso do meu marido por exemplo, eu precisava ir com ele para carregar junto o suporte com o soro e o antibiótico, apoiá-lo enquanto caminhava ainda com muita dor e debilitado depois de muitos dias sem se alimentar direito, com febre e dor, mas uma vez dentro do banheiro, ainda conseguia se virar sozinho. Mas alguns não tem condição pra isso, usam fraldas, precisam de banho deitados na cama e essa dependência é quase a morte pra alma masculina. Se esse serviço tiver que ser feito por uma mulher então, a vergonha é ainda maior.


Enquanto isso os homens passam a vida aprendendo a serem fortes, são o arrimo da família, aquele que conduz, que provém o sustento, que trabalha incessantemente para trazer o pão de cada dia. Não têm tempo para ficar doentes, por isso não querem saber de médicos, ficam com medo de terem que mudar suas rotinas, parar de trabalhar ou ficar dependentes ou de sentir muito mais dor por conta de uma dorzinha à toa que estão sentindo, e se calam, procurando ajuda só quando não suportam mais, por isso que embora eles sejam em menor número como pacientes nos hospitais, são sempre os doentes mais graves. 

É claro que isso não é padrão, muitas pessoas, tanto homens quanto mulheres, se comportam de maneira diferente, os tempos estão mudando. Mas no interior, em cidades pequenas como a nossa, as coisas mudam num ritmo muito mais lento e tudo isso que falei foi fruto da observação que fiz durante um fim de semana.

Todo esse papo me fez concluir que a dor, o hospital e as mulheres são íntimos conhecidos e como tal, embora não se gostem muito, tratam-se com cordialidade.


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segunda-feira, 14 de março de 2011

Apendicite


Tá aí um negocinho que não serve pra nada, exceto arrumar incomodação: o tal do apêndice. Depois de quase duas semanas sofrendo com dor, febre e mal estar, finalmente descobrimos ser esse o problema do marido. 

Fizemos uma ecografia no sábado de manhã e o médico nos mandou direto para o hospital. Mais alguns exames e muuuuuuuita espera, ele finalmente fez a cirurgia no final da tarde. O médico disse que foi uma cirurgia bem difícil, pois o apêndice dele estava pra dentro, por baixo do intestino, o que impediu ele de sentir muita dor, mas também dificultou bastante o processo de retirada. 

O tempo que demorou também contribui para que ele já estivesse bastante inflamado e acho que a situação só não foi pior, porque o outro médico que examinou ele uma semana antes, desconfiado de que havia algo, receitou antbióticos e mandou que ele fizesse a tal ecografia, mas com o feriado de carnaval, a falta de grana e mais o tempo de preparo (jejum e medicação) só conseguimos fazer no sábado mesmo.

Fiquei todo o tempo com ele no hospital, a recuperação também foi mais lenta por causa dessa dificuldade da cirurgia, ele foi bem remexido, está ainda com muita dor. Mas saimos do hospital agora há pouco. O Carlos vai ficar lá na casa da mamãe, pra evitar que as crianças se joguem em cima dele enquanto ainda estiver com os pontos e muito debilitado e eu vou ficar em casa com elas. 

Pelo menos não estamos mais no hospital, dormir (ou tentar) sentada numa cadeira sem cômodo nenhum, com luz acesa num quarto cheio de gente e com enfermeiras fuxicando à cada duas horas é o Ó. 

O que interessa é que ele está bem e vai melhorar mais ainda. Depois com mais calma, conto umas historinhas que merecem um post à parte.

De mais, agradeço à todos os amigos e amigas que mandaram alguma palavrinha de conforto e de força para nós. Foram muitas palavras amigas, por telefone, sms, email, twitter ou FB e é muito reconfortante sabermos que tem alguém pensando em nós e nos mandando boas vibrações em momentos como esses.

Não sei se vocês notaram, mas falei o tempo todo no plural, como se eu também tivesse sentido dor, passado por exames ou cirurgia, mas não deixa de ser. O Carlos é minha força, meu porto seguro, é onde me apoio. Se ele sofre, fico sem chão. Sofri com ele todos esses dias e fiquei muito angustiada com essa situação. 

Mas só agora, que o pior já passou e que ele está em franca recuperação, me permiti desabar por completo. Meu corpo todo dói, meus pés estão inchados, eu estou caindo de sono, de fome, de cansaço. Mas não tava sentindo nada disso antes, como se tivesse anestesiada. Ainda bem que já passou, agora posso chorar, desabafar meu cansaço, e voltar a viver.

Ótima semana à todos!







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sexta-feira, 11 de março de 2011

O que eu aprendi nestes 3 anos

Como num espelho, Aline abre os olhos para ver a Camila....


Esta semana as gêmeas completam seus 3 anos. Na breve restrospectiva que fiz aqui mesmo no blog, lembrei dos nossos primeiros momentos juntas, das primeiras emoções, das primeiras impressões. Ficou faltando muita coisa ainda, mas vou guardar algumas lembranças para contar em outras ocasiões. Mas o que eu não posso deixar de falar, é sobre o que eu aprendi com elas nesses 3 anos.

Quando contei que estava esperando gêmeas, minha colega de trabalho, amiga e comadre Carla me olhou pensativa e perguntou o que será que Deus estava querendo nos dizer com isso. Na época achei estranha a pergunta, que ela fez sem esperar resposta, mas aos poucos fui descobrindo o que Deus estava querendo dizer.

A principal coisa que Deus me disse foi: "por mais que você tenha dor, cansaço ou sinta-se triste e deprimida, não terás o direito de entregar-te, pois duas crianças, dois anjos da minha casa, dependem da tua atenção" e assim tem sido. Tem dias que fico muito irritada, sem paciência por conta do cansaço que sinto e que não posso aliviar, mas mesmo cansada, tenho que cuidar delas. Quando estou me sentindo muito mal peço ajuda, mas nem sempre a ajuda está disponível. É nesses momentos que eu tenho que superar os meus limites e atendê-las. Elas me dão força, me manteem viva.

Observar suas semelhanças e diferenças tem sido outro aprendizado valioso. Todos os irmãos tem semelhanças e diferenças, mas no caso de filhos gêmeos tem-se a falsa impressão de que tudo são semelhanças. Pois eu digo que as diferenças de personalidade entre elas é tanta que tem dias que nem acho elas parecidas fisicamente.

E essa observação é um exercício fascinante.  Uma é doce e forte e a outra é meiga e apenas aparenta fragilidade; Uma é mais feminina, gosta das coisas de menina, mas tem um temperamento mais mandão, autoritária. A outra parece que nasceu com o DNA trocado e deveria ser um gurizinho, sobe e tudo o que vê, chuta uma bola que dá gosto, adora pisar em poças e saltar obstáculos, mas é mais delicada e brinca de mamãe com as bonecas. 

...enquanto Camila dá uma espiadinha na Aline.

Elas são diferentes até no modo de teimar, enquanto uma empaca e não anda mais nem pra frente nem pra trás, a outra chora, grita, se escabela. Elas são contraditórias e às vezes trocam de personalidade, comportando-se da maneira que a outra se comportaria só para nos confundir.

Adoro ouvir a Aline contando as suas histórias, ela fala igual uma metralhadora, disparando 1800 palavras por segundo, eu que me vire pra entender. Mas ela tem um vocabulário extenso e é mais clara para falar, sem contar que repete todas as expressões que costumo usar e me faz rir muito. É meiga e intuitiva. 

Adoro ver a Camila sorrir. Fisicamente o sorriso é igual, mas o jeitinho que a Camila sorri é pura luz. Ela fala um pouco menos e é mais enrolada, mas tem atitude, é determinada e imita os gestos, quer fazer tudo o que eu faço e acha que sabe de tudo. É destemida, valente, corajosa.

Elas me ensinaram a observar. Me ensinaram que são iguais, amigas, companheiras, unidas, mas são únicas, individuais, cada uma com suas particularidades, habilidades, fragilidades. Me ensinaram que tenho que tentar ser forte mesmo quando meu corpo diz que não tem mais forças estão me ensinando aos poucos a ter mais paciência. 

Elas me ensinaram a cantar, me ensinaram coreografias estranhas, e brincar de bonecas. Me ensinaram a ver filmes e desenhos e a desenhar no papel, a empilhar caixinhas e a encaixar pequenos blocos pra fazer um avião ou um robô (só o que eu consigo fazer) e me ensinaram a chutar uma bola, ou a jogá-la com as mãos. 

Me ensinaram o quanto pode ser divertido uma cara suja de biscoito, um joelho sujo de terra, o cabelo cheio de areia. Divertido brincar na piscina mesmo quando esta vazia, divertido empilhar cadeiras, panelas ou qualquer outro objeto que "more" na cozinha. Me ensinaram a ser condenscendente, cúmplice.
E pelo que vejo, eu ainda tenho muito que aprender, e elas a me ensinar.






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quinta-feira, 10 de março de 2011

Maria Clara e Renato

EDITADO

Eu conheci pessoalmente esse casal lá no Hospital de Clínicas. Renato (já falei dele aqui) e eu, além da mesma doença, compartilhamos também o mesmo médico. Bastam 5 minutos perto deles para se encantar, se apaixonar. Eles sao almas puras, irradiam luz e é impossível não sentir-se bem, feliz e em paz ao lado deles. O amor deles salta aos olhos, é palpável. Lindo.
Hoje saiu uma reportagem sobre eles no Jornal do Almoço aqui no Rio Grande do sul. Confiram a história, é uma lição de vida.



Esse primeiro vídeo começa com outra notícia, aos 30 segundos começa a história deles. Olhem, vale a pena. Se você não der outro valor à sua vida depois disso, nada fará você dar.



O segundo vídeo mostra um pouco da dura rotina da Maria Clara para fazer as transferências do Renato.



Já esse terceiro, mostra um pouquinho só, do quanto eles se amam...




Os dados bancários para doações estão aí ó:
Banco Itaú / Agência 8253 / Conta 06128-0
Quem puder, ajuda. O equipamento custa R$6.000,00
Lembrem que Maria Clara também tem limitações por isso pede ajuda, e que de grão em grão a galinha enche o bico, por isso qualquer quantia é bem-vinda.



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