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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Conversas - Perdas

É com emoção que apresento hoje nesta coluna, a amiga Débora do blog Amar ser mãe. Muito já falei dela aqui, leitora e comentarista assídua deste humilde bloguito, sempre me presenteando com selinhos e mimos e que também me deu a honra de postar um texto meu lá no blog dela, como você pode conferir aqui.

Débora é brasileira, mas mora em Portugal com o marido e o filho, Diego. Uma graça de menino cujas aventuras e descobertas são descritas com muito amor pela mamãe em seu blog.

O texto que ela me enviou fala sobre as perdas. Um assunto delicado, mas abordado com muita sensibilidade por ela.


Vamos ao texto:


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Perdas

Há algumas semanas, um medo e uma ansiedade tomaram conta de mim… “Será que estava a caminho um irmãozinho ou irmãzinha para o Dieguinho?” Eu e meu marido até chegamos a ficar felizes com a possibilidade; não que estivéssemos na lista de “tentantes” oficiais. Um segundo filho, naquela altura, seria mera obra de Deus, do destino… Fizemos um teste, daqueles comprados na farmácia. Resultado: Negativo! Mas a nossa expectativa era tanta que resolvemos fazer o exame de sangue para confirmar mesmo. Novo Negativo. Quando abri o envelope e vi que o Di continuaria filho único uma tristeza invadiu meu coração. E olha que eu nem estava esperando ficar grávida! Mas o sentimento era de perda,  mesmo que não houvesse perda nenhuma.
Naquele momento, lembrei de muitas outras mulheres que tanto desejam engravidar e não são abençoadas com esse presente de Deus. Se eu fiquei frustrada com o meu resultado, imagina a dor que  é ver um “negativo” todos os meses, quando se busca e se tenta justamente o contrário.  E o que dizer das mulheres que ficam grávidas e logo em seguida sofrem um aborto espontâneo?  E as que perdem seus bebês já com a gravidez bem adiantada? E aquelas que perdem seus filhos pouco depois de nascerem?
Só depois que me tornei mãe, soube realmente o que isso significa... Lembro bem do Caso Isabela; a menina atirada da janela de um apartamento pelo pai e a madrasta, em São Paulo. Quando o crime aconteceu, eu trabalhava em TV. Acompanhamos o caso, achei horrendo e ponto!  Quando os suspeitos foram julgados, eu já era mãe e foi incrível como vi tudo de uma maneira bem diferente. Meu sentimento era outro.  Sofri como não tinha sofrido antes.
Só depois que me tornei mãe, entendi melhor a minha própria mãe que também teve a infelicidade de perder um filho. Minha irmã mais nova morreu quando tinha nove anos de idade. Na época eu era adolescente e sinto não ter dado todo o apoio que minha mãe necessitou. Lembro que minha mãe passou anos até conseguir sorrir novamente.
Hoje, dói-me ver um pai ou uma mãe enterrando um filho.  Não deve haver nada pior nessa vida. Penso o quanto não é justo. Mas quem sou eu para achar alguma coisa. Deus lá sabe as suas razões… E o que acho mais incrível é como um filho nunca é esquecido, passe o tempo que passar. Já vi uma senhora que perdeu 2 filhos, há mais de vinte anos, ainda hoje se emocionar e chorar ao falar deles.  Quando leio blogs de mulheres que passaram por essa mesma dor também vejo o quanto um filho “é para sempre”, por menor que tenha sido a convivência com ele.
Se existe conforto para minimizar a perda de um filho que o mesmo seja levado a quem precisa. Deixo aqui a minha solidariedade e um grande abraço a essas mulheres que são de uma fortaleza incrível! Fica aqui a minha homenagem e a certeza de que são abençoadas por anjos!
***
Quando a Tuka convidou-me para participar aqui do cantinho dela, fiquei muito lisonjeada e, ao mesmo tempo, em dúvida sobre que tema escrever…  Andei dias meditando e acabei  “esbarrando” no que eu mais tenho escrito ultimamente: “a maternidade”.  Desculpa, amiga, mas foi inevitável! Pelo menos, tentei dar um foco diferente ao assunto. Obrigada pelo convite e espero que tenha ficado à altura desse seu cantinho tão especial…

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Querida Débora, espero que o meu blog é que esteja à altura da tua participação! Agradeço a honra de te ter por aqui e o texto ficou muito bom. Volte sempre!



Por: Tuka Siqueira / @TukaSiqueira
Comentários
5 Comentários

5 comentários:

  1. Débora, incrível como passamos a perceber e a sentir a dor do mundo com mais intensidade, depois que nos tornamos mães.

    Sou do time que sofreu uma perda. Estava de poucas semanas, mas mesmo assim, me marcou horrores! Me marcou pra sempre...

    Beijo grande pra vc e pra Tuka.

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  2. Tuka, querida
    Mais uma vez muito obg pelo ccnvite... sinto-me muito honrada de participar do seu blog que acompanho diariamente e tanto gosto. Adoro os seus posts e sou uma grande admiradora sua, mesmo sem te conhecer pessoalmente. Já te disse isso algumas vezes, mas nunca é demais repetir o quanto admiro a sua força, a sua garra e a sua história.... um grande abraço !

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  3. Que mãe nunca sofreu suas perdas? Eu, com a graça de Deus, nunca perdi um filho. Mas sofri quando tive 3 deles prematuros. Foi uma grande perda pra mim sair da maternidade sem levá-los. Sofri, por não conseguir amamentar, justamente esses que mais precisavam, por mais tempo. Sei que minhas perdas são insignificantes perto de outras mães, mas não significa que também não fazem sofrer.

    Débora, gostei muito do teu texto. O assunto é delicado, mas precisa ser falado. Falar sobre as perdas e as dores que elas provocam é um passo fundamental para aprender a suportá-las.

    Abraços

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  4. Textos sobre perdas sempre me emocionam muito. Especialmente sobre mães que perderam seus filhos.

    Esse texto é bem especial mesmo. Obrigada por compartilha-lo conosco, Tuka, querida.

    Bjos.

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  5. Cada fase da vida nos propicia um aprendizado sobre a própria vida e seus "mistérios". Entendo perfeitamente o que vc diz sobre sua mãe. Acho que só consegui perceber que minha mãe era uma mulher depois que me tornei mãe. Filhos, de um modo geral, são muito egoístas e se esquecem de que somos pessoas com uma alma, cheias de expectativas e sonhos, além de sermos mães. Hoje percebo o quanto poderia ter apoiado minha mãe e compreendido seus problemas e quanta falta esse apoio lhe deve ter feito.
    Um texto excelente e faço votos de que quando vcs entrarem na lista de "tentantes" oficiais, tudo aconteça como nos mais lindos dos seus sonhos. Bom conhecer vc, Débora.
    Saudades de vc, querida Tuca. estive ausente mas não esqueci os amigos.
    Beijokas.

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