Ache aqui o que você procura!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Gêmeas - Descobrindo a individualidade

Nos últimos dias vivi uma experiência nova com as gêmeas: passar um bom tempo com elas separadas, um dia inteiro com cada uma delas, só eu e elas.

Sempre que elas tem consultas ou exames no HCPA levo as duas juntas e meu marido me acompanha, mas por causa da cirurgia que ele fez me propus a levá-las sozinha, por isso separei as datas dos exames e consultas. Na sexta-feira viajei com a Aline e na segunda (ontem) com a Camila. Foi uma experiência cansativa, mas muito interessante.

Nunca tinha separado as duas por tanto tempo, por isso pude curtir cada uma delas de um modo que nunca tinha curtido antes, conhecê-las mais profundamente, usufruir da companhia de cada uma e perceber suas diferenças de uma forma mais real.

Sempre digo que elas são iguais na forma e diferentes no conteúdo, mas sempre uso da comparação entre uma e outra para ter parâmetros. Dessa vez pude observar cada uma de forma única e me surpreendi com isso.

A Aline se comportou tão bem, que nem parecia ela. Normalmente ela é tão manhosa, tá sempre pedindo colo e choramingando por alguma coisa, mas desta vez só chorou em dois momentos: um quando foi fazer o exame (tirar sangue não é coisa que criança faça sem chorar) e na volta, já quase chegando na cidade, numa parada no meio do caminho, quando tirei a lata de refrigerante que tinha dado à ela para embarcarmos de volta no ônibus, teve um chilique até que eu devolvesse a lata, mas aí ela já tava bem cansada e nem levei em consideração.

Parecia uma mocinha, chamou a atenção e quem viu pelo comportamento e a postura de "gente grande" inclusive na hora do almoço, sentadinha à mesa, comendo com a própria mão e bebendo num copo de vidro com todo o cuidado e educação. Até os donos do restaurante vieram falar comigo elogiando o jeitinho dela. 

Ouvi muitas vezes a expressão "obrigado mamãe" pra tudo que eu dava à ela, vi o quanto gosta de desenhar e como é bem articulada com as palavras. Mesmo ainda falando errado e não dando pra entender tudo o que diz, ela se articula bem e tem um bom vocabulário, adora contar histórias e cantar. Eu já sabia disso tudo, mas pude ver tudo bem mais claramente. 

Só não pode me perder de vista, passou o dia querendo caminhar para lá e pra cá e não se permitiu dormir até estar de volta dentro do ônibus. Como choveu a manhã toda, ficamos dentro do hospital só saindo na hora do almoço quando a chuva também parou.

O detalhe que mais me chamou atenção: não podia ver uma mulher de vestido que logo largava um: "olha mamãe, que linda de vestido!" Adora um vestido, seja de que jeito for e qualquer pessoa por mais mal vestida que esteja, se estiver de vestido, é linda!


A Camila deu um pouco mais de trabalho, porque é mais teimosa, mas também nos viramos bem. O problema maior com a Camila foi que o retorno foi BEM mais demorado. Enquanto com a Aline eu cheguei de volta em casa às 18:30, com a Camila cheguei às 23:00 e essas quase 6 horas fizeram toda a diferença.

Ela também é mais tranquila, menos agarrada e dependente de mim. Logo se soltou pra brincar e foi difícil mantê-la ao alcance das minhas mãos. Mas também dormiu tranquilamente por uma hora e meia deitada no banco à sombra das árvores. Tivemos sorte de um dia lindo de sol, só pegando uma chuva torrencial na hora de pegar a estrada na volta. Ainda bem que o motorista decidiu para logo na saída de Porto Alegre e quando voltamos à estrada já não chovia mais.

Descobri meio que por acaso que ela já reconhece várias cores, se atrapalha um pouco na hora de dizer os nomes, mas já identifica. É muito observadora, falo sempre isso aqui. Também ouvi dela muitos "obrigado mamãe" e até (pasmem!) um genuíno pedido de desculpas quando chamei a tenção dela por causa de uma arte que tinha feito.

Também gosta da caneta e do papel, mas em vez de desenhos ela diz que "escreve", mostrando outras preferências. Gosta mais de ouvir histórias que de contar, é mais atenta e absorve tudo que vê e ouve.

O detalhe que mais me chamou a atenção: não tem preconceitos, ainda não foi contaminada por esse mal que nós adultos colocamos na cabecinha das crianças. Ao ver uma menina numa cadeira de rodas e com uma cabeça enorme, meio deformada (não sei que doença tinha, mas para mim não era muito bonito de ver) ela disse que a menina era linda porque tinha sapatos cor-de-rosa e laços de fita no cabelo. Ficou repetindo bem alto "Que linda a menina mamãe! Olha o sapato dela! Olha o cabelo dela!" fiquei com vergonha, não por ela ou pelo que ela disse, mas por mim, por ter achado a menina feia, prestado mais atenção a um mero detalhe que não era comum, do que no todo, na beleza daquela criança.

Também foi interessante ver o quanto uma se preocupa com a outra e pergunta a toda hora onde tá e o que tá fazendo. O reencontro delas também foi interessante. A foto do abraço no início desse post é antiga, já até postei ela aqui, mas emblemática. Significa o que mais amo ver nessas duas: o amor, não por que são iguais, mas apesar das suas diferenças.

Logo iremos repetir essa experiência pois dessa vez elas foram fazer exames e agora tem as consultas. Espero poder observar novas coisas sobre elas e curtir bastante esse dia só nosso. Se cansei? Horrores! Tô completamente quebrada! Mas gostei muito dessa experiência nova!





.
Comentários
15 Comentários

15 comentários:

  1. Essa foto delas tá demais, parece um espelho! Impossível ver e não sorrir! =)

    Achei muito fofo a reação dela com a diferença como vc falou, a cabeça não muito bonita de se ver. Isso demonstra o qto a criança é pura e que o preconceito vem de casa!

    Eu sempre digo que eu como mãe de 3 procuro fazer, é ter um tempo individual com cada um deles. Já basta dividir a mãe o tempo todo! Saio só com Stella sozinha e/ou com amigas. Saio com Pedro que ama fazer as atividades do dia a dia comigo e com Leo, não só p/as terapias,ele adora me acompanhar! Todos eles merecem a mãe exclusiva p/eles tb!

    E com gêmeos é difícil os pais lidarem com essa percepcão de 2 seres humanos dferentes! Muitos tratam com se fossem um só, enquanto cada um tem uma necessidade individual. A atenção é uma dessas necessidades!

    Bjo grande!

    ResponderExcluir
  2. Que lindas... que delícia de post...
    incrível como momentos simples nos revelam tantas coisas bacanas né?

    elas são lindas... juntas ou separadas... :)

    beijos

    ResponderExcluir
  3. Oi Tuka,
    é super importante reservarmos um momento individual com cada umd a família. Imagino a sua sensação nessa primeira separação das gêmeas. Uma descoberta a cada segundo!

    Quanto as opiniões divergentes do médicos, isso é de enlouquecer mesmo. Estou esperando a Sofia crescer e fazendo a fono com calma, sem pressa, sem pressão. Com o tempo s coisas se acomodam e se encaixam, né?

    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  4. Tuka, muito lindo o seu relato.

    Amei e fiquei com aquele sorriso no canto da boca, como se estivesse presenciando essas cenas tão mágicas que só podem vir da inocência das crianças!!

    Parabéns, suas filhas são tão lindas quanto você!

    Beijo grande

    ResponderExcluir
  5. A individualidade de cada um é muito importante e acredito que tendo filhos gémeos por vezes seja dificil tirar esse tempinho individual para fazer sobressair aos nossos olhos que cada ser humano é unico.
    As suas filhas são tão fofas :)

    ResponderExcluir
  6. Tuka, amiga! Ja' ouviu falar no "DIA DO FILHO UNICO"? Ele e' para pais que tem mais de um filho (alias, para os que tem muitos - a partir de tres sao muitos, ne'? - risos).
    Enato... trata-se de uma "ideia" de prestigiar um dos filhos durante um dia especial e sair "SO' COM ELE", "COMO SE ELE FOSSE FILHO UNICO"... dizem que isso e'super importante para eles, de vez enquando! E vc fez isso, e viu como foi bom, ne'?
    Bjs!

    ResponderExcluir
  7. Tuka, eu amei este texto! Fiquei aqui pensando e não me lembro de ter ficado um dia sozinha nem com papai nem com a mamãe. Sempre tive que dividir a atenção deles com a minha irmã gêmea. Eu adoraria ter passado por essa experiência...Gostaria de reproduzi-lo adaptado no VU. Posso? Se vc me autorizar, por favor me envie por email uma foto delas diferente dessa que eu já tenho. Ok? Um mordida para cada uma das fofas! Bjo, Jê.

    ResponderExcluir
  8. Que coisa mais fofa essas duas !!! Agora lembrei do seu post anterior e vou soltar a minha "pérola"... Amiga: elas são iguaizinhas !!!! Não me atire nenhuma pedra...kkkk... Agora voltando ao assunto desse post, acho que foi ótimo esse passeio com cada uma delas... Imagino como elas devem ter se sentido importantes e mais amadas por ter, por algumas horas, a mamã só para uma delas.... sempre que vc puder, repita a dose, com certeza, elas agradecerão...

    ResponderExcluir
  9. Muito bonitinhas, Tuka. Eu sou igual à Aline, adoro vestidos, hahaha!!!

    Beijos,

    Bela - A Divorciada

    ResponderExcluir
  10. São lindas e muito fofas essas meninas! Muito bonito teu relato. Quanto ao preconceito, incentive-as sempre a perceber que o diferente pode ser normal! Eu fiz e faço isso sempre e tem funcionado. Meus trigêmeos também não tem preconceito! Isso é muito bonito! Adoro incentivar a união entre os três! É muito bonito observá-los.
    Beijos para turma toda.

    ResponderExcluir
  11. Amiga
    Muito obrigada pelo seu recado carinhoso lá no Recanto.... um grande abraço

    ResponderExcluir
  12. Nossa fiquei emocionada com o post das meninas. Que coisa linda!
    Tâo novinhas e já pedem desculpas, agradecem. Isso é um ótimo sinal e o fato dessas coisas passarem despercebidas enquanto elas estão juntas, significa que as 'moçoilas' devem usar outros métodos meio que numa competição inconsciente?
    Não sei...
    Tenho uma só e é muuuuuuito manhosa. Quando minha mãe (avó, né?) está perto dá vontade de matar ou morrer, pois ela faz manha, mia feito gato e advinha quem atende? Quando estou só, eu ignoro a manha e atendo somente quando ela fala, ou tenta falar, de forma 'civilizada' kkkkkkk
    Crianças são ótimas, elas tem uma percepção tão boa! Mas perdemos esse dom quando crescemos, focamos a atenção de forma específica e desviamos a intuição a sensibilidade e passamos a chamá-las de bobagens.
    Eu pessoalmente gostaria de ter crescido mais livre, mais criativa, eu era uma criança alegre, feliz, levadinha (hehehe), me lembro da ânsia que eu tinha de aprender, mas fui tolida, privada de seguir com os meus anseios. Fazer o quê?
    Vejo que você como mãe, além de muito competente, tem filhos que te entendem, que te ajudam, se comportando, sendo educados da maneira que você ensinou e instruiu.
    Depois desse post eu reafirmo o que eu já sabia. Você é uma excelente mãe!

    Beijos!
    Te amo!

    ResponderExcluir
  13. Tuka, amiga! Ja' ouviu falar no "DIA DO FILHO UNICO"? Ele e' para pais que tem mais de um filho (alias, para os que tem muitos - a partir de tres sao muitos, ne'? - risos).
    Enato... trata-se de uma "ideia" de prestigiar um dos filhos durante um dia especial e sair "SO' COM ELE", "COMO SE ELE FOSSE FILHO UNICO"... dizem que isso e'super importante para eles, de vez enquando! E vc fez isso, e viu como foi bom, ne'?
    Bjs!

    ResponderExcluir
  14. A individualidade de cada um é muito importante e acredito que tendo filhos gémeos por vezes seja dificil tirar esse tempinho individual para fazer sobressair aos nossos olhos que cada ser humano é unico.
    As suas filhas são tão fofas :)

    ResponderExcluir

Que bom que você veio!
Deixe aqui a sua impressão,
opinião ou recadinho.
Volte sempre!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...