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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Vínculo

A convite das meninas do blog Mulher & Mãe, vou fazer um post para uma blogagem coletiva. 


Fiquei pensando um pouco sobre este assunto e tentando me lembrar de algumas coisas. Eu criei e crio os meus filhos de forma intuitiva. Leio, me informo, sigo conselhos. Mas no fundo, faço as coisa de forma intuitiva e embora tenha um vínculo forte com todos eles, nunca fiquei prestando muita atenção sobre minhas ações e me ligando "ah, isso vai fortalecer nossos vínculos", as coisas acontecem naturalmente e quando a gente percebe, os vínculos estão todos aí, bem estabelecidos.

Eu tenho várias histórias, afinal, tenho 5 filhos. A Amamentação é sem dúvida a principal fonte. Amamentar nos faz aprender a desvendar cada olhar, é a nossa primeira linguagem com os filhos. 

Tenho uma filha que acabou de completar 1 aninho e mais duas com 2 anos e meio. Amamentá-las foi um passo importante para nossa "amizade" e cumplicidade, elas conhecem meu cheiro, sabem o calor do meu abraço e é para onde correm quando estão carentes. É incrível ver que é a mim que elas querem quando estão dodói, com sono, ou quando alguém briga com elas, mesmo que esse alguém tenha sido eu mesma.

É gostoso quando põem aqueles bracinhos curtos e gordos em volta do meu pescoço, encostam o rostinho no meu e dão aquele sorriso, aquele que derrete qualquer coração, meu corpo fica todo mole, que nem manteiga e acho que vou derreter mesmo. A pequenatem o costume de encostar a testa na minha e fica assim durante horas se eu deixar. É seu jeito de me fazer carinho, e de pedir carinho também. Ficamos assim, com as testas coladas, às vezes olho no olho, às vezes ela cola mais o rosto ao meu. É sinal de aconchego. Sinto que é quando ela se sente segura e eu, mais mãe.

Mas também tenho uma filha que vai completar 15 anos e foi quem eu amamentei mais tempo. Além disso, era minha única companhia quando o pai saía para trabalhar e o mano mais velho ia para a escola. Saíamos muito para caminhar pela cidade, primeiro eu a levava no carrinho, mas assim que aprendeu a caminhar, levava aquele toco de gente pela mão. E ela caminhava! Claro que dava uns colinhos aqui e ali, mas ela me acompanhava. Ficamos cúmplices. Agora ela tá numa idade em que não quer muito papo comigo, mas ainda me pede às vezes para sairmos juntas, se queixa que com as manas isso não é possível, mas assim mesmo, vive me rodeando contando suas histórias, das suas amigas, das festinhas, dos planos. Ela acha que não presto muito atenção, pois estou sempre atendendo as pequenas, mas eu escuto cada palavrinha que diz e observo o quanto ela cresceu física e emocionalmente.

Mas acho que as histórias mais extraordinárias que tenho dos vínculos criados com os meus filhos foram com os bebês prematuros. Tanto as gêmeas quanto o meu mais velho nasceram antes da hora, o guri com 30 semanas de gestação e as gêmeas com 32.

As gêmeas nasceram quando as novas tecnologias e estudos médicos já permitiam às mães segurarem seus bebês, naquilo que se chama de mãe-canguru. Só as tinha sentido, calor e cheiro, na hora do parto. Cada uma ao sair da minha barriga foi colocada alguns segundos com o rosto perto do meu para que sentíssemos uma à outra, e assim que as duas estavam prontas para ir para a UTI, colocaram novamente, dessa vez as duas juntas pertinho de mim. Depois disso foram para a incubadora. Uma delas precisou de oxigênio por um pouco mais de um dia e as duas precisaram da luz forte por causa do amarelão, então tive que esperar pacientemente alguns dias para poder fazer o primeiro canguru. Era difícil, tinham fios conectados à elas com sensores e elas tinham sondas para serem alimentadas, era uma traquitana que não me permitia muitos movimentos e o primeiro canguru eu fiz sentada em uma cadeira muito desconfortável, mas a emoção que senti ao segurar as duas assim peladinhas encostadas no meu peito nu, pele com pele, sentindo o calorzinho delas e transmitindo o meu, ah ninguém pode imaginar!!! Estou aqui às lágrimas escrevendo isso só de lembrar. 

Canguru duplo: Aqui já tinham 15 dias
Depois desse primeiro contato, contava as horas para poder fazer o próximo, tinha que ser nos intervalos entre as mamadas, pois elas mamavam por sonda e não podiam ser muito estimuladas para não vomitar, então era um pouquinho de cada vez, até elas irem ficando maiores. Aí começaram a mamar na mamadeira (eu não podia dar meu leite por causa de uma medicação que uso por causa da esclerose múltipla, e elas só puderam mamar meu leite depois que atingiram 2 quilos) e então podia ficar mais tempo com elas, sempre com as duas. Elas entrelaçavam as mãos sobre o meu peito e às vezes até brigavam, querendo um pouco mais de espaço e atenção, tinha que colocar minha mão sobre elas do jeitinho que gostavam para que ficassem quietinhas. E foi assim até que já não cabiam mais as duas no meu colo, já saíram da incubadora e agora usavam roupinhas, mas continuaram sempre ganhando colo coletivo. Até hoje. Uma vem pro colo, logo a outra se chega e quer também, estão sempre disputando atenção e espaço.

Já o guri, meu primeiro filho, nasceu em outro tempo. Há 22 anos atrás não se fazia mãe-canguru, o bebê não saía da incubadora nem para mamar! Ele tinha 1.200gr quando nasceu e 40 cm. Era virado só em perna! Muito pequeno e magrinho, dava medo de tocá-lo, achava que iria quebrar. Passou alguns dias também se alimentando por sonda, mas quando foi liberado para mamar eu tinha que encaixar meu seio no buraco da incubadora e com a outra mão no outro buraco levantar o corpinho dele para que alcançasse o seio para mamar. Eu tinha 17 anos, ele era meu primeiro filho, éramos 2 desajeitados. Foi muito difícil amamentá-lo. Eu chorava de angústia e ele de fome, ninguém me ajudava e a mamadeira vinha para nos salvar daquela situação desesperadora. Queria muito amamentá-lo, mas foi muito difícil mesmo. Depois que saiu do hospital, 42 dias depois de nascer, ainda mamou por uns 3 meses ,mas a mamadeira sempre serviu de complemento até ele não me querer mais. 


Como ele era muito pequeno, como eu disse dava medo de tocá-lo pois achava que ia quebrar, as primeiras vezes que o vi na incubadora, colocava minha mão lá dentro e tocava seu corpinho com a ponta do dedo. Minha mão parecia enorme perto dele. Acariciava suas costinhas assim, passando meu dedo por elas, e via que ele se aclamava e se contorcia assim como um gatinho para ganhar mais carinho. No final, pousava minha mão delicadamente em suas costas, minha mão escondia ele todo, mas ele adorava isso. Depois que cresceu, essa era a nossa senha, um chamego nas costas. Até hoje ele gosta. Tenho poucas chances agora de acarinhar meu filho, que está longe de mim, fazendo faculdade e cuidando da própria vida, o que me enche de orgulho, mas sinto saudades de quando ele vinha se chegando, sentava perto de mim, depois se encostava, até deitar a cabeça no meu colo e eu fazer um cafuné nas suas costas. É uma coisa boba, tão simples, mas é o que nos liga definitivamente no amor que sentimos.

O que cria vínculos entre mães e filhos, entre marido e mulher, entre irmãos, entre amigos, seja o que for, são sempre gestos simples, coisas bobas, um carinho feito de um jeito diferente, um jeito de olhar, caminhar juntos. Essas coisas ficam na nossa memória e lembramos delas para sempre. Eu ainda me lembro da minha mãe, fazendo cachinhos nos meus cabelos após o banho. Eu sentada num banco de madeira na área de serviço para que o vento secasse meu cabelo mais rápido enquanto minha mãe fazia cada cachinho com o dedo enrolando meu cabelo que era lisinho de dar dó. E eu ficava linda, todo mundo falava dos meus cachos! Eu tinha uns 2 anos de idade, mas lembro disso como se tivesse sido ontem. Ou seja, vínculos se criam não pelos gestos, mas pelo amor que colocamos em cada gesto, em cada olhar.



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Para quem quiser conferir os outros posts desta blogagem coletiva Acesse: Mulher e Mãe: Nossos vínculos
Comentários
18 Comentários

18 comentários:

  1. Chorei neh, óbvio!
    Que lindo...

    Essa Blogagem vai me desidratar!!

    Bjs querida!

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  2. Tuka
    Sempre que posso leio o seu blog!!!
    E amei esse post, estou com os olhos cheios de lágrimas aqui!!!
    Gestos de carinho assim são tudo de bom!!!!
    Amei!!!
    beijooos

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  3. oi minha flor,a cada leitura q faço do teu blog,aprendo cada vez mais. E o assundo de hoje da p resumir em uma unica palavra AMOR.BJOS DA AMIGA Q TE ADMIRA E TE AMA MUITO!!

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  4. Adorei!Vc aí tem vínculo p/dar e vender né não,amiga?Que Deus possa abénçoar e fortalecer os vínculos da sua linda e grande família.Bjs!

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  5. Que lindo!
    é tão mágico ler os seus posts que me empolgo cada vez que sei que tem um novo.

    É lindo ver esse vínculo entre mãe e filho... cada um de sua maneira...

    beijos Tuka

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  6. Maravilhoso!!!
    Fiquei emocionada e como estou hjm com 'os olhos rasos', chorei!!!

    bjs, querida, e tenha um dia abençoado!!!

    Cláudia

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  7. Tuka,
    Que post lindo !!! Falando do vínculo entre vc e seus filhos acaba criando vínculo conosco tb !
    Parabéns...
    Ahhhh, continuo no aguardo (sem pressão) do seu post para o Amar ser Mãe.
    Bjinhos

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  8. Tô aqui, no trabalho, de frente prá o pc, emocionada, vê se pode?! Só você Tuka! Linda postagem!

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  9. ola querida vim te ver ..faz tempo que não venho aki né...mas quero deixar meu carinho pra ti....bjinhos e boa semana.

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  10. Lindo! Parabéns, que linda família!

    Chorei, chorei e chorei!

    beijos

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  11. Tuka adorei ler este post! Como não tenho filhos nunca passei por todas estas emoções! Lindo e tocante e é isso mesmo: vínculo vem das atitudes e do amor!
    beijocas,
    Mari

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  12. Nossa! Que história linda! Parabens pelos filhotes!!

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  13. Momentos, gestos cada palavra formam os vínculos...
    e como é bom ser mãe e ter esse vínculo não???
    Saudades de vc amiga tudo de bom em sua vida sem´pre
    Deus a abençoe cada dia mais
    Adoro vc

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  14. oi querida nossa que relato lindo, tambem com 5 amores na tua vida só podia dar esse relato emocionante mesmo, que historia...assim como tu tambem acho que o maior vinculo é amamentação,nossa eu amo poder amamentar e sei que vou sentir muita falta deste momento...adorei querida.
    beijocas no teu quinteto....

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  15. Estou aqui conhecendo um pouquinho da sua história. Vc é mãe de 5??? Que bênção! Acho lindo família grande.
    Seu relato de cumplicidade, carinho, vínculo e amor é lindo.
    Bjs

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  16. Tuka adorei ler este post! Como não tenho filhos nunca passei por todas estas emoções! Lindo e tocante e é isso mesmo: vínculo vem das atitudes e do amor!
    beijocas,
    Mari

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  17. Lindo! Parabéns, que linda família!

    Chorei, chorei e chorei!

    beijos

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  18. Chorei neh, óbvio!
    Que lindo...

    Essa Blogagem vai me desidratar!!

    Bjs querida!

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