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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Adaptação

EDITADO

Como ser mãe e continuar a ser mulher? Odiei esse título e ele não rendeu muito, então editei o post colocando título novo.

A gente se prepara para ser mãe desde que nascemos, pelo menos até a minha geração, já que as coisas estão mudando numa velocidade intensa. A menina nasce e o primeiro brinquedo que ganha é uma boneca. Como a mãe é a pessoa adulta mais próxima, (ou a avó, a babá ou a atendente da creche, todas mulheres) é nessa pessoa que a criança primeiro se espelha e tenta imitar seus gestos.

Vejo aqui pelas minhas gêmeas, por terem personalidades muito distintas, cada uma faz uma coisa diferente, mas as duas me imitam o tempo todo. A Aline imita o que eu digo:" - não mexe aí, mana! -põe o sapato! -come a comida! -Ah, que linda!" Repete as minhas ordens e as expressões que uso para falar com elas (inclusive os palavrões). Já a Camila imita os gestos, pega a boneca e "troca as fraldas", fazendo direitinho como se fosse um pequeno bebê. A Letícia, ainda é pequena, mas já pega a bonequinha e junta ao peito e canta: aãaãaã pro nene nanar...É uma graça de ver.

Então é isso, a gente vai imitando nossas mães e vai se preparando para a maternidade. Quando chega o momento, começamos a ler tudo o que nos cai diante dos olhos que fale sobre o assunto: como se preparar antes de uma gravidez, dicas de alimentação, posições sexuais que favorecem a fertilidade e toda sorte de dicas para tentar influenciar no sexo do bebê. Livros, sites, revistas, programas de tv falando sobre gravidez e alguns problemas que podem surgir: estrias, varizes, pressão alta, diabetes, dor nas costas. Artigos e mais artigos sobre a preparação do enxoval, decoração do quarto, chá de bebê, o que levar pra maternidade, tipos de parto, dicas de hospitais e maternidades.

Tudo muito lindo e útil, é claro. Já existem até cursos que ensinam as mamães (e papais) de primeira viajem a segurar o bebê para dar banho, como trocar a fralda, a posição mais adequada para amamentar, como fazer o bebê arrotar e tudo mais que se possa imaginar.
Mas ninguém, nenhum artigo em revista ou jornal, nenhum livro ou site da internet nos prepara (e aos maridos principalmente) para a necessária adequação da mãe com a mulher que ainda mora dentro de nós.

Quando ficamos grávidas, além de todo o componente emocional envolvido, das mudanças do nosso corpo que nos deixam inseguras, ainda sofremos uma mudança hormonal violenta que nos transforma. Ficamos mais frágeis, sensíveis. A mulher, por gerar o bebê, sente-se mãe desde antes de saber-se grávida, só vai aperfeiçoando este sentimento à medida em que o bebê cresce. Já o homem fica de fora dessa etapa. Ele pode até participar, conversando com o bebê, acariciando a barriga, ajudando nos preparativos, mas a verdade é que se sentem meio deslocados, conversando com uma barriga.
foto da internet
O bebê passa a ser o foco principal da vida dela, todas as conversas, seja por qual tema se iniciem, acabam convergindo para um só assunto: o bebê. Ainda durante a gravidez é possível manter-se profissional, esposa, filha, amiga, dona-de-casa e todos os papéis com bastante atenção.

 Mas quando o bebê nasce, a coisa muda um pouco de figura. Novamente a mudança hormonal é violenta e muito repentina, causando às vezes transtornos graves nas mulheres, e a atenção dela agora é quase que exclusiva para aquela criatura indefesa em seus braços, que depende dela para tudo. O amor que se sente é tão, mas tão grande que chega a doer. O primeiro mês, para a adaptação da mãe com o bebê, para os primeiros desafios da amamentação e até por questões físicas, é quase todo do bebê. 

Muitos homens se ressentem disso. Não compreendem bem, também não foram preparados para esse momento. Sua esposa, antes tão carinhosa e dedicada à ele, agora praticamente se esquece que ele existe. Na verdade, os dois estão carentes de muito carinho e atenção, mas sofrem um bocado para se adptarem à nova realidade. Cada vez que um filho chega, a vida muda. Não fica pior, mas com certeza fica diferente, é preciso adaptar-se.

É por isso que muitos casamentos se desfazem logo que o os filhos nascem, faltou ao casal maturidade para o diálogo e compreensão mútua necessária em um momento tão sublime quanto delicado como esse. Ao homem faltou maturidade para dar à sua esposa muito carinho e atenção, auxílio, sem cobranças, para que ela  possa se adaptar à sua nova função (ou ao novo bebê) o mais rápido possível e a vida possa então seguir o seu curso. À mulher, faltou maturidade para saber que em algum momento precisa "deixar a cria crescer", sem sufocá-la com tanto amor, dedicando então todo o amor que possui entre todos aqueles que o esperam: o marido, os outros filhos, à família, aos amigos, ao trabalho.

Comigo nunca houve uma preparação para nada, aconteceu tudo aos trancos e barrancos. Ter praticamente emendado uma gestação na outra foi bastante complicado por todos os motivos possíveis inclusive o financeiro. Mas como vocês puderam ver, a palavra-chave deste texto foi ADAPTAÇÃO, ainda estamos no nosso, mas houve e ainda há uma real disposição de fazermos as coisas darem certo, e pra isso não existe uma receita pronta, um manual de instruções para a vida, até porque nem tudo o que é bom para mim é necessariamente bom para os outros e vice-versa, mas alguns ingredientes são básicos: muito amor, compreensão, paciência e diálogo.



Comentários
5 Comentários

5 comentários:

  1. Muito amor, compreensão, paciência e diálogo são ingredientes básicos, e estou sempre tentando usá-los nos meus dias...

    espero que quando eu chegar na fase em que você está, eu tenha maturidade o suficiente para conseguir usá-los em 100% do tempo. assim como você.

    um beijo para minha guerreira preferida!

    ResponderExcluir
  2. Parece que agente esquece da gente ou sera que somos esquecidas??

    Bjs
    Insana

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  3. Tuka parabéns por ser a mulher que é! Sem ser vítima e ser tão sábia, forte e serpreendente!
    Por saber olhar pra vida e vivê-la e fazer suas escolhas baseadas em suas crenças e verdades.
    Adorei os post sobre a amamentação e este da Adaptação! Ser feliz dá muito trabalho e não é fácil não!
    beijocas,
    Mari.

    ResponderExcluir
  4. Tuka parabéns por ser a mulher que é! Sem ser vítima e ser tão sábia, forte e serpreendente!
    Por saber olhar pra vida e vivê-la e fazer suas escolhas baseadas em suas crenças e verdades.
    Adorei os post sobre a amamentação e este da Adaptação! Ser feliz dá muito trabalho e não é fácil não!
    beijocas,
    Mari.

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  5. Muito amor, compreensão, paciência e diálogo são ingredientes básicos, e estou sempre tentando usá-los nos meus dias...

    espero que quando eu chegar na fase em que você está, eu tenha maturidade o suficiente para conseguir usá-los em 100% do tempo. assim como você.

    um beijo para minha guerreira preferida!

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