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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Amamentação


Este post não será de exclusividade da Letícia, afinal minhas aventuras e desventuras com a amamentação vem de longa data. É longo, mas vale a pena ler.

 Embora eu fosse muito jovem quando tive o Allyson (17 anos), sabia da importância da amamentação e tinha lido muito a respeito na intenção de me preparar para isso. Mas tudo o que ouvi durante a minha preparação eram relatos de que o bebê sabia exatamente o que devia fazer e que a intuição e o instinto fariam praticamente todo o trabalho.

Isso foi uma mentira muito grande. É claro que o bebê tem o instinto de sugar, e eu, o desejo enorme de alimentá-lo com o meu leite, mas nada do que li ou ouvi, me preparou para amamentar meu primeiro filho que nasceu prematuro e como era muito pequeno, levou alguns dias para começar a se alimentar de leite. Para que não fizesse esforço sugando (em bebês prematuros, qualquer esforço, até mesmo para se manter aquecido faz perder peso, justamente o contrário do que se deseja) começou a alimentar-se por sonda.    

Mamava 2ml de leite a cada duas horas, enquanto eu retirava litros no banco de leite. Meus mamilos racharam, doía muito, saía sangue às vezes. Mas continuei tirando o leite pra ele. Com 2 semanas me autorizaram a oferecer o peito a ele. Eu já não sabia como segurá-lo e ainda tinha que fazer isso com ele dentro da incubadora. Ele me olhava faminto, eu chorava com ele.

Quando ele saiu do hospital, com 42 dias, recebi a orientação de complementar a amamentação com leite em pó, e como eu já fosse completamente desajeitada para amamentá-lo, a mamadeira decretou o fim do nosso período de total integração. Ao todo, amamentei ele por 3 meses e meio.

Quando a Yasmin nasceu, quase 8 anos depois, já tinha outro tipo de percepção de tudo e mais do que nunca queria amamentar meu bebê. Mas ainda me faltava muita informação. Se consegui amamentá-la por 9 meses, foi de teimosa que eu sou. Ela sugava e meu leite saia, mas custou a realmente "descer" e ela tinha fome.

Fiquei sem meu marido na primeira semana com ela, pois ele tinha iniciado num emprego novo e precisou viajar no dia em que ela nasceu, (iria às 7 mas ela nasceu 15 minutos antes, acabou viajando ao meio dia) então me senti desamparada, tinha minha sogra e minhas cunhadas tomando conta de mim, mas queria meu marido e minha mãe por perto. Entrei em pânico.

Uma vizinha que tinha tido bebê um mês antes, me acalmou, colocou o seu bebê para sugar meu seio enquanto ela alimentava a Yasmin, que mamou muito e se acalmou. O bebê dela, maior e mais faminto, também fez um ótimo trabalho comigo, no outro dia meu leite desceu tanto que tive febre e passei o maior trabalho para retirar o excesso e ficar numa boa.

Meus mamilos tambem racharam desta vez, cada vez que ela mamava, eu chorava de dor e tinha vontade de desistir daquilo tudo. Mas como eu disse, eu era teimosa, e com o tempo as coisas se ajeitaram. Só parei de dar de mamar à ela porque não queria outros alimentos e o jeito foi tirar o peito para que ela se prestasse a comer frutas e papinhas. Hoje sei que também foi um erro, poderia ter feito de outra forma, mas foi a orientação que o pediatra me deu.



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Aline à esq e Camila à dir
Com as gêmeas a situação foi outra. Recebi a orientação do meu neurologista de suspender a medicação que tomava assim que soube da gravidez e de iniciar com outra no 6º mês, para já estar protegida quando o bebê (na época ainda acreditávamos ser só um bebê) nascesse. Poderia amamentar normalmente.

Mas eram dois bebês e nasceram prematuras. Como eram muito pequenas e não tinham completado todo o seu ciclo de formação dentro da barriga, ouve uma discussão sobre se eu poderia ou não amamentá-las tomando aquela medicação. Esperei por 2 dias a descisão dos  médicos antes de iniciar a estimulação do leite. Isso comprometeu muito a minha produção.
Lindo né?

Mesmo assim, só recebi autorização para dar o meu leite à elas depois que atingissem 2 kilos, antes disso tomavam fórmula para prematuros. Sofri muito com isso, tinha leite, elas tinham fome, sugavam as chupetas e mamadeiras com uma voracidade enorme, mas não podia dar meu leite à elas. Mas tirava no banco de leite e armazenava ara quando pudesse. A Camila atingiu o peso primeiro e foi com muita emoção que a amamentei a primeira vez, quase um mês depois do nascimento. A Aline só pode mamar no peito após sair do hospital, com 36 dias.

Aqui jánão sei mais quem é quem :/
O que me faltou foi estrutura logística. Ficava muito tempo sozinha com elas e como elas acostumaram no hospital a mamar no mesmo horário, eu me estressava em dar mama para uma enquanto a outra chorava de fome. Segurar as duas ao mesmo tempo exigia que alguém me ajudasse a colocá-las no peito. Era difícil e como também tinha a mamadeira para complementar, elas não me quiseram por muito tempo. Chorei horrores quando me rejeitaram. Mas consegui amamentar as duas por 4 meses.

Letícia aos 6 meses
Com a Letícia a orientação do neurologista já foi diferente, suspender a medicação e começar a tom´-la assim que o bb nascesse, mas não poderia amamentá-la. Bati o pé, e quis amamentá-la assim mesmo. Qaundo ela nasceu, fiquei com ela nos braços por muito tempo antes que levassem ela para tomar banho e etc, mesmo assim, levaram ela, e me devolveram minutos depois ainda na sala de recuperação, onde dei o peito pela primeira vez e ela me mostrou o quanto também queria ser amamentada. Foi voraz e enfática desde o rpimeiro momento. Aliás ela é assim, uma flor de formosura, calma, tranquila, mas quando quer algo, sabe se fazer entender.
Com 2 meses o médico me pressionou novamente a parar a amamentação e iniciar com a medicação, mas novamente bati o pé e me neguei. Queria amamentá-la pelo menos os 6 primeiros meses. Mas com 4 meses minha EM começou a dar sinais de atividade e então recebi um ultimato. Comecei então uma batalha épica para desmamá-la.

Acontece que a bichinha não queria saber de mamadeira, cerrava os lábios, virava o rosto e chorava muito quando tentava oferecer a mamadeira. Meu marido dizia que era o leite em pó que ela estranhava, mas coloquei o meu leite na mamadeira e ela rejeitou igual. Ofereci com copinho, com colherinha... nada! Ela simplesmente não queria. Havia colocado na creche, justamente para obter ajuda para esse processo, mas ela não queria saber. Ficava com fome, horas, mas não mamava na mamadeira. Perdeu peso, se estressou, eu me estressei e acabei tendo um surto.

Nessa época, vi que precisava mesmo tirar o peito dela, ou ia acabar ficando com problemas mais sérios e não poderia nem mesmo cuidar dela. Então comecei a insistir muito, até que ela começou a aceitar a mamadeira de vez em quando, até que consegui finalmente tirar o peito, faltando 2 dias para ela completar 6 meses! Ou seja, ela mamou o tempo que ela quis e que era o que eu queria também.

Um bebezão!
Se é uma coisa da qual vou sentir muita falta dos filhos pequenos é de amamentá-los. É um momento único que proporciona uma intimidade muito grande entre a mãe e o bebê, uma ligação que é para a vida inteira. Queria ter podido dar o peito por muito mais tempo à todos eles, mas sei que fiz o que foi possível diante de cada situação.

Acho que a minha história serve um pouco de alerta, de que só o instinto não resolve nada. É preciso tranquilidade, apoio familiar, local adequado (pelo menos no início, depois que a gente pega o jeito qualquer lugar serve), e principalmente muita informação para que as mamães não desistam de amamentar seus filhos.
Comentários
8 Comentários

8 comentários:

  1. Nossa vc escreve tão bacana adoro ler seus posts...
    Esse assunto amamentação engraçado sempre me emociona muito, amo ler a respeito.
    Que gerreira vc viu????
    Linda noite
    S2

    ResponderExcluir
  2. essa é a parte que me assusta MUITO!
    Ja lí muito sobre, minha irmã é formada e especializada em alimentação de bebês, mas mesmo assim tenho medo.

    Vc é guerreira Tuka...
    cada dia que passa me encanta mais conhecer suas histórias, e fico mais feliz de ter achado você aki nesse mundo.

    beijos

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  3. Tuka,
    Que lindo amiga, que Deus te abençoe juntamente com seus bebês.
    Meu sonho é ser mãe,vou casar em dezembro (ainda nao contei isso no blog mas vou contar logo)mas só penso em ter um bebe daqui há 2 anos pelo menos, por causa da faculdade. Meu noivo é bem paciente. Mas fico pensando em todas essas coisas, é claro que as vezes dá um pouco de insegurança, ''será q vou conseguir?'...,mas eu penso que Deus nos prepara durante 9 meses p/ q possamos dar conta do recado. Ai eu confio.
    Linda sua familia e sua historia.

    Fica com Deus sempre beijos
    ps: to com um blog novo,(mas vou ficar com o de sempre tbm)depois passa lá.

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  4. Tuka, ler o post me remeteu ao tempo... tempo em que nos reunimos na tua casa, quando retornaste do parto do Alysson e nos contaste como era o parto, lembra disso? Aquilo sim é que era o terror,e eu tive os 3 de parto normal, hahahaha. Amamentar é realmente uma maravilha, não há como descrever a ligação que nos une (mãe e bb), parece que naqules momentos nos comunicamos por telepatia com eles. Mas a estrutura a qual te referiste é realmente fundamental. bj

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  5. oi minha flor,realmente é um momento unico,lindo e inesplicavel, e realmente sentimos uma dorsinha mas é apartir deste momentos q temos q começar a fezer o possivel e o impossivel por nossos filhos. infelismente ainda tem mães q não ter este momento muitas vezes por caprichos, mas nós sabemos q fizemos nossa parte e deus é testemunha disso, e se deus quiser quero ter,viver este momento de novo. um grande bjo e te amo muito minha amiga

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  6. Tuka, ler o post me remeteu ao tempo... tempo em que nos reunimos na tua casa, quando retornaste do parto do Alysson e nos contaste como era o parto, lembra disso? Aquilo sim é que era o terror,e eu tive os 3 de parto normal, hahahaha. Amamentar é realmente uma maravilha, não há como descrever a ligação que nos une (mãe e bb), parece que naqules momentos nos comunicamos por telepatia com eles. Mas a estrutura a qual te referiste é realmente fundamental. bj

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  7. Nossa vc escreve tão bacana adoro ler seus posts...
    Esse assunto amamentação engraçado sempre me emociona muito, amo ler a respeito.
    Que gerreira vc viu????
    Linda noite
    S2

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