Fui uma adolescente rebelde. Contestava meus pais, professores e até o governo. Fui namoradeira e isso era uma transgressão para a época. Aliás, ainda é, embora um pecado menos grave a cada ano que passa. Na época começava a se ouvir o termo "ficar" coisa que ainda hoje causa estranamento aos pais. Não sei se ainda se aplica, mas o que eu chamava de "ficar" era dançar com um mesmo guri a festa inteira e TALVEZ dar uns beijos na boca no fim da noite. Inocente, mas avançadíssimo para os padrões até então aceitáveis.
Comecei a trabalhar cedo, aos 13 anos. Não por necessidade, porque embora nossa vida tenha sido sempre muito difícil, não me faltava o essencial, mas porque eu queria mais do que o básico e tinha consciência que meus pais já me davam tudo o que lhes era possível. Em mais um ato de rebeldia contestei meus pais que desejavam que eu só estudasse e fui trabalhar. Por essas e outras atitudes sempre me considerei uma guria rebelde e até descolada. Puro blefe.
Ao longo dos anos fui percebendo que não era bem assim. Fui namoradeira não porque fosse avançadinha, mas por ser romântica e idealizar o amor perfeito, o príncipe encantado, a felicidade plena e eterna. Tenho enorme dificuldade em lidar com as minhas emoções e principalmente falar sobre elas. Quero coisas e sei exatamente o que eu quero, mas externar meus desejos e brigar claramente por eles é uma dificuldade enorme, como se eu só desejasse coisas ruins, proibidas, que não podem ser ditas publicamente, mas na verdade só desejo coisas simples que a maioria das pessoas também deseja. Tenho vergonha do que sinto, mesmo que seja amor. Falar sobre isso então, é um mico tipo king kong, me faz corar, gaguejar e ter tremedeira... Tenho pensamentos obscenos, falo muito palavrão, sou irônica e adoro contar piadas, mas nada disso aparece diante de pessoas com quem tenho pouca intimidade. Escrevendo então, sou muito formal até mesmo quando quero ser engraçada.
Em síntese: sou uma reprimida. Mas conseguir escrever sobre tudo isso é uma vitória. Será um sinal de que tenho cura?
Parabéns pelo blog. Gostei dos textos.
ResponderExcluirameeeeiiiiiiiii!!!
ResponderExcluirnossa adoro ler seus textos...
tbm sempre tive vergonha de falar dos meus sentimentos, sempre acho q ou vão rir, ou é errado. a pouco tempo com o namorado q sempre me deixou muito confortável pra falar, é q tenho externado mais...
e sim, vc tem cura. um passo de cada vez... vc chega lá \o/
beijooos
Querida Kátia, tive o privilégio de partilhar tua vida quando pequena de perto por morarmos próximas, toda vez que penso en ti sinto mais forte a admiração e o encanto que tua coragem me fazem sentir. Continua sempre linda e maravilhosa, a vida te dará sempre muitas recompensas. Um grande beijo, parabéns
ResponderExcluirSelimar
Como já conversamos esses dias, tive sorte "por você ser namoradeira" ...
ResponderExcluirEntendo esta dicotomia entre descolada e reprimida... mas "se descolar" faz com que a gente se sinta mais a gente mesmo ....
Não me entrega ssim Jorge... rsrsr
ResponderExcluirComo já conversamos esses dias, tive sorte "por você ser namoradeira" ...
ResponderExcluirEntendo esta dicotomia entre descolada e reprimida... mas "se descolar" faz com que a gente se sinta mais a gente mesmo ....
Não me entrega ssim Jorge... rsrsr
ResponderExcluirParabéns pelo blog. Gostei dos textos.
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